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Modelo Simplificado Modelo hidrodinâmico 

Óptica geométrica, Hidrodinâmica e Aplicações da Pinça Óptica 

5.3 Medidas de Elasticidade de Hemácias Normais e Alteradas 1 Motivação 

5.3.2.  Modelo Simplificado Modelo hidrodinâmico 

No  modelo  simplificado  assumimos  que  a hemácia,  na  sua  forma  bicôncava  da  Figura  113  acima,  pode  ser  aproximada  por  um  paralelepípedo  de  comprimento  L, 

do  fundo  da  câmara  de  Neubauer,  cuja  profundidade  total  é  de  H  =  100  µm,  e 

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Z =Z −   da  lamínula.  Essa  hemácia  é  arrastada  com  a  pinça  óptica  no  fluido  do H

plasma  sangüíneo,  cuja  viscosidade  é  µ, com  uma  velocidade  constante  V,  conforme  mostra a Figura 114.    Fundo da lâmina L u Z1 Z2 Lamínula L u Z1 Z2 Lamínula Fundo da lâmina L W ε

Figura  114. Modelo  geométrico  da  hemácia  na  câmara  de  Neubauer.  Z1  e  Z2  representam, 

respectivamente, a distância da hemácia ao fundo da lâmina e ao topo da lamínula na câmara  de  Neubauer.  L,  W  e ε   indicam  o  comprimento,  a  largura  e  a  espessura  da  hemácia  e  u  é  a  velocidade de arraste. 

 

Para  o  cálculo  da  força  hidrodinâmica  fizemos  a  suposição  de  que  esse  paralelepípedo se move de acordo com o escoamento de Couette, onde  há um gradiente  linear de velocidade entre duas placas conforme mostra a Figura 115 e a força de arraste  é dada pela expressão:  couette WL F u Z = µ   (5. 9)      Figura 115. Gradiente de velocidades em um escoamento de Couette.   

Como  no  nosso  problema  existem  quatro  superfícies  envolvidas:  duas  da  hemácia, uma da lâmina e outra da lamínula, simplesmente nós decidimos adicioná‐las  como  dois  escoamentos  de  Couette.  Nesse  caso  a  força  total  nas  duas  superfícies  da  hemácia será dada por:  1 2 1 1 ( ) h id r o e q W L F W L u u Z Z Z = µ + = µ  (5. 10), 

onde 1 Zeq =1 Z1 +1 Z2  e W e L são os valores de largura e do comprimento da célula. 

Nossa  justificativa  para  o  uso  do  escoamento  de  Couette  seguiu  o  seguinte  raciocínio. Se a distância entre as placas se torna muito grande não faz mais sentido se  falar  em  um  gradiente  linear  da  velocidade  entre  a  superfície  da  partícula  e  a  parede.  Entretanto, mesmo nesse caso, a força de arraste ainda estará presente, mas seria melhor  descrita  com  um  escoamento  de  Stokes  do  que  com  o  de  Couette.  Na  ausência  das  paredes  o  gradiente  de  velocidade  deixa  de  ser  linear  e  se  desenvolve  uma  camada  limite  após  a  qual  a  velocidade  do  fluido  não  muda  mais.  Assim  decidimos  estimar  a  dimensão dessa camada limite e compará‐la com a distância H entre paredes da câmara  de  Neubauer  para  decidir  sobre  que  regime  de  escoamento  utilizar.  Para  tanto  utilizamos a expressão para a formação da camada limite em uma placa semi‐ infinita  em  função  da  distância  à  sua  borda,  dada  por  δ =5L R,  onde R  é  o  número  de 

Reynolds. Essa camada limite está representada na Figura 116.    L V = 0 δ (L) V = u Z   Figura 116. Desenvolvimento da camada limite δ.   

Podemos  notar  que  L  também  entra  na  definição  do  número  de  Reynolds,  de  modo que a envoltória da camada limite cresce com 

L

 e não L.  No nosso caso L é o 

tamanho da hemácia de 10 µm e para velocidades de 100 µm/s entãoδ ≈1000 μm=1mm,  cerca de dez vezes superior aos 100 µm de profundidade da câmara de Neubauer. Isso  mostra  que  assumir  o  gradiente  de  velocidade  na  condição  de  “non  slip”,  entre  a  hemácia e as paredes, por um gradiente linear deve ser uma boa aproximação e que os  cálculos não devem diferir muito de modelos hidrodinâmicos mais completos. 

Nesse ponto vale a pena ressaltar uma diferença entre o nosso modelo e outros  comumente utilizados na hidrodinâmica. Usualmente os autores utilizam soluções das  equações  de  “creeping  motion”  com  todo  o  esforço  para  garantir  as  condições  de  contorno  de  “non  slip”  nas  superfícies  envolvidas.  É  comum  utilizarem  uma  adição  dessas funções como aproximação mesmo sabendo que ela não satisfaz as condições de  contorno.  Como  diferentes  formas  de  abordagem  teórica  podem  levar  a  resultados  numéricos  semelhantes,  no  nosso  modelo  garantimos  as  condições  de  contorno  sem  a  preocupação  para  que  o  campo  de  velocidades  fosse  uma  solução  das  equações  de  “creeping  motion”.  Simplesmente  adotamos  uma  aproximação  para  o  campo  de  velocidades  como  sendo  uma  reta.  Funções  que  variam  pouco  sempre  podem  ser  aproximadas  por  retas.  Seria  necessário  um  gradiente  muito  concentrado  na  hemácia  para  nossa  aproximação  se  tornar  muito  pobre.  Mas  se  esse  fosse  o  caso  as  paredes  teriam pouca influência no arraste, o que está longe da realidade. O fato de a camada  limite  ser  muito  maior  do  que  as  separações  entre  as  superfícies,  indica  que  esse  gradiente não deve ser assim tão concentrado na hemácia.  

 

Modelo elástico 

A  célula  deforma‐se  sobre  a  ação  da  força  hidrodinâmica  criando  uma  força  elástica igual e em direção oposta. A idéia então foi medir a constante dessa mola. Esse  trabalho se iniciou com a necessidade dos médicos de caracterizarem uma propriedade  das hemácias que eles chamavam de deformabilidade, avaliada de forma qualitativa e  subjetiva  na  maioria  dos  trabalhos  publicados,  e  para  a  qual  não  existe  a  definição  de  uma  grandeza  física  que  pudéssemos  utilizar.  Mesmo  pensando  intuitivamente  em  termos de constantes elásticas de molas, estava claro que essa é uma característica não  apenas  do  material,  mas  da  sua  geometria.  Assim  hemácias  de  tamanhos  diferentes  podem  ter  constantes  de  molas  diferentes  apenas  devido  às  suas  dimensões.  Para  se  determinar um parâmetro intrínseco da hemácia, que independe de seu tamanho e sua  forma, é melhor usar o conceito de elasticidade em lugar da constante elástica. 

A  explicação  intuitiva  apresentada  aos  pesquisadores  de  área  médica  para  definir  esse  conceito  partiu  da  idéia  de  associação  de  molas  em  série  e  em  paralelo,  equivalentes  às  associações  de  resistências  em  paralelo  e  em  série  respectivamente.  Portanto, dois corpos idênticos tracionados ao longo de seu comprimento, um ao lado  do  outro,  apresentarão  uma  constante  de  mola  dobrada,  ou  seja,  a  constante  da  mola  deve  ser  multiplicada  pela  largura  W  do  corpo.  Da  mesma  forma,  um  corpo  sobre  o  outro apresentarão uma constante de mola dobrada linear proporcional a espessura δ.  Por  outro  lado,  dois  corpos  um  ao  longo  do  outro,  na  direção  da  tração,  apresentarão  uma  constante  de  mola  que  é  metade  de  cada  um  deles.  Isso  então  significa  que  a  constante  da  mola  será  proporcional  à  área  da  seção  reta  do  corpo  e  inversamente  proporcional ao seu comprimento, 

L

W

k

K

=

δ

  (5. 11), 

onde  k,  a  elasticidade,  é  uma  propriedade  apenas  do  material  com  que  a  mola  é 

fabricada.  Quando  esse  material  tem  uma  espessura  constante,  podemos  definir  a  elasticidade η = kδ, e a constante a mola é dada por  

L

W

K

 (5. 12). 

No  caso  das  hemácias,  assumimos  que  a  resposta  elástica  é  dada  pela  membrana  de  camada bilipídica de espessura constante. Dessa forma assumimos a seguinte expressão  para a força elástica: 

L

L

W

L

K

F

elástica

=

  (5. 13)  onde ∆L L=(L−L0) L é a deformação sofrida pela célula.    Modelo hidro‐elástico  No equilíbrio, as forças elástica e hidrodinâmica são iguais, logo vale a relação: