4.5 Monitorização do Funcionamento do Bloco Operatório
4.5.1 Monitorização e Controlo do Funcionamento do Bloco Operatório
Considerou-se importante fazer uma monitorização e controlo do funcionamento do bloco operatório. Para tal, foi criado um dashboard com o suporte do módulo Pentaho CDE de modo a tornar gráfica a visualização da informação. Estabeleceu-se a conexão à BD e através de queries SQL gerou-se um conjunto de dados relevantes para a análise do problema apresentado. Foram selecionadas a data prevista de realização da cirurgia e a data real de operação. Assim sendo, foram apresentados os resultados em dois tipos distintos de gráficos (barras e circular), tal como se pode verificar na Figura4.53. As cores dos gráficos são pré-definidas pelo Pentaho, no entanto utilizou-se a opção ’Colors’, tornando possível configurar os gráficos de acordo com a tonalidade de cores pretendida. As cores podem ser definidas através de HTML ou então através do seu nome em inglês porém esta última alternativa restringe-se apenas às cores principais. No dashboard desenvolvido foram escolhidas as cores azul marinho (#0D1FE0) e rosa claro (#5C595C). Os resultados estão traduzidos segundo uma amostra total de 110150 casos em que as datas de operação e previstas coincidem ou não coincidem, sendo assim possível avaliar a eficiência dos serviços no bloco.
Pela observação da Figura4.53, pode-se constatar que há uma disparidade de resul- tados favoráveis em relação aos menos favoráveis no sentido em que o número de casos
Figura 4.53: Total de casos em lista de espera para o bloco operatório.
em que as cirurgias ocorreram na data prevista é bastante superior (109850 casos) ao número de casos não coincidentes (300 casos). Através de uma análise mais particular dos resultados não coincidentes pode-se perceber que existem mais casos em que a data de operação é posterior à data prevista (222 dos 300 casos), enquanto que a operação apenas foi realizada antes da data prevista em 78 dos 300 casos não coincidentes. Por outro lado, esta discordância de datas apresenta-se como pouco preocupante para a gestão do funcionamento do bloco uma vez que na maioria das situações as datas não coincidem por uma questão de poucos dias.
Em forma de conclusão, foi possível realizar-se uma avaliação positiva da eficiência e funcionamento do bloco operatório do hospital, uma vez que em 99.73% dos casos as cirurgias são realizadas no tempo previsto e que apenas uma minoria pouco significativa de 0.27% dos casos não são coincidentes.
4.5.2 Cirurgias Realizadas - Análise Preditiva por Mês e Sexo
As cirurgias realizadas num hospital devem ter em conta o sexo dos pacientes, uma vez que este fator está diretamente dependente da capacidade do hospital por enfermarias para internamento. Assim, pretendeu-se realizar uma análise de forma a encontrar um padrão do número de pessoas operadas, divididas pelo seu género. Desta forma, no caso de existir uma tendência para determinado sexo a instituição de saúde deve então preparar mais enfermarias em função dos resultados. No sentido da análise do problema, foi também efetuada uma análise preditiva por meses, sendo que a partir da informação referente aos meses de Janeiro e Fevereiro seria possível prever-se uma tendência para o mês de Março.
Para o estudo realizado, construiu-se um DW através do PDI de forma a serem selecionados apenas os dados relevantes para a análise (através de queries SQL) e a inserção dos mesmos numa nova tabela de forma a ficarem disponíveis todos os dados de modo organizado. Posteriormente, foi desenvolvido um conjunto de dashboards com o suporte do Pentaho EE, utilizando gráficos do tipo Dial, Circular e de Barras Verticais. Inicialmente, apresentam-se os dados relativos a Janeiro (Figuras 4.54a e 4.54b) e
Fevereiro (Figuras 4.55a e 4.55b) de acordo com o género das pessoas submetidas a intervenções cirúrgicas nos respetivos meses.
(a) Sexo Masculino (b) Sexo Feminino
Figura 4.54: Gráfico do tipo Dial que representa o número de pessoas por sexo subme- tidas a cirurgia no mês de Janeiro.
(a) Sexo Masculino (b) Sexo Feminino
Figura 4.55: Gráfico do tipo Dial que representa o número de pessoas por sexo subme- tidas a cirurgia no mês de Fevereiro.
Da observação dos gráficos é possível concluir-se que o sexo feminino está larga- mente mais representado do que o sexo masculino. No mês de Janeiro foram operadas mais mulheres (1462 casos) do que homens (1043 casos), representando 58.4% das mu- lheres em comparação com 41.6% dos homens num total de 2505 casos. No mês de Fevereiro também foram operadas mais mulheres (1131 casos) do que homens (699 casos), representando 61.8% das mulheres em comparação com 38.2% dos homens num total de 1830 casos. Assim, pode-se afirmar que o estabelecimento de saúde em estudo deve ter preparadas um maior número de enfermarias femininas do que masculinas, deslocando também um maior número de profissionais para esses pisos.
De forma a prever e poder agir antecipadamente na preparação das enfermarias para os próximos tempos, tentou-se prever o número de pessoas por género que seriam submetidas a uma intervenção cirúrgica no mês seguinte, Março. No contexto das observações fatuais retiradas, é possível prever-se que no mês de Março o sexo feminino continuará a ser o mais representado, seguindo assim a forte tendência dos meses anteriores.
Para comprovar a veracidade das previsões efetuadas, foram desenvolvidos 2 dash- boards, um composto por gráficos circulares cada um referente a um mês, e outro composto por gráfico de barras verticais onde se podem observar todos os resultados
dispostos de forma organizada, divididos por mês e por sexo. Apresentam-se, assim, os dados reais relativos a cada um dos meses Janeiro, Fevereiro e Março (Figuras 4.56a, 4.56be4.56c), realçando-se o gráfico circular do mês de Março para comprovar ou não a previsão efetuada. Seguidamente, apresentam-se os dados relativos a todos os meses, e por sexo, organizados todos num só gráfico de barras (Figura4.57).
(a) Janeiro (b) Fevereiro (c) Março
Figura 4.56: Gráficos circulares onde se representam o número de casos cirúrgicos por sexo (1- sexo masculino e 2- sexo feminino) e por mês.
Figura 4.57: Gráfico de barras verticais com o conjunto total de dados apresentado e organizado por meses e por género.
A construção de dashboards no Pentaho EE é simples e mais intuitiva do que na plataforma CE. A grande parte do desenvolvimento é automático, ao contrário do CE em que se tem que definir tudo. Por este motivo, o Pentaho EE e os seus módulos estão mais direcionados para utilizadores mais básicos. Apresenta simplicidade e atratividade dos menus e do layout, bem como qualidade gráfica da interface e das soluções. Estas são consideradas atrativas e bastante amigáveis do utilizador, apresentando um aspeto muito profissional e permitindo facilidade na leitura dos dados e na interatividade das próprias soluções. Existe reversibilidade das ações e o tempo de execução é muito baixo (poucos segundos). Finalmente, não existe praticamente documentação nem suporte técnico, tal como se verifica para o Pentaho EE de um modo global.