5. RESULTADOS
5.1 MORFOLOGIA GERAL E MORFOMETRIA DOS OVÁRIOS
Os ovários de Pteronotus gymnonotus apresentam-se como estruturas ovais, bilaterais e localizados na região pélvica, sustentados por ligamentos e comunicando-se com o útero através das tubas uterinas.
Histologicamente, os ovários de P. gymnonotus apresentaram-se constituído por duas regiões distintas: a região central do ovário, formada por tecido conjuntivo frouxo contendo alguns de vasos sanguíneos e vasos linfáticos; e a região periférica, contendo a maior parte dos folículos ovarianos em diversos estágios de maturação inseridos, em tecido conjuntivo, além de corpo lúteo. O limite entre a região central e a região periférica não apresentou clara delimitação.
A superfície do ovário apresentou-se revestida por um epitélio que variou de pavimentoso a cúbico simples, formando o epitélio germinativo. Subjacente a esse, observou-se uma camada de tecido conjuntivo denso, chamada de túnica albugínea, entre o epitélio ovariano e o córtex subjacente (Figura 2).
Foi observada certa estratificação quanto à localização dos folículos ovarianos, onde a maioria dos folículos primordiais se dispôs na região periférica do ovário, porém sendo possível identificar muitos folículos em vários estágios de maturação na região central (Figura 2).
Figura 2. Cortes tra nsversa is dos ová rios de Pteronotus gymnonotus. A: Ová rio com folículo primordia l (FP), folículo secundá rio (FS) e Folículo Ma duro (FM), a lém de um corte do epitélio, onde temos a túnica a lbugínea
(T); B: Folículo Primordia l com o ovócito (seta preta ); C: Folículo Primá rio Unila mina r com a pena s uma cam ada
Os folículos primordiais foram caracterizados por apresentarem um ovócito primário envolvido por uma única camada de células foliculares achatadas, como pode ser observado na figura 2 – A e B. A maioria encontrava-se na região periférica, todavia uma parte também se localizava na região central.
Com o seu desenvolvimento, essas células achatadas circunvizinhas proliferam e tornam-se cúbicas, mas ainda se mantém arranjadas numa única camada e pode ser observado o aumento de tamanho do ovócito. Neste momento, o folículo passa a ser chamado de folículo primário unilaminar, por apresentar apenas uma única camada de células foliculares cuboides (Figura 2 – C).
Após sucessivas divisões mitóticas, a única camada de células foliculares forma um epitélio estratificado, com múltiplas camadas de células granulosas, caracterizando um folículo primário multilaminar, envolto pela zona pelúcida. É neste estágio que uma espessa camada amorfa, chamada de zona pelúcida, é secretada e envolve todo o ovócito (Figura 2 – D).
Com o desenvolvimento dos folículos, principalmente em virtude do aumento em tamanho e número das células da granulosa, estas crescem e ocupam áreas mais profundas da região cortical. Neste momento, o líquido folicular começa a se acumular entre as células foliculares e começam a surgir pequenas cavidades, que ao se unirem irão formar o antro (Figura 2 – E). Nesse estágio o folículo passa a ser chamado de folículo secundário.
Durante essa reorganização das células da granulosa, algumas células dessa camada se concentram em determinado local da parede do folículo, formando um pequeno espessamento, o cumulus oophorus, que serve de apoio para o ovócito. Além disso, um pequeno grupo de células foliculares envolve o ovócito, constituindo a corona radiata. É neste momento, quando um folículo cresce muito mais do que os demais que se forma o folículo dominante, o qual pode alcançar seu estágio máximo de desenvolvimento e prosseguir até a ovulação, sendo, portanto, chamado de folículo maduro (Figura 2 – F e G).
O corpo lúteo (Figura 2 - H) foi observado na maioria dos ovários, indicando que os ovários são funcionais, ou seja, estão aptos a ovular, conforme pode ser observado na tabela 2, conferindo uma porcentagem média de aproximadamente 10% da área dos componentes
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ovarianos. Foi observado, apenas corpo lúteo no início de sua formação, onde foi possível verificar as células da granulosa invadindo todo o antro e sendo compactad as pela teca interna e externa, para assim, iniciar o processo de alterações para células lúteas e iniciar a síntese hormonal.
Na tabela 1 são apresentados os valores médios referentes à morfometria ovariana. Foi possível observar que o diâmetro médio do ovócito no folículo primordial representou quase metade do diâmetro total do mesmo folículo, o que não se repet iu no diâmetro dos demais folículos. Foi visível que a média do diâmetro dos folículos aumentou a medida em que houve o crescimento e desenvolvimento do mesmo, como é possível observar nas médias do diâmetro dos folículos secundários e maduro (156,35 µm e 270,31 µm, respectivamente). A média do diâmetro dos ovócitos também aumentou com o desenvolvimento geral dos folículos, embora numa proporção menor, conforme as médias do diâmetro dos ovócitos nos folículos primários multilaminar e no folículo maduro (médias de 50,11 µm e 74,41 µm, respectivamente).
Tabela 1. Diâmetro médio dos folículos ovarianos de Pteronotus gymnonotus. Dados expressos em média ± desvio padrão. DF = Diâmetro do folículo. DO = Diâmetro do ovócito.
Na tabela 2 são apresentados os valores médios referentes os componentes ovarianos, demonstrando a porcentagem média de cada um. Foi possível observar predominância de folículos primários multilaminares, perfazendo uma média de 22%, seguido de folículos primordiais com uma média de 19%. Assim, em conjunto, estes dois tipos de folículos representaram cerca de 41% dos componentes ovarianos nos espécimes utilizados neste estudo.
Já o corpo lúteo apresentou a menor porcentagem dentre as estruturas funcionais ovarianas, com uma média de 9,39%. Folículos secundários e maduros perfizeram juntos uma média de 25,38% da área ovariana.
Tabela 2. Componentes do Ovário, em percentual, de Pteronotus gymnonotus. Dados expressos
Na comparação entre os ovários com e sem a presença do corpo lúteo, percebe-se que o diâmetro, área e volume do ovário sem corpo lúteo são menores do que no ovário com corpo lúteo, evidenciando, mais uma vez, o processo de regressão do ovário que não ovulou (Figura 3).
Figura 3. Compa ração do diâ metro, á rea e volume dos ová rios de Pteronotus gymnonotus, com e sem a presença de corpo lúteo.