2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Módulo de elasticidade do concreto
2.1.4 Modelos de previsão
Fonte: Pereira Neto adaptado (1994).
Módulo de elasticidade dinâmico
O módulo de elasticidade dinâmico corresponde a uma deformação instantânea
muito pequena, dado aproximadamente pelo módulo tangente inicial que é o módulo
tangente para uma linha traçada a partir da origem. De forma geral, seu valor é de 20 a
40% mais alto do que o módulo de elasticidade estático. O módulo de elasticidade dinâmico
é apropriado para analisar a tensão de estruturas submetidas a terremotos ou cargas de
impacto (METHA; MONTEIRO, 2008).
2.1.4 Modelos de previsão
Correlação entre resistência à compressão e módulo de elasticidade estático
A literatura apresenta diversos modelos teóricos que estimam o módulo de
elasticidade estático do concreto. São equações obtidas a partir de regressões, que
associam o módulo de elasticidade a outros parâmetros de controle tecnológico do
concreto, permitindo inferir a respeito do valor do módulo de elasticidade de concretos
quando o mesmo não foi determinado por ensaio experimental. De forma geral, estas
regressões são obtidas por dados experimentais de controle. Sendo assim estes modelos
dependem fortemente da condição tecnológica dos concretos amostrados para a produção
da regressão. A maioria dos modelos de previsão do módulo de elasticidade está
relacionada a resistência à compressão (BORIN et. al., 2012).
Entretanto, existem outros parâmetros além da resistência à compressão que afetam
o módulo de elasticidade do concreto. O módulo de elasticidade do agregado pode ser
considerado um exemplo. Como grande parte do volume do concreto endurecido é
composto pelos agregados graúdos, espera-se que agregados mais rígidos enrijeçam o
concreto, aumentando o seu módulo de elasticidade. Assim, pode-se ter concretos
convencionais com a mesma constituição de pasta e mesma relação água/cimento (a/c) e,
consequentemente, com valores de resistência à compressão muito próximos. Entretanto,
estes podem ter sido produzidos com agregados com diferentes módulos de elasticidade,
resultando em concretos com módulo de elasticidade distintos (PACHECO et al., 2005).
Poucos modelos levam em conta o tipo de agregado, o que pode acarretar em erros de
previsão.
Diversos modelos de previsão do módulo de elasticidade foram desenvolvidos com
base na resistência à compressão. Para este estudo serão apresentados os modelos de
previsão do módulo de elasticidade tangente inicial (Eci).
NBR 6118 (ABNT, 2014)
A NBR 6118 (ABNT, 2014) estabelece que quando não forem feitos ensaios e não
existirem dados mais precisos sobre o concreto usado na idade de 28 dias, pode-se estimar
o valor do módulo de elasticidade usando a Equação (2.1) ou (2.2) em função da resistência
característica do concreto à compressão (fck).
𝐸𝑐𝑖 = ∝𝐸∗ 5600 ∗ √𝑓𝑐𝑘 Equação (2.1)
Para fck de 20 MPa a 50 MPa
𝐸𝑐𝑖 = 21,5 ∗ 103∗ ∝𝐸∗ [𝑓𝑐𝑘
10 ∗ 1,25]
1
3
⁄
Equação(2.2)
A última versão da norma, de 2014, trouxe alterações na determinação da estimativa
do valor do módulo de elasticidade do concreto. Uma delas foi o reconhecimento da
influência da natureza petrográfica dos agregados na massa específica do concreto, que
levam à variações no módulo de elasticidade estático. Assim, foi acrescentado um
coeficiente (αE) nas expressões em função do tipo do agregado empregado no concreto,
sendo:
αE = 1,2 para basalto e diabásio;
αE = 1,0 para granito e gnaisse;
αE = 0,9 para calcário;
αE = 0,7 para arenito.
Além disso, a norma estabelece equações diferenciadas para os grupos de
resistência I (C20 a C50) e II (C55 a C90), reconhecendo que o concreto de cada um dos
grupos possui características distintas e não podem ser tratados da mesma forma.
A NBR 6118 (ABNT, 2014) prevê que nas análises elásticas de projeto deve ser
utilizado o módulo de elasticidade secante, este pode ser calculado pela Equação (2.3).
𝐸𝑐𝑠 = 0,85 ∗ 𝐸𝑐𝑖 Equação (2.3)
ACI 318 (ACI, 2014)
A norma americana informa que o módulo de elasticidade secante do concreto é
sensível ao módulo do agregado e pode diferir do valor especificado. Com isso, os valores
medidos podem variar usualmente de 80% a 120% em função do tipo de agregado utilizado.
Segundo ACI 318-14, para concretos com densidade entre 1.500 e 2.500 kg/m³, o
módulo de elasticidade secante pode ser previsto por meio da Equação (2.4).
𝐸𝑐𝑠 = 0,043 ∗ 𝑤𝑐1,5∗ 𝑓𝑐1⁄2 (em MPa) Equação (2.4)
Em que:
EUROCODE 2 (2014)
A norma europeia EUROCODE 2 (2004) comenta que a deformação elástica do
concreto depende fundamentalmente da sua composição (especialmente dos agregados).
Os valores dados nesta norma podem ser indicados para aplicações gerais. Porém, esses
valores devem ser verificados por ensaios específicos em caso de estruturas especiais. O
módulo de elasticidade do concreto é controlado pelo módulo de elasticidade de seus
componentes.
As Equações (2.5) e (2.6) apresentam os módulos de elasticidade estático tangente
e secante, respectivamente, aos 28 dias.
𝐸𝑐 = 1,05 ∗ 𝐸𝑐𝑚 (em MPa) Equação (2.5)
𝐸𝑐𝑠 = 22 ∗ (𝑓𝑐𝑚
10)0,3 (em MPa) Equação (2.6)
Em que:
Ecm = módulo secante (MPa); fcm = resistência à compressão média aos 28 dias
(MPa).
fib Mode Code 2010
A norma fib Model Code (2010) considera o tipo de agregado para o cálculo do
módulo de elasticidade. A equação (2.7) é válida para concretos feitos com agregados de
origem quartzíticas. Para concretos feito de basaltos, pedra calcária densa, calcário ou
arenito o módulo de elasticidade é dado a partir da equação (2.7), mas o Eci deve ser
multiplicado pelos coeficientes apresentados na NBR 6118 (ABNT, 2014). Os coeficientes
devem ser levado em conta em virtude das diferenças de rigidez dos agregados.
𝐸𝑐𝑖 = 21,5 ∗ 103∗ ∝𝐸 (𝑓𝑐𝑘+8
10 )
1
3
Correlação entre módulo de elasticidade estático e dinâmico
Ao comparar o módulo de elasticidade estático (Ec) e dinâmico (Ed), Metha e
Monteiro (2008) afirmam que o módulo de elasticidade dinâmico, que representa a uma
deformação instantânea muito pequena, corresponde de forma aproximada ao módulo
tangente inicial, geralmente de 20 a 40% maior que o módulo de elasticidade estático.
Para o British Standard Institution (1972) apud Bezerra et al. (2009), para concretos
com teor de cimento menor que 500 kg/m³ ou concretos com agregados de densidade
normal, o módulo de elasticidade estático é estimado pela Equação (2.8).
𝐸𝑐 = 1,25 ∗ 𝐸𝑑− 19 (Em GPa) Equação (2.8)
Para concretos com teor de cimento maior que 500 kg/m³ ou concretos com
agregados leves, o módulo de elasticidade estático é estimado pela Equação (2.9).
𝐸𝑐 = 1,04 ∗ 𝐸𝑑 − 4,1 (Em GPa) Equação (2.9)
Para Lyndon e Balendran (1986) apud Bezerra et al. (2009), a correlação entre o
módulo de elasticidade estático e dinâmico é representado pela Equação (2.10).
𝐸𝑐 = 0,83 ∗ 𝐸𝑑 (Em GPa) Equação (2.10)
Correlação entre módulo de elasticidade dinâmico e resistência à compressão
Alguns pesquisadores tentaram estabelecer uma correlação entre o módulo
dinâmico e a resistência do concreto, porém ainda não existe uma relação generalizada, e
sim, expressões que dependem do tipo de concreto empregado (ALMEIDA, 2005). Pelo
British Standard Institution (1972) apud Bezerra et al. (2009), a relação entre o módulo
dinâmico (Ed) e a resistência à compressão (fck) é dada pela Equação (2.11).
No documento
AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DO EMPACOTAMENTO DO ESQUELETO GRANULAR NO MÓDULO DE ELASTICIDADE DE CONCRETOS CONVENCIONAIS
(páginas 31-36)