2 DESENVOLVIMENTO
2.1.3 MOOC como proposta formativa: conhecendo esse modelo de
A partir do desenvolvimento deste estudo acerca da temática étnico-racial num viés decolonial, realizamos um curso de formação continuada no formato MOOC (do inglês, Massive Open Online Courses), a fim de problematizar a temática em questão, em relação às práticas pedagógicas, desenvolvidas pelos professores, com o objetivo de possibilitar a um maior número de docentes dos anos finais do Ensino Fundamental, de diversas áreas do conhecimento, o contato com novos olhares acerca da educação para as relações étnico-raciais numa perspectiva decolonial.
Importante apresentar o conceito desse modelo de curso. Nesse sentido, citamos a definição de Andrade e Silveira (2016, p. 103) acerca dos MOOCs.
Os cursos on-line abertos e massivos, do inglês, são considerados um tipo de curso aberto ofertado por meio de ambientes virtuais de aprendizagem, ferramentas da Web 2.0 ou redes sociais que visam oferecer para um grande número de alunos a oportunidade de ampliar seus conhecimentos dentro de um processo colaborativo.
Ainda sobre o conceito de MOOC, trazemos Mattar (2013, p. 30) que afirma que um MOOC é em princípio um curso online (que pode utilizar diferentes plataformas), aberto (gratuito, sem pré-requisitos para participação e que utiliza recursos educacionais abertos) e massivo (oferecido para um grande número de participantes).
Bastos e Biagiotti (2014, p. 6) destacam o caráter democrático do MOOC,
Por ser massivo, pode-se atingir milhares de alunos simultaneamente e em diversos países. Essa é uma grande oportunidade de troca de experiências.
MOOC oportuniza a qualquer cidadão ter acesso às melhores instituições de
ensino. Isso é uma democratização do ensino sem precedentes.
Antes de apresentarmos as especificidades dos cursos MOOC, na plataforma do IFES, citamos Holanda e Tedesco (2017), que descrevem os MOOC, de uma forma geral, evidenciando as potencialidades dessa modalidade de estudo.
Os Cursos Abertos Massivos Online (MOOCs) são ambientes educacionais disponibilizados por meio da Web e possuem a característica de lidar com um grande número de estudantes e devem estimular constantemente a participação e a colaboração dos envolvidos. (HOLANDA; TEDESCO , 2017, p. 243)
De acordo com Holanda e Tedesco (2017, p. 246),
nesse sentido, se faz necessário definir MOOCs para que haja uma maior compreensão do tema em questão. De acordo com a RSL proposta, MOOC pode ser definido como sendo um curso disponibilizado por meio da Internet, sem custo, oferecido para um número muito grande de pessoas, como comenta Chauan et al. (2015). Para Gené et al. (2014]), MOOC é um curso gratuito, baseado na web, com o registro aberto e currículo compartilhado publicamente. Já Siemens (2013) sustenta que MOOCs são uma continuação da tendência em inovação, experimentação e do uso da tecnologia iniciada pelo ensino a distância e online, para oferecer oportunidades de aprendizagem de forma massiva.
Após a exposição dos aspectos gerais dos MOOC, chamamos atenção para algumas características da concepção dos cursos MOOC adotada no Ifes, de acordo com Battestin e Santos (2019), que também nos apresentam o modelo ADDIEM do processo formal do Ifes e do curso “Como criar um MOOC”, que são fundamentais para o desenvolvimento do nosso produto educacional. Segundo as autoras acima citadas, os cursos MOOC no Ifes são totalmente on-line, podendo ser acessados através de computador, de tablet e, até mesmo, de smartphone. Os cursos MOOC:
são inclusivos e promovem a democratização do conhecimento, uma vez que todas as pessoas podem ter acesso de qualquer lugar do mundo; não possuem processo de seleção, sendo ofertados a um grande público; podem ser oferecidos continuamente, com a possibilidade de turmas semestrais ou anuais; não possuem tutoria, seja presencial ou on-line, permitindo ao cursista estudar de forma autônoma, como protagonista de seu aprendizado; são um importante instrumento da formação continuada, algo fundamental nesse processo de constantes mudanças que presenciamos na educação, o que deixa cada vez mais evidente que a formação inicial carece ser complementada. Em relação ao MOOC, não faz sentido falar em evasão, uma vez que parte dos cursistas irão concluir o curso e obter o certificado, que é gerado automaticamente, enquanto outros alunos buscam o aprendizado de parte do
conteúdo do curso e não se preocupam em concluí-lo, a fim de certificação. Assim quando aprendem determinado conteúdo, esses cursistas o abandonam. Essa situação não configura um aspecto negativo, mas sim uma particularidade dos MOOCs.
São cursos online organizados em um ambiente digital com conteúdos em diversas mídias e compartilhados para quem se interessar. Pode servir para formação continuada e/ou consulta específica sobre o assunto disponibilizado. Por essa característica de conteúdos específicos organizados e disponibilizados para quem tem interesse os MOOCs, muitos usuários exploram os recursos não em busca de certificados, mas principalmente em busca de informação confiável, por isso podem ser considerados cápsulas de saber. (SILVA; MARQUES, 2015, p. 233).
O desejo de realizar um curso remoto, a fim de abarcar um público maior, ocorre diante das particularidades dos docentes, principalmente relativas a horários, que acabam dificultando um estudo presencial. Barín e Bastos (2013, p. 7) destacam a flexibilidade que um curso MOOC permite aos envolvidos no processo de aprendizagem.
Os cursos massivos online além de envolverem um elevado número de estudantes possibilitam acomodar uma vasta gama de níveis de participação e envolvimento do estudante devido sua programação assíncrona e flexível, possibilitando ao estudante um aprendizado dinâmico, com oportunidade de
“engajamento” social e colaborativo de aprendizagem.
Além disso, como afirmam Andrade e Silveira (2016), o ambiente virtual proporciona inúmeras possibilidades de aprendizagem.
Com a ampla utilização das tecnologias da informação e comunicação – TIC, dos ambientes virtuais de aprendizagem e mais recentemente, no contexto da Educação Aberta, novas possibilidades podem ser agregadas à sala de aula tradicional com a possibilidade de ampliação da interação professor-aluno-conteúdo. As TIC impactam diretamente o processo de ensino-aprendizagem, alterando a compreensão de tempo e espaço que a sala de aula tem oferecido. (ANDRADE; SILVEIRA, 2016, p. 102).
Nesse sentido, os autores acima citados destacam a perspectivas do curso MOOC:
no que se refere à Educação Aberta, destacam-se os MOOC, acrônimo de Massive Open Online Course (Cursos On-line Abertos e Massivos), que são capazes de levar conteúdos e aulas de nível universitário com qualidade a qualquer lugar, além de fomentar uma aprendizagem em rede com o foco em processos colaborativos de aprendizagem. (ANDRADE; SILVEIRA, 2016, p.
102).
Importante lembrar que os cursos on-line abertos e massivos proporcionam aos envolvidos uma autonomia no processo de aprendizagem. Como afirmam Barín e Bastos (2013, p. 6), os
MOOC possibilitam a investigação de estudantes ao longo da vida e suas atitudes em relação à aprendizagem em rede, tanto no que se refere a flexibilidade do aprendizado, a gestão do conhecimento, usabilidade e potencialidades das ferramentas de aprendizagem baseadas na web, que proporcionam interação e interatividade e requerem a autonomia do aprendizado.
Com o planejamento de uma formação através de um curso MOOC, pretendemos proporcionar aos docentes uma interação que possibilitasse novas perspectivas de ensino-aprendizagem. Como afirmam Andrade e Silveira (2016, p. 105), as
áreas de pesquisa e experimentação sobre os MOOCs evoluem paralelamente à evolução das ferramentas da Web 2.0, oferecendo novas oportunidades de aprendizagem aos indivíduos. A aprendizagem colaborativa e a alta interatividade entre os participantes podem agregar um grande potencial para o desenvolvimento de aplicações para esses cursos, fomentando, inclusive, a criação de novos métodos e modelos de ensino e aprendizagem.
Fundamental lembrar o princípio da conectividade que os MOOC trazem à tona no processo formativo que propomos. De acordo com Barín e Bastos (2013, p. 7),
(...) a conectividade desponta como teoria alternativa de aprendizado na era digital que se baseia em quatro princípios: conectividade, liberdade (flexibilidade de tempo e espaço), diversidade (plataformas de aprendizagem, recursos educacionais e atividades de estudo) e autonomia. O campo exploratório destes princípios tem sido os MOOC, que propiciam uma larga fonte de dados para estudos de tutoria inteligente, sistemas de mineração de dados, psicologia da aprendizagem em ambientes interativos, ecologias cognitivas etc.
A teoria da aprendizagem baseada no conectivismo valoriza o princípio colaborativo no processo de aprendizagem. Dessa forma, os cursistas que realizam o MOOC contribuem continuamente na produção do conhecimento de diversas maneiras, como afirmam Bastos e Biagiotti (2014, p. 3):
o aprendizado nesse contexto é embasado no conceito de rede e os alunos são co-autores do conteúdo do curso. Os participantes são incentivados a disponibilizar conteúdos externos que venham a enriquecer o debate, por meio de blogs e redes sociais. Pessoas interessadas sobre um mesmo tema aprofundam o debate e o professor está no mesmo patamar hierárquico dos alunos, contribuindo e orientando as discussões. O conteúdo é construído
colaborativamente pela comunidade de aprendizado.
Novamente trazemos Barín e Bastos (2013, p. 8), que evidenciam o potencial criativo dos MOOC.
Os cursos abertos massivos online em virtude de seu elevado número de estudantes apresentam-se como campo de pesquisa potencial para o estudo e criação de recursos e atividades de ensino mais flexíveis e interativos, bem como de novas estratégias de avaliação.
Bastos e Biagiotti (2014, p.3) destacam a potencialidade inovadora dos cursos MOOC no processo de produção do conhecimento. Segundo os autores,
(...) outra característica importante do MOOC: a capacidade de gerar novas práticas na educação e agregar o potencial de inteligência coletiva da Web 2.0. Com o uso de redes sociais e ferramentas de participação, o conhecimento vai sendo co-produzido por todos os envolvidos e o mais importante fica sendo o contexto, e não o conteúdo. Conhecimento gerando mais conhecimento, quebrando paradigmas e criando uma poderosa semente para romper com a clássica forma de ensinar e aprender.
Por fim, lembramos que a proposta de realizar uma formação docente por meio de um curso MOOC, no ambiente virtual do Ifes, é viável em consonância com a Resolução do Conselho Superior nº 72/2020, de 11 de dezembro de 2020. Essa resolução normatiza a elaboração, a oferta, o funcionamento e a certificação de Cursos On-line, Abertos e Massivos (MOOC, do inglês) no Ifes, definindo as especificações dos MOOCs ofertados por essa instituição.
Destacamos ainda, com base na resolução acima citada, que os MOOCs no Ifes são totalmente on-line, de curta duração (com no máximo 60 horas), possuem um canal de suporte para atendimento restrito a dificuldades técnicas de acesso, não sendo possível tirar dúvidas relativas ao conteúdo do curso, uma vez que não há tutoria. Os MOOCs no ambiente virtual do Ifes possuem certificação automática: assim que o aluno conclui o curso, realiza todas as atividades avaliativas com ao menos 60% de aproveitamento e responde ao questionário avaliativo do curso, ele pode emitir o certificado com um QR code, que possibilita a validação no site do Centro de Referência em Formação e em Educação a Distância – Cefor.
Dessa forma, apresentamos as principais características e potencialidades dos MOOCs, modelo de curso que utilizamos, a fim de ofertar nossa proposta de formação continuada de professores, baseada no estudo acerca da temática educação para as
relações étnico-raciais. No próximo capítulo, delineamos o caminho metodológico que empregamos no desenvolvimento desta pesquisa para buscar uma reeducação das relações entre as etnias, que compõem nossa sociedade.