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À DEC ISÃO SELEÇÃO DE

3.5 Processo Decisório Organizacional

3.5.3 Modelos de processo decisório

Em geral, observam-se na literatura diversos modelos de processo decisório, dentre os quais se destacam: o racional, o racional limitado, o político, o processual, o incremental e o da lata de lixo (ALLISON, 1971; COHEN et al, 1972; LINDBLOM, 1978; SCHMID et al, 1987; LYLES e THOMAS, 1988; CHESHIRE e FEROZ, 1989).

3.5.3.1 Modelo racional

Este modelo é baseado na visão econômica da tomada de decisão. Envolve metas e objetivos, alternativas, conseqüências e otimização, assumindo que as informações completas referentes à decisão devem estar disponíveis e uma concepção correta do problema pode ser obtida.

O modelo, além disso, assume que o decisor avalia racional e consistentemente metas, objetivos, vantagens e desvantagens de quaisquer alternativas e da avaliação das conseqüências de cada alternativa, ele escolherá aquela que prover a máxima utilidade, ou seja, a escolha ótima. O modelo racional é a base contra qual os outros modelos são comparados (ALLISON, 1971; LYLES e THOMAS, 1988).

A vantagem mais destacada do modelo racional é utilizar uma abordagem simples intuitiva, seqüencial e lógica. Decisões são tomadas dedutivamente pela determinação de metas e objetivos a serem obtidos, avaliando as alternativas potenciais baseadas na informação utilizada e escolhendo a alternativa ótima.

O modelo racional possui também desvantagens, pois assume que não há viéses intrínsecos no processo de tomada de decisão. Tal premissa não é totalmente realista, uma vez que os indivíduos envolvidos no processo trazem consigo, inevitavelmente, suas próprias percepções e modelos mentais dentro de uma dada situação (LYLES e THOMAS, 1988).

3.5.3.2 Modelo racional limitado

Enquanto no modelo racional tradicional o decisor maximiza seus esforços na busca da melhor alternativa dentre todo o leque de opções disponíveis, no modelo da racionalidade limitada o decisor busca um curso de ação satisfatório levando em consideração apenas os aspectos que julga serem mais relevantes e fundamentais dentro de uma visão simplificada desta mesma realidade.

O modelo também considera que a organização retira de seus membros a faculdade de decidir independentemente e a substitui por um processo decisório próprio instituído pela organização. Desta forma, a organização restringe o escopo de escolha do indivíduo, especifica funções, na medida em que fixa o âmbito e a natureza dos deveres, distribui poder de decisão e estabelece limites à faculdade de agir para coordenar as atividades orgânicas (SIMON, 1971).

A maior vantagem deste modelo é a concepção mais realista e concreta do comportamento do ser humano, que passa de onisciente e racional, para o homem administrativo (SIMON, 1971), aquele que aceita soluções satisfatórias, muitas vezes fixando critérios mínimos aceitáveis de desempenho, para processos incertos e imprevistos, influenciados por conflitos e interesses pessoais.

Pode-se considerar como desvantagem, ou crítica ao modelo da racionalidade limitada, o seu enfoque específico sobre a conduta de escolha como única variável dependente, tornando difícil analisar a estrutura social adjacente, visto que reduz todos os seus problemas ao campo sócio-psicológico (MOTTA e VASCONCELOS, 2002).

3.5.3.3 Modelo político

Em contraste com o modelo racional, no modelo político os decisores envolvidos não executam suas tarefas de decisão através da escolha racional em relação aos objetivos, mas são motivados e agem por suas próprias necessidades e percepções.

O processo de decisão neste modelo envolve um ciclo de barganha em torno dos decisores, de modo que cada um experimenta sua própria perspectiva para fazer uma escolha. Mais especificamente, este processo envolve as tentativas de cada decisor influenciar pessoas de poder dentro de uma situação a adotar seus pontos de vistas e convencer os outros decisores (ALLISON, 1971).

Além disso, o modelo político não exaure a informação disponível nem busca o ótimo: não são estes os aspectos chave (LYLES e THOMAS, 1988). A informação completa não é pretendida, uma vez que o modelo político opera baseado em negociações influenciadas por poder e favor. Assim, a informação pode ser deturpada ou suprimida em função de uma manobra sob uma dada perspectiva.

A vantagem do modelo político é a capacidade de prover uma representação da maneira subjetiva na qual o mundo real geralmente opera e isto pode minimizar conflitos, pois afinal indivíduos irão sempre ter viéses pessoais que influenciam seus comportamentos. Pela identificação e conhecimento deste fato no processo de tomada de decisão, problemas potenciais e conflitos podem ser previstos e minimizados. O conflito é também minimizado pela influência que as pessoas de poder exercem sobre pontos de vista particulares, fazendo com que outros membros do grupo usualmente sigam suas perspectivas.

Apesar do modelo político aproximar-se da maneira como o mundo real opera, isto é, destaca a idéia da barganha existente nas atividades relatadas pelos indivíduos, este fato é também uma desvantagem, porque a melhor solução ou decisão pode não ser selecionada. A

natureza da barganha e a possibilidade de manobras podem produzir efeitos que são duradouros e prejudiciais.

3.5.3.4 Modelo processual

O modelo processual é o mais estruturado. Neste modelo as decisões são tomadas com base nos procedimentos de operação padrão (SOP’s) ou orientações pré-estabelecidas dentro da organização. Ações e comportamentos passados, presentes e futuros ocorrem de acordo com estes procedimentos ou orientações (ALLISON, 1971).

A conformidade é parte integral deste modelo e a consideração dos eventos no tempo provê mais refinamento da orientação ajudando a determinar resultados. Assim, o uso de um procedimento eficiente ou uma decisão em conformidade com os padrões pré- estabelecidos permite esclarecer dúvidas e diante da incerteza negociar durante a tarefa de decisão (CHESHIRE e FEROZ, 1989). Tal visão fundamenta-se em Cyert e March (1963) que já destacavam que os SOP’s podem provocar melhorias na comunicação, redução do tempo de operação e aumento da consistência no desempenho das atividades.

3.5.3.5 Modelo incremental

No modelo incremental, Lindblom (1978) destaca que os decisores têm uma tendência a serem conservadores nos processos de tomada de decisão. Desta forma, costumam adotar soluções parecidas com decisões implementadas no passado, a fim de limitarem os riscos e os erros, além de defender a lógica de suas decisões passadas. As decisões vão mudando lentamente por meio de desvios e ações corretivas, que podem levar, após mudanças sucessivas em um médio prazo, a novos cursos de ação.

Este modelo considera que, tendo em vista as incertezas envolvidas e a dificuldade de se obter informações, os decisores tornam-se cautelosos em seus processos

decisórios, o que pode ter como conseqüência, por exemplo, um retardo demasiado de uma inovação, que só terá lugar após diversas ações corretivas no tempo.

3.5.3.6 Modelo da lata de lixo

Este modelo é mais apropriado para julgamento de tarefas em organizações onde a tecnologia não está clara. O envolvimento dos participantes é flutuante em torno do tempo e o esforço despendido e as escolhas são inconsistentes e mal definidas (COHEN et al, 1972; SCHMID et al, 1987).

Em uma organização operante sob este modelo decisório, uma oportunidade de tomada de decisão é descrita como uma lata de lixo dentro da qual muitos tipos de problemas e soluções são largados independentemente um dos outros e dos decisores. Os problemas, soluções e decisores não são necessariamente relacionados uns aos outros. Eles movem-se de uma oportunidade de decisão para outra, de maneira que as soluções, o tempo necessário e os problemas parecem depender de um alinhamento de componentes para completar a decisão. Estes componentes são combinações das opções disponíveis em um dado tempo, combinações dos problemas, das soluções necessárias para os problemas e das demandas externas dos decisores (COHEN et al, 1972; SCHMID et al, 1987).

A maior vantagem do modelo da lata de lixo é reconhecer que nem todas as decisões são feitas de forma lógica, política ou seguindo padrões modelados. Ocasionalmente, decisões são tomadas com base na prática, quando soluções, problemas e indivíduos envolvidos na tarefa acontecem de se alinhar e permitem uma escolha.

O grande entrave ao modelo é que o alinhamento dos problemas, soluções e indivíduos geralmente ocorre de forma não sincronizada entre o evento - tomar a decisão referente a um problema - e seu tempo de solução (timing) (COHEN et al, 1972).

3.5.3.7 A opção por um modelo

O processo de tomada de decisão em uma organização não é um processo politicamente neutro ou um processo apenas objetivo. Tanto os critérios que orientam o processo de tomada de decisão como os procedimentos decisórios implementados nas organizações, são alvo de negociação política e mudam de acordo com as alterações nas estruturas de poder, sendo continuamente redefinidos e negociados.

Reconhece-se, então, que o processo de tomada de decisão nas organizações é ambíguo e envolve vários níveis de incerteza, sendo, contudo, um processo intencionalmente racional, porque pressupõe que os decisores buscam soluções para problemas específicos. Assim, opta-se, nesta pesquisa, pelo modelo racional limitado, pois se considera que o decisor trabalhando com um modelo simplificado da realidade, percebe que a maior parte dos fatos do mundo real não tem grande relevância para a situação particular que enfrenta, bastando ao mesmo adotar apenas um subconjunto satisfatório, formado por um determinado número de alternativas de escolhas e soluções que atendam satisfatoriamente a seu problema.

Essa visão síntese após o exame de conceitos pertinentes ao processo, ao modelo e ao indivíduo é apresentada na figura 8 abaixo:

Figura 8 (3) – Macro visão da decisão organizacional Fonte: Adaptado de Santos e Ponte (1998, p. 2) Identificação Problema Formulação das Alternativas Av aliação das Alternativas Seleção de Alternativas PROCESSO DECISÓRIO TOMADA DE DECISÃO MODELO DE DECISÃO PROCESSO DE GESTÃO •Racional •Lata de Lixo •Racional Limitado •Incremental •Processual •Político

MISSÃO, CRENÇAS E VALORES MODELO DE GESTÃO

PLANEJAMENTO EXECUÇÃO CONTROLE

Identificação Problema Formulação das Alternativas Av aliação das Alternativas Seleção de Alternativas PROCESSO DECISÓRIO TOMADA DE DECISÃO MODELO DE DECISÃO PROCESSO DE GESTÃO •Racional •Lata de Lixo •Racional Limitado •Incremental •Processual •Político •Racional •Lata de Lixo •Racional Limitado •Incremental •Processual •Político

MISSÃO, CRENÇAS E VALORES MODELO DE GESTÃO