3 O MODELO DE INSUMO-PRODUTO EM SÍ E SUAS INTERRELACÕES COM
3.2 Insumo-produto e meio ambiente
3.2.4 Modelos produto por setor
De modo geral os modelos produto por setor constituem uma forma limitada dos modelos totalmente integrados como o que foi desenvolvido por Isard. Em função disso, Miller & Blair (2009, p. 484) denomina-os de modelos econômico-ecológicos limitados. O que explica essa denominação é porque no trabalho de Victor58 ele limitou completamente o modelo de Isard, contabilizando apenas os fluxos de insumos ecológicos do meio ambiente que entram na economia e os produtos residuais da economia para o meio ambiente.
Além do mais, os objetivos do trabalho de Victor foram bem mais limitados que o de Daly e de Isard, o que reflete a ausência de uma submatriz que mostre as interelações entre o sistema econômico e o meio ambiente (RICHARDSON, 1972, p.217). Mas, revela o autor, seu modelo é um dos modelos bem mais promissor em termos de implementação, pois inclui apenas fluxos de bens livres (ar, água, terra) do ambiente para a economia e de resíduos da economia para o ambiente isso é, seu modelo insere insumos ecológicos requisitados pelo processo produtivo e os subprodutos ecológicos resultantes do processo de transformação econômica, tornando assim factível a abordagem ambiental na estrutura de insumo-produto.
Victor ao utilizar matriz tipo produto por setor abandonou a hipótese básica de Leontief, 59 assumindo a condição de que um setor produz mais que um produto e de que um produto é produzido por mais de um setor (ABDALLAH & MONTOYA, 1998, p. 353).
A relevância disto é porque, segundo Forsund (1985 apud Abdallah & Montoya, 1998, p. 353), a aproximação produto-setor permite a modelação de resíduos como subprodutos das atividades de produção e consumo. Em sua interpretação, no caso de os resíduos estarem ligados a insumos específicos, a tecnologia baseada no produto é a mais apropriada, pois um resíduo tem a mesma estrutura de insumos de um produto, independentemente do setor em que seja produzido.
Acrescenta, ainda, que, como a tecnologia do setor assume que um dado setor possui uma estrutura de insumos (independentemente do mix de produção), ao incluir os resíduos, essa tecnologia propõe como suposto que todos os resíduos gerados por um setor têm a mesma estrutura de insumo, independentemente de que produto é produzido.
Assim, o fato de toda produção implicar resíduos, de modo que cada indústria é caracterizada por produtos conjuntos, segundo Richardson (1972, p. 217), cada mercadoria não tem de ser medida nas mesmas unidades, de modo que os dados econômicos no
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Desenvolveu um modelo de insumo-produto limitado. Seu trabalho refere-se a sua tese de doutorado “Input- Output Analysis and the Study of Economic and Environmental Interaction”, na Univerty of British Columbia, em abril de 1971.
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Modelo setor por setor, no qual um produto é produzido por um único setor e um setor produz um único produto.
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modelo podem ser expressos em unidades monetárias, enquanto os dados ecológicos são expressos em termos de peso. E mais, cada processo de produção, segundo Abdallah & Montoya (1998, p. 354) constitui um influxo de matérias-primas e energia e uma subsequente saída de produtos úteis, produtos residuais e energia, seguindo o princípio do equilíbrio de materiais,60 na medida em que a massa de insumos ambientais (terra, ar, água) se iguala à massa de seus produtos ambientais.
O modelo produto por setor de Victor, portanto, acrescenta na estrutura de insumo- produto tradicional variável ambiental e divide essa estrutura em dois setores: o setor econômico produto por setor expresso em valores monetários (parte pintada de azul) e o setor ecológico (em verde), expresso em termos de peso (Quadro 3).
origem/destino
SETOR ECONÔMICO SETOR
ECOLÓGICO produto atividade demanda
final produto bruto Produtos (terra/ar/água) SETO R ECO NÔ M ICO produto U e q R atividade V x valor agregado v’ TOTAIS q’ x’ SETO R ECO LÓG ICO insumos (terra/ar/água) T
Quadro 3 – Estrutura do modelo de Victor.
Fonte: Adaptado de Richardson (1972, p. 219); Miller & Blair (2009, p. 485).
Este quadro demonstra o modelo de Victor com seus setores econômicos e ecológicos. Constitui uma tabela convencional produto por setor ampliado com colunas adicionais, representando produtos ecológicos; e, linhas adicionais, representando os insumos ecológicos. No setor econômico, o modelo demonstra a matriz de uso (U),61 a matriz de produção (V),62 o vetor do valor da produção de ordem por produto econômico (q), o vetor do valor adicionado de ordem (v’),63 o vetor da produção total por
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A lei da conservação da massa implica que, se não houver mudança de estoques durante o processo, a massa combinada de entradas de materiais será igual à de saída de materiais. Mais precisamente, numa economia fechada onde não ocorra mudança na massa de equipamento de capital, nos estoques de produtos finais e semifinais, de bens de consumo durável, a massa de insumos ecológicos para uma economia deve ser igual à massa de seus produtos ecológicos.
61
representa a quantidade de insumo usada pela atividade . 62
representa a quantidade de produto produzido pela atividade . 63 representa o total do valor adicionado da atividade .
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atividade de ordem (x).64 No setor ecológico, o modelo apresenta a matriz do produto
econômico pela saída do produto ecológico com dimensão (R),65 a matriz de insumos
ecológicos produto por setor com dimensão (T).66
A partir dessas matrizes segue-se as formulações das matrizes de coeficiente técnico direto ( ),67 matriz de proporções da produção por atividade ( ),68 matriz de
coeficientes de insumos ecológicos ( )69 (MILLER & BLAIR, 2009, p. 485).
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representa o total da produção da atividade .
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é a quantidade de produto ecológico descarregado como resultado da produção econômica do produto . 66
é a quantidade de produto ecológico usado pela atividade
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é a quantidade de insumo do produto utilizado na produção do setor . 68
é a fração da produção da atividade que é distribuída como produto
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