3 MODELOS DE EAD
3.2 Modelos e Autoinstrução conforme Simão
Para Simão (2012), a confecção de modelos traz um dos maiores desafios para a EaD: fazê-la se desenvolver, de modo que suscite inovações e aperfeiçoamentos contínuos, com a finalidade de modificar o ensino e a aprendizagem, cujo processo necessita acompanhar a evolução da atualidade, atendendo as demandas dos sujeitos e da sociedade como todo. O autor, então, enfatiza a relevância que há na autoinstrução para cooperar com a autonomia do aprendiz frente aos seus estudos.
No tocante à autoinstrução, Piconez (2006, p. 60), a interpreta como “o grau de responsabilidade do aprendiz no planejamento, na execução e na avaliação do aprendizado, em contexto quer organizacional, quer puramente individual ou independente”.
Nessa lógica, Simão (2012) classifica vários modelos de EaD, dentre os quais, estão distribuídos os seguintes:
CBT: essa abreviatura vem da expressão na língua inglesa Computer- based Training (Treinamento Baseado no Computador), e trata-se da utilização de uma mídia instrucional que disponibiliza ambientes promotores de interação e estímulo à participação. Parte disso se dá por causa da combinação de elementos, como sons, imagens, inclusive em dimensões 3-D. Todavia, o autor chama atenção para o aspecto de que, o CBT não se configura propriamente Educação, mas um treinamento, como seu nome aponta.
Modelos baseados em teleaulas: o autor esclarece que esse modelo é denominado de “PPP”, ou seja, professor mais Power Point, porque o enfoque está no conteúdo que é expresso pelo docente.
Videoconferência: o autor frisa que esse pode ser um modelo eficiente, no entanto, explica que realmente só se torna uma ferramenta potente e enriquecedora da aprendizagem, se o professor abrir espaço para o aluno participar de debates e questionamentos, ou seja, se for viabilizada a interação entre professor e alunos.
Sala de aula virtual: o sinal da aula pode ser recebido em ambientes físicos, como em polos de EaD. Ao contar com tutores ou mediadores in loco, a aprendizagem ganha. Contudo, Simão (2012, p. 98) lembra que, mesmo sendo um modelo interessante, um dos entraves é “ultrapassar o paradigma da sala de aula e das aulas transmissivas, informativas e unidirecionais”.
Modelo clássico de filmes educacionais ou do documentário: o autor alerta para a questão da qualidade ao produzir vídeos na área da Educação, pois segundo ele, essa área é dispendiosa, e muitas vezes as pessoas por terem acesso à televisão comercial, julgam que os programas educacionais têm que ser iguais, no entanto, os recursos para investir são altos. Outro questionamento do autor é que, o estudante não pode ser tão somente um mero expectador, por isso ele acredita que a teleconferência e a videoconferência irão preencher essa lacuna, no sentido de reforçar as aulas telepresenciais.
“Escolinhas” de informática: são modelos autoinstrutivos e que, até certo tempo, se pensou muito em “erradicar” o analfabetismo digital por intermédio delas, que hoje existe a solução através do letramento digital. Quando a internet chegou, houve um grande avanço.
Modelo baseado nas mídias educativas: por meio da internet, o modelo E- learning está associado à aprendizagem online e vem expandindo-se cada vez mais. Trata-se de um modelo muito conhecido na Educação Corporativa, EaD que usa computador, internet, tecnologias. Segundo Simão (2012, p. 122), o e-leaning “refere- se também a uma nova forma de aprender, uma combinação entre autoinstrução, estudo dirigido e cooperação.” Para o autor, o êxito dos cursos e a gestão do ensino- aprendizagem pela web aconteceram com a idealização de sistemas eletrônicos, como os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) e Learning Management Systems (LMS).
Aqui se abre um parêntese para o entendimento referente aos AVA e aos LMS. Os AVA são os ambientes onde os participantes da EaD se encontram,
cooperam e colaboram conjuntamente, constituindo um instrumento crucial para que informações sejam disponibilizadas e os interlocutores possam construir colaborativamente os conhecimentos. Para tanto, o ambiente virtual, ao representar, de certo modo, a “sala de aula”, precisa ser atrativo e confortável ao aluno, pois este passará muitas horas conectado estudando.
Segundo Vaz; Zanella e Andrade (2010, p. 8-9) os AVA:
São softwares em que alunos e professores podem montar e participar de aulas e cursos online, criando discussões, enviando trabalhos, participando de conferências, interagir uns com os outros, mesmo estando distantes, em ambientes dinâmicos e específicos para cada tipo de trabalho. Geralmente são usados como ferramentas por cursos de EAD, complementando aulas presenciais, ficando disponíveis na internet para acesso dos participantes.
Portanto, na ótica de Munhoz (2013, p. 201), o AVA promove a socialização das pessoas, a partir do instante em que são criados grupos, compartilhadas ideias, e com isso acontecem, também, resoluções de problemas, ações que são “frutos” gerados pela reciprocidade e colaboração. Por tais motivos “prevalece o conceito de inteligência coletiva, que tende a nivelar o conhecimento dos interlocutores”.
De acordo com Simão (2012, p. 125-126), LMS é um sistema de gerenciamento e controle eletrônico que
[...] provê ferramentas para o planejamento, a disponibilização e a gestão dos processos de ensino e de aprendizagem em todas as suas etapas e instâncias. Um bom LMS permite o acompanhamento de todo o percurso dos alunos, desde sua matrícula até sua avaliação final. Esse acompanhamento não se limita ao âmbito didático-pedagógico, mas inclui as tarefas administrativas e gerenciais, envolvendo também professores, autores, tutores e outros profissionais.
Percebe-se que a plataforma LMS tem uma caracterização bastante abrangente, com mais funcionalidades voltadas para a gestão de cursos, possibilitando, desse jeito, muitas opções para quem está trabalhando com a EaD.
De volta aos modelos de Simão (2012), ele ainda faz menção a:
Just-for-all: sofre influência de correntes pedagógicas como o sociointeracionismo e o construtivismo, com estratégias como a Aprendizagem Baseada na Solução de Problemas, até o alcance da aprendizagem significativa,
numa perspectiva social e coletiva, onde, pela comunicação entre os participantes, eles colaboram entre si, seja dentro de pequenos ou grandes grupos. A presença do tutor precisa ser mais reforçada e proporcional ao número de alunos. É fundamental que se tenham ferramentas síncronas (onde os participantes interagem ao mesmo tempo no mesmo espaço virtual) e assíncronas (onde cada indivíduo interage quando estiver online), para que haja um bom funcionamento do modelo. (UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, 2007, p. 7).
Sistemas de suporte virtual: mesmo o aluno sendo responsável pelo seu aprendizado, a proposta é criar um sistema onde os discentes possam receber todo apoio da equipe formada por professores, instrutores e tutores, com objetivo de lograr êxito em seus estudos. Isso pode ocorrer em just-in-time, no momento oportuno; em just-for-me, observando os interesses e o ritmo do sujeito e em just-for-all, acompanhando o grupo.
Sala de aula enriquecida, ampliada ou expandida: o autor fala que essa modalidade, no Brasil, ainda não tem uma usabilidade efetiva, mas explicita a importância dela, já que propicia o uso de tecnologias em salas de aula, as quais podem colaborar com a interação do professor e dos alunos, facilitando o processo de ensino e aprendizagem. Ele exemplifica com telas que os docentes podem construir o conhecimento com os estudantes, como no caso da escolha de uma imagem. Percebe-se que aquelas contribuem para estimular a criatividade.
Diante de todas as opções de modelos de EaD apresentadas por Simão (2012, p. 203), é muito salutar estar atento ao que ele coloca sobre o conceito de lifelong learning, pois se a aprendizagem se estende por todos os períodos da vida, ele sugere “uma ampliação temporal e espacial das formas clássicas da educação - e estimula uma revisão das ideias que deram sustentação às tradicionais formas e modelos de educar e aprender”.