II. (Lean) Six Sigma no seguimento da evolução da Qualidade e Melhoria Contínua
2.4. Métodos e ferramentas do Six Sigma
2.4.1. Modelo DMAIC
DMAIC é frequente e habitualmente usado para projetos cujo objetivo principal é a
melhoria de processos de empresas já estabelecidas e com os respetivos negócios já em decurso. As ferramentas que temos vindo a mencionar são de primordial importância para uma correta execução do modelo DMAIC, embora isto não implique que o modelo se limite à sua utilização. Igualmente tão relevante como o processo são as pessoas que constituem as equipas. O modelo DMAIC é
4 “5W2H é um checklist de atividades a desenvolver pelos colaboradores da empresa. Funciona como um mapa
maioritariamente utilizado pelas equipas do Six Sigma quando em fase de elaboração de melhoria do processo.
Define (Definir). Significa conhecer com exatidão quem é o cliente e o que pretende.
Esta fase é caracterizada pela identificação de uma necessidade não satisfeita de clientes, sejam internos ou externos. O problema existente deve ser corretamente avaliado em termos quantitativos. É necessário compreender quais os processos mais importantes que vão ser utilizados e como, devendo-se identificar o projeto Six
Sigma a ser implementado e estabelecer claramente a meta e o objetivo do projeto.
Conhecer o que, na ótica do cliente, são os CTQ (Critical to Quality), delimitando o alcance do projeto que se pretende melhorar, nomeadamente, em termos de calendarização. Nesta fase, é importante a elaboração de um mapa de fluxo do processo;
Measure (Medir). Tem como objetivo medir rigorosamente o desempenho atual do
processo que se pretende melhorar. Nesta fase são usados os CTQ para determinação dos indicadores e a tipologia de defeitos detetados durante o projeto. A seguir procedemos ao delinear do plano para a recolha de dados e identificamos onde e como os recolher. Por fim, comparamos os resultados atuais com os que o cliente pretende para melhor determinação da diferença existente entre o que existe e o que se objetiva. Esta é a fase mais morosa do processo, exigindo o recurso a medições e recolha de dados que permitam determinar as características que possam influenciar o comportamento do processo.
Analyze (Analisar). Na terceira etapa, procedemos à análise da informação e dos
dados estatísticos obtidos. O objetivo é tentar identificar e determinar quais as causas profundas que estão na origem dos defeitos surgidos e como eliminá-los. É nesta fase que se determina se os dados obtidos revelam um problema real ou se é apenas aleatório. Procedemos em seguida à classificação das possíveis melhorias atribuindo-se as prioridades mais elevadas de acordo com os desejos do cliente. Ainda nesta fase, há que identificar e confirmar também o porquê das causas de variação que ocorrem para verificar e conferir as relações de causalidade dos fatores. Esse relacionamento existe? - Há outros fatores novos ou que não tenham sido examinados?
O Modelo Unificado do Processo de Desenvolvimento do Produto [s. d.] relativamente às ferramentas/padrões/método a utilizar nesta fase, definiu que se
“aplicam fundamentalmente, ferramentas estatísticas que permitam descobrir a origem dos problemas encontrados. Com base nos resultados obtidos da aplicação destas ferramentas, descobrir-se-á qual a verdadeira causa do problema a solucionar em vez de se agir nas suas consequências.” Devem servir para combater não a dor, mas a sua causa, usando uma analogia médica.
Improve (Melhorar). Nesta quarta fase e uma vez confirmado que o problema não é
aleatório, procedemos à elaboração de soluções que abordem a raiz do problema e levem à otimização do processo em estudo, de acordo com as expectativas do cliente. Nesta fase, devemos também desenvolver e implementar o plano de combate, visando a sua erradicação logo na origem. A equipa do Six Sigma deve apresentar soluções viáveis nesta fase. É de boa prática que estas sejam testadas antes de implementadas, para verificar como interagem com as outras entradas de variáveis. As melhores soluções serão selecionadas para posterior implementação sendo importante hierarquizar as soluções potenciais e realizar testes em pequena escala das soluções selecionadas, avaliando e minimizando os potenciais riscos. Sintetizando, é nesta fase em que são aplicadas as ferramentas estatísticas que irão possibilitar o aperfeiçoamento do processo. Com recurso a estas ferramentas, damos início, na prática, à eliminação dos erros existentes ou, se de todo não for possível, desenvolvemos novas soluções.
Control (Controlar). Implica validar o (bom) funcionamento das soluções propostas.
A atuação da equipa Six Sigma não finaliza com a implementação de uma determinada solução. É conveniente realizar a transição para a produção e depois medir continuamente o processo para garantir que as variações são corrigidas antes que se transformem em defeitos. O controlo de qualidade desempenha nesta fase um papel da maior importância. Pode ser necessário instituir sistemas e métodos de controlo de forma a garantir o novo rumo definido para o processo a melhorar. Para evitar que a solução seja passageira ou seja rapidamente esquecida, o novo processo deve ser devidamente documentado, assim como o seu plano de acompanhamento e monitorização e divulgado amplamente por todos os interessados. Através da implementação de diversos mecanismos para monitorizar continuamente o desempenho de cada processo é preciso definir e implementar um plano para avaliação contínua da performance do processo. Isto é feito através de
cartas de controlo, utilizadas para monitorizar os X´s (causas) ou os Y´s (resultados) do processo e detetar rapidamente mudanças de comportamento no mesmo.
Citando, neste caso, a Definição Básica de 6 Sigma, (2006), “as ferramentas estatísticas/padrões/método a usar nesta fase devem ser empregues de forma a garantir que as melhorias obtidas sejam mantidas na empresa envolvida e passem a fazer parte da sua cultura, transformando-se em novos padrões.”