• Nenhum resultado encontrado

Capítulo III MOOC Massive Open Online Course: Novos Cenários para a

3.1 O que são os MOOCs?

Com o propósito de maximizar uma melhor utilidade da rede, bem como dessa nova estrutura social - sociedade em rede -, Siemens e Downes lançaram um curso sobre “Connectivism and Connective Knowledge” (Conectivismo e Conhecimento Conectivo), em 2008, para estudantes pagantes da Universidade de Manitoba (Canadá). Tratou-se do primeiro curso massivo aberto, inclusive para outros 2300 estudantes do público em geral, que puderam participar, de modo gratuito, pela

Internet. O objetivo do curso foi explorar, durante 12 semanas, os conceitos do

conectivismo (Siemens, 2004), bem como sua aplicação como teoria de ensino e aprendizagem. O curso, que teve como base a teoria Conectivista (Siemens, 2004), foi balizado pelo princípio de que a aprendizagem é bem sucedida se os participantes souberem como se conectar e construir redes relevantes. A intenção subjacente era ligar um participante ao outro para construir conhecimento. Essa iniciativa foi

reconhecida como MOOC – Massive Open Online Course13 por Dave Cormier14, assim como, por Bryan Alexander15.

No vídeo produzido por Cormier (2010), What’s is MOOC? (Cormier, 2010), o criador da sigla MOOC explica o seguinte: MOOC é um curso aberto participativo e distribuído, idealizado para apoiar a aprendizagem em rede ao longo da vida.

Para Cormier (2010), o MOOC não é uma escola e tampouco, um curso online. Trata-se de uma forma que permite a conjungação de processos de ação que vão desde o conectar, o colaborar até o envolvimento no processo de aprendizagem. Segundo o autor, o mais importante é que se trata de um evento no qual um contingente massivo de pessoas - que se preocupam com um dado tema - pode-se reunir e discutir sobre o mesmo de forma estruturada. Daí a denominação de curso.

De acordo com Cormier (2010), o MOOC é aberto pelos seguintes motivos:  todo o trabalho desenvolvido é feito em ambientes abertos e não é preciso

pagar para ter acesso ao que está sendo produzido. Neste ponto do vídeo o autor elucida que é possível obter créditos por meio de uma instituição, mas não por estar participando do curso;

 o que é produzido no curso é resultado de um trabalho colaborativo entre os facilitadores e os participantes e é possível manter o que foi produzido acessível para que outros comecem a aprender com ele.

Como observa Cormier (2010), o MOOC é participativo, uma vez que os participantes que fazem parte do curso costumam envolver-se com o trabalho dos outros por meio das conexões, estabelecidas entre troca de materiais, bem como de consultas na web, além das ideias dos outros. O MOOC é distributivo, pois tudo que é/foi produzido nas diferentes ferramentas da rede pode ser colocado junto, sem que haja um caminho pré-definido para seguir, possibilitando, assim, a criação de novas ideias para diferentes pontos de vista e uma base de conhecimento distribuída na rede. Ainda segundo o autor, o MOOC configura um passo para a aprendizagem ao longo da vida, visto que possibilita a independência, mediante o trabalho nos próprios espaços e a criação de redes autênticas, que podem ser mantidas mesmo após o término do curso. Especialistas reconhecidos, seja por suas competências ou ideias inovadoras, podem anunciar na rede a oferta de um curso, aberto e online. Quem

13 [http://en.wikipedia.org/wiki/Massive_open_online_course] 14 [http://davecormier.com/edblog/2008/10/02/the-cck08-mooc-connectivism-course-14-way/] 15 [http://infocult.typepad.com/infocult/2008/07/connectivism-course-draws-night-or-behold-the- mooc.html]

pesquisar e tiver interesse no tema proposto pode participar, contribuindo, assim, para discussão e construção de conhecimento. Em um MOOC, o participante escolhe como quer participar sendo que, no final, é a própria pessoa que vai poder dizer se valeu a pena, “como na vida real” (Cormier, 2010).

Após o curso realizado por Siemens & Downes, em 2008, vários outros cursos foram realizados com a denominação, MOOC. Em um post publicado por Downes16 (2012c), aparecem quase 40 MOOCs realizados em diferentes países quer a partir de instituições, quer de indivíduos. Apesar disso, foram os cursos oferecidos com o selo de instituições de elite dos Estados Unidos, tais como, o Massachusetts Institute of

Technology (MIT), a Stanford University, Harvard, entre outras, que chamaram a

atenção do meio acadêmico e da imprensa para os MOOC como um modelo inovador na educação a distância. Isso, muito embora os MOOCs desenvolvidos e patrocinados por estas instituições não se inspirem no modelo conectivista, e segundo alguns autores, sejam bastante tradicionais, e de inspiração cognitivista/behaviorista, se nos reportar-mos às gerações pedagógicas de EaD.

No caso destas instituições americanas, o fenómeno teve início com o curso sobre Inteligência Artificial, realizado por Peter Norvig e Sebastian Thrun, da

Stanford University, que reuniu mais de 140 mil estudantes, em 2011. Em dezembro

do mesmo ano, os professores de Stanford, juntamente com Salman Khan, fundador da Khan Academy17, realizaram um vídeo chat no Google Hangout com o seguinte tema: Reinventing Education with Khan Academy and AI Class18. No vídeo, os professores colocam em discussão o uso intensivo das tecnologias para levar a educação para qualquer um, em qualquer lugar e a qualquer tempo.

É de registar que se verifica uma confusão bastante grande entre ensino online e MOOCs fazendo-se coincicidir a designação de MOOC com ensino online. Ora sabemos que, um MOOC é um curso online, mas aberto e massivo o que implica várias características específicas. Por outro lado, tal como refere Tony Bates19, num conjunto de posts no seu blog, e com o qual estou de acordo, muitas das intervenções neste campo ignoram totalmente o património quer do ensino a distância, quer do ensino online que é muito rico e com um trajecto ao longo de décadas.

16 [http://halfanhour.blogspot.com.br/2012/11/international-moocs-past-and-present.html] 17 [ https://www.khanacademy.org/] 18 [http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=LtmdiPUGGe8] 19 [http://www.tonybates.ca/2013/01/31/no-2-aha-moment-god-helps-those-that-help-themselves/]