2 Modelos e estruturas de suporte ao e-Learning
2.3 Modelos de ambiente de e-Learning
Quando uma instituição decide utilizar as TIC como meio de suporte ao processo de ensino/aprendizagem devem primeiro lugar repensar os processos já existentes, de modo a os adaptar à nova realidade, à possibilidade de vir a ter alunos que, por razões profissionais ou geográficas, não se podem deslocar à instituição para efectuarem inscrições, pagamentos de propinas, assistirem às aulas, ou inscrições em exames.
As instituições devem moldar os serviços administrativos existentes às necessidades que são criadas com a utilização das TIC no suporte ao processo de ensino/aprendizagem.
Devem facultar um conjunto de serviços e infra-estruturas que permitam aos docentes e alunos tirar um maior proveito da utilização das TIC. É imperativo adaptar- se a envolvente existente ao processo de ensino/aprendizagem, às novas exigências, surgindo assim a necessidade de se criar um AE.
Segundo Levy (2003) as instituições que pretendem disponibilizar aos seus alunos e docentes um AE devem pensar em toda a envolvente ao processo de ensino/aprendizagem, que vai muito além do simples planear ou disponibilizar disciplinas on-line.
Levy (2003) apresenta também 6 factores que devem ser tidos em conta quando se planeia e desenvolve um AE:
• Visão e plano – as instituições devem traçar um plano de acordo com o AE que querem implementar;
• Plano curricular – é necessário promover a mudança curricular dos cursos e disciplinas, para que se adaptem à nova realidade;
• Formação e suporte aos docentes – é necessário disponibilizar aos docentes sessões de formação tecnológica e pedagógica, para que estes possam usufruir de todas as potencialidades disponíveis. A par disto as instituições devem facultar também um suporte permanente que os auxilie; • Serviços aos alunos – as instituições devem disponibilizar aos alunos, que
não se possam deslocar à instituição, um conjunto de serviços on-line que complemente cabalmente os serviços presenciais existentes (serviços de suporte, administrativos, documentação, etc.);
• Formação e suporte aos alunos – é necessário dar aos alunos, tal como aos docentes, as competências para a utilização das tecnologias que têm ao seu dispor. Para isso as instituições devem disponibilizar sessões de formação e suporte;
• Direitos de autor e propriedade intelectual – as instituições devem definir um conjunto de práticas para estas questões, que orientem alunos e docentes na partilha e reutilização dos recursos que têm ao seu dispor.
Do AE fazem parte as tecnologias que suportam o processo de ensino/aprendizagem, desde a ligação à WWW/Internet, à plataforma onde são alojadas os sítios das disciplinas para além desta vertente tecnológica é necessário todo um conjunto de recursos materiais e humanos que apoiem e facilitem o processo de ensino/aprendizagem suportado pelas TIC.
Pilder (2003) define AE como algo que flexibiliza o processo de ensino/aprendizagem, onde cada um é livre de aprender de acordo com as suas preferências, mas sempre que necessário é disponibilizado um apoio à aprendizagem por parte dos docentes/tutores.
De seguida apresentam-se alguns factores, que, segundo Pilder, influenciam o AE: • O suporte à utilização da plataforma de e-Learning é efectuado durante todo
o decorrer da disciplina no AE, isto é, no planeamento, no desenrolar da disciplina e quando esta termina;
• Possibilidade de aceder aos conteúdos a qualquer hora em qualquer local. Como o processo de ensino/aprendizagem é efectuado sem a presença física de docentes e alunos é muito importante que os conteúdos sejam ricos e perceptíveis;
• A instituição deve facultar docentes ou tutores que estejam sempre disponíveis para o esclarecimento de qualquer dúvida que surja no âmbito da disciplina;
• É necessário criar uma comunidade de aprendizagem interactiva nas disciplinas, para que os alunos não se sintam desmotivados;
• A disciplina deve ter ferramentas de comunicação que fomentem a interactividade entre os alunos e os docentes e que também ajudem a criar as comunidades de aprendizagem;
O AE altera o enfoque do processo de ensino/aprendizagem, quer do docente, quer da tecnologia, para o aluno e para as suas necessidades. No AE o aluno pode aprender em qualquer local e ao seu ritmo. No entanto nunca está sozinho, pois docentes, estrutura de suporte e instituição estão à distância de um telefonema, e-mail ou clique, sempre que for necessário (Pilder, 2003).
Na figura 3, podem ser visualizadas as várias vertentes que influenciam e constituem o AE de uma instituição de ensino:
• Disciplinas – os sítios das disciplinas na plataforma de e-Learning onde se desenrola o processo de ensino/aprendizagem. Os docentes criam os sítios das disciplinas na plataforma de e-Learning e é lá que disponibilizam os seus conteúdos, que se desenrolam as actividades de aprendizagem e em determinados casos a comunicação entre os alunos e o docente. Os alunos retiram dos sítios das disciplinas toda a informação necessária para a aprendizagem, comunicam com os docentes, colegas e desempenham um papel activo nas actividades propostas pelo docente;
• Tecnologias da Informação e Comunicação – composta por todas as ferramentas e sistemas que suportam o processo de ensino/aprendizagem. A que maior ênfase tem é a plataforma de e-Learning, pois é lá que são disponibilizados os sítios das disciplinas;
• Estrutura de suporte – entidade que apoia os docentes e alunos na utilização do ambiente. Esclarece as dúvidas que advêm da utilização das TIC; • Instituição de ensino superior – define a estratégia a seguir em relação ao
AE e disponibiliza um conjunto de serviços administrativos que sustentam o seu próprio funcionamento;
Estrutura de suporte Disciplinas Tecnologias da Informação e Comunicação Ambiente de e-Learning Instituição de ensino superior
Figura 3 – Ambiente de e-Learning
Para o presente estudo o ambiente de e-Learning é a conjugação destes 4 vectores:
Disciplinas, Tecnologias da Informação e comunicação, Estrutura de suporte e Instituição de ensino superior.
Tratando-se de um AE existem vários autores que apelam à necessidade de se utilizarem modelos, a fim de se planear e sistematizar a criação de um AE. A sua aplicação em diferentes instituições poderá produzir resultados diversos, face às especificidades de cada instituição.
Um bom planeamento permite à instituição adaptar os serviços que estavam voltados para o ensino presencial, para as necessidades levantadas pela utilização das TIC no suporte ao processo de ensino/aprendizagem. Ajuda também a perceber quais as áreas mais necessitadas, não só em recursos humanos, mas também em recursos tecnológicos. Permitindo à instituição organizar-se internamente de um modo eficaz em torno do AE que quer estabelecer.
As instituições precisam de estar preparadas para as mudanças internas e externas que são causadas pela utilização das TIC. O modelo de AE deve estar bem delineado aquando da definição estratégica de uma instituição (Levy, 2003).
De acordo com o que foi descrito, os modelos de AE são importantes para organizar a instituição de ensino em torno das TIC. São também fundamentais para o planeamento, implementação e divulgação de disciplinas nestes ambientes. Assim sendo procurou-se encontrar modelos que melhor se adequassem à problemática deste trabalho.
Existem vários modelos de diversos autores que apontam para caminhos que podem levar a atingir melhores resultados na aprendizagem suportada pela tecnologia, mas
dependendo do meio envolvente (todas as estruturas de serviços, administrativos, pedagógicos ou técnicos, disponibilizadas pela instituição), podem ou não ser realmente eficazes. Cada autor, no modelo que propõe, refere diferentes aspectos a ter em conta quando se implementam disciplinas em AE. Mayes e Freitas (2005, p.4) referem que existe uma panóplia de modelos que podem ser seguidos pelas instituições.
Existem vários autores que contribuíram para o desenvolvimento, distribuição e avaliação de AE, através dos modelos que criaram. Estes são caracterizados por serem compostos por diversos factores a ter em conta nos procedimentos referidos (Cação, 2003, p. 26).
Cação (2003, p. 26) referencia alguns modelos de AE, uns mais vocacionados para aspectos relacionados com a resolução de problemas educativos, com as aptidões e competências dos alunos: modelo de Carroll e modelo de Reeves. Outros modelos são vocacionados para a infra-estrutura tecnológica e serviços a disponibilizar aos alunos: modelo de Jigsaw e o modelo Hub. No mesmo texto é apresentado um quinto modelo que foca várias dimensões para o desenvolvimento de ambientes de e-Learning, modelo de Khan.
Para além do modelos apontados por Cação foram encontrados outros modelos, uns centrados nas actividades a executar no decorrer da disciplina como o modelo “E-tivity” apresentado por Gilly Salmon (2005, p. 1), que traduz as relações e interacções entre docente e alunos no processo de ensino/aprendizagem em AE. E ainda outro vocacionado para o modo como podem ser planeadas as disciplinas que vão ser disponibilizadas numa plataforma de e-Learning o de Marguerite Lynch.
Os modelos apresentados por Khan e Lynch foram alvo de um estudo mais aprofundado, isto porque ambos os modelos abarcam vários aspectos a ter em conta na criação de uma disciplina num AE, não focam apenas as interacções e as estratégias a utilizar, focam também aspectos relacionados com a instituição e com a criação de uma envolvente ao processo de ensino/aprendizagem existente em cada disciplina.
Pelo facto de serem abrangentes e por se enquadrarem no âmbito do problema definido estes modelos serviram de base para a organização do referencial utilizado no presente estudo. A sua referência por vários autores teve também peso na escolha efectuada. De seguida é feita uma descrição dos dois modelos.
Khan elaborou um modelo designado por “A framework for e-Learning”23. Neste
modelo são referidas oito dimensões, interrelacionadas, como sendo as essenciais para a elaboração de um ambiente de aprendizagem em e-Learning.
O modelo contempla vários aspectos pertinentes na elaboração de um AE, aspectos não só de índole tecnológica, mas também pedagógica. O abarcar de inúmeros factores é o que o faz ser utilizado e revisto por autores e instituições de renome em todo o mundo.
A figura seguinte demonstra o modelo apresentado por Khan.