E.1 Dados experimentais referentes à bateria3
4.2 Modelos da Perda Irreversível de Capacidade
Os modelos matemáticos da perda irreversível de capacidade desenvolvidos no decorrer desta pesquisa foram obtidos empiricamente, por meio dos dados experimentais médios previamente tratados. A obtenção dos modelos matemáticos foi realizada pelo ajuste de curvas, para isso foram selecionadas duas categorias de equações, são elas: equação exponencial e equação polinomial. O emprego dessas equações deve-se a sua semelhança com o comportamento dos dados experimentais ao representarem a perda irreversível de capacidade.
Os dados utilizados no ajuste de curvas são os valores médios de capacidade das três baterias testadas, visto que, tais valores são estatisticamente distintos, quando compara- dos aos dados de capacidade de cada uma das três baterias. Assim, o procedimento de ajuste de curvas iniciou-se ao carregar os dados experimentais médios no software Matlab.
4.2.1 Modelos Baseados em Equações Exponenciais
As equações exponenciais se fazem presentes nos modelos matemáticos que descrevem a perda irreversível de capacidade, conforme apresentado no Capítulo 2. Além disso, verica-se que o comportamento dos dados referentes à perda irreversível de capacidade, em função do número de ciclos de vida, aproxima-se do decaimento exponencial. Dessa forma, o primeiro ajuste de curvas realizado foi baseado em uma equação exponencial de termo único, dada por:
C(N ) = aebN, (4.1)
em que, C representa a capacidade da bateria, N o número do ciclo de vida e a e b são parâmetros do modelo, os quais são estimados no ajuste de curvas.
Para realizar o ajuste de curvas é necessário, primeiramente, carregar os dados experi- mentais médios referentes à perda irreversível de capacidade na ferramenta computacional Matlab/Curve Fitting. Em seguida, seleciona-se a equação de ajuste, nesse caso, a expo- nencial de termo único. Dessa forma, o software plota, junto aos dados experimentais médios, a curva que representa a equação selecionada e fornece os parâmetros a e b, bem como os indicativos estatísticos de qualidade da curva ajustada. Sendo assim, os parâmetros estimados pelo ajuste de curvas são:
Capítulo 4. Modelagem Matemática 39 Dessa forma, o modelo exponencial de termo único, o qual foi obtido pelo ajuste de curvas para representar os dados experimentais médios da perda irreversível de capacidade das baterias é dado por:
C(N ) = 709, 3e−1,421·10−4N. (4.2)
Os indicadores estatísticos de qualidade do ajuste fornecidos pelo Curve Fitting são: a soma dos quadrados dos resíduos (Sum Square Error - SSE), o coeciente de determinação (R-square - R2), o coeciente de determinação ajustado (Adjusted R-square) e a raiz do
erro quadrado médio (Root Mean Square Error - RMSE). O SSE indica a variação da capacidade que não é explicada pelo modelo, sendo assim quanto mais próximo de zero estiver o valor do SSE melhor é a qualidade do ajuste. O R2 varia entre 0 e 1 para
indicar, em proporção de variância explicada, o quanto o modelo representa os dados experimentais, logo quanto mais próximo de 1 melhor é a representatividade do modelo aos dados. O R2ajustado indica a representatividade do modelos sem considerar variáveis
pouco explicativas. Sendo assim, a alta divergência entre os valores de R2 e R2 ajustado
desqualica a curva ajustada. RMSE indica o gradiente entre os valores estimados pelo modelo e os valores observados, então quanto mais próximo de 0 melhor é a qualidade do ajuste.
Nesse contexto, pode-se vericar que a equação (4.2) não representa adequadamente os dados experimentais médios, conforme ilustrado na Figura 4.1 e conrmado pelos indi- cadores estatísticos de qualidade da curva, os quais evidenciam que a equação exponencial de termo único representa apenas 86,93% dos dados.
Figura 4.1: Ajuste de curva para a equação exponencial de termo único.
Em busca de uma equação que apresente, pelo menos, 95% de representatividade dos dados experimentais foi realizado o ajuste de curvas para a equação exponencial de dois termos, dada por:
Capítulo 4. Modelagem Matemática 40
C(N ) = aebN+ cedN, (4.3)
em que, a, b, c e d são parâmetros do modelo, obtidos pelo ajuste de curvas, tal que: a = 668, 1; b = −4, 291 · 10−4; c = 57, 11; d = 1, 374 · 10−3.
Dessa forma, o modelo exponencial de dois termos, o qual foi obtido pelo ajuste de curvas para representar os dados experimentais médios da perda irreversível de capacidade das baterias é dado por:
C(N ) = 668, 1e−4,291·10−4N + 57, 11e1,374·10−3N. (4.4) Na Figura 4.2, que representa a equação exponencial de dois termos, torna-se evidente a melhoria na qualidade do ajuste, em comparação com o modelo representado pela equação exponencial de termo único. Esse aspecto é comprovado, por intermédio dos parâmetros estatísticos de qualidade do ajuste, os quais indicam que a equação apresenta 96,67% de representatividade dos dados experimentais.
Figura 4.2: Ajuste de curva para a equação exponencial de dois termos.
O modelo baseado na equação exponencial de dois termos representa, adequadamente, os dados experimentais médios, de acordo com o critério denido, ou seja, R2 ≥ 95%.
Além disso, seus indicativos de qualidade do ajuste são melhores, quando comparados à qualidade do ajuste do modelo exponencial de termo único, conforme pode-se vericar na tabela:
Tabela 4.1: Comparação entre os indicativos de qualidade das curvas exponenciais.
SSE R2 R2 ajustado RMSE
Modelo Exponencial de termo único 6, 866 · 104 0,8693 0,8691 8,998 Modelo Exponencial de dois termos 1, 749 · 104 0,9667 0,9666 4,547
Capítulo 4. Modelagem Matemática 41 No entanto, existe mais uma categoria de equações que pode representar, de forma adequada, os dados experimentais de perda irreversível de capacidade, as equações poli- nomiais de segundo e terceiro grau.
4.2.2 Modelos Baseados em Equações Polinomiais
As equações polinomiais apresentam comportamento semelhante ao comportamento dos dados experimentais referentes à perda irreversível de capacidade. Em vista disso, foi realizado um ajuste de curvas, a m de comparar o comportamento dos dados experi- mentais médios a uma equação polinomial de segundo grau, dada por:
C(N ) = aN2+ bN + c. (4.5)
Ao realizar o ajuste de curvas foram estimados os parâmetros a, b e c, tal que: a = 1, 505 · 10−4; b = −0, 222; c = 726, 2.
Dessa forma, o modelo polinomial de segundo grau, o qual foi obtido pelo ajuste de curvas para representar os dados experimentais médios da perda irreversível de capacidade das baterias é dado por:
C(N ) = 1, 505 · 10−4N2− 0, 222N + 726, 2. (4.6) Segundo as estatísticas de qualidade do ajuste, a equação polinomial de segundo grau apresenta 96,64% de representatividade dos dados experimentais, aspecto ilustrado na Figura 4.3.
Figura 4.3: Ajuste de curva para a equação polinomial de segundo grau.
Em seguida é realizado o ajuste de curvas dos dados experimentais médios para a equação polinomial de terceiro grau, dada por:
Capítulo 4. Modelagem Matemática 42 em que, a, b, c e d são parâmetros do modelo, estimados no ajuste de curvas, tal que:
a = 4, 955 · 10−8; b = 8, 725 · 10−5; c = −0, 2005; d = 724, 7.
Dessa forma, o modelo polinomial de terceiro grau, o qual foi obtido pelo ajuste de curvas para representar os dados experimentais médios da perda irreversível de capacidade das baterias é dado por:
C(N ) = 4, 955 · 10−8N3+ 8, 725 · 10−5N2− 0, 2005N + 724, 7. (4.8) Na Figura 4.4 percebe-se a elevada qualidade do ajuste, o qual atinge o nível de 96,69% de representatividade dos dados experimentais. No entanto, ao comparar a qualidade de ajuste dos modelos polinomiais de segundo e terceiro grau identica-se a melhoria de apenas 0, 05% na representatividade dos dados experimentais médios.
Figura 4.4: Ajuste de curva para a equação polinomial de terceiro grau.
Ambos os modelos polinomiais representam, de maneira adequada, os dados experi- mentais médios, de acordo com o critério denido, ou seja, R2 ≥ 95%. Além disso, os
demais indicativos de qualidade do ajuste são semelhantes, conforme pode-se vericar na tabela:
Tabela 4.2: Comparação entre os indicativos de qualidade das curvas polinomiais.
SSE R2 R2 ajustado RMSE
Modelo Polinomial de Segundo grau 1, 767 · 104 0,9664 0,9663 4,568 Modelo Polinomial de Terceiro grau 1, 739 · 104 0,9669 0,9668 4,534
Os modelos matemáticos que apresentaram melhor qualidade, no processo de ajuste de curvas, são os seguintes: modelo exponencial de dois termos e modelo polinomial de ter- ceiro grau, visto que o requisito mínimo adotado foi o nível de 95% de representatividade dos dados experimentais tratados. Na próxima seção, esses dois modelos serão utilizados para estender o modelo Chen e Rincón-Mora, o qual será empregado na predição do tempo de vida das baterias.
Capítulo 4. Modelagem Matemática 43