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MODELO 3 – MECANISMOS DE AI, SUPORTE PSICOSSOCIAL E AO

2 REVISÃO DE LITERATURA

6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS MODELOS

6.3 MODELO 3 – MECANISMOS DE AI, SUPORTE PSICOSSOCIAL E AO

A construção do modelo 3, envolveu elementos dos dois modelos anteriores, e exigiu várias iterações de reespecificação, visando apresentar no mesmo modelo os processos formais e informais da AI, os processos de socialização e codificação e o suporte à transferência. Além do suporte psicossocial à transferência, presente nos dois modelos, temos do modelo 1, o detalhamento da relação entre os processos da AO, e do segundo, o detalhamento dos mecanismos de aprendizagem individual. As variáveis empregadas no modelo foram as seguintes:

– Interação direta com os colegas no trabalho (INT_COL_TRAB). A aprendizagem pela utilização da ferramenta não se relacionou com o suporte à transferência material nem com o suporte psicossocial e tampouco com a aprendizagem organizacional, e foi retirada do modelo;

– Autoestudo e interação com profissionais de fora da empresa (AUT_EST_INT_PRO), criada com base no fator já validado em capítulo anterior;

– Interação com clientes e superiores (INT_CLI_SUP), também criada com base em fator já validado. As demais modalidades de aprendizagem informal reduziram o ajustamento do modelo e foram retiradas;

– Atividades acadêmicas (ATIV_ACAD), criada com base em fator previamente validado;

– Aprendizagem em cursos e grupos de estudo formais (CUR_GRU_EST), criada com base em fator já validado;

– Suporte psicossocial à transferência (SUP_PSI). O suporte material relacionado a informática e local de trabalho não se relacionou com o suporte à transferência nem com a aprendizagem organizacional e foi retirada do modelo. O mesmo aconteceu com a variável de quantidade e qualidade dos recursos materiais;

Figura 13 – Modelo 3 – Mecanismos de AI, suporte psicossocial e AO

– Interação direta com colegas e discussão de problemas (IN_COL_DIS_PRO); – Interação por meio eletrônico e troca de arquivos (INT_ELE_TRO_ARQ); – Codificação (COD).

Foram adicionadas ainda as variáveis de erro espsi, esoc1, esoc2, esoc3 e ecod, relativas ao erro associado às variáveis de aprendizagem individual, suporte psicossocial e aprendizagem organizacional. A figura 13 apresenta a visualização do modelo 3.

Ao final da especificação, o modelo produzido revelou um ótimo grau de ajustamento, e todas as relações nele contidas foram consideradas todas estatisticamente significativas, sem exceção.

6.3.1 Validações e índices de ajustamento

A amostra contou com 256 respondentes, e foram estimados 43 parâmetros. A razão entre o número de casos por parâmetro estimado ficou em 5,96. Tanto o tamanho da amostra quanto a razão entre o número de casos e o número de parâmetros estimados estão dentro dos patamares considerados aceitáveis.

Os índices de ajustamento foram ótimos, o que mostra a adequação da amostra ao modelo, e constam da tabela 19.

Variável de Validação/ Ajuste do Modelo Valor Encontrado

Tamanho da Amostra 256 questionários considerados válidos de 340

Número de Parâmetros Estimados 43

Número de casos por parâmetro estimado 5,95 (esperado: valores entre 5 e 10 casos por parâmetro estimado)

Graus de Liberdade 22 (esperado: valores positivos)

Qui-Quadrado (Adequação) 17,178 (esperado: valores maiores que zero)

Significância do Qui-Quadrado 0,753 (esperado: > 0,05 – valor significativo aponta para rejeição do modelo)

Razão entre Qui-Quadrado e graus de liberdade ,781 (esperado: resultado < 3)

RMSEA 0,000 (esperado: coeficiente < 0.08)

NFI 0,964 (esperado: > 0,9)

RFI 0,911 (esperado: > 0,9)

TLI 1,028 (esperado: > 0,9)

IFI 1,010 (esperado: > 0,9)

CFI 1,000 (esperado: > 0,9)

Tabela 19 – Índices de ajustamento do modelo 3

O valor para o índice Qui-Quadrado foi 17,178, com 22 graus de liberdade, positivo conforme o esperado e não significativo (0,753), o que aponta para a aceitação do modelo. O ajustamento do índice qui-quadrado foi confirmado pelos demais índices utilizados. A razão entre qui-quadrado e graus de liberdade, ou qui-quadrado normado, obteve o valor 0,781, que indica ajustamento adequado.

O valor do RMSEA foi 0,000, considerado aceitável e abaixo do valor de referência 0,08, e abaixo ainda do limite de 0,05 que indica a não exigência de melhorias no modelo. Os valores dos demais índices de ajustamento apontam para um ótimo nível de ajustamento, sempre próximos de 1: NFI, 0,964; RFI, 0,911; IFI, 1,010; TLI, 1,028 e CFI, 1,000.

6.3.2 Relações representadas no modelo

Todas as relações entre as variáveis do modelo foram consideradas estatisticamente significativas, sendo algumas com p<0,001. A tabela 20 apresenta os valores das estimativas do modelo e significância das relações. A figura 14 mostra o modelo visualmente com os valores padronizados das relações entre as suas variáveis.

As relações propostas no modelo foram as seguintes:

– O suporte psicossocial foi maior para os indivíduos que relataram maior aprendizagem em cursos e grupos de estudo formais (estimativa padronizada 0,270, p= 0,001), relação já observada no modelo 2;

– Os respondentes que apresentaram maiores índices de suporte psicossocial tenderam a socializar o conhecimento em atividades didáticas e grupos de trabalho (estimativa padronizada 0,193, p= 0,030). Também reportaram maior interação com colegas e discussão de problemas (estimativa padronizada 0,382, p<0,001);

– A aprendizagem individual na interação direta com os colegas no trabalho está associada a maior socialização via interação com colegas e discussão de problemas (estimativa padronizada 0,226, p< 0,001);

– A modalidade de AI relativa a atividades acadêmicas apresentou relação significativa com socialização em atividades didáticas e grupos de estudo 0,270, p= 0,001);

– O mecanismo de aprendizagem individual autoestudo e interação com profissionais de fora da empresa apresentou associação positiva com a socialização via interação com colegas e resolução de problemas (estimativa padronizada 0,207, p=0,002), e com a que se dá eletronicamente e com intercâmbio de arquivos (estimativa padronizada 0,232, p<0,001). Neste caso tanto a aprendizagem individual quanto a organizacional se dão por meio da interação;

– Indivíduos com maior aprendizagem com clientes e fornecedores apresentaram maior aprendizagem organizacional por codificação (estimativa padronizada 0,366, p<0,001);

– Os processos de aprendizagem organizacional apresentaram relação significativa entre si. No caso das atividades didáticas e participação em grupos de trabalho, houve relação significativa com maior interação direta com colegas e discussão de problemas (estimativa padronizada 0,258, p< 0,001), com mais interação por meio eletrônico e troca de arquivos (estimativa padronizada 0,224, p< 0,001) e com maiores índices de codificação (estimativa padronizada 0,235, p< 0,001);

– A socialização ocorrida na interação direta com colegas e discussão de problemas teve associação positiva com a interação por meio eletrônico e troca de arquivos (estimativa padronizada 0,438, p< 0,001);

– A interação por meio eletrônico e troca de arquivos apresentou associação positiva com a aprendizagem organizacional por codificação (estimativa padronizada 0,438, p< 0,001).

Origem da Relação Destino da Relação Estimativa PadronizadaEstimativa S.E. C.R. P

CUR_GRU_EST SUP_PSI ,269 ,270 ,082 3,279 ,001 SUP_PSI AT_DI_GR_TR ,103 ,154 ,047 2,171 ,030 ATIV_ACAD AT_DI_GR_TR ,175 ,270 ,054 3,219 ,001 SUP_PSI IN_COL_DIS_PRO ,343 ,382 ,053 6,528 *** AT_DI_GR_TR IN_COL_DIS_PRO ,348 ,258 ,081 4,305 *** INT_COL_TRAB IN_COL_DIS_PRO ,214 ,226 ,053 4,031 *** AUT_EST_INT_PRO IN_COL_DIS_PRO ,198 ,207 ,064 3,081 ,002 IN_COL_DIS_PRO INT_ELE_TRO_ARQ ,476 ,438 ,065 7,303 *** AT_DI_GR_TR INT_ELE_TRO_ARQ ,328 ,224 ,088 3,747 *** AUT_EST_INT_PRO INT_ELE_TRO_ARQ ,241 ,232 ,071 3,418 *** AT_DI_GR_TR COD ,322 ,235 ,097 3,334 *** INT_ELE_TRO_ARQ COD ,266 ,285 ,068 3,891 *** INT_CLI_SUP COD ,449 ,366 ,105 4,287 *** Nota. *** p< 0,001

Figura 14 – Relações do modelo 3 – Valores padronizados 6.3.3 Interpretação do modelo

A validação do modelo segundo os índices de ajustamento mostrou ótima adequação do modelo aos dados fornecidos, não havendo necessidade de ajustamento do modelo segundo o índice RMSEA. As relações entre as variáveis nele mostradas são estatisticamente significativas e as variáveis não apresentaram colinearidade nos testes realizados.

O modelo trata essencialmente duas questões relevantes: Qual a influência dos diferentes mecanismos de aprendizagem individual na aprendizagem organizacional? Qual o papel do suporte psicossocial neste processo?

Assim como no modelo 2, os mecanismos de aprendizagem individual apresentaram comportamentos diferentes, cada um apresentando influências distintas sobre o suporte psicossocial e sobre a aprendizagem organizacional. Este resultado reforça a ideia de que os mecanismos de AI que constam do modelo, ainda que não apresentem intensidade significativa, são relevantes por impactarem a AO em todos os seus aspectos.

Ficou explícita a complementaridade dos mecanismos de aprendizagem individual para uma maior socialização e codificação sobre conhecimentos relativos a tecnologias livres na SUPDE, em virtude apenas um dos mecanismos de AO sofreu influência de mais de um mecanismo de AI, o de interação com colegas e discussão de problemas. Clara ficou também a importância de cada mecanismo de aprendizagem individual para a aprendizagem organizacional, pois a falta de qualquer um dos mecanismos eliminaria um preditor da AO.

O suporte psicossocial foi a única dimensão do suporte à transferência que mostrou poder preditivo do impacto da aprendizagem individual, da mesma forma que nos dois modelos anteriores, e influenciou a aprendizagem organizacional por socialização e codificação, mais uma vez corroborando a importância deste suporte na literatura (PEREIRA, 2009; HANKE, 2006; PANTOJA e outros, 2005; FREITAS; BORGES-ANDRADE, 2004; LACERDA; ABBAD, 2003). Os itens de suporte material afetaram negativamente o ajustamento do modelo e apresentaram relação pouco significativa com a aprendizagem organizacional e foram removidos. Outro resultado a ser comentado é o fato do suporte psicossocial ser maior para os respondentes com maior aprendizagem individual formal em cursos e grupos de trabalho, da mesma forma que ocorreu no modelo 2. Este é um resultado que associa este suporte não só a treinamentos, como já foi constatado na literatura, mas a uma maior variedade de modalidades de aprendizagem formal. O suporte funcionou como ligação da dimensão da aprendizagem individual (formal) à da aprendizagem organizacional, e da dimensão técnica para a social, como pode ser observado nas figuras, resultado similar ao dos modelos 1 e 2.