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Modelos Teóricos Preditivos do Comportamento

No documento UNIVERSIDADE DE COIMBRA (páginas 65-69)

REVISÃO DA LITERATURA

2.4 Atitudes e Comportamento

2.4.2 Modelos Teóricos Preditivos do Comportamento

A grande maioria dos estudos efectuados com o objectivo de estabelecer uma relação atitude→comportamento, nomeadamente os de LaPier (1934) e Kutner et. al. (1952), adoptaram o Modelo Unidimensional Clássico de Atitude (Ajzen & Fishbein, 1975), que considera somente a componente afectiva do indivíduo perante o objecto social, ou seja, nestes casos em particular, entre o funcionário do estabelecimento e as etnias minoritárias. Neste seguimento, os psicólogos sociais desenvolveram a partir da década de 70 várias linhas de pesquisa, com o objectivo de determinar quais as condições em que as atitudes são preditivas do comportamento humano (Silva, 2008). Assim, em 1975, Ajzen & Fishbein desenvolveram a denominada Teoria da Acção Reflectida que mais tarde e após algumas revisões, seria designada de Teoria do Comportamento Planeado (Ajzen, 1991). Apesar da existência de diversas teorias explicativas das atitudes, iremos apenas abordar as da Acção Reflectida e do Comportamento Planeado, modelos-base do instrumento de avaliação utilizado no nosso estudo.

2.4.2.1 Teoria da Acção Reflectida (Ajzen & Fishbein, 1975)

Este modelo foi desenvolvido em 1967, por Fishbein e Ajzen (Serrano, 1998), numa tentativa de superar as fracas correlações entre atitude e comportamento, obtidas nos estudos realizados até então. Segundo os autores, através deste modelo torna-se possível prever com alguma fiabilidade o comportamento dos seres humanos, controlando um conjunto de variáveis. Trata-se de uma teoria matemática, segundo a qual a intenção de controlar um comportamento é o melhor factor preditivo de comportamento (Conaster et. al., 2000; Verderber et. al., 2003). Por intenção, entende-se aquilo que o sujeito programa como plano de acção. Quando medida com acuidade tem tendência a prever, com elevado grau de precisão, o comportamento da pessoa de forma mais eficiente que as próprias atitudes (Lima, 2004).

Sistema de Crenças Comportamentais

Importância Relativa da Atitude e Componentes Normativas

Determinantes da Norma Subjectiva

Atitude para com o Comportamento Intenção Norma Subjectiva Comportamento Força da Opinião Motivação Para Cumprir Avaliação do Resultado Probabilidade do Resultado

Figura 8 – Teoria da Acção Reflectida (Adaptado de Verderber et. al., 2003)

De acordo com Sherril (1998), as crenças pessoais e a norma subjectiva interagem de forma a influenciar uma intenção de comportamento, resultando posteriormente num comportamento ou conjunto de comportamentos. O comportamento e a intenção só podem ser entendidos e previstos quando a norma subjectiva e as atitudes estão em sintonia com as crenças subjacentes (Rizzo & Kirkendall, 1995; Kowalski & Rizzo, 1996; Rizzo et. al., 1997). Para Ajzen & Fishbein (1980), Rizzo & Kirkendall (1995) e Kowalski & Rizzo (1996), a teoria postula, na sua forma inicial, que o comportamento é directamente determinado pela intenção de o realizar, sendo esta, por seu turno, influenciada pela atitude (isto é, pela avaliação positiva ou negativa que o indivíduo efectua sobre o comportamento a desempenhar) e pela norma subjectiva (ou seja, a pressão social percebida para desempenhar ou não desempenhar o comportamento). A norma subjectiva forma-se a partir da percepção que cada indivíduo tem dos comportamentos, que serão “lícitos” ou “ilícitos” de acordo com os grupos sociais de referência (Ajzen, 2001; Conaster et. al., 2002). Por fim, as consequências antecipadas do desempenho ou não desempenho do comportamento, afectam tanto a atitude como a norma subjectiva. Para a atitude, a crença de que o desempenho de determinado comportamento originará resultados específicos, está directamente relacionada com as avaliações desses resultados. Para a norma subjectiva, a nossa motivação para agir encontra-se directamente relacionada com as crenças que temos em relação ao que indivíduos específicos esperam que seja o nosso comportamento.

Tomando como exemplo os hábitos tabágicos de um indivíduo, a teoria sugere que se um sujeito é não fumador, é porque não tenciona fumar, porque as suas intenções são influenciadas por atitudes positivas em relação a uma vida saudável (ou atitudes negativas em relação ao fumo) e porque tem consciência da pressão social existente para não fumar. Por outro lado, as suas atitudes são influenciadas pelas crenças que tem nos resultados obtidos com a ausência de tabagismo – por exemplo, a crença de que o fumo faz mal à saúde – e pela avaliação que faz dessas crenças – valorização da saúde. A susceptibilidade à pressão social também é influenciada pelas crenças – o indivíduo persistirá com o seu comportamento de não fumador, se acreditar que as pessoas que quer que o aceitem, esperam que não fume.

O campo de aplicação desta teoria tem sido bastante amplo, sobretudo na área do comportamento voluntário. Contudo, em certas pesquisas verificam-se limitações na sua robustez, dado que as intenções são susceptíveis de erro (Neto, 1998).

Em 1991 esta teoria sofreu um grande desenvolvimento, passando a designar-se por Teoria do Comportamento Planeado. Estudos realizados concluíram que a previsão de comportamentos é significativamente melhorada com a introdução de uma variável externa ao modelo, que consiste no comportamento anterior do sujeito – controlo comportamental percebido (Speckart, 1979; Eiser et. al., 1989, citados por Lima, 2004).

2.4.2.2 Teoria do Comportamento Planeado (Ajzen, 1991)

Sendo considerada uma extensão da Teoria da Acção Reflectida (Ajzen & Fishbein, 1980), este novo modelo relaciona atitude e comportamento, norma subjectiva, controlo comportamental percebido e intenção (Ajzen, 2001). Esta nova componente consiste na avaliação que o sujeito efectua de determinado estímulo, sustentada pelas experiências passadas (positivas/negativas; agradáveis/desagradáveis), e na previsão de ocorrência do estímulo (fácil/difícil; provável/improvável) (Pinheiro, 2001). Desta forma a intenção é agora influenciada pela atitude para com o comportamento, pela norma subjectiva e pelo controlo comportamental percebido.

Sistema de Crenças Comportamentais

Determinantes da Norma Subjectiva

Atitude para com o Comportamento

Intenção

Norma Subjectiva Comportamento

Sistema de Crenças de Controlo Controlo Comportamental Percebido Força da Opinião Poder da Opinião

Figura 9 – Teoria do Comportamento Planeado (Adaptado de Conaster et. al., 2002)

Segundo diversos autores, a adição de uma nova variável à Teoria da Acção Reflectida, torna-a vantajosa na previsão comportamental (Albarracian et al., 2001; Courneya & Bobick, 2000; Gatch & Kendzierski, 1990; Hausenblas et. al., 1997; Mummery et. al., 2000, citados por Serrano, 1998). O próprio autor da teoria, após revisão de várias pesquisas, corrobora esta opinião, ao considerar a introdução da componente controlo comportamental, uma melhoria na sua capacidade de previsão comportamental (Ajzen, 1991). O esquema seguinte ilustra de forma comparativa, as duas teorias preditivas do comportamento, anteriormente apresentadas.

Figura 10 – Comparação dos Modelos Comportamentais (Adaptado de Neto, 1998)

Apesar das inúmeras evoluções obtidas, continua em aberto uma teoria ou modelo que consiga de forma completamente segura, robusta e fiável assegurar uma relação entre estes dois conceitos.

Modelo de Acção Reflectida

Sistema de Crenças Comportamentais

Atitude para com o Comportamento

Intenção Comportamento Determinantes da

Norma Subjectiva Norma Subjectiva

Sistema de Crenças de Controlo

Controlo Comportamental

Percebido

No documento UNIVERSIDADE DE COIMBRA (páginas 65-69)