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3. MATERIAL E MÉTODOS

3.2 Métodos

4.1.3 Morfometria das estruturas cerebrais

As estruturas cerebrais medidas foram partes dos corpos pedunculados e lobos antenais. Nos corpos pedunculados restringiram-se à área ocupada pelas células de Kenyon, independentemente da sub-população a que pertenciam, pelos neuroblastos, pelos prolongamentos que formam o cálice e o pedúnculo destes. A figura 24 mostra como estas medidas foram feitas.

A medida das áreas ocupadas por essas estruturas cerebrais e subseqüente análise estatística dos resultados mostra a ocorrência de diferenças no desenvolvimento do sistema nervoso de operárias, rainhas e machos de A. mellifera durante todas as fases da metamorfose, evidenciando que estas classes de indivíduos apresentam diferenciação assincrônica e desigual.

Operárias, rainhas e zangões apresentam diferenças significativas na área ocupada por neuroblastos durante todas as fases do desenvolvimento (FIG. 25). Assim, rainhas apresentam a maior área de neuroblastos desde a fase de larva até pupa de olhos marrom (POM) enquanto, as operárias apresentam menor área deste tipo celular até esta fase, sendo que em pupas de olhos marrom (POM), as operárias passam a apresentar área significativamente maior que rainhas e zangões.

Quanto à área ocupada por células de Kenyon (FIG. 26), existem diferenças estatísticas entre os grupos de indivíduos até a fase de pupa de olhos marrom. Em larvas, devido à pequena quantidade deste tipo de células, não foram feitas medidas. Em pupas de olhos brancos (POB) e pupas de olhos marrom (POM), as operárias apresentam a área de células de Kenyon significativamente menor que rainhas e zangões e na fase de pupas de olhos rosa (POR), os zangões apresentam maior área de células de Kenyon. No entanto, a partir da fase de pupas de olhos pretos (POP) não há mais diferenças significativas na área ocupada por estas células entre operárias, rainhas e zangões.

Os valores obtidos para a média da largura dos pedúnculos e para a média da área do cálice estão representados, respectivamente nas figuras 27 e 28. Pode-se observar que as operárias apresentam média da largura dos pedúnculos maior em todas as fases estudadas, sendo que esta diferença apenas não é significativa nas fases de pupa de olhos brancos (POB) e pupa de olhos pretos (POP) (FIG. 27). As rainhas apresentam menor média da largura dos pedúnculos em todas as fases estudadas, sem serem as diferenças significantes, em relação aos outros grupos nas fases de pupas de olhos brancos (POB) e pupas de olhos pretos (POP). Na fase de pupa de olhos pretos (POP), rainhas apresentam uma diminuição significativa na média da largura do pedúnculo.

Quanto à área do cálice, apesar das operárias apresentarem durante quase todas as fases do desenvolvimento (exceção para pupas de olhos rosa - POR) áreas médias significativamente menores que rainhas e zangões, em indivíduos recém-emergidos passam a apresentar a maior média de área do cálice, com diferenças significativas para com a rainha e o macho (FIG. 28).

Foram feitas também medidas da área ocupada por células em processo de morte celular nos corpos pedunculados (FIG. 29). As rainhas apresentaram média da área de morte celular significativamente maior que operárias e zangões. Operárias e zangões

não apresentaram diferenças significativas na média da área de células em processo de morte.

Com relação à morte celular que ocorre nos lobos ópticos em pupas de olhos brancos e pupas de olhos rosa (FIG. 30), os resultados estatísticos mostraram que células com esta morfologia ocupam área significativamente maior em rainhas, seguido por operárias, em ambas as fases em que este evento ocorre. Portanto, nos machos ocorre menos mortes celulares que nas fêmeas.

Os resultados das áreas ocupadas pelos lobos antenais de operárias, rainhas e zangões de A mellifera durante a metamorfose estão representados na figura 31. Um aumento gradual da área de neurópila pode ser observado até a fase de pupas de olhos marrom nas três classes de indivíduos. Nesta fase, a área de neurópila dos machos é significativamente maior que em operárias e rainhas. Em pupas de olhos marrom, ocorre um aumento significativo da área de neurópila nas três classes de indivíduos estudados, sendo este aumento mais marcante em rainhas e zangões. Não ocorre aumento significativo na área de neurópila em zangões de pupas de olhos pretos, mas em rainhas e operárias há aumento significativo desta estrutura. Em adultos recém-emergidos a área ocupada pela neurópila dos lobos antenais de operárias ultrapassa a área desta estrutura em rainhas e zangões, embora esta diferença não seja significativa.

4.2 Mortes celulares durante a diferenciação do cérebro

A diferenciação do cérebro adulto a partir do larval já foi descrita e pode ser vista nas figuras de 1 a 23 e novamente na figura 32. Esta diferenciação compreende não só o amadurecimento de células já existentes, como também a produção de novas células e morte de outras. Tanto a morte como a divisão celular são eventos característicos e essenciais da diferenciação dos órgãos.

Conforme descrito atrás, as estruturas mais distintas do cérebro de operárias, rainhas e machos de A. mellifera estão localizadas no protocérebro e são os corpos pedunculados e os lobos ópticos e, no deuterocérebro, os lobos antenais. No entanto, como os lobos antenais são constituídos principalmente por neurópila, os estudos sobre morte celular visaram os corpos pedunculados e os lobos ópticos apenas.

Tendo em vista a necessidade de identificar as mortes celulares nestas estruturas à medida que sua diferenciação progredia, várias técnicas foram utilizadas com este propósito. A seguir serão descritos os resultados obtidos com cada uma das técnicas empregadas.

Para a verificação das características ultra-estruturais das células em processo de morte, foram escolhidos os corpos pedunculados de pupas de olhos preto de rainhas (FIG. 32E), por apresentarem uma extensa área com células morrendo.