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Capítulo III Tomada de Decisão: abordagens e perspetivas de análise

5. Interdisciplinaridade no estudo, complementaridade de conceitos e abordagens

5.1. Modelos sequenciais e não sequenciais

Sendo a tomada de decisão um processo complexo, diferentes autores procuraram colocar em evidência, através dos modelos sequenciais de tomada de decisão, quais são as etapas ou passos que devem ser seguidos em sequência para conseguir concluir com sucesso a escolha de uma entre várias alternativas de ação possíveis perante o contexto apresentado.

O primeiro modelo proposto sobre a tomada de decisão data de 1793 e é da autoria de Condorcet (em Hansson, 2005). Segundo este autor, o processo de tomada de decisão apresenta três etapas: a) discussão dos princípios que estão na base da decisão, bem como as suas consequências; b) clarificação da questão e análise de abordagens; c) escolha.

Na perspetiva de Radford (Radford, 1977 em White e Dozier, 1992) existem três passos essenciais a seguir quando estamos perante uma situação de tomada de decisão: a) perceção do problema, seleção de informação sobre o problema, avaliação das diferentes alternativas de ação e consequências associadas a cada uma delas - construção de cenários; b) avaliação por intuição ou análise da estrutura estratégica dos cenários; c) comunicação, negociação e solução.

Para John Dewey’s (1978 em Hansson, 2005) a resolução de problemas consiste em cinco estados consecutivos: a) reconhecimento da necessidade; b) definição da necessidade e das suas características; c) possíveis soluções; d) avaliação das sugestões; e) observação e experimentação para decidir aceitar ou rejeitar soluções.

Segundo a Intelligent Design Choice proposta por Herbert Simon (1960 em Hansson, 2005), a tomada de decisão baseia-se em 3 etapas: a) encontrar a ocasião para tomar a decisão; b) identificar os diferentes cursos de ação; c) escolher a melhor opção.

Para Brinn (1962 em Hansson, 2005) a tomada de decisão consiste em cinco etapas: a) identificação do problema; b) recolha de informação; c) produção das soluções possíveis; d) avaliação das soluções; e) seleção de uma estratégia.

Paralelamente às propostas que apresentam a tomada de decisão como um processo constituído por um conjunto de etapas sequenciais, que se aproximam dos modelos de resolução de problemas, é possível identificar propostas de modelos de tomada de decisão não sequenciais, que apresentam as fases da tomada de decisão como paralelas, podendo ocorrer de modo simultâneo e não apresentando uma ordem de acontecimento previamente definida (Hansson, 2005).

Mintzberg et al. (1976) no seu artigo “The structure of <unstructed> decision

processes”, partindo da análise de vinte e cinco processos de tomada de decisão, os

autores procuram chegar a um método para estruturar as decisões não programadas, propondo um modelo em que as etapas são não sequenciais. É possível identificar três

fases que têm rotinas associadas, sendo que as rotinas são circulares e não lineares: a) identificação – reconhecimento e diagnóstico; b) desenvolvimento - definir e clarificar opções, investigação e design; c) seleção – monitorização, avaliação e autorização (Hansson, 2005; McKinnon, 2003). Para os autores, os diferentes momentos da tomada de decisão são interdependentes, sendo o todo mais do que a soma das partes e, por isso, fundamental criar sinergias nos vários momentos (Harrison, 1987).

Mais recentemente, surgiram novas propostas, que apresentam de forma mais pormenorizada as etapas a seguir nos processos de escolha. Em 1999, Hammond et al. propõem a abordagem ProACT, como uma metodologia proativa, tendo em vista auxiliar os indivíduos a saber como decidir e o que não decidir. Esta abordagem permite considerar os aspetos tangíveis e intangíveis de modo claro, e traduzir todos os factos pertinentes, sentimentos, opiniões e crenças, e aconselhar/indicar a melhor escolha possível. Esta proposta não torna as decisões complexas em simples, pois é impossível eliminar a complexidade das decisões. Para estes autores, existem 5 elementos de base na decisão: a) problema – é fundamental identificar o correto, pois este determina todo o processo, sendo a definição do problema em si uma tomada de decisão; b) objetivos - a decisão é um meio para chegar a um fim, sendo os objetivos os critérios de decisão que funcionam simultaneamente como um guia; c) alternativas - a decisão não pode ser melhor que a nossa melhor alternativa, por hábito acabamos muitas vezes por considerar as mesmas alternativas e não procurar novos caminhos possíveis; d) consequências - podem fazer com que não atinja os meus objetivos, por isso é importante a construção de cenários antecipadamente; e) trade offs – o equilíbrio entre ganhos e consequências.

Paralelamente, existem três elementos que auxiliam a tomada de decisão em ambientes voláteis ou em evolução: incerteza - não existe conhecimento total sobre as consequências e, por isso, a decisão é mais complexa sendo fundamental ter consciência deste facto, fazer cálculos de risco e construir perfis de risco; tolerância ao risco - varia de pessoa para pessoa, é algo tão individual como a personalidade, expressando a complacência em assumir o risco em função das consequências; ligações entre decisões – a escolha de hoje determina alternativas na escolha de amanhã, quando o processo é sequencial.

Para Baker et al. (2001 em Fülöp, 2005) a tomada de decisão implica: a) definir o problema – saber onde estamos de modo conciso e claro, quais as causas, quem são os envolvidos, quais as suposições; b) determinar os requisitos – condições que a solução apresentada deve apresentar; c) estabelecer objetivos – onde queremos chegar, a intenção, o desejável; d) identificação de alternativas (número finito ou infinito); e) definição de critérios – tendo em conta os objetivos, é aquilo que nos permite fazer uma avaliação; f) escolher as ferramentas de tomada de decisão – em função do problema e dos objetivos; g) avaliar as alternativas, tendo em conta os critérios – o critério pode ser objetivo (factual) ou subjetivo (julgamento); h) validar as soluções, considerando o problema.

Existe um grande número de visões sobre a tomada de decisão como um processo constituído por etapas, sequenciais ou não sequenciais, estando presente uma clara evolução das propostas no sentido de apresentar de forma cada vez mais esmiuçada quais as fases a cumprir para concluir com sucesso a escolha de uma entre várias alternativas de ação. Paralelamente aos modelos sequenciais e não sequenciais, surgem abordagens diversas que procuram explicar os processos de tomada de decisão através da colocação em evidência de elementos-chave distintos.