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1. Contabilidade 2 Ética profissional 3 Tomada de decisão 4.

2.2 O Processo de tomada de decisão ética

2.2.4 Modelos teóricos

2.2.4.6 O modelo de Ferrell, Fraedrich e Ferrell

O modelo proposto por Ferrell, Fraedrich e Ferrell é específico para a tomada de decisões éticas em ambientes empresariais nos quais há trabalho em grupo. Nesse ambiente, a maioria dos funcionários sofre pressões da empresa quando decidem questões éticas. Não há o mesmo nível de liberdade que o existente na família ou na vida pessoal (FERRELL et al., 2001, p. 93).

Os componentes desse modelo são: a gravidade da questão ética, os fatores individuais e a cultura organizacional. Esses três componentes se inter-relacionam e influenciam as avaliações e as intenções éticas da empresa, a qual, por sua vez, direciona o comportamento ético ou antiético. O modelo é reproduzido na Figura 5.

Gravidade da questão ética

Fatores individuais

Desenvolvimento cognitivo moral

Cultura da empresa

Outros elementos significativos oportunidade

Avaliações e intenções da ética da empresa

Comportamento ético ou antiético

Figura 5 - Modelo estrutural para se compreender a tomada de decisões na empresa

A gravidade da questão ética é definida por Ferrell et al. (2001, p. 94) como:

Sua relevância ou importância para a pessoa, o grupo de trabalho, e/ou empresa. Assume caráter pessoal e temporal no sentido de ter que levar em conta valores, crenças, necessidades, maneiras de ver as coisas, características especiais da situação e pressões pessoais que se fazem sentir em base contínua ou em um determinado lugar ou ocasião. A gravidade da questão é um estado cognitivo de preocupação com ela, o que indica participação na escolha de opções. [...] reflete a sensibilidade ética da pessoa ou do grupo de trabalho e inicia o processo de tomada de decisão.

A identificação de uma questão ética como grave influi nos juízos de valor, repercutindo nas fases de julgamento e de intenção moral. Quanto maior for a gravidade da questão ética, menos provável será que o indivíduo tenha um comportamento duvidoso.

Para os autores, todos os componentes do seu modelo são capazes de influenciar a sensibilidade do indivíduo quanto à gravidade da infração ética. Esses fatores explicam por que uma mesma questão ética é interpretada pelos indivíduos de maneiras diferentes.

Além da gravidade da questão ética, os fatores individuais, em especial o desenvolvimento moral cognitivo proposto por Kohlberg, também exerce importante papel na tomada de decisão, ao propor que os indivíduos se encontram em um dos três diferentes estágios de evolução moral. Isso ajuda a explicar o porquê de as pessoas tomarem decisões diferentes quando se vêem diante de uma mesma situação ética.

Outro aspecto relevante, também em conseqüência da adoção da teoria de Kohlberg nesse modelo, é que a educação e a experiência do indivíduo podem fazer com que ele mude seus valores e seus comportamentos éticos e, em conseqüência, progrida em relação aos estágios de desenvolvimento moral.

Contudo, apesar de reconhecer a importância da teoria do desenvolvimento moral cognitivo, Ferrell et al. (2001, p. 97) afirmam que “[...] pesquisas indicam que a qualidade ética do grupo de trabalho, e não o desenvolvimento cognitivo moral, talvez seja a consideração mais importante para se determinar o comportamento moral da empresa.”

Os fatores individuais também podem ser influenciados pela cultura da empresa. Esta é definida por Ferrell et al. (2001, p. 104) como “[...] conjunto de valores, convicções, metas, normas e maneiras de solucionar problemas compartilhados pelos membros (empregados) da empresa” e constituída pelo clima ético, por terceiros significativos e a pela oportunidade.

O clima ético demonstra se há ou não consciência ética na organização. Para os autores, os Códigos de ética das organizações, a conduta ética da alta direção da empresa a respeito de dilemas éticos, a influência de colegas e a oportunidade de praticar condutas antiéticas podem estar relacionados com o reconhecimento das dimensões éticas das decisões, com a procura de alternativas e com o desenvolvimento moral cognitivo.

Terceiros significativos representam os indivíduos que exercem influência sobre o grupo de trabalho. Podem ser os gerentes, os subordinados ou colegas de trabalho, e representam o fator que mais influência esse modelo.

Para Ferrell et al. (2001, p. 99), “[...] o tomador de decisões que se associa a quem se comporta de maneira antiética tem maior probabilidade de agir do mesmo modo.” Os colegas podem alterar o sistema de valores do indivíduo, o que explica a relevância de se estudá-lo.

A obediência à autoridade é um dos componentes de terceiros significativos. A obediência às ordens emanadas dos superiores hierárquicos pode auxiliar no entendimento do porquê as pessoas resolvem questões éticas valendo-se de diretrizes emanadas de seu superior hierárquico, muitas vezes em detrimento de suas próprias convicções pessoais.

Além dessa variável, os autores citam a Oportunidade como outro componente importante em seu modelo. Oportunidade é um termo que descreve as condições que limitam ou permitem um comportamento ético ou antiético pelo indivíduo. São as recompensas, sejam internas (atitudes altruístas) ou externas (aprovação social e estima), ou os obstáculos ao comportamento (punição).

A oportunidade de comportamento antiético pode ser reduzida se existirem regras nas empresas, instituídas pelos Códigos de ética, cujo cumprimento é exigido pela alta administração da entidade.

As avaliações e intenções éticas das empresas representam a última etapa do processo decisório antes do efetivo cumprimento da alternativa aceita pelo indivíduo. Mesmo que o indivíduo tenha feito um juízo moralmente adequado de qual deva ser a conduta a seguir, as pressões do cliente e a necessidade de manter o emprego podem influenciar a decisão que ele dará ao dilema ético. Ao preferir agir de modo incompatível com seu juízo ético, o indivíduo se sentirá, segundo os autores, culpado pela decisão tomada.

Esse modelo contribui com este estudo por apresentar a variável Gravidade como um dos componentes do processo decisório ético, elemento que não consta de maneira explícita nos demais modelos apresentados nesta revisão de literatura.