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MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DO PROGRAMA BRASIL PROFISSIONALIZADO

No documento dissertação de mestrado (1.348Mb) (páginas 70-74)

ASPECTOS POLÍTICAS DE ESTADO POLÍTICAS DE GOVERNO Características São de cunho estruturante, de

3 MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DE IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA BRASIL PROFISSIONALIZADO

3.2 MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DO PROGRAMA BRASIL PROFISSIONALIZADO

A década de 1990 foi marcada pelo movimento em prol do fortalecimento da função da avaliação na gestão governamental. Esse movimento foi fortemente difundido nos países da América Latina que aderiram aos sistemas de avaliação das políticas públicas de escopo variável. Assim, a adesão ao sistema de avaliação das políticas públicas pautou-se na justificativa da necessidade de atualização da gestão pública e do controle social desta. (FARIA, 2005). Sobre essa lógica, a avaliação de políticas educacionais passou a integrar os debates enquanto estratégia política para incentivar experiências emancipatórias, integrando a esse movimento a participação de diferentes sujeitos sociais. (SOUZA, 2009). Parte das discussões em curso, sobre o acompanhamento estatal das políticas públicas centraram-se principalmente, nos aspectos da gestão, monitoramento e avaliação dessas políticas. (OLIVEIRA, 2011).

Dessa maneira, entendemos que, as políticas são representações do Estado em ação. Seria o “Estado implantando um projeto de governo, através de programas e de ações voltadas para setores específicos da sociedade”. (PAESE; AGUIAR, 2012, p. 65). Sendo assim, as políticas podem ser apontadas como ações e medidas que tocam diretamente o exercício real do poder político que se mostra à sociedade. (OLIVEIRA, 2011).

No caso das políticas públicas, são decisões que envolvem instituições, regras e modelos políticos de um governo e influenciam na sua agenda, gestão, implementação, monitoramento e avaliação. Dessa forma, qualquer análise política deve considerar as interrelações entre o Estado e a sociedade, considerando os aspectos econômicos e as demandas sociais. (SOUZA, 2006).

Desse modo, é importante discutir as regras e mecanismos de gestão das políticas públicas adotados para o enfrentamento dos problemas para os quais as políticas são dirigidas (SOUZA, 2009), no caso em análise seriam os mecanismos de gestão de uma política voltada para a Educação Profissional tendo como suporte o Ensino Médio.

O processo de gestão de políticas implica no ato e na possibilidade de gerir uma política já formulada, ou demandar ações para criação de outras. Cury (2001) ao buscar a etimologia da palavra gestão diz que encontrou sua origem no verbo

latino gestum, gerere, gestatio que tem como definição: carregar, executar e gerar. Com esse sentido, o significado do termo gestão em avaliação de políticas públicas pode ser usado no estabelecimento de mudanças, bem como no rompimento com algumas estruturas organizadas: políticas, econômicas ou sociais, seria a condução processual da política. (CARVALHO; SILVA; BARBOSA, 2013).

Assim sendo, entendemos gestão de políticas como uma forma de fazer a dinâmica organizacional da política; sistematizando e relacionando os aspectos de planejamento, tomada de decisões, resolução de conflitos e participação social. Isto é, a gestão de políticas públicas constitui-se de ações e medidas direcionadas ao funcionamento, organização, desempenho, acompanhamento e avaliação das políticas. (COHEN; FRANCO, 2008).

O processo de gestão, o monitoramento e a avaliação, assim compreendidos, são elementos decisórios durante a implementação das políticas públicas. De acordo com Dias (2012) o monitoramento corresponde à observação e registros regulares das atividades do projeto ou programa, acumulando informações ao longo dos processos. O monitoramento, assim definido, nas políticas públicas corresponde às estratégias políticas capazes de fomentar a avaliação de experiências emancipatórias, desde que no processo seja integrada a participação de diferentes sujeitos e segmentos sociais. (SOUZA, 2009).

Na gestão de políticas públicas o processo de formulação representa a síntese de anseios, lutas e embates políticos de diferentes setores. No processo de formulação das políticas são definidos os objetivos, público alvo e base legal, ganhando configurações que passam a caracterizar o tipo de política. Dessa maneira, o movimento para pensar o processo de gestão das políticas educacionais ocorre por meio de “[...] luta pela não conformação desse pensamento pretensamente hegemônico que as políticas educacionais vêm sendo planejadas, executadas e avaliadas, nas últimas décadas”. (SOUZA, 2009, p. 19).

Os processos de formulação e gestão de políticas públicas tem sido orientado pelas seguintes fases: identificação de assuntos; formulação de problemas; levantamento das necessidades; fixação de objetivos; criação de opções; intervenção; e, avaliação das ações. Cabe registrar que ao analisar uma política “é necessário examinar as agências formadoras de políticas, as regras para tomada de decisão, as interrelações entre as agências e os formuladores, bem como os agentes externos que influenciam o seguimento das decisões”. (SILVA, 2000, p. 02).

Além dessas fases que acompanham o processo de formulação e gestão de uma política pública existe também a necessidade de analisar elementos implícitos que influenciaram ou determinam o rumo de uma política. No processo de formulação as políticas públicas ganham forma e estatuto e recebem tratamentos formais mínimos. Nessa fase são estabelecidas e definidas metas, objetivos e recursos para a política ou programa. (SANTOS, 2010). Ainda nesse processo de formulação, a presença dos formuladores oficiais e não oficiais ganham destaque nos embates e disputas por projetos políticos, pois cada formulador busca imbricar suas concepções e interesses na formulação da política. Os formuladores oficiais estão amparados por direitos constitucionais para a ação, sendo esses do: Executivo, Legislativo, Agências Administrativas e Poder Judiciário. Já os formuladores não oficiais são compostos por grupos de interesses, agências de influências e opinião pública.

Assim, na “formulação é importante observar como uma proposição é escolhida entre outras alternativas e quais problemas interessam aos formuladores e quais serão descartados”. (SILVA, 2000, p. 2). Nessa dinâmica de escolhas passa a ser definida a agenda política, representando o momento em que as questões públicas surgem e ocorre o estabelecimento de prioridades. Neste processo de determinação da agenda política do Brasil, entre 2003 a 2010, foi instituído o Programa Brasil Profissionalizado, visando estimular o Ensino Médio Integrado à Educação Profissional.

Existe um consenso entre os representantes e formuladores de políticas que consiste na ênfase necessária ao processo de gestão, implementação, monitoramento e avaliação de programas governamentais. Isso porque, a explicação do sucesso ou insucesso das agências governamentais para atingir os objetivos e metas estabelecidos no desenho das políticas e programas depende do acompanhamento dessas fases. (SILVA, 2014). Sendo assim, são necessárias avaliações das políticas tendo como parâmetro o modelo científico de análise.

Nesse sentido, Melo (2009) ainda acrescenta que no processo de gestão de políticas públicas o monitoramento e a avaliação não podem ser considerados apenas como uma prática ou exercício institucional sem interesses. Devem ser pensados como processos entendidos como práticas carregadas de valores e noções sobre a realidade social partilhada, daí advém, a preocupação com o processo de implementação.

Dessa maneira, não basta planejar a formulação de uma política pública, pois se faz necessário que no processo de gestão sejam traçadas e sistematizadas as formas de monitorar e avaliar. Assim sendo, para serem adequados o monitoramento e a avaliação devem deixar claros os propósitos almejados pelo sistema e pelo uso das informações geradas, bem como os mecanismos adotados para realização da atividade. (SILVA, 2014). Na análise de políticas públicas o processo de monitoramento apresenta-se:

Como um requisito imprescindível para o exercício da avaliação que se pretenda um instrumento de gestão. Quem monitora, avalia. Quem avalia, confirma ou corrige, exercendo o poder de dirigir conscientemente uma ação determinada. Nessa concepção, o monitoramento como um processo de acompanhamento de objetivo e metas alcançadas e os indicadores têm de refletir as práticas de excelência e a ações significativas para uma gestão. (JOHNSON; SILVA, 2014, p. 118).

Para os autores citados, existe uma intrínseca relação entre monitoramento e avaliação, posto que ambos favorecem o processo de gestão e acompanhamento de políticas públicas, pois os resultados dessa direcionam e redirecionam os rumos de suas ações. Vale frisar que em alguns casos são apresentados e usados apenas como mecanismos para apontar falhas das políticas. Todavia, “a princípio, qualquer programa merece e deve ser monitorado e avaliado, uma vez que o monitoramento e a avaliação visam melhorar seu desempenho e maximizar a utilização de recursos públicos. (SILVA, 2014, p. 30). Neste sentido, ambas as ações funcionam como prestação de contas públicas.

Dentro dessa perspectiva, os processos de monitoramento e avaliação possibilitam acompanhar se as finalidades e metas previstas no processo de formulação e gestão da política estão sendo atingidas, e se ainda se faz necessária uma reorganização para se inserir novas estratégias para desenvolvimento do Programa, dos projetos e/ou ações.

A Figura 6 apresenta alguns procedimentos e características necessárias ao processo de monitoramento e avaliação de políticas públicas.

Figura 6 - Quadro de procedimentos e características de monitoramento e avaliação de políticas públicas

PROCEDIMENTOS CARACTERÍSTICAS

1 Características e critérios de

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