2 REVISÃO DE LITERATURA
2.5 MODELOS DE MATURIDADE EM GESTÃO DO CONHECIMENTO
[...] modelo é uma descrição concisa e holística dos principais elementos, conceitos e princípios de uma área de conhecimento. Ele busca explicar essa área do conhecimento e definir um desenho padronizado do seu conteúdo, essencial como referência para a implementação de desenhos no futuro. Um modelo de gestão do conhecimento [...] oferece a referência para a tomada de decisões sobre como implementar a gestão do conhecimento
(WEBER apud BATISTA, 2012).
Diante da necessidade de se avaliar os processos de desenvolvimento de softwares, surgiram os primeiros modelos de maturidade. Posteriormente, outras áreas passaram a desenvolver e utilizar estes modelos, como a gestão do conhecimento e gestão de projetos (HELOU, 2015).
“O modelo de maturidade é uma ferramenta relevante para identificar o que medir e como medir, com o intuito de verificar sua situação, e o que fazer para obter um nível de maturidade mais alto” (TEIXEIRA et al., 2012, p. 132).
Natale e Neves (2014), afirmam que para realizar uma avaliação da gestão do conhecimento, pode-se utilizar tanto os indicadores de Gestão do Conhecimento
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como os níveis de maturidade, ou mesmo ambos. Esta última proporciona uma maior capacidade da organização de gerenciar conhecimento.
Portanto, os modelos de maturidade consistem em ferramentas integrantes de um modelo de gestão do conhecimento, que ajudam a compreender melhor as estruturas, terminologias e processos (NATALE; NEVES, 2014).
A realização dos diagnósticos e avaliações por esses métodos é rápida e bastante facilitada por utilizarem questionários a ser respondido por integrantes das organizações pesquisadas, o que possibilita a obtenção de uma “foto instantânea” da situação em determinado momento, a partir da qual é viabilizada a rápida elaboração de planos de ação. A rapidez na ação é uma maneira de criar uma imagem favorável a programas de GESTÃO DO CONHECIMENTO. A participação dos membros das organizações na realização do diagnóstico é, também, uma forma de disseminar o tema e de incentivá-los a envolverem-se nas ações relacionadas à GESTÃO DO CONHECIMENTO (MALMANN, 2012, p.73).
Batista (2012) adaptou para administração pública brasileira o modelo de gestão do conhecimento da Asian Productivity Organization (APO). A APO destaca-se na área de gestão do conhecimento por ter dedestaca-senvolvido um modelo de gestão do conhecimento e seu próprio método de implantação (ASIAN PRODUCTIVITY ORGANIZATION, 2009).
Antes de iniciar a jornada de implementação da Gestão do Conhecimento, a organização pública precisa conhecer sua situação atual, isto é, qual é o seu grau de maturidade em gestão do conhecimento. Tendo o Modelo de Gestão do Conhecimento para a Administração Pública como nossa referência, precisamos entender os direcionadores estratégicos da nossa organização (visão, missão, objetivos estratégicos, estratégias e metas) porque eles nos ajudarão a identificar e analisar nossas competências essenciais. A análise dos quatro viabilizadores (liderança, tecnologia, pessoas e processos) contribuirá para entender até que ponto esses fatores estão presentes na organização. As cinco atividades do processo de gestão do conhecimento (identificar, criar, armazenar, compartilhar e aplicar conhecimento) e o Ciclo KDCA (Knowledge = conhecimento; Do= executar;
Check = verificar; e Act = atuar corretamente) auxiliarão na realização de um mapeamento inicial das práticas de gestão do conhecimento existentes na organização que podem ser disseminadas durante a implementação. Sua organização pode estar fazendo gestão do conhecimento sem saber (BATISTA, 2012).
Batista (2012) partiu do modelo de gestão do conhecimento para a administração pública da Asian Productivity Organization (2009), exemplificado na figura 3, desenvolvendo um método próprio, a partir de consistente revisão das práticas de gestão do conhecimento de organizações europeias e norte-americanas.
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FIGURA 3 – Modelo de gestão do conhecimento para a administração pública Fonte: Batista (2012)
Segundo Batista (2012), “os modelos de gestão do conhecimento construídos para o setor privado não são adequados para o setor público, sendo necessário construir um modelo adequado à administração pública brasileira”.
Batista (2012)propõe um modelo híbrido, ou seja, ao mesmo tempo descritivo
e prescritivo. Descritivo porque descreve os elementos essenciais da gestão do conhecimento, e prescritivos uma vez que orienta como implementar a gestão do conhecimento.
A partir de um questionário, é realizada a autoavaliação da organização, sendo sete critérios utilizados: liderança em gestão do conhecimento, processo, pessoas, tecnologia, processo de gestão do conhecimento, inovação e tecnologia.
A figura 4 mostra os critérios de avaliação que integram o Instrumento para a Avaliação da Gestão do Conhecimento na Administração Pública (Apêndice A). São eles: liderança em gestão do conhecimento; processos de gestão do conhecimento; pessoas; tecnologia; aprendizagem e inovação; processos de trabalho; e resultados em gestão do conhecimento.
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FIGURA 4 – Critérios para a autoavaliação de gestão do conhecimento pela organização Fonte: Batista (2012)
A maturidade em gestão do conhecimento é identificada na forma de grau numérico e qualificada em níveis, em uma forma conceitual. Desta forma, o grau de maturidade é o resultado obtido pela aplicação de um instrumento para avaliar a gestão do conhecimento expresso em pontos (BATISTA, 2012).
A pontuação final da organização em cada um dos critérios pode ser colocada em um gráfico radar. Esse gráfico mostra as pontuações atuais obtidas pela organização em cada critério e a pontuação máxima de cada critério. Quanto mais próxima a pontuação estiver da pontuação máxima,
melhores serão os resultados. (BATISTA, 2012).
“Com base na pontuação final obtida pela organização, é possível identificar o seu nível de maturidade em gestão do conhecimento” (BATISTA, 2012). A figura 5 apresenta os cinco níveis de maturidade e o gráfico 1 mostra um exemplo de gráfico radar.
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GRÁFICO 1 – Exemplo de gráfico radar: pontuação por critério de avaliação da
gestão do conhecimento Fonte: Batista (2012)
FIGURA 5 – Níveis de maturidade em gestão do conhecimento Fonte: Batista (2012)
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Batista (2012) especifica os significados dos cinco níveis de maturidade em gestão do conhecimento (Quadro 5).
Nível 1 Reação
A organização não sabe o que é a gestão do conhecimento e desconhece sua importância para aumentar a eficiência, melhorar a qualidade e a efetividade social; contribuir para a legalidade, impessoalidade, publicidade, moralidade e eficiência na administração pública; e contribuir para o desenvolvimento nacional.
Nível 2 Iniciação A organização pública começa a reconhecer a
necessidade de gerenciar o conhecimento
Nível 3 Introdução
(expansão)
Há práticas de gestão do conhecimento em algumas áreas.
Nível 4 Refinamento A implementação da gestão do conhecimento é
avaliada e melhorada continuamente.
Nível 5 Maturidade A gestão do conhecimento está institucionalizada na
organização pública
QUADRO 5 – níveis de maturidade em gestão do conhecimento Fonte: Batista 2012, adaptação nossa