SUMÁRIO
4 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
4.4 Monitoramento do Quadro
As primeiras fissuras no Quadro I surgiram oito dias após a moldagem do granilite. Essas fissuras, com grandes extensões e aberturas que chegavam a 0,5 mm, são mostradas na Figura 57.
Figura 57 - Primeiro registro de fissuras no Quadro I – 8 dias de idade.
Observou-se que entre as idades de sete e oito dias o granilite esteve submetido a diferenças térmicas que chegaram a 19ºC.
O registro mostrado na Figura 58 mostra o Quadro I após um mês do surgimento das primeiras fissuras. Pode-se observar que houve continuidade e o surgimento de novas fissuras.
Figura 58 - Evolução das fissuras no Quadro I decorrido um mês do surgimento da primeira fissura.
Após o surgimento das fissuras foram marcados dez pontos em fissuras no Quadro I e nesses pontos foram feitas leituras das aberturas das fissuras. Essas leituras foram realizadas com régua própria para esse fim, fissurômetro, com medidas em milímetros. Foram registradas as temperaturas e umidades relativas do ar referentes a cada leitura, utilizou-se um termo-higrômetro mecânico posicionado sobre o revestimento em granilite.
Na Figura 59 é mostrada a localização dos pontos avaliados e na Figura 60 há um detalhe de pontos (2, 3 e 4) e da régua de medição utilizada nesses ensaios de medição de abertura das fissuras.
Figura 59 - Quadro I com as marcações dos pontos de leitura de abertura de fissura.
Figura 60 - Detalhe dos pontos 2, 3 e 4 e do fissurômetro.
Foram realizadas oito leituras no intervalo de oito dias até trinta e oito dias de idade do granilite. Antes das leituras eram medidas a temperatura ambiente e a umidade relativa do ar.
Na Figura 61 é mostrada uma lateral do quadro em granilite na qual é possível observar que houve desplacamento na interface entre a regularização e a base de concreto. Tal fenômeno ocorreu porque sobre a base de concreto havia
uma argamassa que tamponou as reentrâncias originais da base e tornou a superfície muito lisa. Portanto, quando foi moldada a regularização não ocorreu aderência com a base e um novo sistema composto pelo granilite e pela regularização passou a vigorar. Com isso todos os fenômenos de variação volumétrica se desenvolveram em uma espessura média de 39 mm, o que tornou esse quadro mais susceptível à fissuração do que o Quadro III, que tem espessura média do sistema revestimento/substrato de 139 mm.
Figura 61 - Quadro I fissurado e com desplacamento em relação à base do conjunto granilite e argamassa de regularização.
Após a extração de testemunhos do Quadro I foi realizado o levantamento de parte da placa destacada, para verificação da uniformidade do sistema granilite/regularização. Observa-se pela Figura 62 (a) que o levantamento segmentou a placa em local com fissura pré-existente. Na Figura 62 (b) é mostrado um detalhe, vista lateral, desse procedimento.
Figura 62 - Placa do Quadro I sendo erguida. (a) placa sendo erguida com pés de cabra; (b) detalhe do erguimento da placa.
Sem rugosidade mínima dois sistemas foram formados no Quadro I, como mostrado na Figura 63.
Figura 63 - Placa do Quadro I sendo retirada.
Essa situação demonstra que há necessidade de haver uma melhoria da zona de interface entre a regularização e a base, diferindo desta postura aqui adotada (simulação dos procedimentos seguidos por pessoal dito “experiente” na confecção de granilites, com ampla quantidade de obras realizadas). A cola de base sintética adotada, de “alto desempenho”, propiciou uma fraca ligação entre a argamassa de regularização e o substrato, que foi rompida por movimentação do sistema pela ação de variação da temperatura.
4.5 Monitoramento do Quadro II
Aos trinta e nove dias de idade o Quadro II apresentou uma microfissura de 0,04 mm de abertura e 110 cm de extensão, visível somente após molhagem do revestimento. O início e o fim da microfissura são mostrados na Figura 64.
Figura 64 - Microfissura no Quadro II.
Essa microfissura no Quadro II não apresentou variação de abertura. O monitoramento nesse quadro ocorreu até os 70 dias de idade do granilite.
Na análise de resultados se verá que essa fissuração seguiu aquela já pré- existente na argamassa de dessolidarização e, em local com espessura diferenciada para verificação da eficiência da espessura da camada de dessolidarização.
4.6 Monitoramento do Quadro III
Com relação à argamassa de regularização observou-se, como mostrado no registro fotográfico da Figura 65, que o Quadro III apresentou fissuras de retração no dia seguinte a sua execução.
(a) (b)
(c)
Figura 65 - Fissuras observadas no Quadro III (3). (a) após algumas horas à execução da regularização; (b) prolongamento no granilite; (c) posicionamento do quadro.
Aos treze dias de idade do granilite surgiram microfissuras (fissuras menores que 0,05 mm) no revestimento do Quadro III e a partir dessa data houve aumento nas extensões dessas microfissuras assim como o surgimento de novas fissuras.
Na Figura 66 são mostradas duas imagens tiradas do Quadro III (1) em dias consecutivos. Nelas é possível observar diferenças significativas no número de fissuras e extensões fazendo-se comparações entre a Figura 66 (a) e a Figura 66 (b), sendo que na segunda figura há uma fissura que atravessa a junta de dilatação com continuidade no quadro adjacente.
(a)
(b)
(c)
Figura 66 - Evolução de fissuras no Quadro III (1). (a) granilite com 13 dias de idade; (b) granilite com 14 dias de idade; (c) posicionamento do quadro.
Na Figura 67 é mostrada uma fissura no Quadro III (4) aos 13 dias de idade. Neste mesmo ponto tinha sido observada uma fissura na argamassa de regularização.
(a) (b)
(c)
Figura 67 - Fissura no Quadro III (4). (a) visão geral do quadro; (b) detalhe da fissura; (c) posicionamento do quadro.
As fissuras no Quadro III foram evoluindo como é ilustrado na Figura 68, em que o granilite estava com 29 dias de idade. Observando-se que na Figura 68 (a) é detalhado o Quadro III (3) e na Figura 68 (b) o Quadro III (2).
(a)
(b)
(c)
(d)
Figura 68 - Quadro III – granilite aos 29 dias de idade. (a) Quadro III (3); (b) posicionamento do Quadro III (3); (c) Quadro III (2); (d) posicionamento do Quadro III (2).
A Figura 69 mostra visões gerais do Quadro III em diferentes idades e evidencia o crescimento e o surgimento de novas fissuras no revestimento. Na Figura 69 (a) é mostrado o Quadro III aos 16 dias de idade e na Figura 69 (b) aos 45 dias de idade.
(a)
(b)
Figura 69 - Quadro III. (a) Quadro III aos 16 dias de idade; (b) Quadro III aos 45 dias de idade.