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CAPÍTULO 2. REVISÃO DA LITERATURA

2.7 MONITORAMENTO DE DESEMPENHO NA GESTÃO DE ESTOQUE

Definida como será a lógica por trás das quantidades e dos momentos dos pedidos, faz- se necessária a utilização de indicadores apropriados para acompanhar o desempenho da gestão de estoques da empresa. Como mostra Arozo (2002), os indicadores relacionados à gestão de estoques podem ser divididos em três categorias: custo, serviço e conformidade do processo. Estes três tipos de indicadores serão descritos com mais detalhes a seguir:

2.7.1 Indicadores de custo

Segundo Arozo (2002), os indicadores mais utilizados pelas empresas para avaliar a gestão de estoques são os relacionados aos custos, que podem ser divididos em custo de manutenção e custo de falta de estoques. O primeiro deve-se principalmente ao custo de oportunidade de capital da empresa e o segundo da perda de vendas e insatisfação de clientes não atendidos.

Custo de oportunidade

Lima (2003) define o custo de oportunidade como uma possível perda de rendimentos por uma opção por uma determinada alternativa de investimento em detrimento de outra. Ou seja, é o quanto a empresa teria ganho financeiramente escolhendo outra opção para investir seu capital. Em seu texto, dos Santos (2007) define custo de oportunidade como o retorno da alternativa de investimento mais rentável e de mesmo risco que se deixa de ganhar por ter

escolhido determinada alternativa de investimento. Seu cálculo pode ser feito em função da diferença de resultado de retorno financeiro entre a essas duas alternativas.

Os estoques geram custo de oportunidade de capital porque há um investimento realizado na criação dos mesmos (seja em uma compra ou em uma produção) que não é retornado até a venda de um produto.

De acordo, com Strassburg (2016), para determinação do custo de oportunidade de capital, é necessário possuir duas componentes, uma taxa de oportunidade e o valor aplicado no investimento, ou preço. Sendo assim, pode-se calcular o custo de oportunidade de capital de um produto único com a seguinte expressão:

Custo de capital = i  P

Sendo:

i = taxa de oportunidade

P = preço do produto em estoque

Multiplicando pela quantidade de um produto, obtém-se o custo total de oportunidade em decorrência da decisão de estocar aquele produto. A soma dos custos de oportunidade de todos os produtos dá o custo de oportunidade de capital total da empresa. Segundo Lima (2003) o preço do produto em estoque é simplesmente o preço de compra do produto, no caso de uma revendedora de produtos acabados ou de produtos que servem de insumos (ou matéria-prima) para a produção de outros itens. Já no caso de organizações industriais, o preço a ser utilizado é o custo de produção variável, abreviado como CPV.

Assim sendo, se por exemplo uma empresa possui em média 1000 unidades do produto A em estoque em um ano, que custaram R$ 150 reais cada para serem produzidos; e 200 unidades do produto B que custaram R$300 cada em sua produção, e a taxa de oportunidade de capital usada como referência seja de 15% ao ano, temos que:

Custo de capital no ano do produto A = 0,15  R$150  1000 = R$ 22.500 Custo de capital no ano do produto B = 0,15  R$300  200 = R$ 9.000 Custo total de oportunidade da empresa = R$ 31.500

A outra pergunta a ser respondida é qual seria a taxa de oportunidade utilizada. Segundo Pereira et al. (1990), não há uma taxa padrão que determina qual é o percentual que deve ser usado. Em geral, o valor dessa taxa seria equivalente aos juros que devem ser pagos no mercado para obter dinheiro. Tanto Lima (2003) quanto Pereira et al. (1990) sugerem o uso do custo médio ponderado de capital (CMePC, ou na sigla em inglês, WACC), que é uma média ponderada pela proporção de cada um, do custo de financiamento através de capital próprio da empresa (como ações) e do custo de financiamento por recursos de terceiros, como empréstimos (PFEIL, 2015. Assim, o CMePC pode ser calculado da seguinte maneira:

CMePC = Kp  wp + Kt  wt

Sendo:

Kp = Custo (em %) do capital próprio

wp = Representatividade do capital próprio nas fontes de financiamento da empresa Kt = Custo (em %) do capital de terceiros

wt = Representatividade do capital de terceiros nas fontes de financiamento da empresa

Na ausência de uma medição exata de quanto custa o seu capital, a empresa pode utilizar outras taxas de retorno de possíveis investimentos de baixo ou similar risco que poderiam ser realizados, caso a empresa não desejasse imobilizar seu capital em estoques. (LIMA, 2003)

Outros custos da manutenção de estoques

Ballou (2001) ainda descreve outros custos que podem ser relevantes em relação à manutenção dos estoques. Ao possuir estoques, a empresa precisa de espaços que devem abrigar os produtos. No caso de armazéns terceirizados, este custo é medido pelo peso dos produtos que foram estocados e pelo período de armazenagem dos mesmos. Se for próprio, há custos que em geral são fixos, como climatização, e aluguel, mas há outros que podem variar de acordo com o volume estocado, como a quantidade de equipamentos necessários para a movimentação ou de operadores nas atividades de movimentação de pallets.

Outros custos apontados por Ballou (2001) são os custos de serviço, como seguros e impostos; e o custos relativos aos riscos de perda dos estoques em função de espoliação, roubos,

furtos, contaminações, danos, ou quaisquer outros motivos que inviabilizem a venda do produto.

Custos da falta de estoque

Lima (2003) aponta que a falta de estoque prejudica uma das principais dimensões do serviço logístico, que é a disponibilidade. Há uma série de prejuízos que a empresa arca em caso de falta de produto para a venda, em decorrência da insatisfação dos clientes não atendidos ou dos prejuízos à imagem da marca da companhia. Essas avaliações, porém, são de difícil mensuração quantitativa, cabendo diversas interpretações e opiniões diferentes. Uma estimativa conservadora é medir o custo de falta através da margem de contribuição unitária, ou seja, a diferença entre o preço e os custos variáveis, de cada produto não vendido. Assim, somando as margens perdidas de todos os produtos, a empresa consegue calcular o custo da falta de estoques embora, ressalta-se, há outras perdas que podem ser avaliadas através de outros indicadores.

2.7.2 Indicadores de serviço

Os indicadores de serviço avaliam os resultados da gestão de estoques no que tange à disponibilidade de produtos (AROZO, 2002). Há duas visões que podem ser usadas para mensuração da disponibilidade de um produto, uma sendo a do próprio produto, e outra, a do cliente.

Na visão do cliente, um indicador que pode ser utilizado, é o OTIF, sigla para On Time

In Full. Este indicador mede a combinação da confiabilidade do atendimento, ou seja, se ele foi

entregue na data ou janela de entrega adequada; com a completude do pedido entregue, segundo as especificações acordadas. (FERNANDES, 2014)

Pensando no lado da empresa, com a visão do produto, há duas possibilidades de medida para o serviço. O primeiro é a disponibilidade do item selecionado, que é a razão entre a demanda efetivamente atendida e a demanda total dos clientes, como mostra a expressão (ILOS, 2015):

𝐷𝑖𝑠𝑝𝑜𝑛𝑖𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 =𝐷𝑒𝑚𝑎𝑛𝑑𝑎 𝑎𝑡𝑒𝑛𝑑𝑖𝑑𝑎 𝐷𝑒𝑚𝑎𝑛𝑑𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙

Naturalmente, quanto mais próximo a 1 a razão, melhor o serviço da empresa. Há em muitos casos, porém, uma grande dificuldade em medi-lo, visto que nem sempre é possível

saber a demanda total exata associada a cada produto. Outro indicador que é usado comumente é a ruptura, também chamada de stock out, que mede o percentual de períodos em que o estoque chegou a nível zero (e provavelmente houve demanda não atendida, embora não se saiba exatamente quanto). Para o cálculo da ruptura, basta dividir o número de períodos (dias, semanas, meses...) em que o estoque chegou a zero pelo total de períodos observados. Neste caso, quanto mais próximo de zero, melhor é o indicador para a empresa (ILOS, 2015). A expressão para determinação da ruptura é dada pela expressão abaixo:

𝑅𝑢𝑝𝑡𝑢𝑟𝑎 =𝑁ú𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜𝑠 𝑐𝑜𝑚 𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑢𝑒 𝑖𝑔𝑢𝑎𝑙 𝑎 0 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝑝𝑒𝑟í𝑜𝑑𝑜𝑠

No entanto, como apontam Vaconcellos, Sampaio e Pastore (2007), a mensuração da ruptura nem sempre é fácil, pois depende de um controle de inventário preciso e confiável, o que requer grandes esforços pessoais, e em alguns casos, de sistemas tecnológicos adequados.

2.7.3 Indicadores de conformidade

Arozo (2002) apresenta, por fim, os indicadores de conformidade do processo de gestão de estoques da empresa. Como os estoques têm função de garantir a disponibilidade dos produtos demandados, levando em consideração ainda as incertezas presentes na demanda e no tempo para tornar os produtos disponíveis, é fundamental que todos os aspectos e incertezas que impactam o nível de estoque sejam devidamente monitorados.

É preciso entender como se dá o fluxo de materiais em diversas etapas, como a transferência de produtos entre instalações, o fornecimento de insumos por parte dos fornecedores, e a fabricação dos produtos. Como descrito anteriormente, parte dessas incertezas são consideradas na hora de calcular os níveis de estoque de segurança, com base em algumas estatísticas. Essas estatísticas relativas às incertezas também devem ser monitoradas, para identificação das razões que causam o aumento do estoque ou a falta de produto. Alguns exemplos já citados anteriormente incluem o tempo de resposta do fornecimento, e o erro da previsão de vendas (AROZO, 2002).

A correta mensuração desses indicadores permite que o gestor da parte de estoques possa propor medidas que possam diminuir as incertezas, reduzindo assim, a necessidade de estoque de segurança, sem que haja queda no nível de serviço. Por exemplo, no caso de uma observação em que se conclua que causa do estoque elevado é um grande erro na previsão de

vendas da empresa, medidas que melhorem o processo de previsão podem ser tomadas (influenciadas pelos indicadores) para a redução do erro, visando diminuir o estoque total da companhia.

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