CAPÍTULO III – ENQUADRAMENTO TEÓRICO DO ESTUDO
3.7. Modelos de Ensino e Aprendizagem a Distância
Para abordar este assunto recorremos a vários artigos consultados na Internet34 dos quais tentámos recolher informações suficientes para os comentários e ideias orientadoras desta temática.
No âmbito da formação a distância considera-se a aprendizagem como uma experiência social, nem sempre é compatível com os recursos técnicos pedagógicos, mesmo quando previamente elaborados e preparados para incutir no formando um espírito de absorção de pensamentos e conhecimentos.
A educação deve ser flexível e não pode ser um processo rígido. A aprendizagem flexível está ligada ao EaD, uma vez que a flexibilidade pode existir em qualquer contexto educativo. A flexibilidade implica uma aprendizagem independente de locais, horários, programas, conteúdos e do tipo de ensino, seja individual ou em grupo. A flexibilidade deixa de existir quando se impõem aspectos como horários ou datas rigorosas para cumprir, muitas vezes condicionados pela existência de momentos de avaliação.
34 versão em html do arquivo: http://www.ufpi.br/uapi/downloads/texto3_plataformas_avea.doc.;
A modalidade de educação a distância pressupõe um sistema de transmissão e estratégias adequadas às diferentes tecnologias utilizadas. Deve ser um tipo de ensino planeado, que normalmente ocorre em local diferente do de ensino, por isso requer técnicas especiais na elaboração do curso, técnicas de instruções especiais, métodos especiais de comunicação e outras tecnologias, assim como uma organização especial e estratégias administrativas" (Moore, 1996, Distance Education: a systems view).35
Como já foi referido anteriormente, o percurso de crescimento da EaD teve como base o aparecimento e desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), bem como as próprias exigências das sociedades actuais. Assim, na definição de um modelo de ensino/aprendizagem, deve-se ter em conta as diversas características das ferramentas tecnológicas, as condições de acessibilidade conforme as necessidades dos utilizadores e também a capacidade de rectificar estratégias de intervenção que se vierem a verificar necessárias e justificáveis ao modelo, aos aprendentes e à própria instituição, nas questões de natureza pedagógica, tecnológica e organizacional.
Na opinião de vários autores não existem modelos educacionais que possam ser directamente implementados para os aprendentes e, tampouco, uma ferramenta tecnológica adequada à implementação de qualquer material educacional.
Do estudo e revisão de literatura que fizemos ao longo deste trabalho concluímos que vários autores como TAYLOR, 1999; REIS, 2004; GARRISON, 2000; GOMES,2004; têm vindo a caracterizar os modelos de ensino a distância tendo em conta aspectos históricos, tecnológicos e comunicacionais.
Na opinião de Gomes: 2004, uma das características mais marcantes de qualquer modalidade de formação a distância prende-se com a necessidade de não só mediatizar o processo de transmissão de conteúdos mas também com a própria necessidade de mediatizar o processo de comunicação formador - formandos ou dos formandos entre si. Sobre este assunto, esta especialista em informática no ensino é de opinião que tem havido uma mudança no pensamento teórico neste domínio, de perspectivas mais centradas no modelo estrutural e organizacional da formação a distância, para um modelo mais centrado nos aspectos comunicacionais da transacção educacional.
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Segundo REIS (2000), citado por REIS; Hiliana36 os modelos de ensino a distância em termos de gerações de inovação tecnológica podem ser classificados como: Modelos de primeira geração; Modelos de segunda geração e Modelos de terceira geração. Caracteriza cada um desses modelos tendo em conta os meios de comunicação para transmissão da informação e o tipo de interactividade existente em cada geração.
Hiliana Reis acrescenta ainda no mesmo artigo37 que os modelos de tutoria oferecidos pelas universidades que participaram na sua pesquisa também não são uniformes e podem ser classificados como (Reis, 2000) em: Semipresencial: os estudantes contam com um serviço de tutoria totalmente a distância, onde diferentes meios de comunicação são accionados. Além disso, podem participar de sessões semanais de atendimento presencial, onde grupos pequenos de alunos discutem a matéria com o professor; Bimodal: além da tutoria virtual, a instituição oferece sessões de tutoria presencial para que os alunos possam tirar as dúvidas dos conteúdos; Virtual: Todo o sistema de tutoria é realizado através do campo virtual, portanto, as mediações tecnológicas interferem e agregam valor às interacções comunicativas. Eventualmente, os alunos podem comunicar-se por telefone.
Em termos de gerações de inovação tecnológica, GOMES Maria João38 apresenta um sistema de organização/classificação dos modelos de formação a distância cuja tipologia foi construída tendo em consideração os seguintes parâmetros principais:
• Media e tecnologias utilizadas na representação e distribuição de conteúdos; • Media e tecnologias utilizadas na mediatização da comunicação: professor/
alunos e destes entre si;
• Modelo comunicacional adoptado entre professores e alunos; • Modelo comunicacional adoptado entre alunos.
36 Artº Modelos de tutória no Ensino a Distância, disponível em versão em html do arquivo
http://teses.eps.ufsc.br/defesa/pdf/4910.pdf. Consultado em em 26 de Dezembro de 2007
37 Artº Modelos de tutória no Ensino a Distância, disponível em versão em html do arquivo
http://teses.eps.ufsc.br/defesa/pdf/4910.pdf. consultado em 26 de Dezembro de 2007
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Artº Gerações de inovação tecnológica no ensino a distância - Revista Portuguesa de Educação, 2003 ; 16(1), pp. 137- 156 © 2003, CIEd - Universidade do Minho, disponível em versão em html do arquivo http://bocc.ubi.pt/pag/reis-hiliana- modelos-tutoria-no-ensino-distancia.pdf. acessado em 28 de Dezembro de 2007
Esta estruturação proposta por Gomes coincide em grande parte com a de TAYLOR39 que, como foi já referido, estrutura a evolução da educação a distância ao longo do tempo em quatro gerações (referindo igualmente uma quinta geração ainda emergente):
• O Modelo de Correspondência (Correspondance Model), que se baseia na tecnologia de impressão;
• O Modelo Multimédia (Multimedia Model), que se baseia nas tecnologias da impressão, no áudio e no vídeo;
• O Modelo da Tele – Aprendizagem (Telelearning Model), que se baseia em aplicações de telecomunicação, que facilitem a comunicação síncrona; • O Modelo da Aprendizagem Flexível (Flexible Learning Model), baseado na
distribuição via Internet.
Na opinião de Taylor, apesar de muitas universidades de ensino a distância estarem ainda agora a implementar o modelo da quarta geração, a Quinta Geração já está a fazer-se notar, baseando-se, essencialmente na exploração de novas tecnologias.
Para este investigador, o Modelo de Aprendizagem Flexível da Quinta Geração, contribui para reduzir muito os custos, através do uso e exploração de recursos de resposta automatizada e, desta forma, permite ir ao encontro da crescente necessidade de aprendizagem ao longo da vida como decorre das suas palavras:
O modelo da Quinta Geração de educação a distância (Aprendizagem Flexível Inteligente), que incorpora o uso de sistemas de bases de dados inteligentes, no contexto da entrega via Internet, tem o potencial de fornecer aos estudantes uma experiência pedagógica personalizada, com muito baixos custos, quando comparada com o ensino tradicional a distância e a educação convencional face- to-face.
Outra característica do modelo da Quinta Geração indicada por TAYLOR é o desenvolvimento de um e-Interface, um portal universitário através do qual os estudantes, e não só, podem interagir com a Universidade. Para este autor um outro elemento da
39 O Modelo de Aprendizagem Flexível da Quinta Geração, segundo Taylor, disponível em :
http://ensino- distancia.wikispaces.com/?f=print&responseToken=39577f774333f85901c7324ed3f91b89 ;
quinta geração é a criação de uma rede sem fios, à qual todos os alunos têm acesso facilmente a partir de um computador portátil.
Em síntese, podemos constatar que a evolução dos modelos de ensino a distância foi ocorrendo no sentido de um aumento progressivo da diversidade dos media e das tecnologias utilizadas quer ao nível da representação e distribuição dos conteúdos quer ao nível da comunicação. As principais diferenças entre as gerações baseiam-se nas características de distribuição de conteúdos, na apresentação dos suportes tecnológicos e na maneira como esses suportes são utilizados no ensino /aprendizagem. A evolução das diversas gerações contribuiu para aumentar a interactividade entre os diversos intervenientes do processo de ensino/aprendizagem a distância. Outro factor importante a considerar é que facilmente se depreende que determinadas tecnologias permitem certas opções pedagógicas que outras não consentem. Por último, concluímos que na selecção das tecnologias a adoptar num determinado modelo de educação a distância, intervém uma multiplicidade de factores: disponibilidade (acesso), custos, funções, interactividade e facilidade de uso, implicações organizacionais, rapidez de produção entre outros.
Outro aspecto relevante sobre a educação a distância não menos importante que gostaríamos de abordar tem a ver com o tipo de apoio que esta modalidade de ensino pode dar aos alunos portadores de deficiência.
Para alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE), Paulo Hansen40 considera que existem na literatura diversas propostas de modelos para ambientes de ensino a distância. No entanto, considera que nenhuma delas é especificamente para alunos com NEE. Sobre esta temática, este autor afirma:
“Para que o ensino a distância possa suprir a carência de novas possibilidades de ensino e aprendizagem para alunos com necessidades especiais é preciso que os modelos actuais de Ensino à Distância sofram adaptações com o objectivo de atender este público-alvo diferenciado. É necessário propor um modelo de Ensino a Distância que permita o acesso à educação das pessoas com necessidades especiais permitindo-o desenvolver-se sob um aspecto senão ideal, adequado ao seu meio, enxergando-o como ser capaz de criar, crescer e produzir como qualquer cidadão apto na sociedade.” in Paulo Hansen (2003:5)
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