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MODELO 2: CAFÉ AGROFLORESTAL PARA A AGRICULTURA FAMILIAR

III.4 Modelo econômico do projeto agroflorestal

Foi levada uma simulação econômica do projeto agroflorestal na FSN com a elaboração do fluxo de caixa. Os parâmetros do cenário escolhido estão baseados na avaliação técnica do projeto (área apta/potencialmente apta, espécies/variedades adaptadas, modelos aplicáveis aos talhões da FSN...). Os custos e as premissas da simulação econômica foram definidos a partir da bibliografía, das entrevistas e da experiência propria.

É importante ressaltar que a avalição econômica do projeto deverá ser fortalecida com os resultados dos pilotos.

Parâmetros do cenário escolhido

Área do projeto: 100 ha na FSN

Modelo agroflorestal para produção de madeira e café:

o Coffea canephora da variedade Conilon (mudas clonais ; 2222 indivíduos/ha) o Árvores maderáveis (base: Khaya ivorensis ; média de 150 mudas/ha introduzidas)

para comercialisação da madeira

o Árvóres de serviços (base: Inga sp. ; média de 150 mudas/ha introduzidas) sem comercialisação da madeira

o O modelo não toma em conta a valorização das árvores já presentes nos talhões o Sem cultivos anuais

Calendário de plantação:

pilotos (não contabilizados no cenário) Ano 0: 20 ha

Ano 1: 40 ha Ano 2: 40 ha

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Custos

Item Gasto Unidade

Implantação SAF 9 100 R$/ha Manutenção anual SAF 2 800 R$/ha Colheita café 1 900 R$/ha Secado 5 R$/saca Benefício 35 R$/saca Transporte (Cuiabá) 11 R$/saca Extração madeira 15 R$/m3 Direção projeto 120 000 R$/ano Gastos admin 5% do total gastos

Premissas

Café

 Produtividade

(por razões de simplificação foi tomada um rendimento médio linear após o quinto ano) Ano 0

(plantação) Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 e +

Rendimento (sacos 60kg /ha) 0 0 5 15 35 40

Desconto riscos (climáticos, pragas): 10%

Preço de venda do café beneficiado, entregue ao cliente: 320 R$/saca

Madeira:

 Volume de madeira (espécies madeireiras introduzidas) comerciável a 20 anos: 100 m3/ha

Colheita e comercialização da madeira a 20 anos:

o 2000 m3 no ano 20 o 4000 m3 no ano 21 o 4000 m3 no ano 22

36 Investimentos Trator leve R$ 200 000 Triturador R$ 20 000 Escarificador R$ 10 000 Semeador R$ 12 000 Benefício/secado R$ 200 000 Barracão benefício R$ 100 000 Barracão equipamentos R$ 70 000 Carreta R$ 20 000 Pequenhos equipamentos R$ 50 000 Camioneta R$ 120 000 Outros R$ 50 000 Total R$ 852 000

Obs: Na simulação, o total dos investimentos (CAPEX) ocorre no ano 0

Fluxo de caixa do cenário

-4 000 000 -2 000 000 0 2 000 000 4 000 000 6 000 000 8 000 000 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Flu xo de ca ix a ( R$ ) Anos Fluxo de caixa Fluxo de caixa acumulado

37 Detalhe do fluxo de caixa e fluxo de caixa acumulado (R$):

Ano 0 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6 Ano 7

Fluxo de caixa (1 169 100) (567 000) (700 477) (419 584) (259 151) 53 151 293 383 341 430 Fluxo de caixa

acumulado (1 169 100) (1 736 100) (2 436 577) (2 856 161) (3 115 312) (3 062 161) (2 768 778) (2 427 348)

Ano 8 Ano 9 Ano 10 Ano 11 Ano 12 Ano 13 Ano 14 Ano 15 Fluxo de caixa 341 430 341 430 341 430 341 430 341 430 341 430 341 430 341 430 Fluxo de caixa

acumulado (2 085 918) (1 744 488) (1 403 058) (1 061 628) (720 199) (378 769) (37 339) 304 091

Ano 16 Ano 17 Ano 18 Ano 19 Ano 20 Ano 21 Ano 22 Fluxo de caixa 341 430 341 430 341 430 341 430 1 116 230 1 891 030 1 891 030 Fluxo de caixa

acumulado 645 521 986 950 1 328 380 1 669 810 2 786 040 4 677 070 6 568 100

Indicadores de viabilidade econômica

 O fluxo de caixa torna-se positivo a partir do ano 5

 O payback ocorre no ano 15

Com a venda da madeira (anos 20, 21, 22) o fluxo de caixa acumulado do projeto no ano 22 é

de R$ 6.568.100

A Taxa Interna de Retorno (TIR) é de 8% (considerando o periodo total com venda da

madeira)

 O investimento em bens de capital é de R$ 852.000

 A necessidade em capital de giro é estimada a R$ 3.000.000 (capital necessário até o ano 5 quando o fluxo de caixa torna-se positivo)

O investimento total é da ordem de $R 3.850.000, podendo ser distribuido nos 5 primeiros

anos (Ano 0 a 4)

A simulação econômica foi levada com premissas conservadoras. Os resultados financeiros são modestos (Payback no ano 15; TIR de 8%).

O projeto implica um investimento total em torno de $R 3.850.000

As pistas de melhoria dos resultados são várias: aumento da produtividade, redução dos custos de implantação/manutenção, preço de venda do café/madeira (...). Os pilotos permitirão afinar os parametros/premissas.

A avaliação econômica demostra a viabilidade do projeto a pesar de resultados modestos de um ponto de vista financeiro. Mas a avaliação não considera outros parametros não financeiros das potenciais externalidades positivas geradas pelo projeto (impacto na econômia local do “cluster café” com os produtores locais, impactos positivos na conservação dos recursos naturais...)

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IV | Projeto de integração local

Com a realização do estudo de avaliação técnica-econômica da implantação de um projeto de café agroflorestal na Fazenda São Nicolau, este relatório visa levantar as possibilidades do trabalho integrando agricultores locais que pretendem implantar ou reformar o cultivo do café.

O objetivo é de um lado desenvolver o cultivo de café agroflorestal como fonte de ingressos para os agricultores locais, como sistema de produção sustentável e finalmente como cultivo de longo prazo, fator de estabilização dos produtores no munícipio. De outro lado, a criação de um cluster café que poderá permitir gerar volumes maiores para alcance de melhores mercados e preços.

Nessa primera etapa do projeto, o foco é a integração de produtores locais e o levantamento de dados feitos no PA Juruena, próximo da FSN e com um largo histórico de colaboração. Atualmente, a cafeicultura no assentamento está em declínio, principalmente pela baixa produtividade e pressão da pecuária, contudo, alguns agricultores tem interesse em investir na cultura, principalmente pela valorização atual do mercado, aptidão e opção de diversificar da produção. Com isso, é possível viabilizar o acompanhamento e a integração com os trabalhos na Fazenda, realizando inicialmente as atividades com um grupo pequeno.

Por enquanto, há trabalhos em andamento do Pro Café pela Seaf, que contemplam apenas dois agricultores do PA Juruena, sendo assim, a proposta do café agroflorestal na Fazenda complementar ao programa, principalmente pelo trabalho de assistência técnica em conjunto com a EMPAER do município. Outra parceria importante é o ICV, que tem atuação mais forte no PA Nova Cotriguaçu e já realizou oficinas de café agroflorestal no assentamento em 2013.

O CAR no PA Juruena é coletivo e a maioria dos agricultores receberam o Contrato de Concessão da Terra, sendo que muitos acessam programas de crédito para pecuária, sendo possível também, a captação de recursos para o projeto de SAF café.

As informações foram obtidas a partir de visitas a campo realizadas entre os dias 16 a 25 de maio de 2016, entrevistas realizadas na Fazenda São Nicolau e do banco de dados do relatório técnico do Pro Café disponibilizado pela representante da EMPAER no município.

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