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Capítulo 2: Posicionadores eletro-hidráulicos

3.3 Modelo linear

Obter modelos lineares de sistemas não-lineares é importante, pois mediante a linearização de equações não-lineares que regem o comportamento deste sistema é possível aplicar métodos de análise linear que produzirão informações sobre o desempenho de sistemas não- lineares em pontos de operação específicos (OGATA, 2000).

Dentre as vantagens da análise linear de sistemas, destacam-se a flexibilidade e o menor tempo necessário para estudar o comportamento do sistema no domínio do tempo ou da frequência, permitindo aplicar

15 A modelagem das linhas de suprimento e de retorno foi realizada considerando apenas a

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técnicas de controle linear (método do lugar das raízes e análise de esta- bilidade) para projetar rapidamente os controladores (ANDERSON, 1988 apud ANDRIGHETTO, 1996).

Contudo, devido às simplificações e desconsiderações feitas para obter o modelo linear, o mesmo não consegue representar de maneira eficiente a dinâmica real do posicionador eletro-hidráulico (VIRVALO, 1999), sendo válido para definir estados do sistema apenas em uma zona estreita próxima de um ponto de trabalho (VUKOBRATOVIC et al., 1987 apud ANDRIGHETTO, 1996).

Frente a essas informações, propõe-se nesta dissertação uma in- vestigação sobre os principais problemas presentes no modelo linear e uma análise das considerações que devem ser realizadas no projeto de controladores.

A seguir, são apresentadas as equações lineares que regem o comportamento do sistema hidráulico e na Figura 3.7 pode-se visualizar o diagrama de blocos do modelo linear implementado no Simulink.

3.3.1 Modelo linear do cilindro

Para possibilitar a modelagem e análise linear do comportamento do cilindro, faz-se necessário considerar o atrito como um coeficiente linear e reescrever as equações do movimento e da continuidade. 3.3.1.1 Equação do movimento

A equação do movimento a ser utilizada no modelo linear deve considerar que a força de atrito varia linearmente de acordo com a velo- cidade do cilindro. Logo, o atrito viscoso é fixo e definido pelo coefici- ente  [N.s/m]. Sendo assim, temos a seguinte equação para o modelo linear: v= D. %N = $X∙/ (. .D /&( +  ∙/. D /& + R. .D+ #+2N (3.17) 3.3.1.2 Equação da continuidade

Para utilização no modelo linear, a equação da continuidade do cilindro pode ser estruturada utilizando o conceito de vazão de controle, que é definido de acordo com a seguinte equação:

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[!=[D+ [2 M (3.18)

De posse desta informação e considerando que, para cilindros si- métricos, o volume total nas câmaras pode ser obtido simplesmente somando-se o volume na câmara A com o da B (-X= -D+ -M), temos a seguinte equação da continuidade para o modelo linear:

[! = . %N+ D∙/. D /& +4. 1-X2∙ /%N /& (3.19) 3.3.2 Modelo linear da VCCD

Como identificado na seção 3.1.2 as válvulas de controle contí- nuo direcionais são modeladas de acordo com a equação 3.5 (simplifica- ções da equação do movimento do carretel e 2ª Lei de Kirchoff) e com a equação 3.6 (equação da vazão).

Para representação no modelo linear, nota-se que a equação do movimento do carretel está perfeitamente adequada, pois apresenta ca- racterísticas lineares. Já a equação da vazão apresenta não-linearizades e, utilizando a expansão em Série de Taylor, deve ser linearizada em torno de um ponto de operação.

De Negri (2001) destaca que, devido à dificuldade de aferição da posição do carretel em algumas válvulas eletro-hidráulicas, pode-se determinar a abertura da válvula por meio do sinal de comando enviado. Sendo assim, diante destas considerações e utilizando coeficientes defi- nidos pelo autor, a equação da vazão linearizada em torno de um ponto de operação i apresenta a seguinte forma:

[ =  . *!− !. %N (3.20)

Sendo definido que:

  → ganho de vazão no ponto de operação i [m3/s.V];

*! → sinal de comando na válvula em tensão [V];

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Segundo Ramos Filho (2007), o ganho de vazão e o coeficiente de vazão-pressão podem ser obtidos das seguintes maneiras16:

• Derivando a equação 3.6 em relação à *! e %N;

 = ∙ u*∆%

 (3.21)

!= 

2. u∆% (3.22)

• Analisando as curvas características de vazão e de pressão disponíveis em catálogos técnicos;

• Realizando ensaios com a válvula segundo a norma inter- nacional ISO 10770-1 (1998).

Merrit (1967) afirma que em válvulas cujas características de controle são essencialmente lineares, a inclinação da curva pode ser considerada constante e a relação 3.21 apresenta uma boa aproximação para estimar o ganho de vazão. Porém, esta relação não é valida para determinadas válvulas proporcionais que apresentam não-linearidades como zona morta e orifícios de controle com áreas não retangulares.

Merrit (1967) ressalta que utilizando a equação 3.22 serão encon- trados valores teóricos possivelmente distantes da realidade, uma vez que foram consideradas hipóteses simplificadoras no desenvolvimento desta relação. Uma alternativa para estimar valores coerentes do ganho de vazão-pressão é utilizar a seguinte equação:

!= K

 (3.23)

O ganho de pressão é determinado por intermédio de ensaios de pressão que podem ser encontrados em catálogos ou realizados segundo a norma ISO 10770-1 (1998).

16 Mais detalhes sobre os métodos para estimar os valores do ganho de vazão e coeficiente de

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3.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo foram apresentadas as equações utilizadas na mo- delagem linear e não-linear do sistema de posicionamento eletro- hidráulico, as quais representam matematicamente o comportamento estático e dinâmico dos componentes deste sistema.

A modelagem das linhas de transmissão, considerando os efeitos de perda de carga, massa aparente e compressibilidade do fluido, é fun- damental para a obtenção de um modelo matemático que represente satisfatoriamente o sistema real.

No próximo capítulo é apresentada a bancada de estudos onde fo- ram efetuados os experimentos práticos para o modelo de sistema de posicionamento anteriormente descrito. Também é realizado o levanta- mento de parâmetros dos componentes e efetuada a validação e análise dos modelos linear e não-linear.

Capítulo 4

CARACTERIZAÇÃO TEÓRICA – EXPERIMENTAL

A implementação prática e verificação experimental dos resulta- dos de um sistema eletro-hidráulico de controle de posição foram reali- zados utilizando uma bancada de estudos, intitulada Plataforma de Hi- dráulica Proporcional (PHP).

Localizada no Laboratório de Sistemas Hidráulicos e Pneumáti- cos, a PHP foi desenvolvida com a finalidade de intensificar a interação entre os conceitos teóricos e a aplicação prática de projeto e controle de posicionadores hidráulicos.

Este equipamento, visualizado na Figura 4.1, é composto por: • UPCH;

• Bancada de Trabalho;

• Sistema de Aquisição DSpace;

• Computador com o Software Matlab e Trace; • Cilindro Simétrico;

• Válvulas Simétricas;

• Transdutores de Pressão e Posição; • Sistema de Carregamento.

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Figura 4.1 – Plataforma de Hidráulica Proporcional

Estes equipamentos, amplamente utilizados no ambiente industri- al, possuem catálogos contendo diversas informações, tais como funcio- namento, características construtivas e respostas dinâmicas / estáticas.