CAPÍTULO 1 – OS IDOSOS NO BRASIL
2.5 MOMENTO INTERGERACIONAL
O primeiro encontro foi um momento de expectativa, pois não imaginávamos a reação dos alunos e se as idosas iriam conseguir explorar os temas que lhes foram propostos. Para nossa surpresa, as expectativas foram superadas: os alunos tiveram um comportamento exemplar, mostraram-se interessados e fizeram perguntas a todo o momento. As idosas sentiram-se muito à vontade fazendo brincadeiras, mas tiveram o cuidado de explicar da melhor maneira possível os fatos.
No questionário do pós-encontro os alunos concluíram que os idosos podem e são capazes de contribuir para que as pessoas possam rever as suas ações em relação ao meio ambiente. Justificaram que os idosos possuem mais experiência de vida, pois viveram o passado e as mudanças que ocorreram. Concluíram que as
principais causas para termos os atuais problemas ambientais estão nas seguintes ações humanas: poluição gerada pelas fábricas através da industrialização, excesso de lixo e desmatamento. A falta de atitude perante as questões ambientais levaram os alunos a refletir sobre as práticas e ações coletivas refletidas no individualismo gerado pela sociedade de consumo. Quando foram indagados quanto as nossas ações no meio ambiente e ao futuro, os alunos vêem que as coisas serão assim:
Não haverá florestas, só em contos de fada e animais elas existirão.
Será uma poluição total e a camada de ozônio estará destruída.
Não haverá vida na Terra, pois as pessoas não cuidam, então vão sofrer as conseqüências.
Praticamente sem camada de ozônio, péssimas condições respiratórias.
Um mundo sem animais e sem árvores e sem algum ecossistema.
Para o segundo encontro, os alunos se portaram com o mesmo interesse. Elaboraram as perguntas com a preocupação de que fossem pertinentes. Mostravam suas questões e perguntavam se estavam boas. Entretanto, muitos deles não conseguiram fazer suas perguntas aos idosos, pela falta de tempo: às vezes os entrevistados relatavam fatos ou experiências que suscitavam outras indagações (não previstas), ou mais explicações e esclarecimentos. Assim, tornava- se insuficiente o tempo destinado à interação entre alunos e idosos. Apesar disso, a participação de todos foi melhor do que no primeiro encontro. Além das perguntas elaboradas em sala, os alunos interagiam com os idosos com dúvidas que foram surgindo durante o encontro, como já se comentou.
Quando foram indagados sobre o que aprenderam com as entrevistas, muitos alunos usaram respostas relacionadas às categorias qualidade de vida e relações sócio-econômicas, além de expressarem o quanto aprenderam com as memórias dos idosos. Entre as suas descrições estão estas: ”A vida antigamente era mais fácil, poluíam menos o meio ambiente, porque eles não utilizavam muito plástico, alumínio, vidro, etc.” (ALUNO). “A nossa cidade era menos poluída e não havia violência, as ruas não eram movimentadas e as crianças podiam brincar sossegadas” (ALUNO).
Antigamente, a vida deles era muito diferente da nossa. Aprendi que o campo tinha mais população e que só ocorreu o êxodo rural quando a indústria ficou “mais forte”, por causa das grandes máquinas que tiravam o emprego deles. Aprendi também que os brinquedos eram feitos em casa, não usavam agrotóxicos nas plantações e usavam fralda de pano, como minha mãe usou em mim. (ALUNO)
Nessa entrevista recente aprendi muitas coisas, e com certeza de um jeito mais divertido. No passado tudo era mais tranqüilo, eles tinham, por exemplo, horta em casa, com a vantagem de não precisarem comer frutas e verduras com produtos com agrotóxico. (ALUNO)
Aprendi que os idosos podem nos ensinar muito. Eles sabem mais, têm mais consciência do que fazem e têm mais anos de vida que nós. Para aprender, a idade não importa, e assim percebemos que aprendemos não só por livros e internet, há pessoas que podem nos contar muito mais. Eu adorei participar, pois também fiquei sabendo de muita coisa de Ponta Grossa. (ALUNO)
Aprendi que o mundo em vários aspectos mudou, para pior e para melhor, o ruim é que muitas coisas foram mais para pior que para melhor: a pobreza aumentou; se formaram muitas favelas; a violência está terrível agora; o lixo aumentou muito. Na verdade o mundo era melhor antes. (ALUNO)
Buscamos explorar o ponto de vista dos alunos quanto a falhas que aconteceram no passado e ocasionaram os problemas ambientais que temos hoje. A maioria dos alunos citou o desmatamento (16 colocações), a poluição e a geração de lixo (11 colocações), a falta de consciência das pessoas no passado com relação à preservação do meio ambiente (11 colocações). O mau uso dos recursos naturais,
associado ao desperdício de água e ao desmatamento, foi indicado por poucos alunos (3 colocações).
Como no primeiro encontro, também questionamos a perspectiva de futuro dos alunos com as seguintes perguntas: Como você imagina o planeta Terra daqui a 50 anos? Como você se imagina vivendo neste planeta? Novamente a maioria dos alunos apresentou uma visão pessimista; muitos deles mostraram-se preocupados porque as medidas a serem tomadas quanto à preservação e conservação do meio ambiente não vêm acontecendo com a urgência necessária. Indicaram como impactos negativos ao meio ambiente as catástrofes naturais, e outros citaram os problemas sociais gerados pelo desequilíbrio do planeta. Já o aumento de tecnologias foi avaliado por alguns alunos como um ponto positivo no futuro.
Não será muito bom. A água estará acabando, a tecnologia será muito maior, a poluição será imensa e o aquecimento global também. Ele terá as suas vantagens e desvantagens em relação ao passado. (ALUNO)
Haverá guerra por água, também roubos, mas não por dinheiro, e sim por água. O mundo vai se horrível, todo mundo vai ser careca; por falta de banho as pessoas terão que raspar o cabelo. Eu não me imagino nesse mundo, então vamos preservar. (ALUNO)
Daqui a 50 anos eu estarei com 62 anos, mas espero estar firme. A tecnologia deverá estar muito avançada, a água poderá estar com o volume aumentado ou diminuindo. Quem sabe a Amazônia terá virado deserto, maior que o Saara. (ALUNO)
Imagino um planeta muito ruim de viver, pois haverá mais poluição, lixo em toda a parte, violência em qualquer canto, as favelas serão maiores e mais sujas. Mas poderá tornar-se um planeta bom de viver, se o ser humano se ligar que está acabando com ele mesmo. (ALUNO)
Provavelmente se nada mudar será um caos, miséria, fome egoísmo, violência, aquecimento global. Espero que todos mudem e pensem no que fazer para ajudar o planeta, para impactos ambientais. Se isso acontecer (Deus ajude que não), me imagino tentando mudar esse quadro. (ALUNOS)
Os encontros foram muitos importantes no processo de compreensão da realidade local. Os alunos passaram a ter mais interesse e a discutir as questões ambientais, sociais e políticas da região, que lhes eram informadas pelo jornal televisivo local. Destacamos que muitos foram até seus avôs e avós comentar o que haviam aprendido e acabaram trazendo novas informações, expandindo o diálogo.