5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.9 MODELOS DE CAIXA PARA MANEJO
Os meliponicultores estão em busca da padronização das caixas para manejo das espécies de abelhas nativas sem ferrão, principalmente nos aspectos modelo e tamanho externo principalmente. Quando as colmeias são fabricadas levando em consideração as medidas externas é possível adicionar módulos ou melgueiras sem que as colmeias fiquem cheias de degraus. Utilizando madeiras de espessuras diferentes meliponicultores podem
fabricar colmeias com o mesmo padrão externo, podendo manter a estética das caixas quando adicionam um modulo ou melgueira. (informação verbal)21.
A padronização das colmeias apresenta a vantagem da manutenção da beleza exterior, mas em contrapartida as colmeias podem flutuar muito em volume, já que algumas são feitas com madeiras de 2 cm e outras com até 10 cm de espessura. Considerando que o volume idealizado para a abelha guaraipo possui entre 9 a 10 litros/colmeia, assim a diferença de 8 cm em cada lateral da caixa pode representar uma diferença gritante.
Blochtein el al., (2008, p. 30) esboçaram um modelo de colmeia racional para a criação da guaraipo e da manduri a qual foi idealizada por Portugal-Araújo, modificada por Venturieri. A colmeia apresenta uma subdivisão entre o ninho e o sobreninho a qual os meliponicultores conhecedores da biologia da guaraipo, na grande maioria optam por retirar visto que esta barreira atrapalha o desenvolvimento da postura, ou ainda pode impedir o rebaixamento do ninho como um todo. Aqui não se apresentará o modelo, sendo apresentados dois outros modelos com maior respaldo dos meliponicultores.
A figura 5 apresenta uma caixa simples e eficiente para a abelha Guaraipo é o modelo adaptado da colmeia INPA e de sua variante ACRIAPA, assim chegando a um terceiro tipo de colmeia. A colmeia deve ter 20 cm x 20 cm de espaço interno, com dois módulos para o ninho, cada modulo com 8 cm, com um pequeno modulo de 2 cm denominado porão ou lixeira, fixado ao fundo da colmeia. Em alguns casos este modulo é abolido para simplificar a fabricação da caixa, mas este possui a função de lixeira, onde são depositados excrementos ou materiais que não foi possível retirar da colmeia, servir de espaço para refugio de abelhas nos momentos das divisões, e principalmente ser o espaço onde as abelhas constroem o tubo de acesso ao ninho. Nele são fixadas varetas de madeira com espessura de 1 cm x 1 cm, dispostas a cada 2 cm, criando o espaço de refugio, lixeira e entrada. Nos casos de abolir essa peça a entrada para a colmeia é feita diretamente no ninho.
Em cima do ninho se acrescentada uma melgueira com o mesmo tamanho e altura dos módulos, se diferenciando apenas por possuir uma base perfurada, para circulação das abelhas do ninho para a melgueira. Quando a primeira melgueira está quase preenchida pode se adicionar outra.
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Informação verbal: WEGRZINOSKI, J. C., Mafra (SC), 2015; GOWACKI, F. J., Laranjeiras do Sul (PR), 2015.
Figura 5 – Colmeia vertical para guaraipo, com melgueira de produção e de divisão.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2015.
Com a colmeia acima apresentada é possível iniciar divisões somente com o fundo (porão), ninho e melgueira de divisão. Quando as abelhas não conseguem encher as melgueiras de divisão pode optar por retirar 2 a 3 potes de mel desde que intactos colocando- os na alça ninho. Conforme o desenvolvimento da colmeia se acrescenta, o sobreninho e mais tarde a(s) melgueira(s). Essa colmeia possui alguns aspectos positivos; pode ser adequada a divisão de famílias, quando utilizado melgueira repartida ao meio, ou melgueira inteira quando utilizada na produção de mel, além de permitir o aumento da colmeia em casos de super produção, assim a colmeia com uma melgueira apresenta 10,40 L, acrescentado mais uma melgueira passa a ter 13,60 L. Acima da melgueira é colocada uma membrana plástica preta que impede que a tampa fique fortemente aderida a melgueira, facilitando as vistorias da mesma.
Na figura 6 é apresentado o modelo de caixa horizontal. Esta colmeia é característica pela facilidade na construção, pois apresenta poucas peças e detalhes consistindo em um retângulo de tabuas formado pelas dimensões de 40 cm de comprimento, 17 cm de largura e 15 cm de altura. O fundo é fixado por pregos ao retângulo, e a tampa pode ser fixada por dobradiça ou simplesmente pode ser colocada sobre a caixa sem fixadores. Os meliponicultores estão recorrem as dobradiças e esquemas de fechos, pois estes dispositivos dão segurança as colmeias, impedindo os ninhos sofram danos em acidentes como quedas, ou
mesmo impedido a predação por animais. E comum que ventos fortes ou mesmo animais derrubem as caixas dos cavaletes ou de seus lugares no meliponário.
Conforme no exemplo da caixa vertical, onde na base se fixam madeirinhas que servem de abrigo durante as divisões, neste modelo de colmeia pode optar por pregá-las diretamente no fundo ou construir um estrado, formando canais de circulação importantes principalmente nos momentos de divisões, visto que impedem o contato dos discos de cria com o fundo da caixa. Ele permite a circulação das abelhas que fazem a manutenção e higienização garantindo maior sucesso nas multiplicações.
O manejo da caixa horizontal simples é relativamente fácil, pois as medidas permitem o desenvolvimento da postura, invólucro e potes de alimento segundo o padrão da abelha. Como a caixa possui pouca altura, os discos de cria que variam em numero de 5 a 8 nas colmeias racionais são alocados de forma que em seu ápice chegam próximo a tampa. É importante destacar a diferença de manejo quando se utiliza a caixa horizontal, visto que para obter discos nascentes é necessário desmontar com cuidado o invólucro que encobre a postura, posteriormente utilizando espátulas de ponta torta se alça (suspende) todo o conjunto de discos de cria para encontrar os nascentes na parte de baixo. Durante este processo pode ocorrer acidentes que machuque ou até mesmo leve a morte da rainha, assim quando possível deve primeiramente capturar a rainha e colocá-la numa gaiola até o termino da operação. Para pessoas com pouca experiência de manejo nestes modelos de colmeias, realizar as atividades de divisão pode ser um pouco difícil, enquanto na colmeia vertical o manejo é executado na parte de baixo abrindo a caixa entre o porão e o ninho, sendo encontrados os discos nascentes nesta parte.
Figura 6 - Modelo de caixa horizontal simples para manejo de guaraipo.
Fonte: Elaborado pelo autor, 2015.