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3 C ONSTRUÇÃO E C ARACTERIZAÇÃO DO E VAPORADOR

4.1 Modelo Experimental para Testes em Microgravidade

4.1.1 Descrição Geral AN1 AN10 AN18 AN17 AN12 POWCPL1 POWCPL2 POWCPL3 POWPDU AN2 AN20AN13

AN3AN14 AN19

AN4 AN15 AN11 AN5 AN9 AN16 AN6 AN8 AN7

Figura 22 – Projeto do CPL para o satélite FBM.

A bancada experimental utilizada nos testes preparativos para a missão em microgravidade é mostrada na Figura 22. Ela dispõe de um reservatório, de linhas de líquido e de vapor, de um condensador de placa plana, um sistema de aquisição de dados HP, uma fonte de tensão contínua de 37 volts, uma eletrônica desenvolvida especialmente para a missão espacial, fonte externa para monitoramento das temperaturas principais de controle, 5 termopares Omega do tipo T, 20 Omega (±0,5°C) termistores de 10 kΩ e resistências elétricas, além de outros acessórios, conforme a Figura 22. A linha de líquido consiste de tubos de aço inoxidável com diâmetro interno de 2,75 mm e comprimento de 249,85 mm. A linha de vapor consiste de tubos de aço inoxidável com diâmetro interno de 2,75 mm e comprimento de 194,67 mm. O

Capítulo 4 – Descrição das Bancadas e Resultados Experimentais _____________________________________ 33

condensador é formado por uma placa plana com a tubulação fixada em sua superfície por meio de abraçadeiras. Os tubos do condensador possuem diâmetro interno de 2,75 mm e um comprimento de 668,62 mm. O reservatório consiste de um tubo de aço inoxidável de 17,05 mm diâmetro interno e um comprimento de 78,50 mm. Sua principal função é regular uma temperatura de operação, controlando a pressão e o inventário de líquido presente no circuito. O calor é aplicado através de uma resistência acoplada ao evaporador. A alimentação desta resistência é garantida por uma fonte de potência presente no experimento. Um sistema de aquisição de sinais feito especialmente para o experimento e ligado diretamente ao computador de bordo do satélite faz a aquisição dos dados a cada 3 segundos. A bancada foi carregada com 46,67 g de amônia líquida (pureza de 99,999%). O evaporador tem diâmetro externo de 3/4” e comprimento de 117 mm, sendo utilizados 40 mm para colocação da resistência e 90 mm para absorver energia do sol.

O projeto do CPL para teste em microgravidade surgiu como oportunidade para validar os dados e modelos desenvolvidos em laboratório para uso definitivo em sistemas de refrigeração de satélites e estações orbitais. Esse projeto entra como parte experimental complementar dos estudos realizados em laboratório.

4.1.2 Concepção de Projeto

O projeto original do CPL foi modificado com o intuito de comportar em uma mesma caixa todos os experimentos da UFSC e atualizar a sua configuração de acordo com as novas tecnologias desenvolvidas (ver Figura 23).

O modelo do projeto definitivo do CPL está mostrado na Figura 24. O experimento CPL foi projetado para transportar até 40W da bomba capilar até o radiador usando amônia como fluido de trabalho. O absorvedor foi projetado para receber até 30W de energia solar. Uma potência adicional de 15W será requerida através do satélite durante os testes com o intuito de elevar a energia transportada pelo CPL. O radiador é termicamente isolado dos painéis do satélite e foi projetado para rejeitar todo o calor absorvido para o espaço.

A potência requerida do satélite varia de acordo com a Figura 25. Duas chaves liga- desliga de 5W foram especificadas para o controle da temperatura e da pressão de trabalho no reservatório, e para evitar o congelamento do fluido de trabalho (CPL Recovery) durante a

missão do satélite. Um termostato fará o controle automático da potência entregue à resistência instalada no reservatório. Reservatório Bomba Capilar Placa Absorvedora Radiator Painel Solar Satélite Energ ia Solar 400 40 0 600 200 200 Vapo r Liqu id Reservoir Absorber plate (Evaporator) Radiator plate (Condenser)

Figura 23 – Projetos iniciais do CPL para o satélite FBM.

Figura 24 – Projeto final do CPL para o satélite FBM:

O experimento de vôo foi planejado para ser testado, seguindo dois modos de operação:

• Potência solar incidente de até 30W, associada à potência elétrica de 5W (liga/desliga) para controle do reservatório, ao longo da missão do satélite;

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• Potência elétrica de 15W aplicada à bomba capilar somada á potência solar incidente de até 30W, associada à potência elétrica de 5W (liga/desliga) para controle do reservatório, durante as missões especiais reservadas ao CPL.

Surviving or PDU Surviving or PDU + Recovery Surviving or PDU Surviving or PDU + CPL ON Power Input 5W 10W 5W 20W

Figura 25 – Esquema de potência aplicada ao experimento UFSC.

No caso de falha, uma potência de até 5W (CPL Recovery) será ativada ao longo da superfície do condensador e das linhas de vapor (ver Figura 22). No segundo modo de operação, espera-se que um total de 40W seja transferido da bomba capilar para o radiador. Uma potência máxima de 20W pode ser requerida neste modo de operação em particular, quando ambas as resistências, da bomba capilar (15W) e reservatório (5W) estiverem agendadas para ser usadas.

4.1.3 Procedimentos Experimentais

Contrariando expectativa inicial, os testes em condições de microgravidade não foram realizados. A data de lançamento do satélite FBM foi seguidamente postergada em função de problemas diversos de ordem econômica tanto por parte do INPE quanto do CNES. Alternativamente, testes foram realizados no INPE para checagem dos procedimentos de testes, do fluxograma de controle e funcionabilidade do CPL quando em condições de microgravidade, qualificando o experimento para embarque no satélite. Duas bombas capilares foram testadas, uma de níquel e outra de polietileno.

Os testes individuais do CPL estão relacionados ao diagrama apresentado no Interface Control Document (Camargo, 2003F). Este diagrama descreve a seqüência de operação necessária para o controle dos testes enquanto o satélite estiver em órbita. Conforme documento Listagem da Telemetria do Experimento CPL, o controle será executado de acordo com as

leituras das temperaturas feitas pelo computador de bordo do satélite (BPC – Brazilian Payload Computer) (Camargo, 2003D).

Os testes em terra devem ser executados de acordo com os itens a seguir:

• Ler todas as temperaturas mostradas pelos termistores indicando a condição inicial com variações de ±5°C (ver Figura 26);

• Verificar a leitura correta das temperaturas AN4, AN5 e AN14 de acordo com o intervalo descrito no documento Listagem da Telemetria do Experimento CPL (Camargo, 2003D);

• Verificar a confiabilidade e funcionabilidade das seqüências de Surviving e Recovery realizadas pelo BPC pela checagem das respostas dadas pelos aquecedores;

o Modo Surviving:

Aumentar/diminuir a potência aplicada no reservatório (resistência POWCPL1) • Checar a imediata resposta do AN14 variando ±5°C.

o Modo Recovery:

Aumentar/diminuir a potência aplicada no reservatório (resistência POWCPL2) • Checar a imediata resposta do AN14 variando ±5°C.

o Modo de Operação:

Aumentar/diminuir a potência aplicada na bomba capilar (resistência POWCPL3) • Checar a imediata resposta do AN4 variando ±5°C.

AN1 AN10 AN18 AN17 AN12 POWCPL1 POWCPL2 POWCPL3 POWPDU AN2 AN20AN13

AN3AN14 AN19

AN4 AN15 AN11 AN5 AN9 AN16 AN6 AN8 AN7

Figura 26 – Projeto do CPL para o satélite FBM.

Os testes foram realizados com as bancadas das Figura 27 (a) e (b) inicialmente. Para os testes do Modelo de Qualificação, a bancada pode ser vista nas Figura 27 (d), (e) e (f). Maiores

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detalhes destas bancadas podem ser encontradas no Anexo IV – Modelo para Testes em Microgravidade: Concepção de Projeto, Especificações Técnicas, Etc.

O projeto seria utilizado como fonte de dados experimentais em microgravidade visando comparação com resultados numéricos, mas atrasos no decorrer de todo o projeto como mencionado acima impossibilitaram a sua conclusão, mas serviu de aprendizado na construção de modelos para uso espacial.

(a) (b) (c)

(d) (e) (f)

Figura 27 – Vista dos testes de integração na UFSC:

(a) e (b) CPL, (c) Vista geral da bancada, (d) Vista da caixa UFSC e do controle do CPL, (e) e (f) Vista interna da caixa UFSC.