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Figura 3.3.6 - Mapa de Vulnerabilidade Atual à Erosão por Sub-bacia

CARGA TOTAL DE SEDIMENTOS

4. SANEAMENTO AMBIENTAL

5.2 Mortalidade Infantil

Estudos revelam que as melhorias apresentadas na oferta e na qualidade da água tratada no Brasil, verificadas nas décadas de 1970 e 1980, fizeram com que os índices de mortalidade infantil diminuíssem sensivelmente. De fato, os dados referentes à pesquisa sobre mortalidade infantil, disponibilizados pelo Ministério da Saúde através do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), para o período 1989-1998, demonstram como as taxas de mortalidade infantil vêm-se reduzindo significativamente nos municípios da bacia do rio Paraíba do Sul. No entanto, ao analisar os níveis atuais desagregados por Estado e por sub-bacias, observam-se níveis diferenciados de mortalidade, indicando a necessidade de programas específicos para as regiões que ainda apresentam níveis altos, quando comparados com patamares alcançados em países desenvolvidos, que se situam abaixo de 20 óbitos por 1.000 nascidos vivos.

A mortalidade infantil é um dos principais indicadores de saúde pública e pode ser utilizada como indicador geral ou específico. Como indicador geral de saúde expressa, em associação com outros indicadores, a situação de saúde de determinada comunidade e as desigualdades de saúde entre grupos sociais e regiões. Como indicador específico revela as condições de saúde do grupo materno-infantil. Diversos fatores contribuem para a redução da mortalidade infantil, dentre os quais a imunização, a promoção do aleitamento materno e do acompanhamento pré-natal, o combate às doenças infecciosas e à desnutrição, mas, sem dúvida, ações de melhoria das condições de saneamento têm sido decisivas para os progressos encontrados nos indicadores de saúde desse grupo populacional.

Nesse sentido, os dados de mortalidade infantil aqui apresentados podem ser tomados como indicadores das condições gerais de saúde da população da bacia do rio Paraíba do Sul, realçando as diferentes realidades socioeconômicas presentes na bacia.

PEC-2939 – Plano de Recursos Hídricos para a Fase Inicial da Cobrança na Bacia do Rio Paraíba do Sul

V.2

5.2.1 Metodologia utilizada

Para a realização do diagnóstico de mortalidade infantil na bacia do Paraíba do Sul foram utilizados dados da pesquisa “Estimativa da mortalidade infantil por microrregiões e municípios”, elaborada pelo Ministério da Saúde e disponibilizada pelo DATASUS. Essa pesquisa estimou a mortalidade infantil para o Brasil, regiões e unidades da Federação nos anos 1989, 1990, 1994 e 1998.

A fim de verificar a distribuição da taxa de mortalidade infantil na bacia do rio Paraíba do Sul foram realizados dois níveis de agregação dessa taxa por Estado e por sub-bacia. No cálculo da taxa de mortalidade infantil por Estado foram considerados os municípios com sede na bacia, totalizando 80 municípios em Minas Gerais, 50 no Rio de Janeiro e 34 em São Paulo. Para evitar distorções na taxa de mortalidade infantil, quando é feita a agregação de municípios, ponderou-se a taxa de mortalidade em relação às populações municipais.

Com respeito à agregação dos dados por sub-bacia, uma vez calculada a taxa de mortalidade para a totalidade do município, foi necessário adotar um critério simplificador, que consistiu na inclusão do município em determinada bacia em função da localização de sua sede. Foram definidas 10 sub-bacias, tomando como base afinidades socioeconômicas e ambientais e a existência de organização em torno da gestão dos recursos hídricos. Depois de grupados os municípios por sub-bacia, calculou-se a taxa média de mortalidade infantil, por média ponderada, para o ano 1998.

5.2.2 Resultados obtidos

A taxa estimada de mortalidade infantil caiu nos três Estados no período abrangido pela pesquisa. Para o trecho paulista da bacia, no ano de 1998, a média ponderada da taxa de mortalidade infantil ficou abaixo de 20 óbitos de menores de um ano por 1.000 nascidos vivos, considerada baixa pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em relação aos trechos mineiro e fluminense, as taxas de mortalidade infantil, apesar de mais altas, também apresentam tendência decrescente e da mesma magnitude e, segundo os parâmetros utilizados pelo Ministério da Saúde, de intensidade média. A Cúpula Mundial da Criança estabeleceu como meta para o Brasil no ano de 2000 a taxa de 30 óbitos infantis por 1.000 nascidos vivos. Portanto, analisando a taxa de mortalidade para o conjunto da bacia do rio Paraíba do Sul, com base nessa pesquisa, conclui-se que os patamares atuais são satisfatórios (Figura 5.2.1).

Figura 5.2.1

Taxa estimada de mortalidade infantil na bacia do rio Paraíba do Sul, por média ponderada, apresentada por Estado e por ano

(óbitos por 1.000 nascidos vivos)

Ao agrupar as taxas municipais de mortalidade por sub-bacias, observam-se diferenças regionais, ficando a variação entre os dois extremos em torno de 60%. Como pode ser apresentado na Figura 5.2.2, o trecho paulista da bacia é o que apresenta a menor taxa de mortalidade infantil, o que não significa que todos os 34 municípios analisados possuam taxa de mortalidade infantil abaixo de 20 mortos para cada mil nascidos vivos. Na verdade, como a taxa foi ponderada pela população, os municípios de São José dos Campos, Taubaté e Jacareí, que juntos representam aproximadamente 54% do total populacional desse trecho da bacia, levam a taxa para o patamar de menos de 20 mortos para cada 1.000 nascidos vivos.

Situação oposta ocorre no trecho da foz do rio Paraíba do Sul. Nesse caso, o município de Campos dos Goytacazes, por possuir elevada taxa de mortalidade infantil e representar mais de 75% da população total da região, leva a taxa para o patamar próximo a 33 óbitos por 1.000 nascidos vivos.

A bacia do rio Paraibuna é outro caso que merece comentários. Nessa bacia, apesar de a grande maioria dos municípios apresentar taxa de mortalidade infantil acima de 35 óbitos por 1.000 nascidos vivos, a baixa taxa de mortalidade do município de Juiz de Fora e a sua grande população, mais de 80% do total, contribuem significativamente para a baixa taxa apresentada na bacia.

Quando se observa o conjunto das sub-bacias, constata-se que, a exceção da Foz (taxa mais elevada) e da bacia do rio Paraibuna, as sub-bacias situadas no trecho mineiro apresentam taxas de mortalidade mais altas do que as demais. Em parte isso pode ser justificado pelo predomínio de municípios com economias incipientes de base rural. Em termos gerais, constata-se que os municípios mais industrializados são os que apresentam menores taxas de mortalidade. Esse aspecto provavelmente está relacionado com as características culturais e socioeconômicas das populações. De outro lado, os municípios economicamente mais desenvolvidos também possuem melhor infra-estrutura de saneamento e serviços de saúde, o que contribui para a maior redução da mortalidade infantil.

0 5 10 15 20 25 30 35 1989 1990 1994 1998 São Paulo Rio de Janeiro Minas Gerais

0 25 50 km N E W S NW NE SE SW