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Capítulo 2 – Quadro teórico da internacionalização

2.3 Teorias da internacionalização

2.3.3 Teorias comportamentais

2.3.3.1 Modelo de Uppsala

Johanson e Vahlne (1977) desenvolveram um modelo que explica o processo de internacionalização de empresas denominado como modelo de Uppsala. Com base num

estudo de empresas suecas, estes autores evidenciaram que os processos de internacionalização dessas empresas eram levados a cabo gradualmente, ao invés de iniciados através de grandes investimentos. Com base nos pressupostos da internacionalização, os autores evidenciaram que as empresas começam por exportar para um país estrangeiro, através de um agente, estabelecendo, seguidamente, uma subsidiária local e, por fim, uma unidade de produção nesse destino.

O estudo engloba, também, a análise do tempo de estabelecimento de operações estrangeiras, influenciada pela distância psíquica entre países. Aqui, foram avaliados um conjunto de fatores que limitam a transmissão de informações importantes entre os mercados, tais como a linguagem, a educação, práticas negociais, cultura e desenvolvimento industrial.

As principais assunções deste modelo mostram que a falta de conhecimento do mercado criam uma grande barreira para o desenvolvimento de operações internacionais e que esse conhecimento pode ser obtido através de operações no exterior do seu ambiente doméstico.

Os autores apontam duas possíveis direções para a internacionalização, o aumento do envolvimento das empresas num país estrangeiro e a criação sucessiva de operações em novos países. Este envolvimento com o mercado é dependente do conhecimento detido sobre o mesmo, como também dos recursos. Johanson e Wiedersheim-Paul (1975) afirmam que os riscos diminuem através do conhecimento dos mercados e das suas operações, assumindo que o risco associado aos investimentos são estimulados pelo desejo de controlar as vendas e pela exposição a ofertas e procuras que encontram exteriormente.

A falta de conhecimento do mercado e a tentativa de evitar a incerteza levam as empresas a exportar, inicialmente, para países geograficamente mais próximos ou para países que possuam práticas negociais similares ao mercado doméstico.

Assim surgiu a cadeia de estabelecimento proposta por Johanson e Wiedersheim-Paul (1975), composta por quatro fases: (i) exportações não regulares; (ii) exportações através de agentes independentes; (iii) vendas através de uma subsidiária; e (iv) produção / fabrico.

Estas quatro etapas indicam o nível de compromisso de recursos executados pela empresa, como também permitem obter diferentes experiências e informações. A primeira fase indica um investimento nulo e uma falha no estabelecimento de um canal de informação regular entre os mercados. A segunda sugere que a empresa possui um

canal de informação entre mercados, do qual pode obter informações privilegiadas acerca dos fatores que influenciam as vendas. A terceira mostra que a empresa tem um canal de informação sob controlo, utilizando-o para transmitir o tipo e a quantidade de informação entre a empresa e o mercado. Esta fase permite à empresa obter informações relacionadas com os fatores que influenciam os recursos. A última fase adiciona um maior compromisso de recursos entre a empresa e o mercado (Johanson & Wiedersheim-Paul, 1975).

As quatro fases da cadeia de estabelecimento não são rígidas. Os autores alertam que alguns mercados não são suficientemente grandes para que decorra uma transmissão de recursos e é expectável que algumas empresas, principalmente as que possuem uma vasta experiência internacional, não percorram rigorosamente as quatro etapas assinaladas.

Como mencionado anteriormente, este modelo tem em consideração a distância entre mercados. Contudo, para Johanson e Wiedersheim-Paul (1975), a distância não é o único fator que pode influenciar o processo de internacionalização. O tamanho de um potencial mercado também poderá limitar a decisão. É expectável que as empresas, de acordo com a sua estratégia e capacidade, entrem em mercados de grande dimensão ou de menor dimensão.

Esta teoria defende que a distância psíquica tem um peso relevante nas etapas iniciais de exportação e de identificação de agentes. Tem uma menor influência quando as empresas têm como objetivo a implementação de uma subsidiária no mercado alvo.

A implementação de uma unidade de produção, relativa à quarta fase da cadeia de estabelecimento, será influenciada tanto pela distância como pelo tamanho do mercado, mas, também, por outros fatores, como custos de transporte, taxas, barreiras alfandegárias, entre outros (Johanson & Wiedersheim-Paul, 1975).

Este modelo sugere que o processo de internacionalização está incutido num compromisso evolutivo e sequencial com o mercado estrangeiro no decorrer do tempo.

Embora este modelo tenha sido citado em muitos estudos nas últimas décadas, alguns autores apontam várias críticas e limitações.

Bell (1995), através de um estudo empírico, identificou que a ordem da cadeia de estabelecimento nem sempre é respeitada de uma forma sequencial no processo de internacionalização. Esta ideia é partilhada por Turnbull (1987) que acrescenta, ainda, que a internacionalização pode ser realizada através do IDE, relegando para segundo plano a cadeia de estabelecimento. Esta última crítica também é frisada por Petersen e

Pedersen (1997), que adicionam o facto de este modelo não abordar a forma como o IDE é realizado, e que a internacionalização pode acontecer sem que sejam percorridas as quatro fases da cadeia de estabelecimento.

Para Li e Nkansah (2005), o modelo de Uppsala não é o mais indicado para explicar uma estratégia de internacionalização. Esta crítica deve-se a mudanças, principalmente tecnológicas e comunicacionais, que tornaram o mundo mais homogéneo. Para estes autores é necessário proceder a um enriquecimento, por parte das empresas, no que diz respeito ao conhecimento e experiência do mercado, de forma a poderem utilizar este modelo eficazmente no contexto mundial atual.

Por sua vez, Andersen (1993) defende que o modelo é redutor, que não explica a forma como é iniciado o processo de internacionalização, de que forma o conhecimento do mercado afeta o compromisso de recursos, e qual o passo seguinte no processo de internacionalização. Este autor aponta, ainda, que o modelo concentra-se unicamente numa análise macro económica. Vissak (2004) refere que este não é o mais apropriado para a indústria de serviços, onde a exportação não se aplica e que apenas oferece uma pequena explicação do processo de internacionalização.

Assim, pode afirmar-se que este modelo pode não ser o mais completo nem o mais adequado para explicar os processos de internacionalização atuais. Isto deve-se à evolução tecnológica e comunicacional, que permite aceder a informações, direta ou indiretamente, acerca dos mercados. Contudo, aborda fatores muito importantes que podem ser aplicados, em parte, ao fenómeno, nomeadamente o conhecimento do mercado e o compromisso de recursos.

Não obstante, Viana e Hortinha (2002) são da opinião que este modelo é indicado para explicar os processos de internacionalização de PME.