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Tal como referido anteriormente, o documentário pode ser compreendido como um género em  constante  mudança  e  actualização.  Pode  recorrer  a  grafismos,  animações,  fotos,  som,  entre  outros,  uma  vez  que  através  destes  é  possível  acrescentar  valor  informativo  e  expressividade  à  acção (Oliveira, 2010). Uma destas formas de apoio ao audiovisual poderá traduzir‐se na inclusão  de “Motion Graphics” nos documentários. 

 

Segundo Delicado (2009), este é um termo que não reúne consenso na altura de o definir, tanto  conceptualmente  como  temporalmente.  No  entanto,  Woolman  afirma  que  Motion  Graphics  Design  “é  uma  convergência  de  animação,  ilustração,  design  gráfico,  narrativa  cinematográfica, 

escultura e arquitectura” (Woolman, cit. in Delicado, 2009, p. 21). Estes elementos, segundo Las‐

Casas  (2006,  p.  2),  ao  serem  sobrepostos  e  incorporados  de  maneira  expressiva  à  imagem  (“interferências gráficas”), desempenham o papel de verdadeiros actores. Num primeiro olhar, a  definição  parece  simples,  se  procedermos  à  sua  tradução  ‐  “gráficos  em  movimento”.  Mas  esta  definição  é  demasiado  simplista,  podendo  remeter  a  erros  (por  exemplo,  considerar  “motion 

graphics”  uma  placa  de  sinalização  de  restaurante  em  movimento  rotativo).  Aliás,  nem  sequer 

necessitam de se mover pois, a título de exemplo, uma tipografia que mude de cor gradualmente,  mantendo uma posição estática, por exemplo, é um motion graphic (Delicado, 2009).  

 

Os  motion  graphics  apresentam‐se,  portanto,  como  um  “processo  híbrido  que  intercepta  os 

processos e linguagens das áreas de cinema, animação e design gráfico, herdando as convenções  e regras  das  respectivas linguagens que representa” (Oliveira, 2010, p. 30).  Ao longo do  tempo, 

têm  sido  utilizados  em  diversas  produções,  fortalecendo  a  linguagem  gráfica  como  instrumento  para  a  comunicação  de  uma  narrativa  cinematográfica,  e  apontando  igualmente  uma  nova  tendência estética (Oliveira, 2010). Pereira (2009) argumenta que, apesar desta convergência de  disciplinas  que  os  compõem,  os  motion  graphics  podem  ser  colocados  num  ramo  específico  do  Design  de  Comunicação,  entre  outros  como  Design  Gráfico,  Web  Design,  Design  Editorial,  Tipografia,  etc.  Anteriormente,  devido  à  partilha  de  conhecimentos  e  princípios  basilares  ao  Design  Gráfico,  alguns  autores  colocavam‐nos  como  um  ramo  dentro  do  Design  Gráfico,  afirmando que estes se baseariam numa “relação  de transposição dos princípios conceptuais do 

Design Gráfico para os motion graphics” (Pereira, 2009, p. 31).  

Actualmente,  as  potencialidades  retóricas  e  plásticas  dos  motion  graphics  ganharam  uma  nova  expressão, com um crescendo de utilização e sensibilização junto de estúdios de pós‐produção de  imagem  e  vídeo,  bem  como  de  estúdios  de  design  ou  mesmo  dos  próprios  designers  (Delicado,  2009).  “We  are  now  in  the  midst  of  a  new  wave  commonly  referred  to  as  motion  graphics,  or 

motion  design”  (Woolman,  cit.  in  Delicado,  2009,  p.  28).  A  presença  de  motion  graphics  é  hoje 

transversal a vários meios, nos quais se incluem a TV, cinema e web. Estão presentes em filmes,  publicidade, vídeos institucionais, documentários, quiosques interactivos, CDs, DVDs, entre outros  (Delicado,  2009).  Isto  revela  uma  necessidade  de  comunicar  através  da  imagem,  movimento  e  composição, de forma significativa, clara, e expressiva (Oliveira, 2010).  

 

Delicado  (2009)  menciona  algumas  das  principais  utilizações  dos  motion  graphics  no  meio  televisivo e no meio cinematográfico. Na televisão, são empregues para tv branding (identidade  visual dos canais televisivos), em network packages (sistemas de informação em vídeo contendo  diversos  elementos,  como  logótipos,  bumpers,  oráculos,  mortises,  geralmente  com  coerência  gráfica  entre  si),  nas  aberturas  de  programas  televisivos,  como  show  packages  (diversos  elementos  promotores  do  mesmo  programa),  em  interstitials  (mini‐programas  entre  30  e  60  segundos),  oráculos  (mesclas  de  texto  e  gráficos,  servindo  geralmente  funções  informativas), 

mortises  (gráficos  que  enquadram  vídeo),  bumpers  (apresentações  breves  entre  programas  e 

anúncios),  spots  publicitários,  infografias,  lineups  e  upfronts  (grafismos  que  informam  o  alinhamento  da  programação),  tags  (apresentações  extremamente  curtas  de  reforço  de  uma  marca),  art  film  (experiências  artísticas),  videoclips  musicais,  entre  outros.  Ou  seja,  uma  gama  bastante  ampla  de  utilizações,  seja  de  forma  independente,  ou  como  complemento  de  outras  obras. 

 

Já no cinema, os seus empregos não são tão vastos. Enquanto inicialmente era habitual empregá‐ los  apenas  em  sequências  introdutórias  ou  nos  créditos  finais,  para  ajudar  a  contextualizar  e  envolver  o  espectador  na  atmosfera  do  filme,  actualmente  são  utilizados  mesmo  durante  a  sua  duração,  para  ajudar  a  transmitir  ideias  e  conceitos  (Delicado,  2009).  Um  exemplo  bastante  recente  envolve  o  filme  “Scott  Pilgrim  Vs.  The  World”(2010)64,  que  utiliza  motion  graphics  constantemente  ao  longo  da  sua  duração,  fazendo  alusões  a  acções,  sentimentos,  estados  de  espírito,  ou  até  comparações  a  situações  existentes  noutros  meios  (uma  luta  comparada  a  um  jogo de arcada, por exemplo). 

      

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    Figura 22 – Exemplos de Motion Graphics utilizados no filme “Scott Pilgrim Vs. The World” (2010)    Para que os motion graphics façam sentido, existe uma necessidade de personalização, de forma  que as pessoas a quem se destina sejam capazes de se identificar com o produto criado. Por isso,  eles  podem  servir  como  “factor  de  dinamização  e  atractividade  do  vídeo,  desde  que  utilizados 

com moderação e de uma forma que acrescente valor ao sentido da narrativa”, ajudando assim a 

“reforçar uma ideia” com elementos gráficos (Oliveira, 2010, p. 149).    

Para  uma  percepção  mais  detalhada  sobre  a  temática  dos  motion  graphics,  foram  consideradas  como  referências  de  leitura  os  trabalhos  de  João  Delicado  (“Motion  Graphics  ‐  O  Design  em 

Movimento Aplicado Ao Documentário”, 2009), Daniela Rosário (“A Dimensão Gráfica e Ilustrativa  no  Género  Documentário”,  2009)  e  Leonardo  Pereira  (“Estratégias  de  Produção  de  Motion  Graphics  Para  Mobile  TV:  O  Contexto  Português”,  2009)  já  supra  referidos  e  cuja  realização  foi 

também no âmbito do Mestrado em Comunicação Multimédia.   

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03. IMPLEMENTAÇÃO

PRÁTICA

     

Seguindo‐se  ao  apresentado  no  enquadramento  teórico,  no  capítulo  2,  este  capítulo  pretende  descrever  o  processo  de  desenvolvimento  completo  do  web  documentário  I  Am  Erasmus,  iniciando‐se pela sua pré‐produção, passando pela captura, edição e pós‐produção, até à criação  do render final do produto. Este webdoc foi realizado com base nas entrevistas realizadas a um  grupo de estudantes Erasmus a estudar na Universidade de Aveiro durante o ano lectivo de 2009‐ 2010, bem como a alunos que se voluntariaram a ser Erasmus Buddies65, e ainda a funcionários do  Gabinete  de  Relações  Internacionais  da  Universidade  de  Aveiro66.  A  sua  intenção  é  descrever  a  experiência Erasmus na Universidade de Aveiro. 

 

Este  capítulo  é,  portanto,  composto  pela  descrição  da  Pré‐Produção,  Captura,  Edição,  Pós‐ Produção e Render Final do webdoc I Am Erasmus. 

3.1. Pré-Produção

 

Para  iniciar  o  processo  de  implementação  prática,  foi  necessária  uma  pesquisa  inicial  sobre  o  tema a tratar. Uma vez que o foco principal do projecto, a comunidade Erasmus na Universidade  de Aveiro (UA), foi estabelecido desde o início que seria importante fazer uma pesquisa sobre o  que é, de facto, o programa “Erasmus”, e quais os conceitos e tópicos associados.  

 

Erasmus,  de  acordo  com  a  página  oficial  da  Comissão  Europeia  de  Treino  e  Educação67,  é  “o 

programa  principal  de  educação  e  treino  da  União  Europeia,  que  permite  a  mais  de  200  000  estudantes  estudar  e  trabalhar  no  estrangeiro  todos  os  anos.  Para  além  disso,  cria  cooperação  entre  as  várias  instituições  de  ensino  superior  europeias”.  Algumas  das  vantagens  e  efeitos 

beneficiais  deste  programa,  descritos  nesta  mesma  página,  indicam  um  “enriquecimento 

académico  e  profissional”,  “melhoramento  na  aprendizagem  de  línguas  e  habilidades  interculturais”, “independência e auto‐consciencialização”.  

 

      

65  Erasmus  Buddy  “é  um  aluno  da  UA  que  funciona  como  o  contacto  por  excelência  com  os  alunos 

internacionais  que  pretendem  estudar  na  UA,  mesmo  antes  de  chegarem”  –  fonte:  http://www.ua.pt/gri/PageImage.aspx?id=5597&ref=ID0EBCA/ID0EBBCA , última consulta a 5 de Novembro  de 2010 

66 Página Oficial do Gabinete de Relações Internacionais da Universidade de Aveiro ‐ http://www.ua.pt/gri/   67

  http://ec.europa.eu/education/lifelong‐learning‐programme/doc80_en.htm,  consultado  a  5  de  Novembro de 2010