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Modelo didático

No documento Élen Ramos (páginas 43-46)

No ISD [...] defende-se que, para compreender bem [...] [os] textos, é necessário considerá-los verificando a articulação que ocorre entre os seus diferentes níveis que, para fins analíticos, podem ser decompostos em uma situação de produtos e uma arquitetura textual composta por uma infraestrutura textual (com plano global do conteúdo temático, tipos de discurso e eventuais sequências textuais); mecanismos de textualização (coesão verbal e nominal, conexão) e mecanismos enunciativos. Todos esses níveis contribuem para que o texto concreto, único, produzido em cada interação nos leve a compreender uma semântica do agir, na qual encontramos figuras de ação que nos permitem detectar modos de dizer e modos de agir semiotizados pelas diferentes organizações dos signos (BUENO, 2013, p. 305)

O modelo didático (MD) é um estudo teórico que sistematiza as especificidades de textos de um determinado gênero textual e aponta quais são as suas dimensões ensináveis. Logo,

apresenta o gênero textual, as suas características e elementos, que articulados concretizam o texto. Para iniciar, é importante expor o que já foi construído por meio da literatura científica e, depois, é necessário analisar um corpus proveniente do gênero. Esse corpus deve ser constituído de textos autênticos que sirvam de amostras para a observação, organização e construção do conhecimento. Então, o MD nos proporciona informações quanto à definição do gênero, seu contexto de produção, objetivos, seus elementos, sua forma, organização, linguagem empregada e as características sociais/históricas/econômicas do gênero (PIETRO, SCHNEUWLY, 2003). Esses subsídios são de caráter teórico e prático, pois o MD une “a proposta a uma dimensão social com base nos conhecimentos dos experts” (STUTZ, 2012, p. 116 – grifo da autora).

Segundo Pietro e Schneuwly (2003), há dois tipos de MD: o implícito, também chamado de intuitivo ou simples; e o explícito ou complexo. O primeiro é didatizado, com dimensões ensináveis limitadas, com uma construção e entendimento mais acessível, já o segundo resulta de trabalhos de teor teórico, rigoroso e científico. Nosso MD pode ser visto sob os dois pontos de vista, um modelo explícito com características teórico acadêmicas, mas, por outro lado, implícito, pois há momentos de síntese que abrem espaço para a simplificação a qual busca a utilidade pelos professores em ambiente escolar.

Para a construção do MD é necessário pensar em três princípios (SCHNEUWLY; DOLZ, 2004; CRISTOVÃO, 2007): se é pertinente; se é legitimo; e, se é solidarizado. O primeiro princípio se ocupa do encontro entre o foco escolar e as capacidades dos alunos. Isso é, se o gênero textual e seu respectivo MD converge com a proposta da escola e com as necessidades dos alunos. Em nosso MD pensamos em um contexto de alunos com níveis intermediários a avançados em inglês, os quais queiram desenvolver aulas de conversação. O RPG se trata de um jogo que envolve todos os jogadores em diálogos, logo suprimos esse item. O segundo princípio, a legitimidade, advém do caráter de ser um estudo fundamentado nas práticas sociais e na literatura sobre o gênero. Como já dito, temos um corpus de análise, e, também, nos baseamos no que já foi dito sobre o RPG, seja por experts, seja pela sua desenvolvedora. O terceiro e último princípio, a solidarização, refere-se à integração das dimensões do gênero, do contexto de produção, das dimensões organizacionais e enunciativas. No MD de RPG nossas análises partem dos níveis propostos pelo ISD sugerido por Bronckart (1999) e Machado e Bronckart (2009). Nelas passamos pelos planos anteriormente citados, assim, desfragmentando o gênero e, posteriormente, imbricando seus elementos, reconstituindo o gênero.

produção, utilidade social, suas características macro e micro, possibilitam um novo olhar sobre o ensino de línguas, seja pela sua abrangência, seja pela sua plasticidade, pois nunca é definitivo, assim como os gêneros textuais (BARROS, 2014). Deixamos de lado o foco apenas sobre o discurso, sobre a gramática descontextualizada, a lista de palavras, expressões e verbos fora de contexturas reais e aplicáveis, dessa forma, passamos a ter como instrumento de ensino os textos autênticos e os elementos que articulam para a sua materialização.

Conforme Nascimento, Gonçalves e Saito (2007), para a construção do MD o pesquisador precisa desconstruir, descrever e prescrever as dimensões ensináveis do gênero textual em tela. Ou seja, é necessário analisar amostras dos textos pertencentes ao gênero minuciosamente, detalhar os resultados dessas pesquisas e, ainda, apontar os elementos possíveis de serem ensinados para os alunos, pois temos em mente oferecer subsídios para o trabalho do professor. As dimensões ensináveis são importantes, pois o MD é construído pensando no estudo dos professores, em sua capacitação e empoderamento. Por isso utilizamos esse instrumento para solucionar a questão dos profissionais de ensino quanto ao que é pertinente ensinar aos alunos.

Acreditamos que o professor pode ter uma ampliação de possibilidades ao ensinar quando se aprofunda nas características de um gênero. Para tanto, o MD provê base para a escolha do gênero e dos elementos a serem ensinados para suprir as necessidades, especificações e interesses dos alunos (PIETRO; SCHNEUWLY, 2003). Ademais, vemos o MD como um auxílio para um aumento de autoconfiança do professor, pois proporciona a esse conhecimento para a construção de SD para seu trabalho em sala de aula. Stutz (2012, p. 118) afirma que “a utilização do MD na formação inicial oportuniza o desenvolvimento de ações reflexivas importantes para a compreensão e transformação da prática pedagógica”, assim, cremos que o ensino será desenvolvido com propriedade. Em suma, o MD é um instrumento que fornece embasamento teórico para o professor por prover um estudo detalhado sobre os diversos elementos constituintes da configuração do gênero, de forma que, esse profissional pode selecionar quais dimensões são necessárias de acordo com o contexto educacional no qual está inserido e construir propostas de trabalho fundamentadas cientificamente17.

17 A utilização de MD para a contrução de SD, dos mais variados gêneros, podem ser vistos nos seguintes trabalhos:

QUEROZ, Josiete Cristina Schneider. Sequência didática de contos de animais para o ensino de compreensão

e produção oral el língua alemã na educação infantil. Dissertação de mestrado em letras. Universidade estadual

do centro-oeste – UNICENTRO, 2016.

SOUSA, Everton Gelinski Gomes de. Horror short stories nas aulas de língua inglesa: transposição didática em análise. Dissertação de mestrado em letras. Universidade estadual do centro-oeste – UNICENTRO, 2015. STUTZ, Lidia (Org). Modelos didáticos de gêneros textuais: as construções de alunos professores do PIBID Letras Inglês. Campinas: Editora Pontes, 2014.

Para a construção do MD nós utilizaremos os níveis de análise do interacionismo sociodiscursivo proposto por Bronckart (1999) e, também, Machado e Bronckart (2009). Esses níveis são utilizados na avaliação do corpus de análise como critérios quanto às condições de produção e a arquitetura interna dos textos.

No documento Élen Ramos (páginas 43-46)

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