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6. Resultados

6.3 Explicação da Actividade Terrorista

6.3.3 Modelo Explicativo do Número Total de Mortos

Para a concepção do modelo explicativo do número total de mortos usou-se a mesma metodologia do ponto anterior. Foram gerados oito modelos com parametrizações diferentes, no sentido de encontrar o modelo que detenha as melhores percentagens de variância explicativa. A Tabela 16 apresenta as parametrizações de cada modelo e as respectivas percentagens de variância explicadas, tanto para a totalidade da amostra, como no resultado da validação cruzada (10-fold). O modelo escolhido foi o número seis por apresentar uma boa capacidade explicativa para a amostra (76,4%), em conjunto com a melhor percentagem de capacidade explicativa resultante da validação cruzada (39,5%). A árvore apurada detém como regras de paragem um nível máximo de profundidade de quatro níveis abaixo do nó raiz, um número mínimo de casos nos nós pais de dois e nos nós filhos de um e um ganho mínimo na qualidade do modelo (decréscimo na variância da variável dependente resultando de uma nova ramificação) de 0,0001.

Tabela 16: Resultados de vários modelos para o número total de mortos

A árvore obtida (Figura 6) apresenta 31 nós, dos quais 16 são nós folha. A importância relativa das diversas variáveis explicativas é apresentada na Tabela 17. Neste modelo a variável combustíveis, % das exportações de mercadorias (n-1) é o factor com maior capacidade explicativa, com uma importância relativa de 100%, sendo imediatamente seguida da densidade populacional (pessoas por km² de área de terra) (n-1) com um valor de 95,8%. Na faixa dos 80% encontram-se a população urbana (% do total) (n-1) com uma importância de 87,7% e a fragmentação religiosa (n-1) com uma importância de 81,3%. As restantes variáveis de caracterização religiosa também se encontram entre

Param etrização M o d el o 1 M o d el o 2 M o d el o 3 M o d el o 4 M o d el o 5 M o d el o 6 M o d el o 7 M o d el o 8

N.º máximo de níveis da árvore 6 6 5 5 4 4 3 3 N.º mínimo de observações em nó pai 4 2 4 2 4 2 4 2 N.º mínimo de observações em nó filho 2 1 2 1 2 1 2 1 % de variância explicada (para toda a amostra) 73,1 88,7 70,9 85,1 68,7 76,4 57,1 57,1 % de variância explicada (Validação Cruzada) 21,8 -16,6 12,4 12,4 14,5 39,5 27,0 7,1

as variáveis de maior importância explicativa relativa, com valores entre 61,6% e 62,8%. A taxa de participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) neste modelo aparece no quinto lugar do ranking com uma importância de 67,9%, mas constitui similarmente a primeira ramificação da árvore, subdividindo-se no nó 1 para valores iguais ou inferiores a 14,45% e no nó 2 para valores superiores a 14,45%, correspondendo a este último um valor médio previsto de mortos de valor inferior ao anterior. Com uma importância relativa de 64,8% ainda se destaca a área de superfície (km²) - área total geográfica do país (n-1). A inflação, preços de consumo (% anual) (n-1) é a segunda variável de caracterização económica com maior capacidade explicativa, com uma importância de 61,6%. Com valores de importância relativa acima de 50% ainda se encontram as variáveis durabilidade de regime (n-1), população de 0-14 (% do total) (n-1), fragmentação étnica (n- 1) e a região. Das 26 variáveis consideradas na construção deste modelo, 19 têm importância explicativa relativa superior a 40%.

Tabela 17: Importância das variáveis explicativas para o modelo do número total de mortos A t ribut o E xplic a t iv o D im e ns ã o Im po rt â nc ia Im po rt â nc ia

R e la t iv a

Combustíveis, % das exportações de mercadorias (n-1) Económ. 15044,199 100,0%

Densidade populacional (pessoas por km² de área de terra) (n-1) Sociodem. 14418,931 95,8%

População urbana (% do total) (n-1) Sociodem. 13190,428 87,7%

Fragmentação religiosa (n-1) Religiosa 12234,117 81,3%

Taxa participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) Sociodem. 10207,710 67,9%

Área de superfície (km²) - área total geográfica do país (n-1) Outras 9744,854 64,8%

Outras religiões (percentagem da população total) (n-1) Religiosa 9444,683 62,8%

Religião Católica (percentagem da população total) (n-1) Religiosa 9410,705 62,6%

Religião Muçulmana (percentagem da população total) (n-1) Religiosa 9268,403 61,6%

Inflação, preços de consumo (% anual) (n-1) Económ. 9259,859 61,6%

Durabilidade de regime (n-1) Política 8943,934 59,5%

População de 0-14 (% do total) (n-1) Sociodem. 8231,527 54,7%

Fragmentação étnica (n-1) Sociodem. 8080,963 53,7%

Região Outras 7798,580 51,8%

Despesa total em saúde (% do PIB) (n-1) Sociodem. 7415,426 49,3%

Investimento estrangeiro directo, entradas líquidas (% do PIB) (n-1) Económ. 7263,092 48,3%

Crescimento populacional (% anual) (n-1) Sociodem. 6955,963 46,2%

KOF - Índice de Globalização (0 a 100) (n-1) Outras 6209,127 41,3%

População com 65 anos e acima (% do total) (n-1) Sociodem. 6033,881 40,1%

Linhas telefónicas (por 100 pessoas) (n-1) Sociodem. 4691,009 31,2%

Quota de consumo do PIB per capita PPP (n-1) Económ. 4621,178 30,7%

Índice de Direitos de Integridade física (n-1) Política 4087,538 27,2%

PIB per capita (n-1) Económ. 3341,738 22,2%

População, total (n-1) Sociodem. 1842,714 12,2%

Quota de Investimento do PIB per capita (n-1) Económ. 1742,151 11,6%

Figura 6: Árvore de regressão do número total de mortos

Do nó 1, a que corresponde a taxa de participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) de valores iguais ou inferiores a 14,45%, surge ramificação referente à durabilidade do regime, no nó 3 menor ou igual a meio ano e no nó 4 para valores superiores a meio ano. Estes valores sugestionam que regimes de duração de meio ano ou menos e com taxa de participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) de valores iguais ou inferiores a 14,45% têm uma média de mortos prevista de1503,864 (nó 3), superior à média prevista no nó 4 (187,125) na situação de regimes de duração superior a meio ano e com taxa de participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) de valores superiores a 14,45%.

O nó 2 ramifica-se nos nós 5 e 6 que se referem ao índice de direitos de integridade física (n-1), o primeiro para valores inferiores ou iguais a 1,5 (de 0 - nenhum, a 8 - total) e o segundo para valores superiores a 1,5. Países que em determinado ano tenham índice de direitos de integridade física inferior ou igual a 1,5 e taxa de participação laboral das mulheres superior a 14,45% da população do sexo feminino com mais de quinze anos podem vir a ser alvo de uma média prevista de 177,062 mortos (nó 5), enquanto que com índice de direitos de integridade física de valor superior a 1,5 e taxa de participação laboral das mulheres superior a 14,45% da população do sexo feminino com mais de quinze anos têm tendência a uma média de 15,158 mortos (nó 6).

A densidade populacional (pessoas por km² de área de terra) (n-1), a segunda no ranking das importâncias relativas das variáveis explicativas, é também a variável que surge em mais ramificações, nos nós 3, 4, 7 e 10.

A variável combustíveis, % das exportações de mercadorias (n-1) que se ramifica para os nós 19 e 20, o primeiro para valores inferiores ou iguais a 93,646% e o segundo para valores superiores a 93,646%, apresenta entre os dois nós a mais destacada diferença na média prevista de mortos. Se um país em determinado ano tiver uma taxa de participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) de valores iguais ou inferiores a 14,45% e durabilidade do regime político superior a meio ano e densidade populacional (pessoas por km² de área de terra) (n-1) inferior ou igual a 12,368 e percentagem de vendas de combustíveis (% das exportações de mercadorias) (n-1) inferior ou igual a 93,656, então a média de mortos prevista é de 4145 (nó 19). Por outro lado, se esse mesmo país apresentar ao invés um valor de vendas de combustíveis (% das exportações de mercadorias) (n-1) superior a 93,646%, a média prevista passa para 416 mortos (nó 20).

O valor médio previsto de mortos mais alto surge no nó 18 (5562,5), o qual poderá resultar no caso de um país/ano com uma taxa de participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) de valor igual ou inferior a 14,45% e durabilidade do regime político inferior ou igual a meio ano e densidade populacional (pessoas por km² de área de terra) (n-1) superior a 54,233 e inflação, preços de consumo (% anual) (n-1) superior a 35,288%. No nó 29 está o valor médio previsto de mortos mais reduzido, de 4,546, que surge na sequência de uma conjuntura de uma população total

inferior ou igual a 17.905.795,5 pessoas e valor de população urbana (% do total) (n-1) superior a 7,85% e índice de direitos de integridade física (n-1) de valor superior a 1,5 (de 0 - nenhum, a 8 - total) e taxa de participação laboral, mulheres (% da população do sexo feminino 15 +) (n-1) de valor superior a 14,45%. Nesta mesma sequência mas para uma população total superior a 17.905.795,5 pessoas, figura no nó 30 o número médio de mortos previsto, com o valor de 44,366, mais aproximado da média global (40,036).