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Modelo de Sullivan (1998) – Intellectual Capital Assets Valuation

5. Modelos de Avaliação de Intangíveis

5.6. Modelo de Sullivan (1998) – Intellectual Capital Assets Valuation

Os estudos de Sullivan a respeito do tema de ativos intangíveis tratam do valor que o Capital Intelectual – CI podem trazer a uma organização, como extrair valor a partir de CI, como organizar a empresa para sistematicamente obter o valor desejado e como medir o valor do CI, tanto em termos monetários quanto em posição estratégica da empresa (Sullivan e Sp oule, ; Sulli a e O’Shaugh ess , ; Sulli a , a, , a, . A obra Sullivan (1998) sintetiza esses conhecimentos e será utilizada como base para descrever seu modelo de avaliação de ativos intangíveis que o autor chama de capital intelectual, mas com o mesmo sentido.

Para o entendimento do modelo de avaliação do CI, o primeiro passo é compreender a taxonomia utilizada por Sullivan (1998). O autor utiliza o termo capital intelectual para se referir a empresas do conhecimento – knowledge companies, que são companhias que fazem uso do conhecimento (CI) para gerar vantagens competitivas e, assim, lucros. Em sua taxonomia, as knowledges companies são alavancadas por três fontes de capital: humano, estrutural e intelectual.

O conhecimento deve ser trabalhado pelos gestores para gerarem valor tanto no campo tácito quanto no codificado. Melhor o segundo que o primeiro, pois fica de propriedade da empresa e não das pessoas. A tabela 14 ilustra os exemplos de ambos.

Tabela 14 – Tipos de conhecimento Industrial.

Tácito Codificado

Definição Conhecimento que é difícil de

articular e pode ser embarcado na forma como as coisas são feitas

Conhecimento e pode ser escrito em algum meio

Propriedade A propriedade reside no

possuidor do know-how; difícil de copiar ou transferir.

Tecnologicamente fácil de proteger por intermédio da lei; também fácil de transferir. Exemplos Experiência Erudição Conhecimentos do grupo Diagramas Códigos Fórmulas Softwares

FONTE: Traduzido Sullivan (1998).

Conhecimento tácito, portanto, reside no indivíduo possuidor desse conhecimento sendo de difícil transferência. Logo, é um ativo que se perde caso o empregado troque de empresa. O conhecimento codificado já é um ativo da empresa, pois fica mesmo com mudanças de equipe.

O CI pode ser dividido em duas partes, capital humano e ativos intelectuais, conforme mostram exemplos de ambos na figura 8. Ao contrário do capital humano que por sua

característica própria é intercambiável e não pode ser de propriedade dos acionistas, ativos intelectuais são e podem ser. Ainda segundo Sullivan (1998), uma das principais tarefas de um gestor é transformar capital humano (tácito) em ativo intelectual (codificado).

Figura 10 – Capital Intelectual.

FONTE: Traduzido de Sullivan (1998).

O capital humano de uma firma pode ser definido como as capacidades de empregados, terceirizados, fornecedores e outras pessoas relativas à firma em resolver os problemas dos clientes. Os ativos intelectuais podem ser divididos em duas partes, codificados e protegidos. Os protegidos são aqueles ativos codificados que recebem proteção legal, como marcas e patentes.

Uma parte importante dos ativos da empresa que não está ilustrado na figura 8, mas que compõe o valor da empresa é o Capital Estrutural. É o suporte ou infraestrutura provido pela firma ao seu capital humano. Pode ser direto, cujo ativo é tocado diretamente pelo empregado como computadores, mobiliários e telefones, quanto podem ser intangíveis como softwares, procedimentos de trabalho e planos de marketing. O suporte indireto é realizado por prédios, lâmpadas, encanamentos e também elementos intangíveis como planejamento estratégico, sistemas de remuneração, estruturas de custo e relacionamento com fornecedores.

O capital estrutural pode então ser definido como o capital que fica na empresa depois que o empregado deixa a empresa. Um elemento que segundo Sullivan precisa de especial atenção é o que o autor chama de Ativos Complementares do Negócio. São os ativos que a empresa utiliza para criar valor no processo de comercialização. Há dois tipos de Ativos Complementares, aqueles genéricos que podem ser adquiridos no mercado e os únicos ou específicos porque somente a empresa é detentora e eles complementam as inovações de seu capital humano. Esses ativos específicos podem ser utilizados estrategicamente como

Capital Humano Experiência Know-how Habilidades Criatividade Ativos Intelectuais Programas Invenções Processos Plantas Bases de dados Designs Metodologias Documentos Propriedade Intelectual Patentes Direitos Autorais Marcas registradas Segredos Comerciais

uma barreira a competição, licenciado como fonte de renda, vendido ou utilizado para atrair joint ventures.

Ativos complementares específicos são uma fonte de valor adicionada a inovação e também fontes ocultas de valor, gerando mais valor que seus respectivos valores contábeis registrados nos balanços.

Para avaliar uma empresa sob o pensamento de Sullivan é necessário mudar o ponto de vista de um valuation contábil, segundo ao autor, baseado em ativos tangíveis e preços baseados em transações para um baseado em CI. No mundo do capital intelectual há duas fontes de geração de valor, inovações (CI) e ativos complementares.

Para Sullivan (1998) o valor de mercado pode ser expresso nos moldes tradicionais31 em:

VME = VTA + DCF

Onde,

VME Valor de mercado da empresa

VTA O valor dos ativos tangíveis da empresa

DCF o valor dos fluxos de caixa futuros que a empresa espera gerar descontados

Sob a ótica de Sullivan então o VME de uma empresa é uma soma dos tangíveis com a esperança de geração de caixa da empresa. Com a visão de CI empregada, a nova equação se transformaria em:

VME = VSC + VDCFIC

Onde,

VSC é para valor do capital estrutural

VDCFIC é o fluxo de caixa descontado proveniente das inovações do CI da empresa

Sob essa nova ótica, o capital intelectual é que é o gerador de fluxo de caixa futuro, portanto o gerador de valor da empresa. Outra abordagem do autor para avaliar os ativos intangíveis é o que segue: = 𝑇 + 𝐼 𝐼 ⋮ 𝐼 𝑁 ) + ⋮ ) + 𝑧 ) 3131

Este modelo não é encontrado na literatura financeira, pois o DCF já incorpora o efeito dos tangíveis, logo, se somados haveria uma dupla contagem de valor. Os únicos ativos tangíveis que são passíveis de soma são aqueles que já possuem valor monetário imediato como caixa e aplicações financeiras desde que não façam parte do capital de giro necessário ao negócio. Este assunto já foi de atido o tópi o Modelos de Valuation .

Onde,

VTA é o valor dos ativos tangíveis da empresa

NPV valor presente de uma série de fluxos de caixa

IC são as inovações geradas pelo Capital Intelectual (onde a-n são os grupos específicos de CI)

CBA são os ativos complementares do negócio (onde i-p são os grupos associados com cada grupo de CI)

GSC é o capital estrutural genérico

O autor minimiza a importância de dupla contagem de ativos na parcela inclusa de VTA sob o argumento de para empresas baseadas em conhecimento esses ativos são insignificantes se comparados ao valor da empresa. Também não ressalta em seu modelo como separar os caixas gerados pelos ativos, nem quais ativos devem ser colocados em cada grupo, já sugestionando que cada empresa possui um grupo particular de geração de valor através de ativos intangíveis.