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MODELO NUMÉRICO DIVAST

No documento ROSANA DE REZENDE ANDRADE (páginas 26-33)

O modelo numérico utilizado neste estudo é o DIVAST (Depth Integrated Velocity and Solute Transport), desenvolvido em 1976 por Roger Falconer para simular problemas relacionados à hidrodinâmica, ao transporte de sedimentos e à qualidade da água em estuários e águas costeiras. Este é um modelo bidimensional horizontal integrado ao longo da vertical, escrito em linguagem Fortran. Segundo Kashefipour et al. (2006), durante os últimos 25 anos o modelo DIVAST tem sido utilizado com sucesso em vários laboratórios em todo o mundo.

As equações que governam este modelo são resultados da integração na vertical das equações tridimensionais de Reynolds fazendo-se uso das hipóteses de onda longa e pressão hidrostática. A hipótese de onda longa considera que a escala vertical é muito menor quando comparada com o domínio horizontal do modelo e, consequentemente, o movimento é praticamente horizontal, sendo o escoamento ao longo da profundidade representado pela média vertical da variável dependente mais uma flutuação em torno dessa média. Já a hipótese de pressão hidrostática diz que a pressão em qualquer ponto depende somente da elevação do nível da água (circulação barotrópica). Além destas, o modelo também utiliza a hipótese de Boussinesq associada à teoria de comprimento de mistura de Prandtl para descrever a turbulência. Dessa forma, obtêm-se equações diferenciais bidimensionais conhecidas como equações de águas rasas as quais podem ser aplicadas em estuários e zonas costeiras onde a estratificação do corpo d água é pouco significativa.

A modelagem matemática que determina a hidrodinâmica do fluido é baseada na equação da continuidade, fundamentada no princípio de conservação da massa, e na equação da quantidade de movimento, também denominada de Navier-Stokes.

Nas condições supracitadas, estas equações resultam em equações bidimensionais podendo ser escritas como se segue:

Equação da continuidade: velocidade média na vertical nas direções x e y.

Equação da quantidade de movimento:

g Aceleração gravitacional (g 9,806m/s2);

a Massa específica do ar ( 1,292Kg/m3);

Massa específica do fluido (Kg/m3);

C Coeficiente de rugosidade de Chezy (m½/s);

Cw Coeficiente de resistência ar/fluido (adimensional);

y aceleração devido à variação do nível d’água (c), aceleração ocasionada pela ação do vento (d), aceleração originada pelo atrito com o fundo (e), aceleração causada pela turbulência (f) e aceleração devido ao efeito de Coriolis (g). Em resumo, a equação da quantidade de movimento representa o equilíbrio dinâmico das forças atuando no fluido.

Para simular a modelagem da qualidade de água é empregada a equação de transporte de solutos, também conhecida como equação da advecção-difusão.

Essa equação também pode ser integrada sobre a coluna da água, descrevendo o movimento médio dos solutos ao longo da profundidade. É escrita da seguinte

onde:

C Concentração de soluto média na vertical;

yy

Na equação 4.4 os termos a, b, c e d representam, respectivamente, os seguintes efeitos: transporte local; transporte advectivo; transporte difusivo longitudinal na direção x e difusão turbulenta; e transporte difusivo longitudinal na direção y e difusão turbulenta.

Os coeficientes de dispersão-difusão são determinados pelas expressões abaixo:

Kl Coeficiente de dispersão longitudinal médio na vertical (Kl=5,93);

Kt Coeficientes de difusão lateral turbulenta médio na vertical (Kt=0,23).

Para substâncias não conservativas, isto é, que decaem ao longo do tempo, como bactérias indicadoras de contaminação fecal, o termo S é definido como:

S KCH (4.8) onde:

K Coeficiente de inativação (dia-1).

O coeficiente de inativação é convencionalmente expresso em termos de T90 através de uma reação de decaimento de primeira ordem matematicamente definida como:

90

10 ln

K T (4.9)

onde:

T90 Tempo necessário para a redução de 90% do número original de bactérias indicadoras de contaminação fecal (h).

Como as equações diferenciais parciais 4.1, 4.2, 4.3 e 4.4 não possuem solução analítica, o modelo DIVAST emprega o método numérico de diferenças finitas para resolvê-las. Este método geralmente utiliza uma malha retangular composta de células quadradas para representar a região de estudo, e consiste na substituiç ão, dentro dessa malha computacional, de equações diferenciais parciais por equações em diferenças finitas, baseadas na aproximação em séries de Taylor truncadas.

O tipo particular de esquema de diferenças finitas empregado neste modelo é o Método Implícito de Direção Alternada também denominado ADI (Alternating Direction Implicit). Este é um esquema que envolve a subdivisão de cada passo de tempo em dois meio passos. No primeiro meio passo de tempo a elevação da água, a componente U da velocidade e a concentração de soluto são solucionadas implicitamente na direção x, enquanto que as outras variáveis são representadas explicitamente. Similarmente, para o segundo meio passo de tempo, a elevação da água, a componente V da velocidade e a concentração de soluto são solucionadas implicitamente na direção y, com as outras variáveis sendo representadas explicitamente. Dessa maneira, pode ser aplicado considerando-se, porém, apenas

uma dimensão implicitamente para cada meio passo de tempo, sem a solução de uma matriz bidimensional completa.

Este esquema tem precisão de segunda ordem tanto no tempo como no espaço, não tendo nenhuma restrição quanta à estabilidade. Um esquema será estável se o efeito acumulado de todos os erros de arredondamento for negligenciável.

Entretanto, Falconer (1976) recomenda que se restrinja o passo de tempo de forma que o número de Courant (equação 4.10) seja menor que 8.

gh

x

t (4.10)

onde:

t Passo de tempo utilizado;

x Tamanho da célula.

O DIVAST utiliza formulação do tipo euleriano e, assim, as variáveis (elevação do nível d’água, concentração de soluto, velocidade nas direções x e y e profundidade) são calculadas em pontos específicos da região modelada colocando-se uma malha computacional sobre a qual as equações serão resolvidas. A elevação e a concentração de soluto são determinadas no centro da célula ao passo que as componentes da velocidade e a profundidade são especificadas no centro dos lados da célula (Figura 2).

Figura 2: Célula computacional do DIVAST.

Fonte: Binnie e Partners, 1993.

Para iniciar a simulação, os valores iniciais das variáveis são prescritos ao longo do domínio dependendo das condições iniciais inseridas no modelo, que podem ser de dois tipos: partida a quente e partida a frio. Na partida a quente, a simulação começa a partir de valores de elevação, velocidade e concentração de soluto obtidos em simulação precedente. Já na partida a frio, o modelo inicia a simulação considerando, normalmente, velocidade nula ao longo do domínio, concentração de soluto nula ou com valor constante se a distribuição do soluto é inicialmente uniforme e elevação próxima ao seu nível máximo (preamar) ou mínimo (baixamar).

Como o modelo calcula apenas o que ocorre no interior do domínio modelado, a informação do que ocorre fora deste é transmitida através das condições de contorno, que são de dois tipos: contorno fechado e contorno aberto. Os contornos fechados ocorrem ao longo de linhas de costa ou adjacentes a estruturas, através dos quais não há passagem de fluxo. Ao contrário do contorno fechado, o contorno aberto não é uma fronteira física, o que permite o fluxo e, neste caso, condições hidrodinâmicas (elevação da superfície da água ou velocidade) e de qualidade (concentração de soluto) necessitam ser determinadas.

Com as condições de contorno incluídas, as equações em diferenças finitas para continuidade e quantidade de movimento resultantes em cada meio passo de tempo são solucionadas usando-se o método de eliminação de Gauss e substituição anterior (ou algoritmo de Thomas). Depois de estabelecer o campo hidrodinâmico dentro do domínio do modelo, o soluto é computado para cada meio passo de tempo para que se possa obter seu transporte e, consequentemente, sua concentração em todas áreas de interesse.

No documento ROSANA DE REZENDE ANDRADE (páginas 26-33)

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