• Nenhum resultado encontrado

2.2 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

2.2.5.3 Momento III Implementação e controle

É neste momento que a empresa passa a executar o processo de planejamento e colhe os seus resultados. Trata-se do instante de implementar, acompanhar e avaliar o processo de planejamento estratégico. Caso algum dos três Momentos não seja realizado em sua plenitude, pode-se concluir que é impossível que o processo de planejamento estratégico melhore o desempenho da organização, ou seja, não é útil (PEREIRA, 2010).

Os resultados da última pesquisa de Bain & Company, realizada em 2013, indicam que o sucesso da utilização do planejamento estratégico, assim como a preferência dos executivos em iniciar o uso desta ferramenta em suas organizações, está intimamente relacionado

com a capacidade de mensurar e comunicar os resultados advindos do processo (RIGBY; BILODEAU, 2013). É possível identificar que a mensuração dos resultados configura uma questão relevante no processo de planejamento estratégico, pois de nada adianta formular estratégias consistentes se a sua execução não for bem sucedida.

No entendimento de Pereira (2010), deve-se criar uma equipe para o acompanhamento e controle do processo de planejamento estratégico, isto é, acompanhar a sua implementação. Esta equipe, além de ter o respaldo da organização como um todo, deve estar institucionalizada pela Coalizão Dominante Formal. O objetivo principal da Equipe de Acompanhamento e Controle não é implementar o planejamento estratégico, haja vista que quem vai fazer isso são os responsáveis por cada Ação Estratégica, mas sim, acompanhar e avaliar a implementação e resolver possíveis imprevistos que os responsáveis pelas Ações Estratégicas possam enfrentar.

Na concepção de Hunger e Wheelen (2002), avaliação e controle são as formas como as atividades organizacionais e os resultados de desempenho são acompanhados e mensurados, possibilitando que as ações realizadas possam ser comparadas com o previsto. As principais finalidades do processo de avaliação e controle correspondem principalmente a quatro tópicos, a citar:

a) identificação de problemas, falhas e erros, com o objetivo de corrigir e evitar possíveis novas ocorrências, visando não desviar as ações do planejado;

b) atuar nas ações planejadas para que o executado possa estar o mais próximo possível do planejado;

c) analisar se os resultados promovidos pelas estratégias estão de acordo com as situações previstas;

d) gerar dados gerenciais periódicos e consistentes, para que seja possível a rápida intervenção no desempenho, caso seja necessário (HUNGER; WHEELEN, 2002).

Pereira (2010) recomenda que a Equipe de Acompanhamento e Controle seja composta por integrantes que tenham participado ativamente do Momento II, visto que isso tende a facilitar o cumprimento das atividades uma vez que já conhecem o conteúdo, a dinâmica e o processo de planejamento estratégico. A composição desta equipe deve ser divulgada para todos os funcionários da organização.

Após a implementação oficial e prática, deve-se acompanhar constantemente o andamento das Questões Estratégicas, Estratégias e Ações Estratégicas, visto que são elas que irão focalizar na Visão almejada. Uma das atividades da Equipe de Acompanhamento e

Controle é visitar sistematicamente os responsáveis pelas Questões Estratégicas, Estratégias e Ações Estratégicas, com a finalidade de averiguar se o que está sendo executado está de acordo com o cronograma planejado (PEREIRA, 2010).

Estrada e Almeira (2007) apresentam uma metodologia de implementação um pouco diferente, mesmo que seu escopo tenha a mesma finalidade. Na fase de implementação, os autores concebem a realização do controle das questões estratégicas por meio do plano de ação, além do plano orçamentário e indicadores de desempenho, que pode servir de orientação para a mensuração da relação entre executado e planejado rumo à visão de futuro da organização. Caso não esteja conforme o planejado, torna-se necessário a correção do rumo.

Atualmente há diversas ferramentas que auxiliam a acompanhar e mensurar a implementação das estratégias. Pereira (2010) cita o Balanced Scorecard (BSC), que possibilita a criação de um mapa estratégico a partir de quatro perspectivas: Financeira, dos Clientes, dos Processos Internos, do Aprendizado e Crescimento.

Outra ferramenta que pode ajudar a implementação e controle do Planejamento Estratégico é o Zoho Projects, produzido em parceria com a Google e recentemente apresentada ao mundo da Gestão (ZOHO PROJECTS, 2013). Trata-se de uma ferramenta online que possibilita incluir, de acordo com a nomenclatura utilizada por Pereira (2010), quantas Questões Estratégicas, Estratégias e Ações Estratégicas forem necessárias, além de fazer relações entre elas, por exemplo, identificar o percentual da influência de uma Ação Estratégica em uma determinada Estratégia, que se relaciona com uma Questão Estratégica e assim sucessivamente.

Outra possibilidade é a elaboração de um software próprio, conforme apresentado por Estrada e Almeira (2007). Em seu estudo de caso na CVI-Refrigerantes, os pesquisadores identificaram o desenvolvimento de software próprio, que facilitou e agilizou o controle a partir da etapa de implementação. Com esta ferramenta digital, foi possível produzir os Planos de Ação necessários para alcançar a Visão almejada pela organização, bem como estabelecer critérios de Controle Estratégico necessários para a sua efetivação.

Enfim, seja por meio de uma planilha, pelo Balanced Scorecard, pelo Zoho Projects, por um software próprio ou até mesmo por um sistema manual, o importante é acompanhar e avaliar constante e sistematicamente o processo de implementação do planejamento estratégico.

Diante do exposto, é possível concluir que uma das principais utilidades do processo de planejamento estratégico é a formulação de estratégias consistentes com a realidade devido ao seu processo deliberado de análise. Vale enfatizar os anticonceitos de Drucker (1997), principalmente no que diz respeito à impossibilidade de previsão de futuro, no entanto, acredita-se que o processo possibilita, além da aprendizagem organizacional, uma forma de compreender a atual situação da organização.

Principalmente a partir das concepções de Whittington (2002) e Volberda (2004), entende-se que o planejamento estratégico, a partir dos seus processos clássicos de análise deliberada, contribui para a formulação e o alinhamento estratégico das organizações. Ainda que seja importante, também, a abordagem das estratégias emergentes propostas por Mintzberg (1998).

Deste modo, é possível identificar que existem ao menos duas formas de compreender o processo de execução estratégica. De uma maneira, a execução da estratégia é entendida como a pós-formulação, isto é, o momento de mobilizar os recursos da organização para se colocar àquelas estratégias planejadas em prática, tendo em vista todo o seu processo de formulação e, inclusive, de análise do ambiente. Geralmente esta primeira forma de execução configura-se em metodologias de processos deliberados, como o planejamento estratégico, por exemplo.

Já a segunda maneira compreende a execução da estratégia como um processo emergente, que ocorre à medida que novos elementos surgem e são incorporados conforme comportamentos desempenhados anteriormente por parte da organização.

Não se pode ignorar a importância de ambas as formas de execução das estratégias, no entanto, diante da proposta da presente pesquisa, pretende-se aprofundar os estudos no processo de execução de acordo com a primeira forma, isto é, a execução da estratégia resultante da pós-formulação, que por sua vez, foi elaborado por meio de uma metodologia de planejamento estratégico.

Há um grande foco na literatura de Strategic Management no que diz respeito ao processo de formulação estratégica, no entanto, muitas vezes acaba se negligenciando a sua implementação. É possível perceber que não apenas na literatura mas também na pratica empresarial, muitas organizações focalizam sua atenção no processo de formulação estratégica e negligenciam a sua execução. A grande maioria dos executivos não compreendem que o planejamento e a sua

implementação são interdependentes, ou seja, eles são constantemente influenciados um pelo outro (HREBINIAK, 2006).

Diante do exposto, a próxima seção se caracteriza por apresentar conceitos e elementos que possam contribuir para o entendimento acerca do processo de implementação das estratégias.