CAPÍTULO 2 MODELOS DE LINHA DE TRANSMISSÃO
2.2 MODELO UNIVERSAL
Outro modelo de linha de transmissão no domínio de fases é denominado de modelo universal (Universal Model ) apresentado por Morched (1999). Esse modelo faz uso do método de ajuste vetorial Gustavsen (1999), para obter aproximações racionais para 𝑌𝐶 (𝑗𝜔) e 𝐴(𝑗𝜔) no domínio de fases. Inicialmente a matriz fator de propagação no domínio modal é aproximada por funções racionais, na forma expressa:
𝐴𝑚𝑜𝑑 −𝑖 𝑗𝜔 ≅ 𝑃𝑖 𝑗𝜔 . 𝑒−𝑗𝜔 𝜏𝑖 (2.11) Sendo que, 𝐴𝑚𝑜𝑑 −𝑖 𝑗𝜔 = 𝑒−𝛼𝑖 𝑗𝜔 .𝑑. 𝑒−𝑗𝛽𝑖 𝑗𝜔 .𝑑, modo i do fator de propagação, com módulo 𝑒−𝛼𝑖 𝑗𝜔 .𝑑 e fase 𝑒−𝑗𝛽𝑖 𝑗𝜔 .𝑑 na frequência 𝜔; 𝑃𝑖 (𝑗𝜔) = função polinomial
racional de fase mínima; 𝜏𝑖 - tempo de propagação (ou de trânsito) da mais veloz componente de frequência do modo i. Sendo o processo de ajuste vetorial um método linear, não é capaz de levar em consideração o tempo de trânsito em (2.11) como uma variável do processo de ajuste. Desse modo, é necessária a determinação do tempo de trânsito em uma etapa anterior ao processo de ajuste para cada um dos i modos do fator de propagação. Uma vez calculados os tempos de propagação de cada modo i, as rotações de fase devidas a estes são extraídas, a partir da expressão:
𝑒𝑖+𝑠𝜏.𝐴𝑚𝑜𝑑 −𝑖(𝑠) ≅ 𝑁𝑚−1𝑠−𝑝𝑐𝑚𝑚 , para 𝑠 = 𝑗. 𝜔 (2.12) sendo,
𝑐𝑚 - resíduos da função racional aproximada para o modo i 𝑝𝑚 - pólos da função racional aproximada para o modo i.
No intuito de tornar o modelo mais eficiente são agrupados os modos com os tempos de propagação (MORCHED, 1999). Este artifício reduz o número de convoluções no tempo, contribuindo com um ganho em eficiência computacional. Os modos para os quais o critério em (2.13) é satisfeito são agrupados sob um tempo de trânsito comum 𝜏∗ (igual ao menor tempo de trânsito individual entre os modos agrupados), o que pode ser expresso por:
Ω. Δ𝜏𝑖𝑗 < 2.𝜋. 10 360 (2.13)
sendo,
Δ𝜏𝑖𝑗 =𝜏𝑖− 𝜏𝑗, diferença entre os tempos de trânsito dos modos i e j.
De posse dos pólos calculados no domínio modal, os elementos de 𝐴(𝑗𝜔) no domínio de fases são calculados de modo a compartilharem de todos os pólos calculados no domínio modal, e assim:
𝐴𝑖𝑗 𝑠 = 𝑠 − 𝑃𝑐𝑚𝑘 −𝑖𝑗 𝑚𝑘 𝑁𝑘 𝑚=1 . 𝑒−𝑠.𝜏𝑘 𝑛 𝑘=1 (2.14)
Sendo, 𝐴𝑖𝑗 (𝑠) - elemento (i, j) da matriz 𝐴(𝑠) no domínio de fases; 𝑝𝑚𝑘 - pólos da função racional aproximada para o modo k; 𝜏𝑘 - tempo de trânsito do modo k; 𝑁𝑘 - ordem da aproximação racional para modo k, 𝑐𝑚𝑘 −𝑖𝑗 - resíduo da função racional para o modo k; n - número de modos (ou grupos, caso haja agrupamento de modos). Nota-se que a cada elemento da matriz fator de propagação está associado n tempos de propagação modal. O compartilhamento de pólos contribui para um aumento na eficiência computacional em simulações no domínio do tempo.
Como as aproximações racionais para os n modos 𝐴𝑚𝑜𝑑 −𝑖 (𝑗𝜔) são obtidas de forma independente, eventualmente, alguns pólos de diferentes modos podem estar muitos próximos. Se isto ocorre em baixas frequências, os respectivos resíduos da função racional aproximada no domínio de fases podem ter valores elevados com sinais opostos. Isto pode
levar a instabilidade em simulações no tempo. A probabilidade disto ocorrer é proporcional à ordem do ajuste (GUSTAVSEN , 1998a).
Os elementos da admitância característica 𝑌𝐶 (𝑗𝜔), por sua vez, são aproximados diretamente no domínio de fases, também compartilhando os mesmos pólos,
𝑌𝑐−𝑖𝑗 𝑠 ≅ 𝑑𝑖𝑗 + 𝑛𝑘=1𝑐𝑠−𝑃𝑘−𝑖𝑗𝑘 , para 𝑠 = 𝑗. 𝜔 (2.15)
Sendo: 𝑌𝑐−𝑖𝑗 (𝑠) - elemento (i,j) da matriz 𝑌𝐶 (𝑠) no domínio de fases. O modelo proposto é disponibilizado em versão recente do programa EMTDC (MANITOBA, 2002).
No novo modelo no domínio de fase proposto por Fernandes (2001a), as matrizes admitância característica 𝑌𝐶 (𝑗𝜔) e fator de propagação 𝐴(𝑗𝜔) no domínio de fases, são obtidas por:
𝑌𝑐 𝑗𝜔 = 𝑇𝑖 𝑗𝜔 . 𝑌𝑐−𝑚𝑜𝑑(𝑗𝜔)𝑇𝑖(𝑗𝜔)𝑇 𝐴 𝑗𝜔 = 𝑇𝑖 𝑗𝜔 . 𝐴𝑚𝑜𝑑(𝑗𝜔)𝑇𝑖(𝑗𝜔)−1
(2.16)
Ao contrário do usual, a matriz transformação modal é considerada como complexa e dependente da frequência, incluem-se as condutâncias em derivação (FERNANDES, 2001a, 2001).
Normalmente, em uma linha de transmissão polifásica com n fases, tem-se n tempos de propagação modais. No modelo computacional desenvolvido por Manitoba (2002), os elementos das matrizes admitância característica e fator de propagação no domínio de fases, são escritos na forma polar (módulo e fase), a partir de (2.16), como expressado a seguir:
𝑌𝐶𝑖𝑗 𝑗𝜔 = 𝑌𝑖𝑗(𝑗𝜔) . 𝑒𝑗−𝜃𝑖𝑗
(𝑗𝜔 ) (2.17)
𝐴𝑖𝑗 𝑗𝜔 = 𝐴𝑖𝑗(𝑗𝜔) . 𝑒𝑗−𝜓𝑖𝑗(𝑗𝜔 )𝑒𝑗.𝜔.𝜏 (2.18)
Sendo: 𝜏 - tempo de propagação comum a todos os elementos de 𝐴(𝑗𝜔).
Uma vez calculados os n tempos de propagação modais, encontra-se o menor tempo de trânsito 𝜏𝑚𝑖𝑚, dentre os modos, tal que 𝜏𝑚𝑖𝑚 <𝜏𝑖, i = 1, 2, …, n. Faz-se então 𝜏 = 𝜏𝑚𝑖𝑚, e extrai-se o tempo de trânsito mínimo de todos os modos do fator de propagação.
No equacionamento, observa-se que todos os elementos de 𝐴(𝑗𝜔) têm um tempo de propagação comum e único. Portanto, a fase 𝜓𝑖𝑗 (𝑗𝜔) em (2.18) possui uma parcela devida à contribuição da diferença entre os tempos de propagação (𝜔. 𝜏𝑖− 𝜏 ).
Com o agrupamento de diferentes tempos de propagação no cálculo de 𝐴(𝑗𝜔) no domínio de fases, é possível associar um único tempo de propagação a todos os elementos desta matriz. Mesmo para LT’s extensas em que há maior diferença entre os tempos de propagação, esta associação não resulta em funções com oscilações no módulo ou nos ângulos de fase.
Na obtenção deste modelo, todos os elementos das matrizes 𝑌𝐶 (𝑗𝜔) e 𝐴(𝑗𝜔) são sintetizados por funções racionais precisas de baixa ordem, diretamente no domínio de fases, em uma única etapa, fazendo-se uso do método de ajuste vetorial. Destaca-se a possibilidade de se obter funções polinomiais racionais aproximadas para todos os elementos de um vetor ou matriz de uma só vez, o que é um diferencial deste método de ajuste para a aplicação aqui estudada, em que se têm matrizes cheias (domínio de fases). O método de ajuste vetorial possibilita ainda o compartilhamento de pólos pelas funções racionais aproximadas, o que contribuiu para uma maior eficiência do modelo na resolução de integrais de convoluções no tempo por métodos recursivos.
A validação do modelo desenvolvido por Fernandes (2001a) se deu na forma de um estudo de casos. Observou-se que o modelo computacional proposto é preciso, eficiente e numericamente estável em simulações no domínio do tempo. (FERNANDES, 2001).
No entanto, é possível notar que em todos os modelos até aqui estudados nenhum deles aborda a influência de qualquer variável ambiental que seja em qualquer um dos parâmetros elétricos: resistência elétrica, capacitância e indutância elétrica.
Atualmente, com o aumento da instabilidade climática em nosso país, existe a necessidade do desenvolvimento de um modelo que reflita de forma fidedigna o comportamento em uma linha de transmissão de energia elétrica, frente às novas mudanças climáticas. No entanto existe um modelo, que possui em sua essência, variáveis que relacionam-se com as variáveis ambientais, este é o chamado modelo eletromagnético de linhas de transmissão.