4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.4. MODIFICAÇÃO DA SUPERFÍCIE DE ELETRODO DE OURO
Após a obtenção da voltametria do branco, foram realizadas as modificações do eletrodo, com a adição de MPA-GSH e a voltametria foi novamente realizada (Figura 20). E´ possível observar o pico reversível entre −0,4 V e −0,2 V que não estava presente no branco, que pode ser inferido a processos de oxirredução do grupo MPA-GSH adsorvido na superfície do eletrodo.
Figura 19 Voltametria cíclica com eletrodo de ouro policristalino modificado com MPA-GSH. Em PBS
(pH 7,4) e taxa de varredura de 20 mV s−1.
Após isso, foi investigada a interação da cisplatina com esse eletrodo modificado (Figura 21), onde 1,6 mL da solução de cisplatina 4,26×10−4 mol L−1, para obter a concentração total de 2,6 mg L−1, que representa a concentração máxima da dose administrada da droga.
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Figura 20 Voltametria cíclica com eletrodo de ouro policristalino modificado com MPA-GHS. Em
PBS/Cisplatina (pH 7,4) e taxa de varredura de 20 mV s−1.
Pode-se observar a mudança do sinal obtido na ausência de cisplatina, em que não existe a presença do pico reversível entre −0,4 V e −0,2 V e com o aumento da intensidade com a voltagem menor que −0,2 V. Essa diferença no sinal da corrente obtida nesse potencial pode ser explorada para a montagem de sensores específicos para cisplatina.
A Tabela 5 apresenta os dados referentes aos picos observados nos voltamogramas utilizando eletrodos policristalinos de ouro, antes e depois de modificados com guanina, como eletrodos de trabalho e eletrodo Hg/Hg2SO4 como
eletrodo de referência.
Tabela 5 - Picos observados nos voltamogramas utilizando eletrodos policristalinos de ouro, antes e
depois de modificados com guanina, como eletrodos de trabalho e eletrodo Hg/Hg2SO4 como eletrodo
de referência.
Au Au-MPA-GHS
0,1V De -0,2 até -0,4V
-0,3V ---
46 CONCLUSÃO
Foi possível observar significante adsorção de guanina na superfície dos eletrodos de ouro de cristal único e policristalino. Tal adsorção foi constatada por meio da mudança no padrão dos voltamogramas obtidos utilizando voltametria cíclica, antes e depois da imersão dos eletrodos na solução de guanina.
A adsorção de guanina não foi observada nas nanopartículas de ouro depositadas em eletrodo de carbono vítreo, já que não houveram mudanças significativas no padrão dos voltamogramas obtidos antes e depois da imersão do eletrodo contendo as nanopartículas na solução de guanina. Porém, com o aumento do tempo de imersão do eletrodo, foi observado o surgimento de um pico de baixa intensidade em -0,9V. Para verificar a adsorção de guanina, seriam necessários mais estudos com aplicação de maiores faixas de potencial, para a ativação na superfície das nanopartículas.
Foi possível modificar a superfície do eletrodo de ouro policristalino com MPA- GHS com a ativação via carbodiimina, verificado por voltametria cíclica, onde foram obtidos picos correspondentes a processos de oxirredução no eletrodo modificado que não estava presente no eletrodo antes da modificação.
Com a adição de cisplatina na solução eletrolítica, foi observado o desaparecimento dos picos obtidos com o eletrodo policristalino de ouro modificado com MPA-GSH. Tal diferença pode ser explorada para a detecção de cisplatina.
47 PERSPECTIVAS E SUGESTÕES
Seria interessante averiguar a resposta dos eletrodos modificados por adsorção de guanina em solução contendo cisplatina, para observar se ocorrem mudanças na voltametria, como foi observado com a modificação por adsorção com MPA-GSH.
Também seria interessante realizar a modificação por adsorção de MPA-GSH pela rota proposta com as nanopartículas de ouro e sua voltametria em solução contendo cisplatina.
48
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APÊNDICE
Este projeto foi realizado como Projeto de Verão durante meu período cursando Graduação Sanduiche na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, pelo programa Ciência Sem Fronteiras.
Durante minha estadia, fui orientada pelo Dr. Paramaconi Rodriguez, que coordena o grupo de pesquisa Ampere – Advanced Materials and Electrochemistry Research. Dr Rodriguez atua na área de eletrocatálise, síntese de nanomateriais e bioeletroquímica, focando no desenvolvimento de novas tecnologias eletroquímicas, design de novos nanomateriais funcionais e desenvolvimento de nanosensores para aplicação em medicina.
Mais informações podem ser encontradas em: http://www.ampere.technology/.