6 MATERIAIS E MÉTODOS
6.5 MODELO TEÓRICO
É importante ficar claro que a análise da viabilidade econômico-financeira de extração racional de múltiplos produtos florestais nativos não foi direcionada especificamente para a área relativa ao remanescente de floresta estacional semidecídua secundária situada na Fazenda Vagafogo, o qual possui cerca de 4 ha. Desta, aproveitaram-se os levantamentos inerentes ao inventário florestal e ao estudo de viabilidade técnica de condução da mata mediante o manejo sustentável, extrapolando-os para os remanescentes de mesma tipologia localizados na microrregião do Entorno de Brasília.
Para a análise desta pesquisa foram considerados hipoteticamente quatro módulos de unidades de manejo florestal (UMF) em função da superfície manejada, a saber: 25 ha; 50 ha; 250 ha e 500 ha, com o intuito de se determinar, em termos econômicos, a área florestada mínima passível de ser manejada e a economia de escala que se obtém na medida em que se amplia a área a ser trabalhada, de acordo com a realidade de mercado dos produtos florestais na região, custos de extração, linhas de crédito e tamanho dos remanescentes por propriedade ou posse rural da microrregião estudada.
Para cada módulo foi considerada a colheita de madeira realizada na área total de uma só vez, ou seja, todo o corte seletivo no período máximo de um ano (conforme a validade da autorização de corte), repetindo-se a atividade a cada ciclo de corte. A colheita dos
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produtos não-madeireiros foi considerada ano a ano, obedecendo-se, obviamente, as condições ecológicas específicas de cada um.
O volume máximo de extração de madeira e o ciclo de corte adotados obedeceram ao que estabelece a Resolução CONAMA nº 406, de 02 de fevereiro de 2009, para empreendimentos sem mecanização para o arraste de toras, ou seja, 1 m³ por ha e 10 anos de rotação. Embora tal Resolução seja especificamente direcionada para o bioma Amazônia, considera-se, além do fato de não existir legislação vigente própria para o bioma Cerrado contendo limites de extração, que a retirada de 1 m³.ha-¹.ano-¹ seja suficiente para possibilitar que a floresta secundária estacional objeto do manejo continue se desenvolvendo com acréscimo de produção suficiente para atingir os estágios subseqüentes de sucessão até a fase clímax, ressaltando-se que a pesquisa de Venturoli (2008) permitiu calcular um incremento periódico anual (IPA) de cerca de 6 m³.ha-¹.ano-¹1.
O diâmetro mínimo de corte considerado foi de 30 cm de DAP (diâmetro à altura do peito), com base em informações prestadas pelo presidente do Sindicato dos Artesãos de Móveis Rústicos de Pirenópolis-GO, Sr. Virgílio de Sousa Lobo, e pelo sócio-proprietário da empresa Barbosa Móveis Rústicos, Sr. Edson Barbosa, a respeito das especificações técnicas das toras usadas no setor, assim como está em conformidade com a norma técnica que provavelmente disciplinará a elaboração e execução de planos de manejo sustentado no bioma Cerrado, que estipula um DAP mínimo de corte de 20 cm para toras, cujo documento, resultante de um grupo de trabalho do Ibama, ainda se encontra em forma de minuta, aguardando acertos finais para publicação.
A sensibilidade econômico-financeira dos módulos foi testada de acordo com as taxas de juros disponíveis para este tipo de empreendimento. Isto resultou em diferentes cenários os quais possibilitarão uma melhor adequação na tomada de decisão, tanto no âmbito privado como pelas autoridades públicas.
1 O IPA de 6 m³.ha-¹.ano-¹ foi calculado de acordo com as áreas basais (12,58 e 15,60
m².ha-¹) e alturas médias (5,7 e 7,3 m) relativas, respectivamente, aos inventários florestais de
37 6.6 - MÉTODOS DE ANÁLISE ECONÔMICA
A viabilidade econômico-financeira dos módulos foi avaliada de acordo com critérios que consideram a variação do capital no tempo. Os métodos mais aplicados na análise de projetos florestais são:
a) Valor Presente Líquido (VPL)
O VPL de um projeto de investimento pode ser definido como a soma algébrica dos valores descontados do fluxo de caixa a ele associado(...). A viabilidade econômica de um projeto analisado pelo método do VPL é indicada pela diferença positiva entre receitas e custos, atualizados de acordo com a taxa desconto. Quanto maior o VPL, mais atrativo será o projeto(...). Mostra, em valores de hoje, o que ainda resta após remunerar todos os fatores de produção, inclusive a terra. O capital é remunerado pela taxa considerada para o desconto; os demais itens e insumos, pelo valor de mercado; e, finalmente, a administração, pelo custo de oportunidade. Essa sobra, no jargão econômico, é chamada de „lucro puro‟, o que sobra após remunerar todos os fatores à taxa de desconto (REZENDE e OLIVEIRA, 2008, p. 180, 181 e 288).
Em que:
i – taxa de juros
j – período de capitalização n – duração do projeto
Rj – receita ao final do período j Cj – custo ao final do período j
b) Taxa Interna de Retorno (TIR)
A TIR de um projeto é a taxa anual de retorno do capital investido, tendo a propriedade de ser a taxa de desconto que iguala o valor atual das receitas (futuras) ao valor atual dos custos (futuros). Pode ser entendida, também, como a taxa média de crescimento de um investimento. É uma taxa intrínseca ao projeto e independe da taxa
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de desconto corrente. Um projeto será considerado viável economicamente se sua TIR for maior que uma taxa de desconto correspondente à taxa de remuneração alternativa do capital, usualmente denominada taxa mínima de atratividade (TMA). Uma pressuposição importante desse critério é de que todas as receitas intermediárias sejam, obrigatoriamente, reinvestidas à TIR do projeto em análise. (REZENDE e OLIVEIRA, 2008, p. 188 e 189).
c) Relação Benefício/Custo (R(i))
Esse método é muito utilizado pelo governo na avaliação e seleção de projetos públicos. Consiste em determinar a relação entre o valor presente dos benefícios e o valor presente dos custos, para dada taxa de desconto. Dessa forma, um projeto será considerado viável, economicamente, se apresentar valor de R(i) maior que a unidade, sendo tanto mais viável quanto maior for esse valor (REZENDE e OLIVEIRA, 2008, p. 198 e 199).
Em que:
VB(i) – valor presente à taxa i da seqüência de benefícios VC(i) - valor presente à taxa i da sucessão de custos
d) Valor Esperado da Terra (VET)
O VET indica quanto se pode gastar em um item de custo qualquer deixado fora dos cálculos, normalmente a terra, para dada taxa de desconto. Assim, pode-se dizer que a técnica do VET não se presta apenas para determinar quanto se pode gastar pela terra, mas também qualquer outro item de custo (citando LEUSCHNER, 1984) (REZENDE e OLIVEIRA, 2008, p. 288).
Em que:
RL – receita líquida
39 e) Benefício (Custo) Periódico Equivalente (B(C)PE)
O B(C)PE é o fluxo de caixa líquido constante, sendo o primeiro supostamente concentrado no final do primeiro período de operação do projeto, que, com vida útil igual à da opção que está sendo analisada, apresenta o mesmo valor presente líquido. Dito de outra forma, o (B(C)PE) é a parcela periódica e constante necessária ao pagamento de uma quantia igual ao VPL da opção de investimento em análise, ao longo de sua vida útil. O projeto será considerado economicamente viável se apresentar B(C)PE positivo, indicando que os benefícios periódicos são maiores que os custos periódicos. Quanto à seleção de opções, deve ser escolhida a que apresentar maior B(C)PE para determinada taxa de desconto (REZENDE e OLIVEIRA, 2008, p. 204 e 205).