sobre o tema GC em organização de eventos esportivos, como observado por Ghaffar et al. (2012), ao analisar a pesquisa realizada anteriormente por Heisig (2009), em 160 modelos KM construídos no período de 1995 a 2003. Ghaffar et al. (2012) identificaram sete
frameworks possíveis, que foram potencialmente aplicáveis às áreas de gerenciamento de
eventos esportivos, em termos de processos de negócios e estrutura organizacional, entre eles: (i) KM/BSC Model (AIDERMARK; STERNER, 2003); (ii) European KM Framework (WEBER et.al, 2002); (iii) HA/DR KM framework (DONGSONG; ZHOU; NUNAMAKER, 2002); (iv) KM Network (V. D. SPEK; SPIJKERVET, 2002); (v) KM Systems (LACHER; KOCH, 2000); (vi) KM Support Framework (HAHM; SUBRAMANI, 2001) e (vii) KM SECI Model (NONAKA; TAKEUCHI, 1995).
Ghaffar et al. (2012) atualizaram a pesquisa sobre tipos de modelos de GC no período de 2003 a 2011, entre eles, aqueles voltados para organização de eventos esportivos. Identificaram somente o produzido por Schumaker, Solieman e Chen (2010), que resultou no Sports Knowledge Management Framework, tendo como foco a utilização de gerenciamento de base de dados, via análise estatística.
Nesse mesmo trabalho, Schumaker, Solieman e Chen (2010) desenvolveram um modelo de GC para eventos esportivos: “The Sports Event Management KM framework –
SEMKM Framework”, descrito como um sistema de estrutura GC híbrido, podendo ser
aplicado em vários ambientes organizacionais de eventos esportivos. Propõe-se a superar problemas de compartilhamento de conhecimento relacionados com o gerenciamento de eventos esportivos. O modelo se concentra em recursos essenciais de conhecimento, facilitadores de comunicação, atividades de GC, processos de negócios e bancos de dados de conhecimento esportivo.
Uma outra pesquisa, em busca de um modelo adequado de GC em organizações esportivas, foi desenvolvida por (RAZAGHI et al., 2013). Os resultados demonstraram que, para estabelecer a Gestão do Conhecimento em organizações esportivas, é necessário “mudança”. A mudança dentro da organização é efetiva, absorvendo novos conhecimentos por um lado, e administração, por outro lado.
Razachi et al. (2013) sugerem que, para criar um modelo de Gestão do Conhecimento em organizações esportivas é necessário que:
1. As estratégias das organizações estejam alinhadas com a Gestão do Conhecimento; 2. A motivação e o apoio dos gerentes contribuam com o desenvolvimento de GC, assim
como apoiem financeiramente; 3. Invista-se em infraestrutura de TI;
4. Estreite-se o relacionamento vertical, criando uma estrutura baseada na liberdade de expressão, tornando o ambiente mais flexível;
5. Haja incentivo à cultura de cooperação e participação entre os funcionários;
6. Desenvolva-se e motive-se aulas de treinamento para Transferência do Conhecimento. No ano seguinte, Razaghi (2014) avaliou a implementação de GC a partir da perspectiva de funcionários, em instituições públicas de juventude e esporte, na província de Kerman (Irã), usando a teoria da lógica Fuzzy4. Ao concluir a pesquisa, o autor reforça sua afirmação em considerar a “mudança” como condição de implantação de GC (RAZAGHI, 2014).
Além destes trabalhos, De Bosscher et al. (2015) desenvolveram o Sports Policy
factors Leading to International Sporting Success – SPLISS, modelo de análise de
governança esportiva, construído com base no estudo comparativo sobre o esporte de alto rendimento em diferentes nações, que determina fatores de sucesso da política esportiva. O SPLISS propõe a avaliação de nove pilares (Figura 15).
Figura 15 - Modelo SPLISS
Fonte: (MEIRA; BASTOS; BOHME, 2012)
Nesse modelo, no que se refere ao suporte oferecido aos técnicos e atletas no cenário internacional, países de diferentes continentes e níveis de excelência foram estudados em relação aos processos de Criação e Compartilhamento do Conhecimento. Identificou-se que, em relação à cooperação técnica, observa-se que, na Holanda, no Reino Unido, na Noruega e no Canadá, as confederações disponibilizam aos técnicos e atletas informações e conhecimentos sobre nutrição, critérios de seleção, dopping, treinamento, planos de competição, planos de viagens e pesquisas científicas (DE BOSSCHER et al., 2015). Esse aspecto ainda se encontra incipiente no Brasil, seja por iniciativa do Ministério do Esporte (ME) ou do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) (MEIRA; BASTOS, 2016).
Por fim, optamos, em nossa pesquisa, pelo modelo SECI (NONAKA; TAKEUCHI, 1995), tendo como base a análise de Ghaffar et al. (2012), que identificaram, além deste modelo, outros frameworks potencialmente aplicáveis no gerenciamento de eventos esportivos.
3 . METODOLOGIA
Este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos utilizados para atender o objetivo da pesquisa, que é diagnosticar e descrever o processo de criação e compartilhamento de conhecimento em organizações esportivas de administração do esporte formal, nas perspectivas intra e interorganizacional.
A caracterização da pesquisa, o seu delineamento, a população, técnicas e instrumento de coleta de dados e os procedimentos de análise dos dados obtidos utilizadas serão descritos nos próximos itens.
3.1 Caracterização da pesquisa
O tipo de pesquisa tem sido caracterizado por diferentes autores e, especificamente na pesquisa em Gestão do Esporte, Li; Pitts; Quarterman (2008) e Veal; Darcy (2014) classificam as pesquisas em três tipos: descritiva, explicativa e avaliativa (LI; PITTS; QUARTERMAN, 2008; VEAL; DARCY, 2014):
a) A Descritiva visa a descrever, na medida do possível, o que é. O foco não é sobre a explicação;
b) A Explicativa busca os padrões em dados observados ou relatados, geralmente envolve uma condição de que um fenômeno seja causado por outro, e o objetivo da pesquisa é identificar essas relações causais;
c) A Avaliativa procura avaliar o sucesso das ações de política ou de gerenciamento
Este estudo se caracteriza como pesquisa descritiva. Segundo Veal e Darcy (2014) a pesquisa descritiva é muito comum na área esportiva e na Gestão do Esporte pelas seguintes razões: relativa novidade do campo; natureza variável dos fenômenos em estudo e a frequente separação entre pesquisa e ação.
Assim, a pesquisa descritiva se justifica, pois a Gestão do Esporte é um campo de estudo relativamente novo e, dessa forma, é necessário mapear o território (CHALIP, 2006; VEAL; DARCY, 2014). Dessa forma, diversos trabalhos acadêmicos da área procuram descobrir, descrever ou mapear padrões de comportamento em setores ou atividades que não foram previamente estudados no campo ou para os quais a informação precisa ser atualizada regularmente.
As pesquisas também podem ser classificadas em qualitativas, quantitativas e mistas (VEAL; DARCY, 2014). As pesquisas quantitativas são um tipo que emprega medidas e