Conforme orientações de Rogers (1995) e Gopalakrishnan e Damanpour (1997) esta seção apresenta as duas fases do processo de adoção: iniciação e implementação. O modelo ilustrado a seguir, apresenta as duas fases e seu conjunto de estágios articulados no processo de adoção de uma inovação.
O processo de inovação, em organizações, identifica os estágio sequenciais das ações e dos eventos que ocorrem durante os procedimentos de iniciar e implantar as inovações.
Segundo Rogers (1995), os resultados de vários estudos sobre inovação organizacional, geralmente demonstram correlações relativamente baixas de cada uma das seis variáveis internas da estrutura organizacional (figura 2), com a inovação organizacional. Uma razão para esses resultados é que cada uma das variáveis estruturais, podem estar relacionadas à inovação, em uma determinada direção durante a fase de iniciação do processo e, em sentido oposto, durante a fase de implementação.
Como exemplo, a baixa centralização, a alta complexidade e a baixa formalização, facilitam a iniciação do processo de uma inovação, mas estas mesmas características estruturais, podem se tornar “obstáculos” para que uma organização
implemente tal inovação.
Segundo Rogers (1995), um ponto importante na história da pesquisa sobre inovação, ocorreu com a publicação do livro seminal – Innovations and Organizations – pelo professor Gerald Zaltman e seus co-autores (1973). Esses autores especificaram os aspectos distintos da inovação, quando ocorrida em uma organização. Em tal estudo, a variável dependente principal das pesquisas, frequentemente eram inovações (p.e., novas tecnologias de comunicação, sistemas de informação gerencial etc.) ocorrendo na fase de implementação (isso é, quando a inovação é posta em uso) ao invés da fase de iniciação (que ao seu término, ocorre a decisão para usar ou não uma inovação).
Nesta dissertação, de acordo com o atributo principal da inovação (alto custo) pertinente à proxy da variável dependente, deseja-se analisar a influência da folga organizacional financeira sobre a adoção do BSC, numa fase do processo considerada como inicial, ou seja, na fase que antecede a tomada de decisão.
O PROCESSO DE INOVAÇÃO
Correlação Redefinição/Reestruturação Clarificação Rotinização
Figura 6: Cinco Estágios no Processo de Inovação em Organizações Fonte: Rogers (1995, p. 392).
Rogers (1995) expõe que o processo de adoção de uma inovação dentro de uma organização, está dividido em cinco estágios, divididos em dois grupos. No primeiro grande grupo, classificado de fase da iniciação, estão os dois estágios (definição/organização de prioridades e correlação).
No segundo grupo, ocorre a fase da implementação, que está dividida em três estágios (redefinição/reestruturação, clarificação e rotinização). De acordo com este framework, a fase inicial do processo, compreende o momento em que a organização está totalmente envolvida no recolhimento, conceitualização e planejando das informações internas da firma, visando em seguida tomar ou não a decisão sobre a adoção de uma inovação.
Portanto, o momento antecedente a que ocorreu a tomada de decisão pela adoção do BSC pelas empresas reguladas de capital aberto (Bovespa), parece ser a fase ideal para se avaliar o impacto da variável independente do modelo econométrico (folga organizacional - financeira). Nesta dissertação, a premissa básica é de que apenas as organizações com altos níveis de folga organizacional financeira, suportariam a adoção de uma inovação administrativa apontada por ser de alto custo – como o BSC.
No segundo grande grupo (fase da implementação), ocorrem os eventos e ações para colocarem a inovação em uso, propriamente dito.
2.6.1 Os Estágios do Processo da Inovação e Seus Conceitos
Ao final desta seção, após descrever as particularidades de cada estágio envolvido no processo decisório-inovação, será apresentado um outro modelo teórico “chave” para a presente pesquisa, onde fica demonstrado a natureza antecedente das características da inovação que está sendo posta em análise,
principalmente, das características da própria unidade decisora (ponto nevrálgico deste trabalho).
2.6.1.1 O Estágio da Definição/Organização de Prioridades
Rogers (1995, p. 391) comenta que é no estágio de definição/organização de prioridades, em particular, que a motivação inicial para inovar é gerada. Por definição, o estágio de definição/organização de prioridades ocorre quando um problema organizacional geral, cria a necessidade percebida para o surgimento de uma inovação. Este estágio requer um período de tempo maior, ou seja, nesta fase inicial, as inovações geralmente não são iniciadas pelo “estouro do momento” nem por um incidente dramático. Neste estágio, um ou mais indivíduos identificando um problema organizacional procuram um modo inovador para solucioná-lo.
2.6.1.2 O Estágio da Correlação
Rogers (1995, p. 394) define o estágio da correlação, como o estágio do processo em que o problema apontado pela organização está em congruência com a inovação, sendo portanto, planejado e projetado. Nesse segundo estágio, ocorrem as combinações conceituais do problema com a inovação sugerida, isto é, se estabelece o quão bem o problema e a inovação se encaixam. Neste teste de realidade, os membros da organização atentam-se para determinar a viabilidade da inovação em resolver o problema da organização. Tal planejamento envolve antecipar os benefícios, e os possíveis problemas que a inovação encontrará quando for executada. Desta forma, os tomadores de decisões poderão concluir se a inovação está ou não em conformidade resolutiva com o problema. Assim, o projeto inovativo poderá ser rejeitado antes mesmo de sua implementação.
2.6.1.3 O Estágio da Redefinição/Reestruturação
Neste estágio, a inovação importada de fora da organização começa a perder gradualmente, seu caráter estrangeiro. Redefinição/reestruturação ocorre quando a inovação é reinventada, visando acomodar-se mais intimamente com as necessidades da organização.
Por outro lado, neste estágio pode ocorrer a modificação da estrutura da organização, visando encaixar-se com a inovação. Em ambos, tanto na inovação quanto na organização é esperado haver mudanças, no mínimo em algum grau, durante o estágio de redefinição/reestruturação do processo de inovação.
O estágio redefinição/reestruturação atinge o construcionismo social, em que as percepções do problema da organização e a inovação vêm juntas e cada um deles são modificados no processo. Se a inovação ocorre de fontes internas da organização, os indivíduos a consideram como familiar e compatível e assim encontram formas mais fáceis para dar significado à nova ideia.
2.6.1.4 O Estágio da Clarificação
Segundo Rogers (1995, p. 399) ocorre quando a inovação é posta em uso mais difundido em uma organização, de modo que o significado da nova ideia torna-se gradualmente mais clara para os membros da organização. Uma implementação ocorrida de forma muito rápida no estágio de clarificação, pode conduzir a resultados desastrosos.
2.6.1.5 O Estágio da Rotinização
Na visão de Rogers (1995, p. 399), o estágio da rotinização ocorre quando
uma inovação torna-se de fato incorporada às atividades regulares da organização.
Nesse ponto, o processo de implementação é completado. A rotinização não é tão simples e direta como parece ser no primeiro momento. Um número considerável de pesquisas têm sido conduzidas nos anos recentes sobre sustentabilidade, conceito este intimamente relacionado com routinizing, definido como o grau em que uma inovação continua a ser utilizada assim que os esforços iniciais para consolidá-la na organização são completados.
Um fator importante em explicar o grau em que uma inovação é sustentada por uma organização é a participação, definida como o grau em que os membros da organização estão envolvidos no processo de inovação. Se a maioria dos membros participam em projetar, discutir e implementar uma inovação, sua sustentabilidade durante o tempo é mais provável. Agora, se a decisão inicial for uma decisão autoritária, com apenas um ou alguns indivíduos “poderosos” envolvidos e, se acontecer desses indivíduos do “alto escalão” saírem da organização, a sustentabilidade da inovação estará em risco. Decisões coletivas sobre o tema inovação, normalmente têm uma maior sustentabilidade quando comparada com tomadas de decisões unilaterais, devido a amplitude da participação.
Face à sua importância para esta dissertação, em seguida será desenvolvida uma seção exclusiva, onde será apresentado o modelo teórico do processo decisório, desenvolvido por Rogers (1995).