Com pouco mais de 03 (três) anos do início do monitoramento eletrônico no Brasil, advindo com as leis n.ºs 12.258/2010 e 12.403/2011, o país ainda está a passos curtos de ver este dispositivo como forma de auxiliar na minimização do sistema penitenciário atual.
Num país continental, como o Brasil, qualquer processo desse nível não muda da noite para o dia, exige-se tempo e dinheiro. Dos 27 (vinte e sete) Estados federados, 19 (dezenove) atualmente utilizam o monitoramento eletrônico, como alternativa à prisão.
Segundo Souza (2014) o Estado do Amapá, não possui o sistema de monitoramento eletrônico devido há peculiaridades como a inexistência de banda larga de Internet, necessário para o bom funcionamento do sistema. Além disso, o IAPEN – Instituto de Administração
Penitenciária não dispõem de um setor para a implantação e execução do monitoramento, assim afirma uma notícia veiculada em 16 de janeiro de 2012, citado por Souza (2014, p. 134):
Uma das alternativas que poderia resolver o problema da superlotação existente hoje no complexo penitenciário amapaense seria o uso de uma tornozeleira aprovada em lei pelo Ministério da justiça. É um dispositivo que seria usado em presos na chamada prisão domiciliar. O sistema de localização é feito via satélite com o uso da internet. Como no estado, ainda não se implantou e nem se sabe quando será implantada a banda larga, a direção do Iapen alega a falta dessa infra estrutura para a implantação do sistema. Segundo Alexandre Soares, presidente do sindicato dos agentes penitenciário do Amapá (Sinapen), os problema não se baseiam apenas na falta da banda larga. Ele explica que antes de se implantar o sistema de monitoramento através do uso das tornozeleiras, precisa ser construído uma central no Iapen, onde esse preso será monitorado, até agora não nenhuma [sic] movimentação de obra no local.
Na Bahia chegou a ser realizado um projeto piloto com a participação de 5 voluntários, durante uma semana. Decorrido esta uma semana experimental, o projeto ainda não foi posto em prática, assim, Souza (2014, p. 136) afirma que “a despeito da iniciativa que teve uma semana de duração, o monitoramento eletrônico ainda não foi colocado em prática em solo baiano. O principal obstáculo encontrado no processo de implementação do sistema possui caráter essencialmente financeiro”.
No Distrito Federal o monitoramento eletrônico ainda não foi implantando conforme Souza (2014, p. 138) explica que a “dificuldade na implementação do sistema reside, principalmente, na questão financeira: a SISEPE vem constantemente avaliando a relação custo- benefício das tecnologias atualmente existentes no mercado, para, em seguida, adquirir as tornozeleiras eletrônicas”.
No Estado do Mato Grosso do Sul, de acordo com Souza (2014, p. 140), foi implantado um projeto piloto, porém devido à falta de recursos financeiros o Estado não colocou em prática o sistema.
No Estado do Rio Grande do Norte, segundo a notícia publicada pelo Governo do Estado – Subcoordenadoria para Integração das Pessoas com Deficiência do RN – CORDE (2011), ainda não havia implantado o sistema de monitoramento eletrônico, porém já havia um estudo vinculado à 5 (cinco) empresas, do ramo, para uma futura aquisição dos dispositivos eletrônicos.
No Estado de Roraima, até dezembro de 2013, o sistema de monitoramento eletrônico não havia sido implantado, mas estaria em discussão, assim afirma o sitio da Defensoria Pública da União de Roraima (2014).
No Estado do Sergipe, o monitoramento eletrônico ainda é um projeto para o futuro, no qual o Secretário de Justiça, Walter Pereira Lima afirma que, com a utilização das tornozeleiras eletrônicas será possível dar um alívio para o sistema penitenciário, de acordo com Secretaria de Estado da Justiça e de Defesa do Consumidor (2014):
[...] o Secretário da Justiça explanou sobre a situação das unidades prisionais no Estado e informou sobre reformas, ampliações, construções e a criação de mais de 600 vagas no sistema prisional sergipano. “Além disso, os nossos dois grandes projetos são a viabilização da utilização das tornozeleiras e a implantação do sistema de videoconferência. Com isso, conseguiremos dar um alívio para o sistema”, comentou o representando do Executivo.
No Estado de Tocantins, segundo Souza (2014, p. 152), ainda não há utilização do sistema de monitoramento eletrônico.
No Acre, de acordo com o Ministério Público do Acre, se utiliza das tornozeleiras eletrônicas para as hipóteses legais, e aos presos que cumprem pena no regime semiaberto. Quanto a isto o próprio MPAC (2014) se manifestou contrário a este tipo de utilização do monitoramento eletrônico:
A promotora de Justiça Laura Miranda Braz, da 4ª Promotoria Criminal, e que atua na Vara de Execuções Penais da Comarca de Rio Branco, reafirmou nesta sexta-feira, 18, o posicionamento contrário do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) à concessão do benefício de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico (fora das hipóteses legais) aos presos que cumprem pena em regime semiaberto.
Segundo o diretor da unidade prisional de Cruzeiro do Sul, Marqueones dos Santos Moura, em entrevista cedida ao G1 AC (2014), “a maioria dos presos que estão usando esse equipamento, não estão obedecendo as regras de inclusão”, porém este descumprimento não se dá por fugas e sim por desvios de trajetos cometidos pelos apenados:
Hoje tem 41 presos em Cruzeiro do Sul usando a tornozeleira eletrônica, mas a maioria vem desobedecendo as regras de inclusão que é a rota por onde ele deve andar. Cada vez que esse preso sai da rota determinada pela justiça, é emitido um sinal pelo satélite para a sala de monitoramento, e essas informações estão sendo encaminhadas ao judiciário, e eles podem a qualquer momento perder essa liberdade.
Em Alagoas, o uso das tornozeleiras eletrônicas vem sendo aplicado, mas em uma quantidade restrita, decorrente da pouca disponibilidade dos equipamentos, afirma o juiz da Vara de Execuções Penais de Alagoas, José Braga Neto, em notícia divulgada pelo TNH1 (2014):
O monitoramento eletrônico do apenado é realizado, ou não, a depender do crime que ele responde. A situação acontece porque, atualmente, existem 375 tornozeleiras em Alagoas e uma fila de espera de 180 apenados que precisam ser monitorados. [...] “Como o número de apenados é muito grande, priorizei alguns tipos penais mais graves para serem monitorados. Aqueles que cometeram crimes mais severos são monitorados eletronicamente. Aqueles que cometeram crimes mais brandos não são passiveis do monitoramento eletrônico, mesmo assim o número é muito maior do que nós temos disponíveis”, explicou o juiz.
No Amazonas, o uso do sistema de monitoração eletrônica por meio de tornozeleiras começou a vigorar no ano de 2014. Presos do regime provisório, semiaberto, aberto, albergados e condenados com base na lei n.º 11.340/2006, afirma Louismar Bonates, secretário de Justiça e de Direitos Humanos citado por Joana Queiroz (2014):
Presos do sistema penitenciário do Amazonas já estão sendo monitorados por meio do uso das tornozeleiras eletrônicas. Atualmente, mais de dez detentos dos regimes provisório, semiaberto, albergados e condenados com base na Lei Maria da Penha utilizam a tecnologia. A informação é do secretário de Justiça e de Direitos Humanos Louismar Bonates, que espera reduzir a população carcerária e obter uma redução de custos, de aproximadamente R$ 2,4 mil, por cada preso que optar usar o novo equipamento de vigilância.
No Ceará, o monitoramento eletrônico, teve início em abril de 2014. Na oportunidade foram disponibilizados 10 (dez) equipamento para a capital Fortaleza, para presos que respondem processos da Lei n.º 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, assim afirma Thamiris Treigher (2014). Publicado no G1 CE (2014), a juíza titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, Fátima Maria Rosa Mendonça, explica que “as áreas de execução é determinada pela vítima, é ela que diz o local que frequenta, onde mora, os locais por onde ela anda. São nesses locais que ele vai ficar proibido de circular”.
No Ceará, uma decisão da Juíza da 2ª Vara de Execuções de Fortaleza (BRASIL, 2012), foi além da previsão expressa em lei, beneficiando uma mulher do regime fechado, a frequentar curso superior utilizando do sistema de monitoramento eletrônico, conforme a decisão a seguir:
[...] Assim, acolho o parecer do Ministério Público, e de forma excepcional e por analogia ao disposto no art. 36 da LEP, DEFIRO à presa o direito de frequentar o
Campus da Universidade Federal do Ceará, para estudo no Curso de História, de segunda a sexta-feira, em um único período (manhã ou tarde), bem como autorizo sua saída para ir à UFC realizar sua matrícula no referido curso, dentro do período solicitado, devendo, neste momento, estar acompanhada da escolta policial. Em atendimento às condições impostas pela lei para fins de cautela conta a fuga e em favor da disciplina, e considerando que o Estado não é dotado de estrutura para a fiscalização no modo convencional por longo período, aliado ao fato de que o histórico da apenada revela que o monitoramento eletrônico mostra-se suficiente à fiscalização, determino que a presa fará uso da tornozeleira eletrônica, que restringirá sua liberdade de locomoção no percurso entre o Instituto Penal Feminino Aury Moura Costa e o Campus da Universidade, no período em que estiver estudando e que será fixado quando da audiência admonitória, devendo após o término das aulas retornar à unidade penitenciária. Destaco, de logo, que nos dez primeiros dias de aula, a condenada deverá estar submetida não só ao monitoramento eletrônico, mas também, a acompanhamento presencial de autoridade do sistema penitenciário, a fim de colhermos todos os elementos indispensáveis para uma fiscalização rigorosa quanto ao atendimento das regras impostas por este Juízo. Cabe à SEJUS o acompanhamento do cumprimento das limitações oriundas do monitoramento, e que serão impostas na audiência admonitória, que de já, designo para o dia 01/03 de 2012, às 09:00 [...].
No Estado do Espírito Santo, o monitoramento eletrônico foi implantado em 2014, após um longo período de teste e licitações. De acordo com o Secretário de Estado da Justiça, Eugênio Coutinho Ricas, um dos maiores atrativos para o governo é a diminuição de gastos, além de trazer benefícios para o apenados, conforme notícia veiculado pelo jornal Folha Vitória (2014):
A empresa vencedora foi a Geocontrol. A implementação do novo sistema é um convênio entre o governo do Estado e o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES). De acordo com Ricas, com o uso dos dispositivos o Estado reduzirá custos e diminuirá a superlotação nos presídios capixabas. “Atualmente temos 16 mil pessoas presas. Em média, gasta-se R$ 2.500 ao mês para manter um preso na cadeia. Com a tornorzeleira [sic], o gasto será de apenas R$ 167,00. Sem contar que é um processo muito benéfico para ressocialização do apenado”, disse.
No Estado de Goiás, o monitoramento eletrônico foi implantado em 2014, quando foram adquiridas 500 (quinhentas) tornozeleiras e 200 (duzentos) equipamentos de proteção para as mulheres vítimas de violência doméstica, para a utilização como medida cautelar também. De acordo com a Secretária de Segurança Pública (2014), cada tornozeleira custa R$ 240,00 (duzentos e quarenta reais) por mês:
A tornozeleira é feita com material altamente resistente a água e fogo, podendo ser retirada apenas pela empresa detentora do serviço. Caso haja alguma tentativa do preso violar o equipamento ou sair da zona geográfica estabelecida para ele circular, a área de Segurança Penitenciária é acionada imediatamente para que as providências sejam tomadas. A ação imediata de prisão do monitorado por violação de regras do monitoramento e/ou violação do equipamento será feita pela Polícia Militar de Goiás. Caso infrinja alguma regra, automaticamente o preso perde o benefício da liberdade monitorada e pode até regredir para o regime mais gravoso.
Além das tornozeleiras, já estão à disposição 200 equipamentos de proteção à vítima de violência doméstica. Edemundo explica que a mulher agredida ficará com um
dispositivo com um “botão de pânico”. O juiz delimita o perímetro que o agressor não pode aproximar da vítima e, caso isso não seja respeitado, a mulher pode acionar o acessório.
No Maranhão, o sistema penitenciário está em total colapso, decorrentes de rebeliões, fugas e homicídios dentro dos presídios. Segundo o G1 MA (2014), em 11 (onze) meses ocorreram 10 (dez) mortes de detentos, pelo menos 20 (vinte) feridos entre brigas de facções e inúmeras fugas. No dia 17 de setembro de 2014, durante madrugada no Complexo Penitenciário de Pedrinhas ocorreu uma fuga em massa, envolvendo 13 (treze) presos.
Diante dessa situação precária, o Estado recebe R$ 900 (novecentos) mil para investimento em monitoramento eletrônico, é o que afirma Andreia Verdélio (2014). Segundo o jornal O Estado (2014), do Maranhão, o Governo do Estado pretende empregar o monitoramento eletrônico de presos a partir de outubro de 2014.
No Estado do Mato Grosso, desde setembro de 2014, o monitoramento eletrônico vem sendo utilizado. Inicialmente foram implantadas 18 (dezoito) tornozeleiras em apenados, sendo um deles, um dos maiores falsários do Brasil. O custo mensal de cada tornozeleira fica em torno de R$ 214,00 (duzentos e quatorze reais) de acordo com Carolina Holland (2014).
Em Minas Gerais, o monitoramento eletrônico vem sendo utilizado desde dezembro de 2013 em grande escala, de acordo com a notícia veiculada no dia 30 de abril de 2014 no sitio EM.com.br (2014):
A Secretaria de Defesa Social anunciou nesta quarta-feira que Minas Gerais chegou a 1.500 pessoas monitoradas por tornozeleiras eletrônicas. Desde dezembro do ano passado, quando eram 863 equipamentos ativos, o total de aparelhos cresceu 73%, e a previsão é que, até o fim de 2015, este número chegue a quatro mil presos monitorados.
Para piorar a situação de Minas Gerais, o Governo mineiro admite que o sistema de monitoramento eletrônico por meio de tornozeleiras tem fracassado, assim afirma o subsecretário de Administração Prisional de Minas Gerais, Murilo Andrade de Oliveira em entrevista fornecida à radio Itatiaia (2014):
O estado de Minas Gerais pode repensar o sistema de monitoramento de criminosos através das tornozeleiras eletrônicas. O dispositivo, que não é inviolável, tem se mostrado ineficaz para impedir a prática de delitos. Até o momento, 15% dos detentos que utilizaram o aparelho descumpriram as normas de segurança pré-estabelecidas.
O subsecretário de Administração Prisional de Minas Gerais, Murilo Andrade de Oliveira, admite que as tornozeleiras não estão mostrando a eficácia esperada. “Se a gente for ver o quantitativo de presos que temos hoje sobre monitoração eletrônica, logicamente vamos ter vários casos de descumprimento. Até o momento, tivemos no estado cerca de 2,3 mil presos monitorados e em torno de 350 descumprimentos, dentre cortes e saídas das áreas permitidas”, informou.
No Estado do Pará, o monitoramento eletrônico é controlado pela SUSIPE – Superintendência do Sistema Penitenciário, que no ano de 2014 apresentou o dispositivo eletrônico para a monitoração de apenados. De acordo com o representante da empresa que fornece os aparelhos, citado pela SUSIPE (2014) Carlos Santiago, afirma que se trata de “um aparelho à prova d´água, discreto, com carga à bateria com 24 horas de duração, 260 gramas de peso, não causa alergia à pele, nem choque e é confortável para uso”.
Na Paraíba, a partir de abril de 2014, iniciaram os testes em apenados, das tornozeleiras eletrônicas. De acordo com notícia veiculada no Portal Correio (2014), Wallber Virgiolino – Secretário da Secretaria da Administração Penitenciária da Paraíba – Seap, afirma que:
[...] Além de funcionar como uma forma de diminuir a superlotação carcerária e permitir que os presos sejam monitorados de forma mais eficaz e dinâmica, essa medida tem um caráter ressocializador, uma vez que vai promover a aproximação dos apenados com os seus familiares e com a sociedade em geral [...]
No Estado da Paraíba que em 2010, uma detenta, que cumpria prisão domiciliar conseguir o direito de utilizar a tornozeleira eletrônica, porém para ter esse direito deferido, ela se comprometeu a arcar com as despesas mensais do equipamento, assim afirma Luciana Rossetto (2010):
Uma detenta que cumpre prisão domiciliar em Guarabira, na Paraíba, paga R$ 380 por mês para ter uma tornozeleira eletrônica. Ela passou a usar o equipamento há cinco meses, após ser condenada a seis anos por tráfico de drogas, e conseguiu o benefício da prisão domiciliar em troca de arcar com os custos do equipamento.
O juiz titular da Vara de Execuções Penais da Comarca de Guarabira (PB), Bruno Azevedo, explicou ao G1 que a própria defesa solicitou o uso da tornozeleira para que a mulher não fosse encaminhada a um presídio em João Pessoa, pois na cidade não há cadeia feminina. Antes, ela chegou a ficar presa por cerca de sete meses em uma sala especial na delegacia da cidade.
“Depois de condenada, a mulher seria remetida para a capital, ficaria longe da família e do filho menor, e seria inserida na massa carcerária. Para evitar que ela fosse para um presídio e ficasse longe da família, a defesa requereu que a presa arcasse com o curso da tornozeleira eletrônica para cumprir prisão domiciliar”, disse Azevedo.
Desta maneira a detenta pode ficar perto de sua família, cuidando de seu filho, com isso, o monitoramento eletrônico se mostrou um sistema que atenta para o lado humanístico do apenado, auxiliando na sua ressocialização e afastando-o do convívio com os demais presos.
No Paraná, a utilização do monitoramento eletrônico foi iniciado em outubro de 2014. O sistema foi implantado em 15 (quinze) presas do Centro de Regime Semiaberto Feminino de Curitiba (CRAF), e com a utilização de mais 5 (cinco) mil tornozeleiras o Governo pretende colocar fim na superlotação carcerária, tendo um custo de R$ 241,00 (duzentos e quarenta e um reais) por mês, conforme assegura a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (2014):
A Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SEJU) e o Poder Judiciário do Paraná iniciaram, em 1º de outubro, o serviço de monitoramento eletrônico de presos no estado. 15 presas do Centro de Regime Semiaberto Feminino de Curitiba (CRAF) receberam as tornozeleiras e deixaram a unidade penal em direção a suas residências. [...]
Durante a instalação das primeiras tornozeleiras, a secretária da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos disse que com as 5.000 tornozeleiras que estão sendo contratadas pelo Governo do Paraná, o estado “acaba de vez com a superlotação carcerária, que dura mais de 30 anos”. Maria Tereza Uille Gomes destacou que “em janeiro de 2011 o Paraná tinha uma superlotação de 11.660 presos em delegacias de polícia. Hoje essa superlotação já foi reduzida para 4.800 presos e acabará com a entrada em operação dessas tornozeleiras, de acordo com decisão judicial”.
No Estado do Pernambuco, o monitoramento eletrônico vem sendo utilizado desde 2011, assim afirma Katherine Coutinho (2011):
O monitoramento auxilia no cumprimento da lei, uma vez que os beneficiados com o regime semiaberto tem direito a visitar a família, a realizar atividades educativas, além de trabalho externo, sob fiscalização do Estado. Por enquanto, os reeducandos que utilizam o equipamento são aqueles que cometeram homicídio, latrocínio ou acusado de tráfico. "Apenas aqueles que a justiça entende que precisam ser monitorados com mais atenção", justifica Renato Pinto.
O Piauí é o Estado do país que mais têm presos aguardando julgamento, à isso se deve a superlotação dos presídios. Em 2013 o Estado adotou o monitoramento eletrônico para poder liberar apenados do sistema penitenciário, com a perspectiva de diminuir a superlotação carcerária. (G1-PI, 2014).
Segundo o G1 PI (2014), dos 84 (oitenta e quatro) presos que aderiram ao monitoramento eletrônico, após passar por questionamento e ter seu perfil aceito na avaliação multidisciplinar, 16 (dezesseis) destes se encontram em condição de foragido do sistema penitenciário. A notícia
veiculada no dia 09 de setembro de 2014, ainda salienta que o custo mensal das tornozeleira fica em torno de R$ 300,00 (trezentos reais).
No Estado do Rio de Janeiro, o monitoramento eletrônico, é operacionalizado pela Superintendência de Inteligência da Sistema Prisional, de acordo com o que Souza (2014, p. 147) expressa:
O monitoramento eletrônico é atualmente operacionalizado no Rio de Janeiro pela Superintendência de Inteligência do Sistema Prisional (SISPEN), órgão da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP). Em contato com o Superintendente Geral da SISPEN, Luiz Otávio Altmayer Odawara, recebemos a informação de que o monitoramento eletrônico vem sendo aplicado na prisão domiciliar e como medida cautelar.
No Estado do Rio Grande do Sul, o monitoramento eletrônico passou a ser utilizado em 2013. Desde a sua implantação houve uma redução de 97,3% de fugas do regime semiaberto, além de uma economia aos cofre públicos de 4 (quatro) milhões por mês, segundo nota da Superintendência dos Serviços Penitenciários (SUSEPE, 2013):
[...] Em seis meses - de maio a outubro - do total de 5.754 apenados do semiaberto, 1.200 fugiram e 223 cometeram crimes. No mesmo período, entre os apenados com tornozeleira, foram 32 fugas e 20 delitos. Dos detentos que quebraram o equipamento e fugiram, 23 já foram recapturados. O uso da tornozeleira reduziu as fugas em 97,3%. [...]
O Governo do Estado, por meio da Susepe, de um total de 5 mil tornozeleiras que serão instaladas, economizará mais de R$ 4 milhões por mês, o que equivalerá a R$ 48 milhões por ano, que poderão ser usadas na saúde, educação ou outras áreas de governo. Atualmente o custo de um preso em instituto penal é de R$ 1.200,00 mensais, mas com o equipamento eletrônico, o custo de locação é R$ 260,00, acrescentando as despesas com pessoal, manutenção e serviços, o valor fica em torno de R$ 400,00, ou seja, três