2.3. Estilos de aprendizagem
2.3.2. Modelo de estilos de aprendizagem segundo Dunn
Segundo Dunn & Dunn (1999), o estilo de aprendizagem é a forma como cada aluno se concentra em processar e reter informação nova e difícil. Os mesmos autores referem ainda que o modelo de ensino imposto pelos professores na sala de aula pode beneficiar alguns alunos, mas também pode prejudicar outros.
Dunn & Dunn (1999) referem que se deve ter em conta determinadas premissas que podem ajudar no processo de aprendizagem e na determinação do respectivo estilo de aprendizagem, a saber:
• A maioria dos alunos pode aprender.
• Todos os alunos têm pontos fortes, sendo que os pontos fortes variam de aluno para aluno.
• Os ambientes educacionais, os recursos e as abordagens que cada
professor utiliza no processo de ensino/aprendizagem influenciam os estilos de aprendizagem dos alunos
• As preferências individuais de cada aluno podem ser mensuráveis com um certo grau de fiabilidade
• Em ambientes que têm em conta os estilos de aprendizagem dos
estudantes, estes atingem níveis de sucesso mais elevados.
• A maioria dos professores pode aprender a usar e a considerar os estilos de aprendizagem dos seus alunos como uma pedra angular da sua instrução.
Dunn & Dunn (1999) referem-se também à importância de determinados factores exteriores ou ambientais com influência directa na aprendizagem dos alunos. Assim, parece essencial numa primeira observação, fazer um registo do tipo de ambiente educacional, saber se este favorece uma aprendizagem bem sucedida ou se pelo contrário vota os alunos ao “quase” fracasso.
Dunn (1999) considera que o estilo de aprendizagem é constituído por cinco tipos de estímulos: ambientais, emocionais, sociológicos, fisiológicos e psicológicos. Cada um destes estímulos engloba diversos elementos (Figura 3).
Figura 3 – Esquema das dimensões do modelo de estilos de aprendizagem, segundo Dunn & Dunn (1999)
Segundo a mesma autora, no que diz respeito aos estímulos ambientais, os estudantes podem ser influenciados por elementos como a acústica, a iluminação, a temperatura e o design decorativo. Os alunos cujas necessidades são atendidas dentro destes parâmetros tendem a ter um melhor aproveitamento escolar.
A dimensão emocional tem em conta aspectos como a motivação, a persistência, a responsabilidade, a conformidade/ inconformidade e o trabalho organizado. As crianças tendem a ser conformistas até por volta dos 2 anos. Mais tarde entre os 12 e 14 anos, o indivíduo volta a entrar numa estado de inconformidade, a adolescência. Uma terceira fase de “revolução” acabará por emergir na fase adulta, entre os 40 e 50 anos. Nesta fase, as suas
responsabilidades parentais são questionadas, assim como as suas decisões profissionais e até mesmo a vida matrimonial. Aparentemente, todos os alunos são influenciados por este elemento. No entanto, os alunos que são mais sensíveis ao elemento conformidade / inconformidade, terão de ser acompanhados e aconselhados para responderem de forma eficaz aos desafios que lhes são colocados. Sem este apoio, poder-se-ão tornar alunos irritados, agressivos, indisciplinados e desatentos.
A organização do trabalho incide na definição de objectivos, especificação de tempos e planificações e limitação dos recursos. Os alunos influenciados por estes parâmetros de forma mais incidente têm dificuldade em assumir objectivos definidos por outros, tendo necessidade de lhes imprimir um cunho pessoal. Geralmente apresentam trabalhos feitos “à sua maneira”.
A dimensão sociológica compreende cinco elementos diferentes: aprender sozinho, em pares, com pequenos grupos de colegas, em equipa, com adultos ou em diferentes combinações dos quatro elementos referidos anteriormente. Assim, segundo Dunn & Dunn (1999), os alunos mais analíticos preferem estudar sozinhos. Se tiverem de trabalhar com alguém preferem um sujeito com um determinado conhecimento ou uma determinada autoridade, caso contrário tornam-se bastante críticos, pois precisam de avaliar o trabalho por eles próprios.
Quando o aluno gosta de trabalhar em pares, prefere que seja outro aluno com quem se relaciona, ou então um professor conhecido e com quem lida directamente. Por vezes, acontece que alguns sujeitos gostam de trabalhar das duas formas, sozinhos ou em grupo, dependendo da hora e da situação, enquanto outros apenas trabalham com alguém que respeitam. Alguns alunos não conseguem trabalhar com outros colegas, no entanto, relacionam-se facilmente com meios tecnológicos, podendo passar horas num computador. Alguns alunos preferem trabalhar com alguém perto, para o caso de precisarem, renegando livros e leituras.
Na dimensão fisiológica, os alunos são influenciados pela audição, visão, manipulação de objectos ou participação e envolvimento activo nas actividades, sendo todos estes impulsos importantes para a aprendizagem. Para realizar uma aprendizagem bem sucedida, os alunos necessitam passar por várias
etapas, várias vezes ao dia e durante vários dias, se necessário. Quando esta sequência não é seguida, os alunos têm mais dificuldade em reter informação. Uma vez ouvida, lida e entendida a informação, precisam aplicá-la em jogos, livros ilustrados, quadros electromagnéticos ou até mesmo poemas. Assim, as etapas a seguir são:
1. Introduzir a informação através duma modalidade fortemente
individualizada (audição, visão ou manipulação)
2. Reforçar esta informação através das outras modalidades (se se tiver utilizado a audição, utilizar agora a visão e manipulação)
3. Aplicar a informação a uma situação prática: puzzle, poema, canção ou outro tipo de recurso considerado oportuno.
No que diz respeito à hora do dia, Dunn & Dunn (1999) referem que existem dois tempos preferenciais para o estudo. Assim, parece que os adultos preferem estudar de manhã, sendo-lhes mais fácil a retenção de informação, enquanto os adolescentes preferem trabalhar à noite, depois do jantar. O período da tarde fica assim fora de cogitação. Salientam, ainda, que um aluno/adolescente com teste marcado para a manhã terá menos hipóteses de sucesso do que se for realizado ao final da tarde.
A ingestão de alimentos ou bebidas durante a aprendizagem parece ter aguçado a atenção de alguns investigadores nos últimos anos. Segundo MacMurren (1985, in Dunn & Dunn 1999), os alunos que precisam de comer enquanto estão concentrados e a quem foi autorizado comer durante uma prova, conseguiram melhores resultados do que aqueles a quem não foi permitido comer. Esta atitude parece surtir um efeito relaxante durante a concentração.
A dimensão fisiológica contempla ainda a mobilidade ou quietude durante a aprendizagem. Alguns alunos necessitam de fazer intervalos com mobilidade ao fim de algum tempo de trabalho, para não correrem o risco de perderem a concentração e ficarem frustrados.
Por fim, na dimensão psicológica dstinguem-se alunos globais ou analíticos. O aluno global é aquele que prefere receber uma informação de
forma global, para depois a analisar pormenorizadamente. Já o aluno analítico prefere exactamente o oposto. Estes alunos preferem partir duma ideia específica para obter depois a compreensão da informação no seu todo.
No próximo capítulo apresentam e justificam-se as opções metodológicas utilizadas ao longo da investigação de forma a tornar mais compreensíveis as fases do seu desenvolvimento.
CAPÍTULO 3
METODOLOGIA
Esta investigação baseou-se essencialmente no paradigma naturalista, combinando investigação-acção e estudo de caso. A metodologia utilizada foi predominantemente qualitativa uma vez que os dados foram recolhidos através da observação participante (sessões de formação) e da observação não- participante (observação de aulas), bem como através de entrevistas semi- estruturadas às três professoras envolvidas no estudo, antes e após o plano de formação. Foi ainda feita a análise documental, quer do portfolio das professoras, quer do diário da investigadora. Refira-se, também, que foi utilizada alguma análise quantitativa dos dados recolhidos na medida em que foram aplicados dois questionários – Learning Style Inventory (Kolb, 1999), no caso das professoras colaboradoras e Elementary Learning Style Assessment (Dunn, Rundle e Burke, 2007), no caso dos alunos.
A investigação qualitativa permite-nos uma compreensão mais profunda das questões investigadas. No paradigma qualitativo, o investigador é o “instrumento” de recolha de dados. A qualidade (validade e fiabilidade) dos dados depende da sua sensibilidade, integridade e conhecimento. Segundo Coutinho (2007), a investigação qualitativa fornece informações fundamentais a nível dos processos de ensino-aprendizagem que não seriam possíveis obter através da investigação quantitativa. Segundo este autor, existem alguns factores que nos permitem identificar as variáveis relevantes no processo de investigação que não são detectáveis com os métodos quantitativos, como a observação atenta das situações, as entrevistas pormenorizadas e a análise documental.
Coutinho (2007) refere, ainda, que nos estudos qualitativos as conclusões devem ser expressas em forma de discurso narrativo e descritivo. O investigador deverá demonstrar honestidade e veracidade na apresentação das suas conclusões. Sem esta veracidade, a investigação não terá valor científico, não permitindo ao investigador atingir os seus objectivos.
Uma investigação científica criteriosa e rigorosa requer uma delimitação do estudo que envolva organização e construção dos processos. Para tal, definiu-se o corpo orientador da pesquisa que envolveu os métodos que a seguir se apresentam.