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2.4 Modelos de Referência

2.4.2 Modelos de processos de negócio

Modelagem de empresas (ME) são processos de negócio que são representados em modelos. Nessa área, o termo empresa é originado do inglês enterprise (empreendimento) e não company (empresa no sentido mais pragmático). VERNADAT (1996) deixa clara a noção de que a teoria de ME pode ser aplicada a uma empresa como um todo ou a processos da empresa em específico, os quais são considerados empreendimentos.

Um processo é, conforme ROZENFELD (2001), algo que existe. Ou seja, processos são fenômenos que ocorrem em empresas, independente da estrutura organizacional definida por seu organograma. O conceito de processo é base de uma série de abordagens de gestão que começaram a ser implementadas com maior veemência no ocidente no final dos anos 80 juntamente com os programas de gestão pela qualidade. Entretanto, a prática explícita e sistemática da gestão por processos foi introduzida no Brasil através do conceito de reengenharia (HAMMER e CHAMPY, 1994).

De maneira mais pragmática, um processo é “…um conjunto de atividades estruturadas e medidas destinadas a resultar num produto especificado para um determinado cliente ou mercado” (DAVENPORT, 1994). GONÇALVES (2000a) identifica, com base em uma extensa pesquisa bibliográfica, tipos diferentes de processos nas empresas:

• processos de negócio (ou de cliente): são os que caracterizam a atuação da empresa e que são suportados por outros processos internos resultando no produto ou serviço que é recebido pelo cliente externo;

• processos organizacionais (ou de integração): garantem o suporte aos processos de negócio através da viabilização do funcionamento coordenado da organização; e

• processos gerenciais: focalizam os gerentes e suas relações incluindo ações de medição e ajuste de desempenho da empresa.

Dentro dessa classificação, o processo de desenvolvimento de produtos é um processo de negócio. Esse tipo de processo apresenta uma extrema aderência à essência do funcionamento da organização, ou seja, eles são típicos da empresa, do mercado em que ela atua e de sua estratégia, o que implica que eles diferem muito de uma organização para outra. Na tentativa de considerar as variações existentes entre processos de negócio, as teorias de modelagem de empresas prevêem a confecção de modelos de referência “…especializados em mercados verticais” (SCHEER, 1998; VERNADAT, 1996) a partir dos quais o, já mencionado, conceito de instanciação deve ser utilizado para a confecção dos modelos particulares. Assim, um modelo de referência para a indústria de eletro-eletrônicos de consumo poderia ser adaptado a uma empresa que desenvolve lavadoras de roupas e assim por diante.

Um processo de negócio tem uma importante característica que é seu nível de maturidade. O conceito de níveis de maturidade foi sugerido por MACINTOSH2 apud AGUILAR-SAVÉN (2004) e passou a ser amplamente utilizado. Segundo CHRISSIS et al. (2003, p.11), níveis de maturidade de processos de negócio "… são perfis de melhoria evolucionários através dos quais uma empresa atinge padrões superiores de desempenho". Como será discutido mais adiante, para diferentes níveis de maturidade há diferentes demandas com relação aos modelos de referência de processos.

Recentemente, CHRISSIS et al. (op. cit.) tem apresentado de forma consistente o conceito de capabilidade de processos. Esse conceito é originário da área de manufatura, em especial de gestão da qualidade de produtos e processos (JURAN, 1997), e tem sido adaptado ao uso em processos de negócio. A capabilidade de um processo seria sua capacidade de ser repetitível. Essa repetibilidade teria relação com a maturidade do processo: a maturidade de um processo como um todo seria o resultado da capabilidade de cada uma de suas áreas de processo. Uma área de processo é assim definida:

"… um aglomerado de melhores práticas relacionadas com uma área que quando implementadas coletivamente satisfazem um conjunto de metas consideradas importantes para permitirem melhorias significativas naquela área". (idem ibidem, p. 8)

Portanto, uma área de processo é uma parte do processo de negócio modelado para o qual é possível estabelecer um modelo de referência. A repetibilidade da execução das atividades da área de processo em uma dada empresa determina a sua capabilidade. Caso a capabilidade das áreas de processo estejam em um mesmo nível de melhoria, é possível identificar um nível de maturidade para o processo de negócio modelado.

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MACINTOSH, A. L. The need for enriched knowledge representation for enterprise. Artificial Intelligence in Enterprise Modeling, IEE Colloquium on, pp. 3/1-3/3, 1993.

Os níveis de capabilidade das áreas de processo podem ser, segundo CHRISSIS et al.3 (2003, p. 74-5):

• incompleto (nível 0) – quando o processo não é realizado ou o é apenas parcialmente; • realizado (nível 1) – o processo é capaz de gerar os resultados dele esperados;

• gerenciado (nível 2) – processo planejado, provido dos recursos previstos, monitorado, controlado e revisado;

• definido (nível 3) – quando o processo planejado é baseado em padrões organizacionais e está sob melhoria contínua;

• quantitativamente gerenciado (nível 4) – o processo é controlado usando estatística; e • otimizado (nível 5) – processo melhorado com base no entendimento consensual das causas de variabilidade estatística.

Segundo VERNADAT (1996) “…um modelo de empresa é um conjunto consistente de modelos direcionados e complementares que descrevem as várias facetas de uma empresa para satisfazer os propósitos dos usuários do negócio”. Na construção de modelos de referência para processos de negócio, portanto, há que se considerar que facetas seriam necessárias modelar para que o processo possa ser considerado compreendido sem que o modelo seja tão complexo que prejudique seu compartilhamento com os usuários. Ou seja: que facetas deveriam ser modeladas de forma a atender aos requisitos mínimos necessários à modelagem do processo que se visa entender?

No presente trabalho, as facetas de um modelo são descritas como tipos de conteúdo necessários a um determinado modelo de referência. Há uma relação próxima entre o conceito

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de tipo de conteúdo e o de construto, já mencionado. O tipo de conteúdo seria o que é modelado dentro de uma dada realidade. O construto seria a forma de representar a “coisa”

modelada. Essa forma de representação contém uma semântica e uma sintaxe (VERNADAT,

1996). A sintaxe seria a forma gráfica de apresentação do construto e a semântica seria o significado dessa forma gráfica. No item 4.4 são apresentados os contrutos do MRM, ocasião na qual esse conceito será exemplificado.