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Modelos de Estufas

No documento LEGADO CIENTÍFICO BRASILEIRO (páginas 148-153)

Arthur Carniato Sanches

2.3. Modelos de Estufas

Os diferentes modelos de estufas surgiram ao longo do tempo, por diversos fa- tores, cada qual aliado a uma série de exigências, que podem ser entendidas pelas características de cada um. Entre os vários modelos de estufa agrícola, os mais co- nhecidos e indicados para locais de clima tropical são a Capela, o Arco Pampeana, o Arco, a Bella Unión, a Espanhola, a Londrina e o Dente-de-Serra.

2.3.1. Modelo Capela

Possui uma estrutura semelhante a de um galpão ou aviário, com as duas abas da cobertura inclinadas, formando um triângulo (Figura 3). Esse modelo também é conhecido por treliça, justamente pela característica de sua forma. Funciona muito bem em regiões de altas precipitações de chuvas, porém tem pouca resistência aos ventos, exigindo uma estrutura resistente (PERFEITO, 2019). Geralmente é o primeiro modelo adotado pelos agricultores que iniciam a utilização da técnica de cultivos em estufas.

Figura 3 - Modelo Capela. Fonte: Os Autores.

2.3.2. Modelo Arco Pampeana

É a evolução da estufa capela. A única diferença da estrutura é o telhado em forma de arco único (Figura 4). Tem maior resistência ao vento e o plástico dura muito mais porque não tremula. É muito mais fácil de construir e seu custo é menor. Os plásticos são colocados em faixas no sentido transversal, forma que facilita o estiramento e a reposição. As peças de plástico da cobertura podem ser trocadas isoladamente, à medida que apresentam danos. É a estufa mais usada no momento (SILVEIRA, 2016).

Figura 4 - Modelo Arco Pampeana. Fonte: Os Autores.

2.3.3. Modelo Arco

É um modelo de estufa similar à Pampeana, porém sua cobertura se apresenta em módulos, obtendo assim, um excelente aproveitamento da luz solar (Figura 5). Segundo Perfeito (2019) a estrutura em formato semicircular permite facilidade de fixação do filme, como também, sua troca rápida. Este modelo é fornecido pré-fabricado em ferro galvanizado. O custo geralmente é superior aos de outras estufas.

Figura 5 - Modelo Arco. Fonte: Os Autores.

2.3.4. Modelo Arco Treliçado

As estufas com arcos treliçados possuem alto custo benefício no que se refere a durabilidade, sendo muito utilizadas no setor de hortifrutigranjeiros. Possuem elevada resistência e grande espaçamento interno além de garantir um maior apro- veitamento da luz. Possui grande resistência a ventos e devido a sua resistência estrutural podem ser utilizadas de forma combinada com sistemas de coleta de águas pluviais (GUO et al., 2021).

Figura 6 - Modelo Arco Treliçado. Fonte: Os Autores.

2.3.5. Modelo Bella Unión

Este modelo leva o nome do município de onde se originou. Bella Unión é uma pequena cidade uruguaia, próximo à divisa com o Brasil. Os agricultores daquela região desenvolveram este modelo de acordo com as conveniências locais. Sua principal vantagem é a capacidade de absorver grande parte da energia solar, de- vido a inclinação do telhado pelo lado norte, num ângulo perpendicular aos raios do Sol, objetivando o mínimo de reflexão, alcançando o máximo de aproveitamen- to do efeito estufa (PERFEITO, 2019). A parte posterior da construção tem um caimento brando, a fim de suportar os fortes ventos que normalmente sopram do lado sul (Figura 7). Trata-se de uma estrutura rústica, construída basicamente de paus roliços, e de muita simplicidade. Pode ser usada com sucesso, na região sul do Brasil, pelas condições climáticas semelhantes às da região uruguaia.

Figura 7 - Modelo Bella Unión. Fonte: Os Autores.

2.3.6. Modelo Espanhola

Segundo Sganzerla (1997) a estufa espanhola se desenvolveu em grande es- cala na costa da Almeria, sul de Espanha, nas estreitas planícies entre as monta- nhas e o Mar Mediterrâneo. Nos últimos anos, foram cobertos milhares de hectares contínuos com este modelo. Como a precipitação pluviométrica da região é baixa, a parte superior da estufa possui baixa inclinação. A estrutura é formada de esteios de madeira, ou de tubos galvanizados e arame, e a cobertura forma um verda- deiro “mar de plástico” (Figura 8). O filme da cobertura é fixo entre duas malhas de arame. Esse modelo já está sendo usado com sucesso no Brasil, apresentando pequena modificação, com as abas da cobertura construídas com maior caimento, para facilitar o escoamento de água da chuva.

Figura 8 - Modelo Espanhola. Fonte: Os Autores.

2.3.7. Modelo Londrina

Nome dado ter sido desenvolvida e muito utilizada na região de Londrina - PR. As estufas são construídas com filmes de polietileno de baixa densidade, utilizando um modelo de estrutura de baixo custo, prático e eficiente para o clima local, que tende ao frio (SGANZERLA, 1997). A maior parte dos parreirais daquela região são desenvolvidos com este modelo de estufa. É construída basicamente de esteios e arames (Figura 9). A sua cobertura possui um pouco mais de inclinação em relação ao modelo espanhola, de onde foi adaptada.

Figura 9 - Modelo Londrina. Fonte: Os Autores.

2.3.8. Modelo Dente-de-Serra

Este modelo de estufa foi inicialmente adotado na Europa e Estados Unidos. Indicado para regiões de clima predominante frio. A característica principal que o distingue de outros modelos, é o desenho do telhado, semelhante aos dentes de uma serra, daí a origem do nome (Figura 10). Essa estufa é uma das mais eficien- tes no que se refere à ventilação. Sua instalação deve ser no sentido da direção dos ventos predominantes, com a parte semelhante aos dentes voltada para o lado contrário da incidência maior do vento. As diferenças de pressão que se formam nos vãos, permitem uma fácil e eficiente exaustão do ar de seu interior. É um tan- to deficiente quanto ao aproveitamento da luz do Sol. Dependendo da região, sua utilização fica restrita aos cultivos não exigentes de luz (PERFEITO, 2019).

Figura 10 - Modelo Dente-de-Serra Fonte: Os Autores.

No documento LEGADO CIENTÍFICO BRASILEIRO (páginas 148-153)