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2.1 PROCESSO DECISÓRIO NAS ORGANIZAÇÕES

2.1.4 Modelos de tomada de decisão

2.1.4.5 Modelo político

O modelo político de tomada de decisão diz que a decisão é o resultado de um processo, no qual os decisores têm diferentes metas, e chegam a uma disputa onde as preferências dos mais fortes vencem. Eisenhardt e Zbaracki (1992, p. 36) afirmam: “No modelo político, as pessoas são individualmente racionais, mas coletivamente não”.

Além disso, os decisores políticos freqüentemente procuram mudar a estrutura de poder engajando-se em táticas políticas como: coalizões, uso estratégico da informação, cooperações, e utilização de analistas externos. O processo político dentro de uma organização poderia ser assim descrito, encarado como um jogo de poder onde “os jogadores são dotados de interesses e objetivos próprios, e controlam diferentes recursos (autoridade, status, tempo, pessoas, idéias, informações). O processo político diz respeito, assim, a vontade de poder que cada um se lança a adquirir”. Ainda segundo Motta (1996, p. 60) na decisão política “o dirigente tem uma tarefa intensa de negociação para enfrentar conflitos e ultrapassar restrições internas e externas para chegar às decisões”.

Segundo Anastassopoulos et al. (1991), o modelo político foi desenvolvido a partir da observação de organizações ou instituições públicas. A organização é vista como um conjunto de jogadores - indivíduos ou grupos - em situações particulares no centro de uma estrutura mais ou menos precisa (linha hierárquica, processos orçamentários, divisão do trabalho). Os jogadores são dotados de interesses e objetivos próprios e a organização não tem objetivos claros a priori, esses objetivos podem parecer vagos, ambíguos, e a estabilidade não são garantidos. Os indivíduos ou entidades possuem estratégias particulares, que se exprime por meio de jogos de poder, através dos quais os atores utilizam com mais ou menos habilidade os recursos que dispõem influência, coalizão, conflito, artimanhas, elementos normais do processo político. A mudança é possível, mas difícil; a probabilidade de mudança depende da estrutura dos jogos de poder, das estratégias particulares dos atores e do ambiente.

Lindblon (1981) afirma que o processo decisório é extremamente complexo, sem princípio nem fim, cujos limites são incertos. Para seu estudo, é preciso entender as características dos participantes, os papéis que desempenham, a autoridade e os outros poderes que detém, como lidam uns com os outros e se controlam mutuamente.

O sistema de decisão política, segundo Lindblon (1981), tem um importante efeito sobre as aspirações, opiniões e atitudes que respondam às políticas. Seu funcionamento não é como de uma máquina que é alimentada com demandas para produzir decisões. É a própria máquina que fabrica necessidades e demandas.

Modelando as aspirações dos cidadãos que formam parte da organização, ela põe alguns temas na agenda do debate político e rejeitam outros; apresenta certas

políticas aos cidadãos e aos formuladores de políticas e informa às opiniões que vão condicionar tais escolhas.

Para Lindblon (1981, p. 110)

[...] o processo decisório político não leva a soluções que possam ser julgadas com base em padrões de racionalidade; produz acordos, conciliações e ajustes, cuja avaliação com vistas à equidade, aceitabilidade, possibilidade de reexame e atendimento à variedade dos interesses em jogo é sempre inconclusiva.

Por fim, o modelo de política governamental (ou burocrática) de Allison (1971) postula que as decisões são resultados da ação de “puxar e empurrar” entre as diversas entidades e não podem ser compreendidas sem uma apreciação das forças que animam os participantes.

Enquanto o modelo da racionalidade limitada foi uma reação aos pressupostos cognitivos sobre o indivíduo, o modelo político foi uma reação aos pressupostos sociais sobre os grupos (EISENHARDT; ZBARACKI, 1992).

A perspectiva política admite que as organizações representem coalizões de pessoas com interesses distintos. Enquanto alguns objetivos podem ser compartilhados, outros estabelecem conflitos. As preferências conflitantes derivam de visões diversas sobre o futuro, vieses estabelecidos pelas posições distintas nas organizações e confronto de ambições e interesses (QUINN, 1980; PETTIGREW, 1985; ALLISON, 1971; BALDRIDGE, 1971; DEAN e SHARFMAN, 1993). O centro desta perspectiva é o processo de solução de conflitos entre indivíduos com preferências conflitantes.

Vários estudos (KIPNIS; SCHMIDT, 1988; PETTIGREW, 1973; MINTZBERG et al, 1976; RALSTON et al, 1993; YUKL et al, 1996; LAUTERBACH; WEINER, 1996; KOTTER, 2000) chegaram a diversas táticas políticas, das quais se podem apresentar algumas:

Persuasão – uso de fatos e dados para fazer uma apresentação lógica ou racional de idéias.

Amizade – uso de adulação, criação de boa vontade, agir de forma humilde e ser amigável antes de fazer um pedido.

Coalizão – conseguir o apoio de outras pessoas na organização para dar respaldo ao pedido.

Cooptação – envolver os atores-chave na decisão para reduzir resistências futuras Barganha – decisão em grupo por consenso quando existem interesses próprios.

Asserção – uso de uma abordagem direta e forte, tal como a exigência de concordância com pedidos, a repetição de lembretes, mandar indivíduos fazerem o que lhes é pedido e indicar que regras exigem obediência.

Salvaguarda – evadir-se de situações que possam refletir desfavoravelmente.

Criação de senso de urgência – uso de fatos e dados para criar no grupo senso de importância do momento vivido.

Autoridade superior – obter apoio de níveis mais altos na organização para dar respaldo a pedidos.

Sanções – uso de recompensas e punições derivadas da organização, como impedir ou prometer um aumento de salário, ameaçar uma avaliação de desempenho insatisfatória ou reter uma promoção.

Quadro 1 – Táticas Políticas.

As táticas políticas exigem em várias oportunidades a negociação, a cessão de ambas as partes para atingir o consenso. No exercício simples do poder, há cessão de uma das partes, a parte dominada. Há alguns fatores individuais e organizacionais que influenciam no comportamento político (BIBERMAN, 1985).

Dentre os fatores pessoais, alguns traços de personalidade como alto autocontrole, locus de controle interno e alta necessidade de poder criam maior probabilidade de as pessoas engajarem-se em comportamento político. Os fatores organizacionais aumentam a probabilidade de a política vir à tona: a distribuição de recursos, oportunidades de promoção, baixa confiabilidade, ambigüidade, falta de clareza do sistema de avaliação, tomada de decisão democrática, pressão para alto desempenho. (PFEFFER; SALANCIK, 1974; HILLS; MAHONEY, 1978; PFEFFER;

MOORE, 1980).

Dean e Sharfman (1993) estudaram a relação entre o comportamento político e a racionalidade na tomada de decisão estratégica, encontrando que estas são duas dimensões independentes do processo decisório. Isto leva à possibilidade de classificação das decisões, com relação à sua natureza racional e política, em quatro tipos: alta racionalidade / alta política; alta racionalidade / baixa política; baixa racionalidade / alta política; e baixa racionalidade / baixa política.