3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
4.2.3 Inversão de AVO
4.2.3.2 Montagem dos “Cross Plots” e das Curvas de AVO
Nesta etapa foram montados Crossplots de AVO Intercept vs AVO Gradient e de Rp vs Rs para cada um dos alvos indicados neste trabalho. E a partir dos Crossplots foram montadas suas curvas de AVO correspondentes: Para a Areia 1 como indicado na Fig. 30, para a Areia 2 como indicado na Fig. 31 e para o BSR o como indicado na Fig. 32.
A
Fig. 31 – Crossplots da AREIA 2 - Retirada dos atributos a partir da seção sísmica e montagem dos crossplots e das curvas de AVO. (A) No centro observa-se o image gather, representando em vermelho a linha que corresponde ao topo do gás (amplitude negativa) e em azul a base do gás (amplitude positiva). (B) À esquerda observam-se as curvas de AVO baseadas em AVO Gradient e Intercept e em (E) o crossplot correspondente e em (C) o crossplot correspondente. (D) À direita observam-se as curvas de AVO baseadas em Rp e Rs e em (E) o crossplot correspondente.
E C
A
Fig. 32 – Crossplots do BSR - Retirada dos atributos a partir da seção sísmica e montagem dos crossplots e das curvas de AVO. (A) No centro observa-se o image gather, representando em vermelho a linha que corresponde ao topo do gás (amplitude negativa) e em azul a base do gás (amplitude positiva). (B) À esquerda observam-se as curvas de AVO baseadas em AVO Gradient e Intercept e em (E) o crossplot correspondente e em (C) o crossplot correspondente. (D) À direita observam-se as curvas de AVO baseadas em Rp e Rs e em (E) o crossplot correspondente. E C A D B
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1 Reprocessamento
É importante ressaltar que a etapa de reprocessamento foi de fundamental importância para a realização deste trabalho. O processamento não consiste em rodar apenas um fluxo pré-pronto, mas consiste em definir de maneira apropriada para cada dado. Nesta dissertação, cada etapa foi definida de forma a retirar a máxima quantidade de ruído e objetivando a obtenção dos coeficientes de reflexão, sem que suas amplitudes sejam corrompidas.
Cabe destacar também que existem etapas do fluxo de processamento que demoraram até quatro dias para serem concluídas. Como nem sempre a escolha dos parâmetros é apropriada, deve-se analisar cada etapa e repeti-la até que a escolha dos parâmetros esteja correta e o resultado seja satisfatório.
É interessante enfatizar que após o processamento o BSR ficou bem definido neste trabalho, reafirmando assim a presença de hidratos na Bacia de Pelotas.O primeiro resultado foi a identificação do BSR após o processamento sísmico, conforme apresentado na seção da linha sísmica processada na Fig. 33.
5.2 Caracterização da assinatura de AVO
Através da Fig. 32, observa-se que com o crossplots AVO Gradient (B) vs AVO Intercept (A) e Rp vs Rs foi possível a separação de eventos com propriedades distintas, indicando a anomalia clássica de AVO (Classe III).
O Alvo indicado como Areia 1 não ficou bem definido e não apresentou nenhum tipo de anomalia de AVO segundo este estudo. A Areia 2 apresentou uma possível anomalia de Classe 2, contudo ao reproduzir os eventos observados para a linha inteira observou-se que esta característica estava presente em quase toda linha, podendo ser uma possível variação de litologia e não uma possível indicação de hidrocarbonetos.
Ao analisar o alvo BSR, observou-se que com o crossplots AVO Gradient (B) vs AVO Intercept (A) e Rp vs Rs, conforme a Fig. 34, foi possível a separação de eventos com propriedades distintas.
Analisando a curva de AVO do BSR, observa-se o crescimento da amplitude negativa em vermelho conforme a Fig. 32 (B) que associado ao crossplot correspondente indica uma possível anomalia de Classe III conforme a Fig. 34.
Com a retirada dos atributos, a montagem dos crossplots e a análise das curvas de AVO foi possível correlacionar as anomalias observadas para a seção inteira no alvo BSR. Na Fig. 35 e Fig. 36, em específico na zona circundada em vermelho, observando-se nitidamente um forte refletor formado e um provável reservatório de gás trapeado pelo hidrato de gás.
Fig. 34 – Anomalia de Classe III -O topo do reservatório de gás está representado em vermelho e sua respectiva base em azul, indicando a anomalia clássica de AVO (Classe III). A região selecionada em marrom corresponde ao BSR, estabelecendo um grande contraste com a camada de gás trapeada logo abaixo.
BLANKING BLANKING
BSR BSR
6 CONCLUSÃO
Com a utilização dos atributos e a montagem dos crossplots para a análise de AVO, observou-se que as areias indicadas por Rosa (2007) como possíveis reservatórios de petróleo não apresentaram anomalias de AVO.
Foi identificada uma zona de branquemento (blanking) da seção sísmica conforme a Fig. 36, que representa a parte da seção cujos sedimentos estão cimentados por hidratos de gás. Nesta zona (zona de estabilidade de hidratos) a cimentação por hidrato reduz o contraste de impedância acústica entre os estratos sedimentares, resultando em uma redução nas amplitudes dos refletores sísmicos e não possibilitando a detecção dos hidratos dentro da mesma pela técnica de AVO.
Com o uso dos atributos de AVO, observou-se uma anomalia de ―CLASSE III‖. Este tipo de anomalia é induzido pela diminuição da velocidade e da razão de Poisson, sugerindo a presença de gás livre debaixo da camada de hidrato, indicando um possível reservatório de gás trapeado pelo BSR.
Através da decomposição espectral realizada por Oliveira (Oliveira, 2009), também foi observada anomalia semelhante na mesma região da linha estudada, corroborando assim com os resultados apresentados nesta dissertação.
Contudo, é importante ressaltar que apenas a análise de AVO, baseada nos dados processados, não é suficiente para garantir a confiabilidade total nos resultados apresentados.
Sendo assim, é importante o uso de outras técnicas, como a análise de perfis de poços, a fim de confirmar o resultado apresentado nesta dissertação.
- Uma análise de AVO mais detalhada com a correlação dos perfis de poços;
- Além de outra análise de AVO dos alvos indicados para a reafirmação dos resultados.
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