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5 RESULTADOS E ANÁLISES

5.5 MODELO ESTRUTURAL PROPOSTO

O modelo estrutural foi executado por meio da modelagem de equações estruturais nos softwares Jasp 0.16.3 e no Rstudio 4.2.1, ambos utilizam como base a sintaxe de código do pacote Lavaan, que foi criado especificamente para esse tipo de método. Para tanto, considerou-se o modelo de mensuração com os itens validados nas análiconsiderou-ses fatoriais confirmatórias.

O modelo estrutural estimado por meio da modelagem de equações estruturais tem como principal finalidade investigar em que medida a alfabetização financeira, a inclusão financeira e os vieses cognitivos e comportamentais afetam/influenciam o bem-estar financeiro .A análise foi implementada utilizando o método de estimação Weighted Least Squares Mean and Variance Adjusted (WLSMV), que é adequado para dados categóricos (DISTEFANO;

MORGAN, 2014; LI, 2016).

Além disso, para fins comparativos o modelo estrutural, foi estimado considerando variáveis de controle: sexo, escolaridade, renda, ocupação, estado civil e idade, que foram variáveis coletadas inicialmente para fins de caracterização do perfil socioeconômico e demográfico dos participantes.

O primeiro modelo estrutural estimado considerou apenas os construtos estabelecidos no modelo conceitual apresentado na Figura 2. A Tabela 48 apresenta os resultados de ajustes do modelo:

Tabela 48: Índices de ajustes de modelo estrutural proposto

ÍNDICE VALOR

QUI-QUADRADO 3.354,935

GL 739

P - VALOR 0,001

𝜒2/𝑔𝑙 4,54

Índice de Ajuste Comparativo - CFI 0,998

Índice de Tucker-Lewis - TLI 0,998

RMSEA 0,069

RMSEA limite inferior 90% IC 0,066

RMSEA limite superior 90% IC 0,071

SRMR 0,060

188 Fonte: Dados da Pesquisa (2022). Nota: GL = graus de liberdade; CFI = Comparative Fit Index; TLI = Tucker-Lewis Index; SRMR = Standardized Root Mean Square Residual; RMSEA = Root Mean Square Error of Approximation.

De acordo com os resultados apresentados na Tabela 48, percebe-se que os índices de ajustes do modelo estrutural foram adequados, sugerindo a sua plausibilidade. A estatística qui-quadrada foi significativa, rejeitando a hipótese nula. Contudo, essa medida é sensível ao tamanho da amostra e a questões de normalidade dos dados, de modo que frequentemente se adota a razão 𝜒2/𝑔𝑙 como medida de ajuste geral. Conforme Tabela 48, a razão 𝜒2/𝑔𝑙 foi de 4,54, abaixo de 5,0, conforme recomenda Brown (2015).

Os indicadores comparativos ficaram acima de 0,95 e os indicadores de resíduos abaixo de 0,08, sendo 0,069 para o RMSEA com limite superior do intervalo de confiança sendo de 0,071 e o SRMR de 0,060. A seguir, apresentam-se na Tabela 49 as estimativas realizadas entre os construtos considerados, a significância e os sinais esperados com as hipóteses estabelecidas:

Tabela 49: Estimativas padronizadas, Hipóteses e Significâncias para o Modelo Estrutural Proposto Preditor Variável

dependente

Estimativa

padronizada Erro padrão P-valor Sinal esperado da hipótese

EXC COMP 0,021 0,080 0,726 +

AVP COMP -0,047 0,048 0,136 -

AUT COMP 0,705 0,071 < ,001*** +

0,522

ATI ESCOREBEF -0,024 0,854 0,625 -

COMP ESCOREBEF 0,511 0,443 < ,001*** +

ESCORECF ESCOREBEF 0,273 0,263 < ,001*** +

ACE ESCOREBEF 0,207 1.255 0,003** +

USO ESCOREBEF -0,399 1.410 < ,001*** +

COM ESCOREBEF 0,035 0,740 0,452 +

INF ESCOREBEF 0,224 1.233 0,006** +

EXC ESCOREBEF 0,213 0,891 < ,001*** +

AVP ESCOREBEF -0,179 0,495 < ,001*** -

AUT ESCOREBEF -0,004 1,142 0,961 +

0,628

Fonte: Dados da pesquisa (2022). Nota: ACE = acesso, ATI = atitude financeira, AUT = Autocontrole, AVP = aversão à perda, COM = compreensão, COMP = comportamento financeiro, EXC = excesso de confiança, INF = inclusão financeira percebida, USO = uso de produtos e serviços financeiros, ESCOREBEF = bem-estar financeiro, ESCORECF = conhecimento financeiro. *** p< 0,001; **p <

0,005.

Buscou-se testar as influências dos construtos sobre o bem-estar financeiro percebido, e também as possíveis influências dos vieses cognitivos sobre o comportamento financeiro. De acordo com o modelo estrutural estimado, os resultados indicam significância estatística para o

189 comportamento financeiro, o escore de conhecimento financeiro, o acesso, o uso, a inclusão financeira objetiva, o excesso de confiança e a aversão à perda, todos em relação ao efeito sobre o bem-estar financeiro, bem como indicam insignificância estatística para as relações entre atitude financeira, compreensão, autocontrole e o bem-estar financeiro.

Percebe-se que a variável independente autocontrole apresentou efeito alto, positivo e estatisticamente significativo de 0,705 sobre o comportamento financeiro. O excesso de confiança e a aversão à perda, por sua vez, não apresentaram significância estatística e de modo geral apresentaram baixas estimativas padronizadas, sendo, 0,021 para o excesso de confiança e -0,047 para a aversão à perda. Com base no coeficiente de determinação R², pode-se afirmar que 52,2% das variações ocorridas no comportamento financeiro são influenciadas pelos vieses cognitivos e comportamentais considerados, a saber: autocontrole, aversão à perda e excesso de confiança, considerado um tamanho de efeito alto.

Em relação à variável dependente bem-estar financeiro, percebe-se que a atitude financeira, o autocontrole e a compreensão não apresentaram p-valor estatisticamente significativo. Em relação à magnitude dos coeficientes, a atitude financeira apresentou beta de -0,024, sobre a variável dependente, considerado baixo. O sinal apresentado está de acordo com o esperado, pois os itens considerados para mensurar a atitude financeira são de cunho imediatista e consumista.

No que se refere à compreensão, uma das dimensões da medida de inclusão financeira percebida, observou-se um coeficiente beta de 0,035. Embora positivo, de acordo com o esperado, o mesmo não apresentou efeito relevante sobre o bem-estar financeiro, e além disso.

Ressalta-se, contudo, que alguns testes adicionais foram feitos considerando, por exemplo, apenas as dimensões acesso, uso e compreensão como preditores do bem-estar financeiro. Os resultados indicaram significância estatística para as três dimensões.

Em relação à medida de autocontrole de gastos do consumidor, considerada um viés comportamental, observou-se que isso não exerce efeito significativo sobre o bem-estar financeiro, com coeficiente beta de -0,004. As demais relações serão comentadas adiante. A Figura 10 complementa a informação resgatando o modelo conceitual proposto:

190 Figura 10: Modelo estrutural proposto

Fonte: Dados da pesquisa (2022). β se refere às estimativas padronizadas; R² se refere ao coeficiente de determinação e tamanho de efeito; ns = não significativo;

*** p< 0,001; **p < 0,005. A Figura é um desenho representacional. Os itens que compõem cada dimensão não são apresentados para manter o desenho simples e parcimonioso.

191 A Figura 10 apresenta os resultados dos construtos inseridos no modelo conceitual proposto. Observa-se que, em relação ao construto teórico alfabetização financeira, as dimensões comportamento financeiro e conhecimento financeiro que o compõem apresentaram efeito significativo (p<0,001) sobre o bem-estar financeiro individual. O conhecimento financeiro apresentou um coeficiente beta de 0,273 e o comportamento financeiro apresentou um coeficiente beta de 0,511. Percebe-se, portanto, que, dentro da alfabetização financeira, o comportamento financeiro tem maiores impactos sobre o bem-estar financeiro, e de forma positiva. O conhecimento financeiro, por sua vez, apresentou um efeito médio e significativo sobre o bem-estar financeiro.

A respeito do construto teórico inclusão financeira, observa-se que a medida objetiva utilizada apresentou um coeficiente beta estatisticamente significativo de 0,224, indicando um efeito positivo sobre o bem-estar financeiro. Em relação à medida de inclusão financeira percebida, formada pelas dimensões de acesso, uso e compreensão, observou-se que o acesso e o uso apresentaram betas estatisticamente significativos a 0,005 e 0,001, respectivamente. Do ponto de vista de magnitude do efeito sobre o bem-estar financeiro, a dimensão acesso apresentou beta de 0,207 e a dimensão uso de -0,399. Chama-se atenção para o sinal apresentado pelo coeficiente da dimensão uso, que foi negativo e contrário ao esperado. Na sessão de discussão dos resultados, apresentam-se reflexões e explicações para esse resultado.

No que diz respeito aos vieses cognitivos e comportamentais, os coeficientes betas da aversão à perda (-0,179) e do excesso de confiança (0,213) apresentaram significância estatística ao nível p <0,001. A aversão à perda apresentou um tamanho de efeito pequeno sobre o bem-estar financeiro e negativo, conforme o esperado. O viés Excesso de confiança apresentou um efeito positivo sobre o bem-estar financeiro e maior, em termos de magnitude, do que a aversão à perda. Conforme mencionado, o autocontrole não apresentou efeito sobre o bem-estar financeiro.

Em relação ao coeficiente de determinação R², a estatística indicou que o efeito geral dos construtos considerados sobre o bem-estar financeiro foi de 0,628, de modo que se pode afirmar que as mudanças ocorridas no bem-estar financeiro são explicadas em 62,8% pelas mudanças ocorridas nos construtos alfabetização financeira, inclusão financeira, excesso de confiança, aversão à perda e autocontrole.

Apresentam-se a seguir os resultados referentes ao modelo estrutural com as variáveis socioeconômicas e demográficas como variáveis de controle. A Tabela 50 indica o ajuste obtido:

192 Tabela 50: Índices de ajustes de modelo estrutural considerando a inserção das variáveis de controle

ÍNDICE VALOR

QUI-QUADRADO 3.437,302

GL 973

P – VALOR 0,001

𝜒2/𝑔𝑙 3,53

Índice de Ajuste Comparativo – CFI 0,970

Índice de Tucker-Lewis – TLI 0,976

RMSEA 0,058

RMSEA limite inferior 90% IC 0,056

RMSEA limite superior 90% IC 0,060

SRMR 0,058

Fonte: Dados da Pesquisa (2022). Nota: GL = graus de liberdade; CFI = Comparative Fit Index; TLI = Tucker-Lewis Index; SRMR = Standardized Root Mean Square Residual; RMSEA = Root Mean Square Error of Approximation.

Os resultados dispostos na Tabela 50 apresentam o ajuste de modelo proposto com a inserção das variáveis de controle: sexo, renda, idade, estado civil, escolaridade e ocupação. A estatística qui-quadrada apresentou resultado estatisticamente significativo; porém, a razão 𝜒2/𝑔𝑙 foi de 3,53, ficando dentro dos limites indicados como adequados por Brown (2015). Os indicadores de ajustes comparativos CFI e TLI apresentaram resultados satisfatórios, visto que ambos ficaram acima de 0,95. Em relação aos indicadores de resíduos, esses melhoraram em relação ao modelo estrutural sem as variáveis de controle, sendo de 0,058 para o RMSEA e SRMR, ficando também dentro dos limites esperados para esses parâmetros.

A Tabela 51 apresenta as estimativas das regressões obtidas considerando a inserção de variáveis de controle no modelo:

Tabela 51: Estimativas padronizadas, Hipóteses e Significâncias para o Modelo Estrutural com variáveis de controle

Preditor Variável dependente

Estimativa padronizada

Erro

padrão P-valor Sinal esperado da hipótese

EXC COMP -0,054 0,082 0,402 +

AVP COMP -0,051 0,045 0,120 -

AUT COMP 0,784 0,074 < ,001*** +

0,555

ATI ESCOREBEF -0,048 0,817 0,282 -

COMP ESCOREBEF 0,508 0,509 < ,001*** +

ESCORECF ESCOREBEF 0,157 0,271 < ,001*** +

ACE ESCOREBEF 0,174 1.154 0,005** +

USO ESCOREBEF -0,299 1.202 0,002** +

193

COM ESCOREBEF 0,009 0,683 0,828 +

INF ESCOREBEF 0,128 1.020 0,052 +

EXC ESCOREBEF 0,204 0,848 < ,001*** +

AVP ESCOREBEF -0,157 0,440 < ,001*** -

AUT ESCOREBEF -0,038 1,204 0,652 +

IDADE ESCOREBEF -0,049 0,040 0,212

OCUPAÇÃO ESCOREBEF -0,014 0,172 0,682

RENDA ESCOREBEF 0,304 0,217 <0,001***

ESCOLARIDADE ESCOREBEF 0,137 0,170 <0,001***

ESTADO CIVIL ESCOREBEF 0,006 0,727 0,890

SEXO ESCOREBEF 0,075 0,785 0,033*

0,668

Fonte: Dados da pesquisa (2022). Nota: ACE = acesso, ATI = atitude financeira, AUT = Autocontrole, AVP = aversão à perda, COM = compreensão, COMP = comportamento financeiro, EXC = excesso de confiança, INF = inclusão financeira percebida, USO = uso de produtos e serviços financeiros, ESCOREBEF = bem-estar financeiro, ESCORECF = conhecimento financeiro. *** p< 0,001; **p <

0,005, *p<0,03.

A Tabela 51 apresenta os resultados das estimativas do modelo estrutural com a inclusão das variáveis de controle. Ao observar a primeira parte da Tabela 51, a qual possui o comportamento financeiro representando pela abreviação “COMP” como variável dependente, percebe-se que o resultado obtido foi semelhante ao apresentado na Tabela 49, em que o único construto que apresentou significância estatística foi o de autocontrole de gastos do consumidor, com uma forte magnitude de 0,784. O modelo como um todo mostra que 55,5% das mudanças ocorridas no comportamento financeiro são explicadas pelos vieses cognitivos e comportamentais.

Em relação à segunda parte da Tabela 51, em que consiste as estimativas do modelo estrutural tendo como variável dependente o bem-estar financeiro, é possível observar os efeitos dos demais construtos sobre o bem-estar financeiro, além das variáveis socioeconômicas e demográficas. As variáveis atitude financeira, compreensão e autocontrole apresentaram coeficientes estimados não significativos quando postos como preditores do bem-estar financeiro, além de apresentarem baixas estimativas betas, resultados semelhantes ao apresentado na Tabela 49,

As variáveis comportamento financeiro e conhecimento financeiro apresentaram resultados significativos ao nível p<0,001, com coeficientes de 0,508 e 0,157, respectivamente.

Tais resultados indicam efeitos positivos sobre o bem-estar, com o comportamento financeiro apresentando um efeito sobre o bem-estar financeiro superior ao efeito do conhecimento financeiro. Acesso e uso também mostraram influência significativa sobre o bem-estar financeiro, com efeito baixo, para o caso do acesso (beta = 0,174) e médio para o uso (beta =

-194 0,299). Mais uma vez, a dimensão uso apresentou o sinal negativo, diferente do esperado com base na hipótese de pesquisa estabelecida. A inclusão financeira objetiva apresentou um coeficiente marginalmente significante, com p-valor de 0,052, um pouco maior do que o limiar de <0,05. A magnitude do efeito, por sua vez, foi de 0,128 sobre o bem-estar financeiro individual.

Os vieses cognitivos excesso de confiança e aversão à perda se mostraram estatisticamente significativos a p<0,001, com efeitos sobre o bem-estar financeiro, sendo beta de 0,204 para o excesso de confiança e -0,157 para a aversão à perda. Os sinais esperados foram confirmados empiricamente, uma vez que se esperava um efeito positivo do excesso de confiança e negativo da aversão à perda sobre o bem-estar financeiro.

No que se refere às variáveis de caracterização do perfil socioeconômico e demográfico dos participantes, percebeu-se que a renda, a escolaridade e o sexo são variáveis que influenciaram de forma significativa e positiva o bem-estar financeiro. A renda foi a variável que apresentou o maior efeito, com beta de 0,304, dentre as três mencionadas. A escolaridade apresentou coeficiente 0,137 significativo a p<0,001. Já a variável sexo apresentou coeficiente beta de 0,075, significativo a p<0,033, mas com baixa magnitude.

No que se refere à variável renda, resultados semelhantes foram encontrados nas pesquisas desenvolvidas por Zyphur et al. (2015), Vieira et al. (2016), Fraga et al., (2017), Riitsalu e Murakas (2018), Vieira, Fraga e Bressan (2021) e Dare et al., (2022), em que a renda apresentou efeito significativo e positivo em relação ao bem-estar financeiro. Segundo Dare et al. (2022), quanto maior é a renda dos indivíduos, mais fácil eles podem cumprir com obrigações financeiras em curto prazo, por exemplo, para subsistência própria e da família, e também cumprirem metas de planejamento financeiro para o longo prazo.

No que diz respeito à escolaridade, as oportunidades apresentadas a pessoas com altos níveis de instrução tendem a serem maiores frente a pessoas com baixa escolaridade (RAHMAN, 2021), de modo que essas oportunidades podem ser refletidas em menos estresse com a gestão financeira presente e mais segurança e liberdade financeira para tomar decisões.

As variáveis idade, ocupação e estado civil não apresentaram coeficientes betas estatisticamente significativos. A variável idade apresentou coeficiente de -0,049, a variável ocupação, -0,014 e o estado civil, 0,006, todos considerados de baixa magnitude no que se refere ao tamanho do efeito. Ao observar o coeficiente de determinação R², percebe-se que 66,8% das mudanças ocorridas no bem-estar financeiro individual podem ser explicadas pelos construtos considerados e pelas variáveis socioeconômicas e demográficas.

195 Percebe-se que as estimativas obtidas nos modelos estruturais apresentados nas Tabelas 46 e 48 demonstraram resultados semelhantes no que diz respeito ao sinal das variáveis e significância estatística dos coeficientes betas, com mudanças específicas apenas na magnitude dos coeficientes de alguns construtos. Assim, apresentam-se no Quadro 37 as hipóteses estabelecidas e os resultados com base nas estimações realizadas:

Quadro 37: Resumo dos resultados das hipóteses de pesquisa

Hipótese Sinal

esperado Resultado Status 𝐻1𝑎 Conhecimento financeiro bem-estar financeiro

individual. Positivo 0,273*** Suportada

𝐻1𝑏 Atitude financeira bem-estar financeiro individual. Negativo -0,024 Não suportada 𝐻1𝑐 Comportamento financeiro bem-estar financeiro

individual. Positivo 0,511*** Suportada

𝐻2𝑎 Acesso financeiro → bem-estar financeiro individual. Positivo 0,207** Suportada 𝐻2𝑏 𝑈so de produtos e serviços financeiros bem-estar

financeiro individual. Positivo -0,399*** Não suportada

𝐻2𝑐 Compreensão de produtos e serviços financeiros

bem-estar financeiro individual. Positivo 0,035 Não suportada

𝐻3 Inclusão financeira objetiva bem-estar financeiro

individual. Positivo 0,224** Suportada

𝐻4𝑎 Autocontrole bem-estar financeiro individual. Positivo -0,004 Não suportada 𝐻4𝑏 Excesso de confiança bem-estar financeiro

individual. Positivo 0,213*** Suportada

𝐻4𝑐 Aversão à perda bem-estar financeiro individual. Negativo -0,179*** Suportada 𝐻5𝑎 Excesso de confiança comportamento financeiro. Positivo 0,021 Não suportada 𝐻5𝑏 Aversão à perda comportamento financeiro. Negativo -0,047 Não suportada 𝐻5𝑐 Autocontrole comportamento financeiro. Positivo 0,705*** Suportada

Fonte: Dados da pesquisa (2022). Nota: As estimativas foram retiradas da Tabela 46, modelo estrutural proposto. *** p< 0,001; **p < 0,005.

O Quadro 37 apresenta as hipóteses de pesquisa, os sinais esperados, as estimativas dos coeficientes betas obtidos (com base na Tabela 49) e o status de cada hipótese. As hipóteses do grupo H1 são referentes ao construto Alfabetização financeira, que foi representado pela Atitude financeira e pelo conhecimento financeiro e pelo comportamento financeiro. Observa-se que as hipóteObserva-ses 𝐻1𝑎 e 𝐻1𝑐 ficaram com o status “suportado”, tendo em vista que os coeficientes foram positivos e estatisticamente significativos, conforme esperado. O comportamento financeiro apresentou um alto efeito sobre o bem-estar financeiro, com magnitude de 0,511. O conhecimento financeiro, por sua vez, apresentou um efeito médio sobre o bem-estar financeiro, com coeficiente beta de 0,273.

A hipótese 𝐻1𝑏 referente à relação entre atitude financeira e bem-estar financeiro não apresentou coeficiente com magnitude considerada relevante, embora o sinal do coeficiente

196 tenha sido negativo, conforme o esperado (-0,024). Diante dos resultados, a hipótese não foi suportada.

As hipóteses do grupo H2 e a hipótese H3 são referentes ao construto inclusão financeira e suas relações sobre o bem-estar financeiro. A hipótese 𝐻2𝑎 foi suportada, indicando influência positiva e estatisticamente significativa do acesso a produtos e serviços financeiros sobre o bem-estar financeiro das pessoas. A hipótese 𝐻2𝑏 apresentou significância estatística, com coeficiente de -0,399; devido ao sinal negativo, ficou com status “não suportado”, tendo em vista que a hipótese estabelecida apresentou sinal esperado positivo. Nesse sentido, na amostra utilizada, o uso de produtos e serviços financeiros tem um impacto negativo sobre o bem-estar financeiro, com magnitude média.

A hipótese 𝐻2𝑐 referente à compreensão de produtos e serviços financeiros não apresentou significância estatística do coeficiente estimado (0,035); embora o sinal obtido tenha sido igual ao esperado, a influência desse construto sobre o bem-estar financeiro se torna muito baixa. A hipótese H3, por sua vez, relacionou a inclusão financeira objetiva com o bem-estar financeiro e o resultado exibido no Quadro 37 indicou influência positiva e significativa, de modo que a hipótese foi suportada com magnitude média de 0,224.

As hipóteses do grupo H4 buscaram relacionar os vieses cognitivos comportamentais com o bem-estar financeiro. A 𝐻4𝑎 indicou que o autocontrole não influencia o bem-estar financeiro, pois o coeficiente estimado foi de -0,004 e estatisticamente não significante. Além disso, o sinal esperado desta relação do ponto de vista teórico foi contrário ao apresentado empiricamente (negativo). A hipótese 𝐻4𝑏 indicou que o excesso de confiança influencia positivamente o bem-estar financeiro. Tal hipótese foi suportada pelo modelo, cujo coeficiente estimado foi de 0,213. A 𝐻4𝑐 relacionou a aversão à perda ao bem-estar financeiro; o coeficiente obtido foi de -0,179, indicando influência negativa conforme esperado do ponto de vista teórico.

Por fim, as hipóteses do grupo H5 estabeleceram relação dos vieses cognitivos comportamentais com o comportamento financeiro. A 𝐻5𝑎 e a 𝐻5𝑏 relacionaram, respectivamente, o excesso de confiança e a Aversão à perda ao comportamento financeiro; os resultados obtidos indicaram que ambas as hipóteses não foram suportadas e a magnitude dos coeficientes foi baixa, sendo de 0,021 para a 𝐻5𝑎 e -0,047 para a 𝐻5𝑏. A última hipótese, 𝐻5𝑐, estabeleceu a relação entre o autocontrole e o bem-estar financeiro; o resultado obtido mostrou que há uma influência alta, positiva e estatisticamente significativa do autocontrole sobre o bem-estar financeiro de 0,705.

197 Percebe-se nesse sentido que, empiricamente, 7 das 13 hipóteses estabelecidas foram suportadas. Com os resultados obtidos, pode-se afirmar que o conhecimento financeiro, o comportamento financeiro, o acesso e o uso de produtos e serviços financeiros e a inclusão financeira objetiva, bem como os vieses cognitivos excesso de confiança e aversão à perda, são fatores que influenciam o bem-estar financeiro. A seguir, apresenta-se a discussão dos resultados com base na literatura utilizada.