• Nenhum resultado encontrado

Vamos considerar uma secção de um rio admitindo apenas um transporte advectivo unidimensional. Façamos coincidir a origem da direcção de propagação, que representamos como eixo dos xx, com o local onde existe a injecção contínua de um débito mássico constante de um determinado contaminante e o sentido positivo coincide com a direcção de escoamento. Não existe, portanto transportes dispersivos e difusionais. Vamos admitir que o contaminante pode estar sujeito a vários fenómenos de degradação, quer bióticos quer abióticos, todos com cinética de 1ª ordem. Seja λ a soma das constantes cinéticas dos vários fenómenos de degradação a que o contaminante está sujeito. Para modelarmos a variação espacial das concentrações do contaminante consideremos à distância x da origem uma secção S de rio, perpendicular à direcção de transporte, e uma outra secção idêntica S à distância x + dx. Consideremos o elemento de volume S.dx e façamos um balanço de massas transiente para este elemento de volume.

Seja C(x,t) a concentração do contaminante à distância x da origem e no instante t. A quantidade de contaminante transportada advectivamente pelo rio, com velocidade constante u, para o volume infinitesimal considerado, é dada por

u . S . C

. A quantidade transportada para o exterior do volume elementar considerado é

( )

uScdx

C x S

u

+ ∂ . .

No interior do volume infinitesimal ocorre degradação do contaminante com uma constante cinética global de λ. Teremos então que a quantidade degrada no interior do volume considerado é

S . dx . λ . C

.

A variação temporal da massa de contaminante existente no interior do volume infinitesimal pode ser calculada por

( )

t SdxC

∂ Fazendo um balanço de massas

Variação retido = entrada – saída – quantidade degradada resulta a seguinte equação às derivadas parciais

x C u C t

C −λ

− ∂

∂ =

No estado estacionário a concentração não varia temporalmente, apenas variando no espaço. Nestas condições ∂Ct=0 e C á apenas uma função de x. Portanto no estado estacionário a variação temporal das concentrações é dada pela seguinte equação diferencial ordinária

=0 + C dx udC λ

Esta é uma equação homogénea de variáveis separáveis, facilmente resolúvel se admitirmos uma condição inicial. Admitamos que a concentração do contaminante no rio na localização 0 (local de lançamento) é C0. A solução da equação diferencial é então

x o e u

C C

λ

= .

Notemos ainda que se admitirmos que o tempo t representa o tempo despendido pelo contaminante entre o local de entrada e uma qualquer localização, como a velocidade do rio u é constante, podemos estabelecer uma relação entre t e x:

x = u . t

e a equação anterior pode ser transformada em

e t

C C= 0. λ

7.1.2. D

ESCRIÇÃO DO MODELO CONCEPTUAL Neste modelo consideramos uma injecção contínua e constante num mesmo local, um transporte advectivo e vários fenómenos de degradação. Para obtermos a solução necessitamos de conhecer o valor da concentração no rio na origem e as constantes cinéticas dos fenómenos de degradação considerados. Vamos considerara os seguintes fenómenos de degradação:

A sorção nas partículas em suspensão;

A deposição ou sedimentação de agregados de partículas;

Os processos de degradação (soma de hidrólise, fotólise, biodegradação e outros);

A volatilização.

Eventualmente protólise (dissociação de ácidos e/ou de bases);

Vamos considerar o rio como sendo constituído por um compartimento de fluido devendo descrever-se o movimento da água que inclui no descrever-seu interior suspensões de partículas sólidas e biota (peixe). Considera-se que terá permutas com o ar e com os Considera-sedimentos.

Advecção Advecção

Sedimentos Peixe

Partículas em suspensão

Sedimentação Degradação

Volatilização

7.1.3. C

ONCENTRAÇÃO

I

NICIAL A concentração média inicial é uma consequência directa da diluição do efluente emitido. Vamos admitir um pressuposto de mistura imediata. Se o caudal médio do efluente for QE, e o caudal médio do rio for Q, teremos o seguinte factor de diluição

E

F Q

D = Q

A concentração média no rio perto do ponto de descarga, C0 é calculada a partir da concentração no efluente CE

F E

D C0=C

7.1.4. S

ORÇÃO NAS PARTÍCULAS EM SUSPENSÃO Uma parte do contaminante existente no rio será adsorvido pelos sedimentos em suspensão. É importante calcular a quantidade de contaminante adsorvida e a quantidade dissolvida. Com efeito a sedimentação apenas afecta a fracção sorbida, enquanto que a volatilização apenas afecta a fracção dissolvida. Geralmente quer os ácidos quer as bases dissociadas não são sorbidos nem volatilizados. Vamos considerar que a distribuição do contaminante ente a fase sólida suspensa e a fase aquosa obedece a uma relação de equilíbrio. Seja Ks o coeficiente de partilha entre sedimentos e água. Teremos

w s

s C

K = C

representando Cs a concentração do contaminante nos sedimentos e Cw a concentração na água. Ks pode ser estimado a partir do coeficiente de partilha do carbono orgânico ou medido directamente no laboratório. Seja f a fracção volumétrica de sedimentos em suspensão. Consideremos um volume V de rio. A massa de contaminante existente nesse volume (mT) será a soma das massas de contaminante adsorvida (mS) com a massa dissolvida (mw)

S w

T

m m

m = +

ou mT =V

(

1−f

)

Cw+VfCs

Se utilizarmos a relação de equilíbrio Cs=KsCwe como ܸሺ1 − ݂ሻ ≈ ܸ, teremos

W S w

T VC VfK C

m = +

Podemos calcular a fracção de contaminante sorbido (fs)

s s w s w

w s T

s

s fK

fK C

VfK VC

C VfK m

f m

= +

= +

= 1

bem como a fracção de contaminante dissolvido (fw)

s

w fK

f = + 1

1

7.1.5. D

EGRADAÇÃO

Os principais mecanismos de degradação na água são a hidrólise, a fotólise e a transformação biótica. É geralmente expressa na forma de processos com cinética ou de 1ª ordem ou de pseudo 1ª ordem.

Normalmente considera-se o processo como global, não se individualizando as suas componentes. De notar que:

Quando a hidrólise é importante os valores de pH devem ser tomados em conta;

A fotólise aquática é a soma dos processos fotoquímicos de fotólise directa e indirecta, sendo esta última geralmente mais relevante;

Admite-se que as transformações bióticas têm cinética de 1ª ordem.

7.1.6 V

OLATILIZAÇÃO ambos os filmes estão associadas em série e muitas vezes a transferência global é controlada por apenas uma camada.

A volatilização de substâncias fugidias pode ser correlacionada com a velocidade de arejamento (transferência de oxigénio). As velocidades de arejamento estão disponíveis na bibliografia para muitas situações hidrológicas.

Admitimos que a fracção dissolvida na água se pode volatilizar e portanto a constante cinética de volatilização λv é dada por

w v v =K f λ

tendo λv quer Kv (constante cinética de pseudo-volatilização do composto dissolvido) dimensões [T-1].

A constante cinética de pseudo-volatilização da substância dissolvida Kv é composta pela condutividade (ou pela resistência) de ambos os filmes

 gasoso [LT-1] e H a constante de Henry adimensional. Para rios utilizamos o seguinte modelo de SOUTHWORTH (1979) (velocidade do rio) está em m s-1. O factor de correcção tem os seguintes valores

( )

onde u é a velocidade média em m/s, h é a altura (m), v é a velocidade do vento (m/s) 10 cm acima da superfície da água, M é a massa molecular da substância que se volatiliza (g/mol), 32 é a massa molecular do oxigénio e 18 da água.

A velocidade do vento a 10 cm de altura pode ser estimada a partir da velocidade do vento a 10 m de altura

1 2 , log0

log10

) 1 , 0 (

) 10 (

0 0

= z z m v

m v

sendo z0 a altura da rugosidade do fundo do leito do rio (normalmente cerca de 0,001 m).

A razão kg/kl é relativamente constante e varia entre 102 e 103, enquanto que a constante de Henry pode variar mais de 10 ordens de grandeza, sendo portanto o factor determinante do destino.

Se:

H < 4.10-6 a volatilização pode ser desprezada, uma vez que a substância se volatiliza mais lentamente que a água (H da água é 17.10-6); portanto kv = 0 o que implica λv = 0;

Se 4.10-6 < H < 4.10-4 a volatilização a partir da água é controlada pela difusão através da camada gasosa; portanto kv = (H.kg)/h;

Se 4.10-4 < H < 0,04 ambas as condutividades, do líquido e do gás, influenciam os resultados;

Se 0,04 < H a substância é fugidia e a volatilização é da maior importância. Kv é controlado apenas pela camada líquida kl. Quer Kg quer H são de menor importância e Kv pode ser estimado a partir das velocidades de arejamento e da massa molecular, ou seja, kv = kl/h;

A anterior equação de Southworth é apenas válida para rios médios a largos (profundidade cerca de 3 m, velocidade superior a 0,4 m/s). Não deve ser utilizada nem para lagos, nem para rios estreitos e profundos, nem para canais.

7.1.7. S

EDIMENTAÇÃO

Os processos de partilha de um composto entre um corpo aquoso e os sedimentos têm uma variabilidade dinâmica e espacial muito ampla. Não distinguimos aqui as várias componentes do processo: deposição, re-suspensão e trocas difusivas. Se a deposição for maior do que a re-re-suspensão existe uma perda na concentração do composto no fluido. Esta perda originada pelo saldo de deposição pode ser estimada a partir do crescimento do sedimento (geralmente em mm/ano). Os valores empíricos de S

S < 0: Erosão, não existe deposição. Ocorre em rios de declive elevado;

S = 0, equilíbrio na sedimentação.

0< S <1mm/ano - Deposição pouco intensa; rios fluindo normalmente com pequeno declive;

1 mm/a <S< 3mm/ano - Deposição média em lagos e em rios muito lentos e ainda em zonas estagnadas;

S ≥ 3 mm/ano – Nas proximidades de fontes de emissão de partículas para a água; lagos eutróficos.

A sedimentação apenas afecta a fracção do composto sorbido pelas partículas pelo que necessitamos do factor fs. A constante cinética relativa à sedimentação pode ser calculada por

( )

SS s

s hC

S f

. 1 ε λ = ρ −

onde:

λs – Constante cinética de perda devida à sedimentação (T-1);

S –crescimento dos sedimentos (LT-1) ρ - densidade dos sedimentos secos (ML-3)

ε - a porosidade volumétrica dos sedimentos (adimensional) h – profundidade da água L)

CCC – a concentração de sedimentos em suspensão (ML-3);

Os acontecimentos dinâmicos tais como a deposição durante períodos de seca, ou a re-suspensão durante inundações não podem ser simuladas por estes modelos.

7.1.8 E

QUAÇÃO DO MODELO Todos estes processos de eliminação são expressos como tendo cinéticas de 1ª ordem. A constante cinética total de eliminação será a soma das três

s comprimento L, multiplicado pela área transversal A



A concentração média de contaminante nesse troço de rio pode ser calculada por



Os fluxos para qualquer processo individual (biodegradação, volatilização ou sedimentação) podem ser calculados a partir de

dt m dm

λi

=

tomando o λi do processo considerado.

7.1.9. B

IOCONCENTRAÇÃO NOS

P

EIXES

A concentração no estado estacionário na biota (peixes), perto do ponto de emissão, é estimada pelo BCF e pela concentração C0 com uma correcção para as espécies dissolvidas

w peixe BCFC f

C = . 0.

A concentração mínima na zona do rio em estudo é obtida à distância L da origem na qual a concentração do contaminante é Cf

w f

peixe BCFC f

C ,min= . .

A densidade do peixe é admitida como sendo idêntica à da água. A quantidade de contaminante retirada pelos peixes é desprezável no balanço de massas. Se admitirmos que os peixes vivem na zona contaminada de comprimento L, no qual a concentração média é C, passando o mesmo tempo em qualquer ponto do troço do rio considerado, a concentração média nesses peixes é

w peixe BCFC f C ,min= . .