2.4 PROCESSO DECISÓRIO EM UNIVERSIDADES
2.5.1 Modelo Racional
De acordo com Simon (1965) apud Oliveira (2012 uma decisão é racional, sob dois pontos de vista: primeiro sob o ponto de vista do indivíduo, se for condizente com os valores, as alternativas e as informações que considerou ao tomá-las; e em segundo do ponto de vista de um grupo, onde uma decisão é racional se for harmônica com os valores que guiam o grupo e com as informações que este dispõe e que são relevantes para a decisão.
Na prática, de acordo com Chaoo (2003), há um choque de interesses entre indivíduos e a racionalidade da decisão é atrapalhada por estes interesses. Há a presença de barganhas e negociações entre grupos e indivíduos, pelas limitações que envolvem as decisões, pela falta de informações e assim por diante.
De acordo com o modelo racional, Raskin (2000) defende que o processo de tomada de decisão teria três estágios: identificação e definição do problema; geração de alternativas de soluções; e seleção e implementação da solução. As situações seriam “ideais”, sem incertezas e ambigüidades, e os custos de gestão e de informação seriam ignorados.
Para Leitão (1993 b, p.77) “o modelo racional se ajusta melhor aos problemas complexos, não-repetitivos e novos para a organização, tal modelo permite tratar cada situação como única, podendo acomodar novas percepções e instituições”.
Os pressupostos econômicos neoclássicos dão conta de que indivíduos agem como empreendedores maximizadores e o foco central dos modelos de tomada de decisão são racionais, ou seja, a tomada de decisão ocorre num processo sequencial e linear.
Para Hillman (1970, p.143), apud Sorgetz (2016) “uma decisão é uma conclusão que se baseia em escolha entre um conjuntos de alternativas e premissas. Algumas premissas se referem às categorias de fato e outras, às categorias de valor. A distinção entre o que é fato e o que é valor é considerada uma distinção entre elementos abstratos”.
Outro aspectos levantado por Sorgetz (2016), tanto o modelo burocrático como o racional se apoiam no princípio da eficiência, por isso a distinção entre eles é dificultoso. Mas o modelo burocrático weberiano e a teoria da racionalidade econômica têm origens diversas, o que levou autores como Allison (1971), Pfeffer (1974 e 1980) e Chaffee (1983) a tratá-los dissociadamente, por suas diferentes racionalidades.
A racionalidade pressupõe que escolhas de qualidade a serem feitas, contemplam complexidade se observadas de forma minuciosa, pois requerem uma boa análise da situação e das variáveis potencialmente influentes. Cabe aos agentes selecionar a melhor alternativa e decidir, cumprindo assim sua função administrativa, a tomada de decisão, que no entender de Morgan (1996), é uma atividade tipicamente humana.
Para Bazermann (2004), tal modelo racional nada mais é do que um conjunto de fatos ou princípios que servam de base a um raciocínio, que se usa da razão, para solucionar problemas como: frustração, irritação, percepções de diferenças entre situação ideal e real e perspectivas de prejuízo, dentre outros, muito comuns no âmbito organizacional.
Baseados nas pesquisas de Leitão (1991) que trata do estudo dos modelos de tomada de decisões dentro das Universidades, alguns fatores do modelo racional são estudados mais profundamente para saber se influenciam na tomada de decisão, sendo eles: Metas da instituição; metas do governo; interesse coletivo; acesso a informação; habilidade verbal;conhecimento do assunto;capacidade de argumentação;competência profissional; motivação;cultura organizacional; valores pessoais; personalidade.
2.5.2 Modelo Burocrático
De acordo com Sorgetz (2016, p.32), o modelo burocrático tem origem nos estudos de Weber (1969 e 1979) o qual complementa o paradigma de Simon relativo ao processo decisório, ao descrever o contexto organizacional dentro do qual as decisões são racionais em uma sociedade desenvolvida.
Leitão (1993 a) argumenta que muitos autores não distinguem o modelo burocrático do racional, pois segundo ele, os dois se apóiam no princípio da eficiência. Mas o modelo burocrático weberiano e a teoria da racionalidade econômica têm origens diversas e explica que : “o modelo burocrático é considerado eficaz quando aplicado à rotina, a situações repetitivas e relativamente não-importantes, o modelo racional se ajusta melhor aos problemas complexos, não-repetitivos e novos para a organização”, (LEITÃO 1993, p.77).
Salm et al (2016),em seus estudos apontam alguns autores e suas concepções a cerca do modelo burocrático. Para Baldridge et al (1982),aspectos da organização burocrática são comuns a todas as organizações universitárias. Na visão de Stroup (1966), observa se características do modelo weberiano como: a coordenação alcançada por meio da divisão de trabalho; as atividades padronizadas; utilização de critérios impessoais; hierarquia
administrativa visível; e uso de regras e regulamentos formais, são passíveis de ser encontrado na Universidade.
Oliveira et. al. (2011) destaca que a divisão do trabalho, a adoção de regras, a padronização das atividades, a notável hierarquia administrativa, os regulamentos formais e critérios impessoais são características do modelo burocrático nas Universidades, tal modelo fundamentado em Weber, exprime o tipo ideal de poder racional-legal.
Rizzatti, Dobes (2002) corroboram afirmando que toda organização universitária possui em sua estrutura componentes que se assemelham ao modelo burocrático. Esse modelo apresenta a Universidade como uma unidade social burocrática, baseada no princípio da racionalidade, organizada para maximizar a eficiência.
Para Leitão (1995) a Universidade, possui características comuns a outras burocracias, ou seja, tem uma esfera específica de competência, é regulada por normas e regras escritas e seus cargos são hierarquizados e centralizados estas características fazem dela uma organização complexa e como tal possui personalidade jurídica própria e responsabilidade pública. Leitão (1995) reforça ainda que o modelo burocrático não é suficiente para explicar os sistemas de formulação de políticas na Universidade e o tipo de poder não-formal, o qual se baseia no conhecimento especializado, marcante nesse tipo de instituição.
Para Simão (2004), rotinas operacionais padronizadas são condições essenciais para aplicação do modelo, além de adaptações complementares e procedimentos de ativação de rotinas.
Estrada (2000 p.13) em seus estudos sobre planejamento estratégico indica que “as organizações universitárias podem ser caracterizadas, dentre outros, por ambigüidade de metas, alto profissionalismo das tarefas econômicas, vulnerabilidade ao ambiente e um corpo profissional fragmentado”.
De acordo com Leitão (1991) os fatores que influenciam a tomada de decisão e estão relacionados com o modelo Burocrático são: Conhecimento da legislação e normas; Personalidade; Acesso à informação; Competência profissional; Motivação; Valores pessoais; Regras e procedimentos decisórios formalizados; Administração centralizada; Cultura organizacional; Posição na hierarquia; Experiência acumulada; Mecanismos de punição e recompensa.