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Monitoramento da qualidade da água tratada

No documento Fundação Nacional de Saúde (páginas 88-94)

Desfluoretação parcial de águas subterrâneas

4.2 Monitoramento da qualidade da água tratada

4.2.1 Propriedades físicas, químicas e biológicas

Os resultados obtidos no monitoramento da qualidade da água tratada pelos sete filtros permitiram identificar um aumento na concentração de íons na água tratada, evidenciada na determinação de sólidos totais dissolvidos (Figura 3). Este aumento foi mais evidente nos filtros F1, F2 e F3, e nas alíquotas coletadas logo após a instalação dos filtros (amostra 1), ou seja, logo após a purga do sistema. Nos filtros F4, F5, F6 e F7 em que foram utilizados maiores volumes de água para purga não foram identificados aumentos significativos (P>0,05) na concentração de sólidos totais dissolvidos.

Continuação.

0 200 400 600 800 1000

amostra 1 amostra 2 amostra 3 amostra 4

STD, mg L-1

Água bruta F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7

VMP, Portaria 518/04 - MS, BR.

Figura 3 - Concentração de sólidos totais dissolvidos nas quatro amostras coletadas da água tratada pelos filtros F1, F2, F3, F4, F5, F6 e F7 e da água bruta.

Na Figura 3, a linha pontilhada representa o valor máximo permitido (VMP) pela Portaria nº 518, do Ministério da Saúde, Brasil

Esse aumento na concentração de sólidos totais dissolvidos foi provocado pela dissolução de elementos como fósforo, sódio e potássio do carvão ativado na água.

Além disto, o caráter alcalino do carvão ativado de osso resultou no aumento da alca-linidade por carbonatos e, concomitantemente, do pH da água tratada.

Entre todos os parâmetros físicos e químicos determinados, cujos resultados estão listados, na íntegra, nos Apêndices 1 – 7, os resultados para sódio e pH foram os mais preocupantes, uma vez que extrapolaram os limites estabelecidos para abastecimento público na Portaria nº 518, do Ministério da Saúde.

Esse fenômeno foi observado fundamentalmente na alíquota coletada logo após a instalação de cada um dos filtros, ou seja, logo após a purga do sistema. Cabe salientar, também, que a água subterrânea utilizada neste estudo já apresenta valores elevados para pH (9,2±0,1, n = 4) e sódio (149,9±9,1 mg L-1, n = 4).

Desta forma, a utilização de um volume maior de água para a purga, como ado-tado para os filtros F4, F5, F6 e F7, mostra-se fundamental para assegurar que a água tratada atenda os parâmetros estabelecidos na Portaria nº 518, do Ministério da Saúde.

Uma comparação entre a concentração destes parâmetros na água tratada e na água bruta pode ser observada nas Figuras 4, 5, 6, 7 e 8.

0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0

amostra 1 amostra 2 amostra 3 amostra 4

fósforo, mg L-1

Água bruta F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7

Figura 4 - Concentração de fósforo total nas quatro amostras coletadas da água tratada pelos filtros F1, F2, F3, F4, F5, F6, F7 e da água bruta.

Como pode ser observado na Figura 4, há a lixiviação de fósforo do carvão para a água tratada e à medida que maiores volumes de água são tratados, ocorre uma re-dução da concentração deste na água, para a maioria dos sistemas avaliados.

Apesar de entender como natural que quanto maior a massa de carvão utilizado maior deverá ser a concentração de fósforo na água, flutuações nestes valores foram observadas, como ao se comparar os resultados dos filtros F5 e F7. Esta variação na concentração ocorre devido a outros fatores do processo que podem interferir, tais como: empacotamento da coluna de filtração, distribuição do tamanho de partícula de cada lote de carvão (visto que vários lotes de carvão foram utilizados nesta pesquisa), variações na concentração de fósforo da água bruta, variações pontuais de vazão, e, sobretudo no volume exato correspondente a cada alíquota coletada.

0 50 100 150 200 250

amostra 1 amostra 2 amostra 3 amostra 4

sódio, mg L-1

Água bruta F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7

VMP, Portaria 518/04 - MS, BR.

Figura 5 - Concentração de sódio nas quatro amostras coletadas da água tratada pelos filtros F1, F2, F3, F4, F5, F6, F7 e da água bruta.

A concentração de sódio extraída com carvão foi superior ao valor máximo per-mitido (VMP) pela Portaria nº 518, do Ministério da Saúde, Brasil (linha pontilhada) apenas na primeira alíquota de água analisada. Este mesmo comportamento é obser-vado nos resultados obtidos para potássio, e carbonatos, enfatizando a necessidade de purga dos filtros no início de sua operação.

0 5 10 15 20 25

amostra 1 amostra 2 amostra 3 amostra 4

potássio, mg L-1

Água bruta F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7

Figura 6 - Concentração de potássio nas quatro amostras coletadas da água tratada pelos filtros F1, F2, F3, F4, F5, F6, F7 e da água bruta.

0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200

amostra 1 amostra 2 amostra 3 amostra 4 CaCO3, mg L-1

Água bruta F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7

Figura 7 - Concentração de carbonatos nas quatro amostras coletadas da água tratada pelos filtros F1, F2, F3, F4, F5, F6, F7 e da água bruta.

A lixiviação de carbonatos (Figura 7) resulta num aumento de pH, especialmente na primeira alíquota de água coletada para análise (Figura 8).

5,0 6,0 7,0 8,0 9,0 10,0 11,0

amostra 1 amostra 2 amostra 3 amostra 4

pH

Água bruta F1 F2 F3 F4 F5 F6 F7

Portaria 518/04 - MS, BR.

Figura 8 - Valores de pH nas quatro amostras coletadas da água tratada pelos filtros F1, F2, F3, F4, F5, F6, F7 e da água bruta. As linhas pontilhadas limitam a faixa de pH determinada na Porta-ria nº 518, do Ministério da Saúde, Brasil.

Os resultados obtidos identificaram, também, a remoção completa do cloro livre residual da água subterrânea bruta, onde se observa que a maioria dos resultados in-dicou uma concentração de cloro livre residual, na água tratada, próximo ou inferior ao próprio limite de detecção do método analítico (0,05 mg L-1).

Dessa forma, surge a necessidade de que essa água tratada seja consumida logo após sua filtração, evitando-se contaminações posteriores, devido ao seu armazena-mento (em reservatórios externos). Contudo, cabe lembrar que o escopo deste estudo foi justamente o desenvolvimento de um sistema de uso doméstico.

Quanto às características microbiológicas da água tratada, foram encontrados resultados positivos para contaminação fecal em apenas 3 das 24 amostras coletadas.

Esses resultados foram obtidos nos filtros F2 (amostra 4), F3 (amostra 3) e F4 (amostra 3).

Devido à pontualidade destes resultados, acredita-se na possibilidade de contaminação externa, associada à amostragem, visto que os equipamentos permaneceram expostos ao ambiente durante os testes.

4.2.2 Propriedades organolépticas

Os resultados obtidos nos testes sensoriais indicaram uma boa receptividade para o consumo da água tratada pelo sistema de filtração em carvão ativado de ossos. Na maioria dos experimentos as amostras AST1 e AST2 figuraram entre as de melhor nota, havendo uma relação direta com a aceitação da água por parte dos consumidores.

Os testes de ordenação revelaram diferenças significativas entre as amostras pes-quisadas (P<0,05), indicando que a amostra de água engarrafada (AE) é significativa-mente diferente (mais objetável) das amostras de água tratadas por filtro (AST1 e AST2).

Os resultados dos testes sensoriais de preferência demonstram diferenças sig-nificativas entre as amostras pesquisadas (P<0,05), indicando que a amostra de água de rede pública (ARP) é significativamente diferente (menor preferência) em relação à amostra de água tratada pelo filtro AST2, a qual se destacou como a mais preferida, de acordo com o teste de preferência, pelos consumidores.

No que diz respeito aos resultados de odor, observou-se que a maioria (94,4±3,8%) dos julgadores não identificou nenhum odor nas amostras pesquisadas. Destacando-se a amostra AST1, onde nenhum dos 50 julgadores atribuiu odor algum.

Quanto aos resultados dos testes organolépticos de sabor, apesar das amostras AST1 e AST2 apresentarem-se como as mais objetáveis, não foram identificadas dife-renças significativas (P>0,05) em relação às demais amostras.

No documento Fundação Nacional de Saúde (páginas 88-94)